BARRAGEM DE FRIDÃO - CASCATA DO TÂMEGA
A CRUELDADE E A INCOMPETÊNCIA DO «SOCIALISMO» NO GOVERNO E EM AMARANTE
Hoje, Terça-feira, dia 1 de Abril, por mais uma vez, reincido num tema que tem 14 anos de ampla abordagem pública e outros tantos de alheamento pela parte da autarquia amarantina, a barragem de Fridão versus «cascata do Tâmega».
Depois do recurso expedito e falacioso do
Governo à patranha que o designado «Programa Nacional de Barragens com Elevado
Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)» constitui do ponto de vista ambiental, e do
desenvolvimento sustentável, pela exploração exaustiva e massificada da água dos
rios que nele está consagrada, em particular do Tâmega, pelo ministro do
Ambiente (Francisco Nunes Correia) e pelo primeiro-Ministro (José Sócrates),
com a divulgação do concurso público para a construção das barragens de Gouvães, Padroselos,
Vidago (Alto Tâmega) e Daivões, acabaram de anunciar que no final
deste mês será a vez de Fridão, integrando o mesmo «lote» de Alvito e Almourol.
Sendo o dia primeiro de Abril ainda haverá
quem possa admitir que se tenha tratado de alguma partida alusiva à data, mas
de tantas partidas que o Governo vem “pregando” aos portugueses, admito que a
experiência governativa aconselhasse, precisamente, reservar o dia de hoje para
tratar de assuntos sérios e de grande complexidade.
Por isso, só a posteriori seremos confrontados com a cega
rudeza da decisão e a crueldade da alienação de rios e da segurança da cidade
de Amarante por via da construção betonada, em pleno leito fluvial, de centrais
produtoras de hidroelectricidade.
É este o respeito do Governo pelos
amarantinos, e a consideração que têm por Amarante o primeiro-Ministro e o
Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento
Regional; é esta a gestão dos recursos naturais de que o «socialismo» dá prova,
salvo as devidas proporções, mas em nada diferente à orientação do Partido
Comunista Chinês para o rio Yang Tze. Em contraponto, e
em mais este caso, ficamos com a prova da eficácia, e da enérgica e consequente
acção da Câmara Municipal de Amarante – «socialista», como gostam de sublinhar –
junto dos membros do Governo do seu Partido, quando se trata de assegurar
o Interesse Público local. Quanto ao que aqui é abordado a propósito
da barragem de Fridão/«cascata do Tâmega», estamos falados, e este não será
propriamente caso único ou apenas primeiro…
Por causa das nefastas decisões que foram já
tomadas a propósito da construção das barragens no rio Tâmega, os alarmes estão
a ressoar em Amarante e nesta acção de consciencialização e de militância
verdadeiramente amarantina, relevo o papel do Coronel Artur Freitas, bem
patente na última diligência acabado de efectuar junto do presidente da Câmara
Municipal de Amarante, e que transcrevo com a indispensável permissão e
reconhecimento:
«Sr. Presidente da
Câmara Municipal de Amarante:
Independentemente do que
V. Exa. houver por bem transmitir-nos na reunião que se dignou
conceder-nos na próxima 5.ª feira, à tarde, creio que esta notícia
será de molde a que V. Ex.ª tenha que reajustar o calendário que certamente
teria em mente para concretizar acções consequentes para impugnar o
Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, no que
toca à barragem de Fridão, em harmonia com a vossa posição e promessas
públicas, a que estarão atidos os amarantinos que em V. Ex.ª continuam a
depositar as suas expectativas, em função dessas mensagens relativamente
tranquilizadoras.
Perante este anúncio perturbador, que vos terá surpreendido tanto quanto
a nós, permitimo-nos sugerir a V Exa. a urgência de alertar a
Comissão de Acompanhamento erigida na Assembleia Municipal e a que preside
o ilustre deputado municipal Exmo. Sr. Dr. Abel Afonso, comissão cuja dedicação
e trabalho nos não merece quaisquer críticas nem louvores, porquanto não
transparecem minimamente para o domínio público.
Se no
entender de V. Exa. a questão atingiu o ponto de não retorno, e V. Exa. se
reconhece ultrapassado pelos factos, teremos que ponderar na reunião
da próxima 5.ª feira, e em conjunto com V. Exa., se fará algum sentido agastarmo-nos em
esperanças vãs, ou continuar a alimentar ilusões no povo amarantino, ou de
outro modo, é vossa e nossa obrigação, alertar os munícipes, em relação a
que o cenário se precipitou, só lhes restando equacionar todas e quaisquer formas
de fazer chegar, aos responsáveis, a nossa sentida inconformação e
revolta por mais este esbulho e atentado à nossa cidade de que as
gerações futuras, certamente, e com toda a legitimidade, pedirão contas a todos
nós, a começar naturalmente por V. Exa. que nos representa junto do poder
central.
Só
assim nos demarcaremos do que possa induzir que adormecemos ou
beijamos demasiado a mão ao sistema, amolecendo a opinião pública
com retóricas bizantinas ou discursos de circunstância (não excluindo
a nossa quota-parte de ingenuidade cúmplice).
A V. Exa., e como
sempre, pertence a primeira e última palavra, contando incondicionalmente
connosco, em alinhamento com os interesses de Amarante a que V Exa. deve
indeclinável e cristalina fidelidade.
Com
os nossos mais respeitosos cumprimentos,
A Freitas»
Do meu ponto de análise, tudo quanto havia a
fazer por parte das instâncias representativas dos amarantinos, visando a
preservação da terra amarantina e do rio Tâmega como rio, já deviam ter sido
tomadas há mais de uma década, mas ainda hoje estamos confrontados com decisões
do Governo que reflectem uma indecorosa falta de senso local, e de verdadeiro
empenhamento autárquico pela nossa causa comum amarantina.
As promessas de acção, de oposição
consequente do presidente da Câmara Municipal de Amarante, até com recurso ao
Presidente da República e às instâncias judiciais europeias, à nefasta e vil
decisão do Ministro do Ambiente, do Ministro da Economia, e do
primeiro-Ministro, preparada conjuntamente com a REN, o Director-Geral do
Instituto de Geologia e Energia e o Presidente do Instituto da Água (INAG),
ficaram por certo mais uma vez coladas ao gongorismo da vã retórica truculenta
que a sociedade amarantina digere desatenta.
As provas estão à vista de todos, mas há luz
que, não eléctrica, para alguns, ainda cega mais do que os deixa exercitar a
visão.
Parafraseando um velho aforismo popular muito
amarantino, sempre será desta que lá vamos todos “numa cheia de calondros”…
No «primeiro de Abril» do ano de dois mil e
oito, não é por acaso que há «águas mil», e não será por engano que
em Portugal são concursadas barragens aos «lotes».
José Emanuel Queirós, in PLENACIDADANIA - 2 de Abril de 2008








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