terça-feira, 25 de março de 2008

Grande parte dos projectos serão da EDP: Novas barragens criam sete mil novos empregos e envolvem dois mil milhões de investimento









Grande parte dos projectos serão da EDP
Novas barragens criam sete mil novos empregos e envolvem dois mil milhões de investimento

Nos próximos anos serão construídas dez novas barragens de "elevado pontecial"
Manuel Roberto (arquivo)

Portugal entrou numa nova vaga de construção de barragens como não via há mais de quatro décadas. Nela, a EDP tem a parte de leão: entre novas barragens e reforços de potência das já existentes somam-se quase mais três novos mil megawatts de potência, dos quais dois mil fazem parte dos planos da EDP.

A empresa vai reforçar a potência em oito barragens, sendo que é concessionária de todas as grandes e médias barragens já existentes, vai construir o Baixo Sabor e tem direito de preferência para Foz Tua, cujas propostas são hoje conhecidas.

Construir uma barragem exige mais mão-de-obra do que uma central térmica, o que faz com que a eléctrica preveja um pico de sete mil trabalhadores nos seus diversos estaleiros, a partir do segundo semestre do próximo ano. Anda a preparar-se há mais de dois anos para o volume de trabalho que se avizinha, sendo que o último sinal partiu de dentro, ao ter travado algumas saídas de quadros que já estavam programadas.

O pico da primeira fase de investimentos deverá registar-se no segundo semestre de 2009, com quatro mil novos postos de trabalho, e o segundo pico deverá ocorrer entre 2010 e 2011, com mais 2800 novos empregos. Os projectos estão a cargo da direcção de projectos e investimento, responsável pelo planeamento, construção e operação de todos os centros produtores de energia, térmica, grande e pequena hídrica, exceptuando a eólica. Nela trabalham 250 dos 1200 trabalhadores que integram hoje a EDP Produção.

Sabor foi "pedra de toque"

A reorganização da direcção de projectos e investimento começou no final de 2006, ainda com João Talone, antecessor de António Mexia, a presidir à comissão executiva. Nessa altura, foram definidas três grandes orientações para um novo plano de recursos humanos: aposta nas competências críticas no domínio da hidroelectricidade, passagem para outsourcing das chamadas áreas não críticas (como a fiscalização de obras), reduzindo o número de trabalhadores, e ordem para rejuvenescer.

O plano esteve num impasse até Agosto de 2007, quando o processo da barragem do Baixo Sabor foi finalmente lançado. "Foi a pedra de toque", sublinha Ferreira da Costa, director de projectos e investimento da EDP. A partir daí, o plano de redução de efectivos passou a ser de crescimento, mas mantendo a orientação anterior: focalização nas áreas críticas e contratação de gente mais jovem. "Adiámos algumas saídas programadas, queremos também um reforço significativo do rejuvenescimento, porque é preciso preparar a empresa para o futuro. Voltámos a recrutar quadros no mercado", diz Ferreira da Costa.

Nos jornais, a empresa publicou, pela primeira vez, anúncios a pedir engenheiros jovens e experientes. As vagas não chegam às três dezenas, mas a empresa recebeu 1300 candidaturas. O recrutamento de novos engenheiros também está a ser feito junto das universidades.

O PÚBLICO sabe que o plano que começou por uma redução de 20 por cento dos efectivos deverá registar, pelo contrário, um aumento de oito por cento até ao final de 2011. Dentro de três anos, Ferreira da Costa aponta para uma equipa de perfil diferente da que tinha 2007: uma média etária de 44 anos, quatro anos inferior à actual, menos quadros médios e mais quadros superiores, entre contratados no exterior e "recrutados" junto de outras direcções da empresa.

Concorrência espanhola
O investimento em barragens é apenas uma parte do grande bolo que o sector da construção espera até 2017 e para o qual se diz "mais do que preparado". O presidente da federação da construção, Fepicop, que agrega as principais associações do sector, diz que o Governo não pode deixar de cumprir o Plano Nacional de Barragens que anunciou, e que não é aceitável que venha a ter mudanças de opinião e de políticas. "Trata-se de um projecto muito ambicioso e se queremos cumprir Quioto não podemos adiar mais."

As "indecisões constantes" e as "sucessivas mudanças de opinião" acerca dos grandes investimentos públicos são matéria de preocupação das empresas de construção. Em causa, e até 2017, está um número muito apreciável de volume de investimento: 40 mil milhões de euros. "O Governo não se pode dar ao luxo de o concretizar sem os privados. E os privados estão à altura do desafio", insistiu.

No caso das barragens, as construtoras têm responsabilidades acrescidas. Em vez da pulverização em cerca de três dezenas de contratos, como era prática no passado, a EDP tem agora um modelo bicontratual, com dois grandes contratos, um para a empreitada geral de construção (no passado, dispersa por uma trintena de contratos) e outro para o fornecimento do equipamento. São os construtores que têm agora de fornecer as actividades que a EDP colocou em outsourcing, como a fiscalização e segurança da obra, acompanhamento ambiental, hidrometria, ensaios de materiais, desenho e projecto de execução, entre outros.

Apesar da longa crise que o sector da construção atravessou, com quebras na produtividade seis anos consecutivos, Reis Campos diz que o tecido empresarial português soube reestruturar-se. "O sucesso que as empresas conseguiram nos mercados internacionais é a prova disso. E os processos de fusões e os planos estratégicos entretanto anunciados também: para já, só temos uma empresa com volume de negócio acima dos mil milhões, mas já há uma mão-cheia delas a apontar esse objectivo", afirma Reis Campos, referindo-se à Mota-Engil, que tem experiência em construção de barragens (construiu o Alto Lindoso) e facturou o ano passado 1100 milhões de euros, mas também a outras que lá querem chegar, como a Soares da Costa (que adquiriu a Contacto e que alguns rumores apontam como interessada na MonteAdriano), a Opway, que resultou da fusão da Opca com a Sopol e a espanhola Sárrion, ou a Teixeira Duarte.

Estas empresas estão ainda longe da capacidade de grupos espanhóis como a ACS ou a Ferrovial mas, segundo Reis Campos, a expectativa é que "esse grupos, que já são muito mais do que construtores, apareçam para estes concursos como investidores e não como construtores".

Luísa Pinto, Lurdes Ferreira, in PÚBLICO - 25 de Março de 2008

Barragens que criam emprego...

Barragens que criam emprego

“Novas barragens criam sete mil novos empregos e envolvem dois mil milhões de investimento” - Luísa Pinto, Lurdes Ferreira, in Público - 25.03.2008

Ao contrário do que a notícia pretende sugerir, as barragens não criam empregos. As pessoas que lá trabalham é que criam barragens. As barragens represam água. A eliminação de desequilíbrios estruturais na economia é que pode gerar empregos.

João Miranda, in Blasfémias - 25 de Março de 2008

domingo, 23 de março de 2008

DIA MUNDIAL DA ÁGUA - RIO TUA: Ambientalistas aproveitam Dia da Água para contestarem Plano Nacional de Barragens

DIA MUNDIAL DA ÁGUA - RIO TUA

Ambientalistas aproveitam Dia da Água para contestarem Plano Nacional de 

Barragens

Várias organizações pediram novas políticas de ambiente, sustentadas por estudos científicos

A comissão coordenadora da associação Afectados pelas Grandes Barragens e Transvazes (Coagret) exige uma sindicância à actuação das presidências do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICN) e da sua tutela, nos últimos doze anos. Quer também ver revista a rede nacional de áreas protegidas, que considera desactualizada. Ao mesmo tempo, reivindica a retirada da superfície das albufeiras das grandes barragens hidroeléctricas - mas não as suas margens, nem as pequenas barragens de abastecimento público e regadio - das áreas protegidas. A Coagret, através da sua representação em Portugal, aproveitou a celebração do Dia Mundial da Água para fazer estas exigências e quer também que o processo da Rede Natura 2000 seja "monitorizado e revisto de forma participada, com base científica no início e no fim do processo". A Coagret foi uma das 12 organizações não governamentais (ONG) ligadas à área do ambiente que assinaram a carta, enviada no dia 20, ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, ao comissário europeu do Ambiente, Stavros Dimas, aos ministros do Ambiente e da Economia portugueses, ao presidente do Instituto da Água e ao director-geral da Energia e Geologia, contestando a construção de dez barragens incluídas no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, mais duas adicionais (Almourol e Sabor), alegando que esses projectos não respeitam a legislação europeia do Ambiente.

Para a Coagret, é inaceitável que a região transmontana esteja "subrepresentada neste processo, lesando os agricultores no pagamento de amenidades ambientais". Foi esta uma das razões por que decidiu comemorar no rio Tua, ontem, o Dia da Água (instituído pelas Nações Unidas, em 1993), com um comunicado à imprensa e a descida de um troço do rio - entre Vilarinho das Azenhas, concelho de Vila Flor, e a Brunheda, concelho de Carrazeda de Ansiães - por 14 canoístas do clube Azenhas Vivas.

Pedro Couteiro, presidente da Coagret-Portugal, fez duras críticas tanto ao ICN como ao ministro do Ambiente, a quem acusou de "não existir". "Existe um ministro dos fundos comunitários para o ambiente. E mesmo assim muito fraco, pois esses mesmos fundos já registam um atraso de catorze meses", considerou.

Também a sul, a população apresenta muitas reservas contra a criação da Barragem do Almourol. Cerca de cem pessoas manifestaram-se na sexta-feira no Rossio ao Sul do Tejo contra a construção daquela infra-estrutura hidroeléctrica, numa iniciativa promovida pelo Movimento Anti-Barragem.

Este movimento popular realizou ontem, naquela freguesia ribeirinha do concelho de Abrantes, uma sessão de esclarecimento sobre os impactos resultantes da eventual construção da Barragem de Almourol na região.

O Grupo de Estudo do Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), que participou neste encontro, mostrou-se bastante crítico relativamente a todo o Plano Nacional de Barragens (PNB). Para a organização ambientalista, "não existe uma política energética em Portugal": "Existe, sim, uma vontade enorme de agradar aos lobbies da construção civil", defende, salientando que "é mentira que este PNB seja importante para o país, porque ele não vem resolver problema algum".

O Plano Nacional de Barragens está a ser contestado por diversas associações e movimentos populares

sábado, 22 de março de 2008

RIO TUA - VILARINHO DAS AZENHAS (VILA FLOR): DIA DA ÁGUA SOLIDÁRIO CONTRA O PLANO NACIONAL DAS BARRAGENS

 
RIO TUA - VILARINHO DAS AZENHAS (VILA FLOR)

DIA DA ÁGUA SOLIDÁRIO CONTRA O PLANO NACIONAL DAS BARRAGENS

 

Rio e Linha do Tua

Rio Tua - Vilarinho das Azenhas (Vila Flor)

Rio Tua - Vilarinho das Azenhas (Vila Flor)

José Emanuel Queirós - Rio Tua - Vilarinho das Azenhas (Vila Flor)

Coronel Artur Freitas - Rio Tua - Vilarinho das Azenhas (Vila Flor)

Pedro Couteiro (COAGRET - Portugal) - Rio Tua - Vilarinho das Azenhas (Vila Flor)


COAGRET - Portugal, Vilarinho das Azenhas (Vila Flor) - 22 de Março de 2008

PNBEPH - João Joanaz de Melo à Lusa: "Este projecto é uma falácia que urge desmontar rapidamente"






PNBEPH - Declaração de João Joanaz de Melo à Lusa
"Este projecto é uma falácia que urge desmontar rapidamente"

"Efectivamente não existe uma política energética em Portugal, o que existe é um vontade enorme de agradar aos lobbies da construção civil", defendeu, salientando que "é mentira que este Plano Nacional de Barragens seja importante para o país porque ele não vem resolver problema algum".

"Enquanto se entretêm a construir dez barragens que vão causar impactos negativos profundos e irreversíveis nas margens e solos ribeirinhos, vão também estragar dez rios a troco de nada impedindo, entretanto, que se faça algo sério", disse.

João Joanaz de Melo disse à Lusa que o Plano Nacional de Barragens "não resolve problema nenhum porque as dez barragens juntas só vão produzir 3 por cento da energia que se consome em Portugal, sendo a taxa de crescimento anual de consumo de 4 por cento".

"Se em 9 meses o investimento desaparece não vejo que exista alguma virtude neste plano", afirmou.

O ambientalista disse ainda que este projecto "foi feito em cima do joelho uma vez que não foram avaliadas alternativas nem impactes cumulativos, não são preservadas as espécies e a biodiversidade, vai destruir os habitats ripícolas e o turismo de natureza e colocar em risco a segurança e bem estar das populações".
"Este projecto é uma falácia que urge desmontar rapidamente porque não tem outra virtude que não seja dar emprego à construção civil", disse João Joanaz, que considera que "o Governo só voltará atrás com este plano se o povo se mobilizar e disser alto e bom som que não quer que se faça a barragem de Almourol, nem quer que se faça barragem alguma das dez anunciadas".

O ambientalista apontou ainda para a necessidade de existir uma política energética "séria", referindo que as alternativas "passam pela melhoria da eficiência energética e pelas fileiras da energia solar, biomassa, geotérmica, eólica e ondas".

"Todas estas opções têm um potencial energético elevado ou muito elevado ao passo que o recurso às hídricas não passa de um potencial médio ou médio baixo", afirmou. 

João Joanaz de Melo, in RTP (via Lusa) - 22 de Março de 2008

sexta-feira, 21 de março de 2008

ONGs alertam UE para impacto de construção de barragens



ONGs alertam UE para impacto de construção de barragens

Lisboa, 21 mar (Lusa) - Organizações Não Governamentais do Ambiente (ONGA) alertam, no Dia Mundial da Água, o presidente da Comissão Européia (braço executivo da União Européia, UE), Durão Barroso, para o impacto da construção de 12 novas barragens na qualidade e quantidade dos ecossistemas aquáticos.

Os ambientalistas, em carta enviada a Durão Barroso, reconhecem os aspectos positivos da energia hidroelétrica, mas apontam "danos significativos nos cursos de água" e desvalorizam o impacto na redução das emissões para a atmosfera.

Em outubro, o governo português, através do Instituto da Água, apresentou o Programa de Barragens com Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH), um plano estratégico que seleciona, dentro de 25 hipóteses, a localização de dez novas barragens de acordo com critérios sociais, econômicos e ambientais.


Após um processo de avaliação ambiental estratégica, foram selecionadas seis barragens na bacia do Rio Douro, duas na bacia do Rio Tejo e uma nas bacias dos Rios Vouga e Mondego, tendo-se adicionado posteriormente o projeto do Ribeiradio e Baixo Sabor.


O PNBEPH visa aumentar o potencial hidroelétrico do país para 7000 MW, o que representa um acréscimo de 2000 MW até 2020 para reduzir a dependência energética de Portugal, diminuir as emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE) e, por último, visando cumprir a meta européia de atingir 20% de produção de energia a partir de fontes renováveis até 2020.


Mas os ambientalistas não vêm apenas os aspectos positivos destes empreendimentos, detectando vários problemas para a natureza.


Em comunicado, o presidente da Liga para a Proteção da Natureza Eugénio Sequeira explica que "os planos de construção de 12 novas barragens serão responsáveis por danos significativos em alguns cursos de água naturais".


O ambientalista acusa o governo de ter "fracassado na avaliação dos impactos ecológicos" e de não ter apresentado soluções alternativas mais efetivas em termos de custos e impactos ambientais, tais como a "microgeração, a expansão da energia solar ou a redução dos consumos".


Estas organizações ambientalistas afirmam que o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável Português (BCSD Portugal) estimou que o país tem potencial para poupar até 40% do seu atual consumo energético através da gestão de procura.


No entanto, afirmam, o governo em vez de se concentrar em soluções de implementação "simples" opta por investir um bilhão de euros num Programa de Barragens, cuja produção de eletricidade é equivalente a 3,3% da energia consumida em Portugal e que apenas diminui em 1% a emissão de gases com efeito de estufa.


Estes ambientalistas denunciam a ausência de uma avaliação "correta" sobre os impactos negativos da implementação deste programa e os benefícios decorrentes da não construção.


E adiantam que o plano das barragens "não apresenta uma avaliação qualitativa ou quantitativa ou qualquer ponderação sobre potenciais alternativas energéticas para a produção da energia prevista pelas barragens propostas", desconsiderando os compromissos governamentais de um aumento de 20% da eficiência energética em 2020 e ignorando a oportunidade de usufruir de tecnologias energéticas mais baratas e renováveis.


Esta ausência de avaliação do impacto da implementação do projeto e sugestão de alternativas exigida pela Diretiva de Avaliação Estratégica de Impactos Ambientais resulta numa violação da Diretiva-Quadro da Água (DQA), consideram os ecologistas.


"O PNBEPH não cumpre os objetivos da DQA no que toca a contribuir para a mitigação dos efeitos das cheias e secas pois este projeto não gera o fornecimento de uma quantidade suficiente de água de boa qualidade para uma utilização sustentável, equilibrada e eqüitativa", referem, na carta enviada ao presidente da Comissão Européia.


Os ambientalistas defendem que, considerando as características climáticas portuguesas, o armazenamento de água em aqüíferos subterrâneos é uma forma mais eficiente de garantir a qualidade e a quantidade de água do que os reservatórios superficiais.


Assim, esta ONGA - constituída pela LPN e Quercus em parceria com as associações Aldeia, Almargem, COAGRET-Portugal, Euronatura, FAPAS, Fundação Nova Cultura da Água, GEOTA, Grupo Flamingo, SPEA e o European Environmental Bureau - exige que Durão Barroso supervisione a concretização deste projeto e garanta que este não tenha seguimento sem antes ser avaliado.


in Uol (Ciência e Saúde) - 21 de Março de 2008

ONGs alertam UE para impacto de construção de barragens







ONGs alertam UE para impacto de construção de barragens

Organizações Não Governamentais do Ambiente (ONGA) alertam, no Dia Mundial da Água, o presidente da Comissão Europeia (braço executivo da União Europeia, UE), Durão Barroso, para o impacto da construção de 12 novas barragens na qualidade e quantidade dos ecossistemas aquáticos.

Os ambientalistas, em carta enviada a Durão Barroso, reconhecem os aspectos positivos da energia hidroelétrica, mas apontam "danos significativos nos cursos de água" e desvalorizam o impacto na redução das emissões para a atmosfera.

Em Outubro, o Governo português, através do Instituto da Água, apresentou o Programa de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), um plano estratégico que seleciona, dentro de 25 hipóteses, a localização de dez novas barragens de acordo com critérios sociais, económicos e ambientais.

Após um processo de avaliação ambiental estratégica, foram selecionadas seis barragens na bacia do Rio Douro, duas na bacia do Rio Tejo e uma nas bacias dos Rios Vouga e Mondego, tendo-se adicionado posteriormente o projeto do Ribeiradio e Baixo Sabor.

O PNBEPH visa aumentar o potencial hidroeléctrico do país para 7000 MW, o que representa um acréscimo de 2000 MW até 2020 para reduzir a dependência energética de Portugal, diminuir as emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE) e, por último, visando cumprir a meta europeia de atingir 20% de produção de energia a partir de fontes renováveis até 2020.

Mas os ambientalistas não vêm apenas os aspectos positivos destes empreendimentos, detectando vários problemas para a natureza.

Em comunicado, o presidente da Liga para a Proteção da Natureza Eugénio Sequeira explica que "os planos de construção de 12 novas barragens serão responsáveis por danos significativos em alguns cursos de água naturais".

O ambientalista acusa o governo de ter "fracassado na avaliação dos impactos ecológicos" e de não ter apresentado soluções alternativas mais efetivas em termos de custos e impactos ambientais, tais como a "microgeração, a expansão da energia solar ou a redução dos consumos".

Estas organizações ambientalistas afirmam que o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável Português (BCSD Portugal) estimou que o país tem potencial para poupar até 40% do seu actual consumo energético através da gestão de procura.

No entanto, afirmam, o Governo em vez de se concentrar em soluções de implementação "simples" opta por investir um bilhão de euros num Programa de Barragens, cuja produção de electricidade é equivalente a 3,3% da energia consumida em Portugal e que apenas diminui em 1% a emissão de gases com efeito de estufa.

Estes ambientalistas denunciam a ausência de uma avaliação "correcta" sobre os impactos negativos da implementação deste programa e os benefícios decorrentes da não construção.

E adiantam que o plano das barragens "não apresenta uma avaliação qualitativa ou quantitativa ou qualquer ponderação sobre potenciais alternativas energéticas para a produção da energia prevista pelas barragens propostas", desconsiderando os compromissos governamentais de um aumento de 20% da eficiência energética em 2020 e ignorando a oportunidade de usufruir de tecnologias energéticas mais baratas e renováveis.

Esta ausência de avaliação do impacto da implementação do projecto e sugestão de alternativas exigida pela Directiva de Avaliação Estratégica de Impactos Ambientais resulta numa violação da Directiva-Quadro da Água (DQA), consideram os ecologistas.

"O PNBEPH não cumpre os objetivos da DQA no que toca a contribuir para a mitigação dos efeitos das cheias e secas pois este projecto não gera o fornecimento de uma quantidade suficiente de água de boa qualidade para uma utilização sustentável, equilibrada e equitativa", referem, na carta enviada ao presidente da Comissão Europeia.

Os ambientalistas defendem que, considerando as características climáticas portuguesas, o armazenamento de água em aquíferos subterrâneos é uma forma mais eficiente de garantir a qualidade e a quantidade de água do que os reservatórios superficiais.

Assim, esta ONGA - constituída pela LPN e Quercus em parceria com as associações Aldeia, Almargem, COAGRET-Portugal, Euronatura, FAPAS, Fundação Nova Cultura da Água, GEOTA, Grupo Flamingo, SPEA e o European Environmental Bureau - exige que Durão Barroso supervisione a concretização deste projecto e garanta que este não tenha seguimento sem antes ser avaliado.

in, UOL (via Lusa) - 21 de Março de 2008

Especialistas de engenharia não conseguem tranquilizar adversários da barragem de Fridão









Especialistas de engenharia não conseguem tranquilizar adversários da barragem de Fridão

Os quatro especialistas de engenharia civil convidados pela Câmara Municipal de Amarante para um debate, sexta-feira à noite, sobre a segurança da barragem de Fridão, no rio Tâmega, não conseguiram tranquilizar os adversários da sua construção.

Os intervenientes asseguraram "a excelência da engenharia portuguesa" na construção de aproveitamentos hidroeléctricos, reputada em todo o mundo, mas ao mesmo tempo reconheceram "que não existem risco zero", deixando na centena e meia de assistentes a ideia de que a construção de duas barragens, a apenas três e seis quilómetros a montante da cidade, "é um facto consumado".

O debate sobre segurança reuniu dois dirigentes do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o presidente Carlos Matias Ramos e o responsável do Departamento de Barragens de Betão, Carlos Pina, um representante do Instituto da Água (INAG), João Avilez e ainda Ferreira Lemos, director do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Carlos Ramos disse à Lusa que compreende a "intranquilidade e o desconforto" da população de Amarante, mas assegura que nunca houve um acidente numa barragem em Portugal que tenha sido acompanhada pelo LNEC e que estes empreendimentos, além de cumprirem rigorosos controlos durante o projecto e a construção, são monitorizados permanentemente durante a sua fase de exploração.

Salientando que fala exclusivamente na qualidade de técnico, o presidente do LNEC considerou "ser sua obrigação aproveitar todas as oportunidades para esclarecer as pessoas e para desmistificar alguns mitos".

O risco de um colapso de uma barragem em arco, como a que está prevista para Fridão, classificada de nível 1 (o risco mais elevado), "é de um para dez milhões", afirmou Carlos Ramos, adiantando que a monitorização permitirá acompanhar ao milímetro o comportamento da obra, que será comparado com os dados do modelo numérico que foi executado a uma escala reduzida na fase de estudo e projecto da obra.

Primeiro caso de uma cidade no sopé de uma barragem
O responsável do LNEC, que se escusou naturalmente a dizer se era a favor ou contra a construção de Fridão, reconheceu, contudo, que não há nenhum caso em Portugal de uma cidade situada quase no sopé de uma grande barragem.

"É verdade, é verdade. Reconheço isso. Há um sentimento [de insegurança] que eu entendo perfeitamente, mas entendo também que a nossa lógica é técnica, de quem dedicou toda uma vida a este tipo de obras e à melhoria dos procedimentos tendo em vista uma antecipação dos problemas e um melhor dimensionamento", disse Carlos Ramos à Lusa.

"O que sabemos hoje é muito mais do que sabíamos em 1954 [quando foi construída a barragem do Cabril, no rio Zêzere, a primeira construída exclusivamente pela engenharia portuguesa]", concluiu o presidente do LNEC.

O responsável do LNEC pela área de barragens, Carlos Pina, insistiu que qualquer empreendimento deste tipo terá obrigatoriamente planos de emergência internos e externos e assegurou que num hipotético acidente há tempo suficiente para executar um plano de evacuação, colocando a salvo a população da cidade.

O debate girou também em redor do tempo de evacuação da população da cidade no caso de um acidente, que os ambientalistas e adversários da barragem estimam ser de apenas meia hora, mas há também respostas que apenas vão ser obtidas na fase de execução do projecto, como é a questão de "até onde chegará a onda", ou seja, que zonas de Amarante serão inundadas, no caso de ocorrer um colapso do paredão da barragem.

Por esclarecer ficou também a questão da sismicidade da zona, assinalada num relatório elaborado há 17 anos, mas que os técnicos procuraram minimizar, garantindo que serão feitos estudos rigorosos para o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) e que a barragem, a ser construída, será dotada de instrumentos de registo de sismicidade.
Construção de Fridão já aparece como “facto consumado”
Na fase de debate, o líder do movimento local de contestação à obra acusou os técnicos de serem pessoas ligadas à engenharia das barragens, apesar da sua elevada reputação técnica, e de terem vindo ao debate com o intuito de "defender a sua dama".

Para esta ideia, que perpassou em parte da assistência, contribuiu a apresentação inicial do vice-presidente do LNEC, ao deixar a "profecia" de que nenhum argumento conseguirá travar a construção das barragens no rio Tâmega, sobretudo se atentarmos à sua valia económica.

"Nos próximos anos passaremos várias vezes por esta cidade na visita às barragens que se vão construir no Tâmega", afirmou Carlos Pina, ao saudar a hospitalidade de Amarante.

Ferreira Lemos, da FEUP, realçou a "cultura de segurança" dos empreendimentos hidroeléctricos e, socorrendo-se de material da EDP, mostrou a antevisão das duas barragens, indicando que os planos da empresa prevêem que comece a produzir energia em 2016 e que a sua construção iniciar-se-á em 2012.

Para João Avilez, do INAG, a adjudicação à EDP é ainda provisória mas também este responsável salienta a valia económica da barragem de Fridão que contribuirá, com os outros nove empreendimentos lançados pelo Governo, para elevar a produção hidroeléctrica portuguesa para os 8.000 MW.

O estudo prévio da EDP relativamente a Fridão define a construção de uma barragem principal com quase uma centena de metros de altura e de um contra-embalse com 30 metros, este a apenas três quilómetros de Amarante, que os técnicos asseguram ser necessário para "modelar" [regularizar] o caudal do rio Tâmega na área urbana da cidade.

A Câmara de Amarante promete realizar outro debate sobre a barragem, este sobre os impactes ambientais sobre a cidade, uma área onde os ambientalistas e adversários da obra esperam ganhar algum terreno e ter argumentos mais convincentes para contrapor ao designado "lóbi dos engenheiros e do betão".

in Marão Online - 21 de Março de 2008

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Rio Tâmega - O prazer das águas correntes

RIO TÂMEGA
O prazer das águas correntes do rio Tâmega


Tamecanos no Tâmega - Fevereiro de 2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

As barragens representam perigo de cheias num planeta em aquecimento






As barragens representam perigo de cheias num planeta em aquecimento

Num período em que Moçambique enfrenta as piores cheias desde a independência, o Presidente Guebuza afirma que a solução é construir mais barragens. No entanto, as barragens são tão boas quanto os seus operadores, desenhistas e técnicos de manutenção – e nenhum destes foram particularmente bons em Kariba. E não existe nenhuma garantia que as barragens que já possuímos sejam capazes de suportar um clima em constante mudança. As nações do Zambeze devem aprender com os erros das outras nações e adoptar um conjunto de técnicas mais flexível, efectivas e sofisticadas, de forma a melhor lidar com as cheias.

As cheias são, entre os desastres naturais, as mais destrutivas, mais frequentes e com maior custo. E este facto piora a cada dia. As cheias no Zambeze já afectaram centenas de milhares de pessoas. Mais pessoas morrem a cada dia, na sua grande maioria por doenças causadas pela água contaminada. Ao menos parte deste sofrimento tem prevenção.

No entanto, parece que actualmente, a barragem de Cahora Bassa tem vindo a ser operada de forma mais cuidada, o que não acontece com a barragem de Kariba. Foi admitido pelos operadores da barragem de Kariba que no pico da nossa época de chuvas, a barragem estaria 100% cheia, de forma a maximizar a provisão de energia eléctrica às minas. Os residentes a jusante irão sofrer com esta má gestão.

Este não é o primeiro caso da má gestão de barragens que aconteceu em África. Centenas de pessoas foram mortas e centenas de milhares foram afectadas quando, em 1999 e em 2001, os operadores da barragem Nigeriana abriram as suas comportas sem aviso prévio. O desastre das cheias do ano passado no Gana tornou-se bastante pior quando os operadores de Burkina-Faso abriram as suas comportas para impedir que a barragem de Bagre transbordasse após intensas chuvas. Esta água libertada correu a montante, em direcção a Gana, pelos rios Volta Branco e Negro, embatendo com grande intensidade nos habitantes à margem do XX. Neste caso – bem como em outros por todo Mundo – as barragens que supostamente iriam auxiliar a diminuir as cheias tornaram a situação pior.

Os danos causados pelas barragens tem pairado internacionalmente nas últimas décadas, em parte devido ao facto do aquecimento global estar a causar tempestades cada vez mais intensas, e também porque cada vez mais pessoas vivem e trabalham em planícies aluviais.

As Nações Unidas(ONU) estimam que até 2050, o número de pessoas em risco de desastre de cheias irá aumentar até 2 bilhões. Um factor importante por detrás destes desastres em espiral são as mesmas medidas de controlo que supostamente deveriam proteger contra estas calamidades.

As barragens e represas não conseguem ser sempre à prova de falhas, e quando estas falhas acontecem, ocorrem de forma espectacular, e por vezes são catastróficas. É criada uma falsa percepção de segurança que encoraja projectos de desenvolvimento arriscados em planícies aluviais vulneráveis.

Em demasiados casos de controlo de cheias através de barragens, os habitantes a jusante são colocados em risco por agências que estão mais interessadas em espremer a maior quantidade possível de energia ou de água para irrigação dos reservatórios, do que manter os níveis de água baixos o suficiente para absorver as águas das cheias.

As limitações das formas de controlo convencionais irão se tornar mais evidentes à medida que se realizarem testes às barragens e represas, de forma a testar os seus limites programados, através da indução dos efeitos do aquecimento global.

O autor Jacques Leslie descreve de forma apta as barragens como “armas carregadas apontadas aos rios”. As barragens matam, não só pela negligência e falha dos operadores de barragens em avisar as pessoas a jusante quando as comportas são abertas subitamente, mas também porque estas se desmoronam (em 1975, na China Central, pelo menos 230,000 pessoas morreram devido a uma sequência de falhas de barragens).

Várias barragens de grande porte desmoronaram na Nigéria com consequências mortais, destacam-se a Barragem Bagauda no estado de Kano, em 1988; a Barragem de Cham no estado de Gombe, em 1991 e, a Barragem de Bagoma no estado de Kaduna, em 1994.

Os planos de controlo convencionais de “caminho duro” costumam ignorar os trajectos complexos dos rios e costas. As barragens, represas, o estreitamento e dragagem dos rios desencadeiam mudanças profundas no fluxo da água e sedimentos ao longo das bacias.

Os danos das cheias aumentam quando os engenheiros dos projectos reduzem a capacidade dos canais dos rios, bloqueiam os escoamentos naturais, aumentam a velocidade das inundações, causam subsidência dos deltas e erosão costeira. Adicionando a isto, os planos de controlo convencionais de “caminho duro” normalmente diminuem a saúde ecológica dos rios e estuários. Existe uma forma de lidar com estas inundações – o “caminho suave” na gestão de risco de cheias.

A gestão de risco de cheias assume que todas as infra-estruturas anti-cheias podem falhar, e, estas falhas devem ser planeadas. O “caminho suave” também é baseado num entendimento de que alguma inundação é necessária para a saúde dos ecossistemas ribeirinhos.

Em vez de gastar biliões de dólares em vão a tentar erradicar as cheias, nós devemos reconhecer que as cheias irão acontecer, e aprender a viver com este facto da melhor maneira possível.

Isto significa tomar medidas de forma a diminuir a sua rapidez e tamanho dos rios (por exemplo, restaurar os mangais e o serpentear do curso o rio) e duração (melhorando por exemplo a drenagem).

Isto significa proteger os nossos bens mais valiosos, construindo casas em montes ou sobre pilares, defender áreas urbanas com represas planeadas e mantidas de forma cuidadosa. Isto também significa fazer tudo o que for possível para sair do caminho destrutivo das cheias através de um aviso atempado e medidas de evacuação.

Tais prácticas estão em uso em várias partes do mundo. Na China, estão em curso esforços para efectuar a restauração de 20.000 quilómetros quadrados do mangal de Yangtze, de forma a actuar como área de absorção de inundações.

Estão a ser realizados testes com descargas de hídricas artificiais na Nigéria como meio de reavivar os ecossistemas dos mangais a jusante, desde as Barragens do Tiga e de Challawa Gorge. Neste momento, estão a ser propostas alterações na gestão de águas para a Barragem de Cahora Bassa que poderão reduzir o impacto de grandes inundações e restaurar os ecossistemas a jusante.

Nos Estados Unidos, está em curso no rio Napa, na Califórnia,
um projecto de 10 anos, que tem como objectivo reduzir as cheias e restaurar as marés pantanosas, bem como retirar alguns edifícios da zona de inundações e recuar represas de forma a dar mais espaço ao rio para este se estender.

As comunidades que vivem ao longo do rio mais longo de França, o rio Loire, conseguiram persuadir o governo a esboçar um plano de “controlo de inundações” que favorecesse a restauração do rio e com um sistema de prevenção.

Apesar do consenso Mundial crescente de que a única politica realística de controlo de cheias é a mitigação e não a eliminação, persistem ainda facções poderosas devotas a métodos de controlo de cheias “duros” e obsoletos.

Existe um triângulo de políticos, burocratas e construtores de barragens que continua a prometer a salvação através de represas e barragens após ocorrência de cheias (mesmo quando as cheias se tornaram piores – ou foram causadas – por barragens ou represas já existentes).

No lugar de seguir métodos de gestão de inundações que fracassaram em outros pontos do Mundo, África pode aprender através dos erros de outras nações, e adoptar um conjunto de técnicas mais flexíveis, efectivas e sofisticadas, de forma a lidar melhor com as cheias.


Patrick McCully, in International Rivers - 22 de Fevereiro de 2008

McCully é o autor de “Depois do Dilúvio: Lidando com cheias num Clima em Mudança”, publicado pelo International Rivers - Rede Internacional de Rios.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

PNBEPH - A construção da barragem de Padroselos depende muito de nós

PNBEPH - Barragem de Padroselos
Ponto de situação

O Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico já foi aprovado. A construção da barragem de Padroselos está prevista neste Programa. 

Aparentemente, não nos restará senão chorar sobre leite derramado. Mas não. Não é assim. A efectiva construção da barragem será necessariamente precedida de um processo de Avaliação de Impacte Ambiental. 

O que aconteceu até agora, como previsto na legislação em vigor, foi a elaboração e discussão pública de um estudo de avaliação ambiental estratégica. Feito a correr, displicente, versou, como se diria na gíria militar, sobre espingardas e culatras. 

Já aqui se fez referência, por exemplo, à ligeireza quase ostensiva do estudo, que aponta como «provável» a existência de enguias em cursos de água onde a enguia é abundante e conhecido e corrente recurso gastronómico local.

Resta-nos, portanto, estar atentos e não fazer como fizemos neste processo de consulta pública que teve três sessões de esclarecimento (em Lisboa, em Coimbra e no Porto…), e no âmbito do qual se contabilizou uma participação de cerca de 0,001% de portugueses (ou seja: por cada milhão de portugueses registaram-se dez participações…). 

Sobre a barragem de Padroselos em concreto, imagine-se – nem um único comentário, um único, em todo este processo de consulta pública, foi produzido…

A nossa democracia tem as limitações que se conhecem. É certo que a aprovação do Programa contou com a nossa distracção, o nosso alheamento. Mas isso não justifica choradinhos. 

Vem aí um Estudo de Impacte Ambiental e o respectivo processo de Avaliação. Vamos ter a possibilidade de participar, de ser rigorosos e exigir rigor, de questionar, de intervir. 

Até agora – não obstante o carácter de irreversibilidade que o discurso oficial tem vindo a enfatizar – o que aconteceu foi a aprovação de um Programa geral, estratégico. Falta o essencial: a avaliação de cada aproveitamento hidroeléctrico em concreto.

É este o ponto de situação: a construção ou não da barragem dependerá em muito de nós; do que nós quisermos; da capacidade que tivermos de questionar propostas e rebater argumentos. Exige-se-nos, pois, que permaneçamos atentos, vigilantes. Actuantes.

Pela minha parte, a falta de actualizações do blog reflecte algum desânimo perante a falta de participação dos leitores e de amigos com quem jurei essa vigilância. É um intervalo. Breve. Mas não se desarmará. Um grão de areia é um grão de areia. E este blog será, no mínimo, esse minúsculo grão num processo que, a ir até ao fim, nos haveria no futuro de envergonhar a todos.

José Carlos Barros, in Negrilho - 30 de Janeiro de 2008

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Barragens geram descontentamento

Barragens geram descontentamento

A construção de três barragens, de um conjunto de dez que o Governo aprovou em Dezembro último, está a gerar discórdia. Do “contra” estão autarcas e ambientalistas. O Ministério do Ambiente continua a afirmar a sua posição “pró” construção.

A Barragem da Foz do Tua, a Barragem do Fridão, em Amarante, e a Barragem de Almourol, em Abrantes, estão no centro da discórdia entre Ministério do Ambiente, autarcas locais e ambientalistas.

Aquela que é a maior das dez barragens que o Governo incluiu no programa aprovado em Dezembro, a Barragem da Foz do Tua, é contestada a uma só voz pela Quercus, o movimento que defende a manutenção da Linha do Tua e a autarquia de Mirandela. 

Enquanto a associação ambientalista não acredita no desenvolvimento rural que a referida construção poderá trazer para a região, os defensores da Linha do Tua ressaltam o interesse turístico que a linha férrea que circunda o afluente do Douro tem e que desaparecerá com a submersão da linha pela construção da barragem.

De lados opostos estão as autarquias. Em declarações à TSF, o presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano, também está contra a construção da barragem, muito embora entenda que esta é um «bem nacional em produção de energia», mas que pode ser construída noutro local. 

Opinião contrária tem o autarca de Murça, João Teixeira, que entende a envolvência municipal que surgirá da construção desta infra-estrutura como algo de muito positivo para a região.

A futura barragem do Fridão, a ser construída doze quilómetros a montante da cidade de Amarante, encontra a maior contestação no autarca local. Armindo Abreu não quer ver a cidade que lidera no meio de duas barragens, de Torrão e do Fridão, e um lago de águas paradas, para além de acreditar que esta construção poderá resultar numa possível degradação da qualidade da água que abastece o concelho.

“Inviável” foi como o presidente da autarquia de Abrantes, Nelson de Carvalho, classificou à TSF a futura construção da Barragem de Almourol. De acordo com esta voz contestária, a barragem colocará em causa as populações de Rio de Moinhos e Rossio ao Sul do Tejo, cerca de mil hectares de terras agrícolas, várias estradas, uma linha de caminho-de-ferro, bem como o Parque Ribeirinho de Abrantes, onde foram investidos 20 milhões de euros.

Quem não vê razões para abandonar qualquer uma das dez barragens que o Governo pretende construir, é o ministro do Ambiente, Nunes Correia, que lembra que já foram excluídas cerca de 15 construções pelos problemas de difícil solução que acarretavam.

Entretanto, o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) também já mostrou a sua oposição à construção de qualquer uma das três barragens, tendo já agendado para o próximo dia 13 de Fevereiro um debate sobre o Plano Nacional de Barragens.

in ABC do Ambiente - 29 de Janeiro de 2008

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Autarca de Amarante contesta barragem de Fridão








Autarca de Amarante contesta barragem de Fridão

O presidente da Câmara Municipal de Amarante, Armindo Abreu, considera que a cidade vai ficar no meio de dois lagos se a barragem de Fridão for construída. O ministro do Ambiente, Nunes Correia, assegurou que a situação vai ser analisada.

O presidente da câmara de Amarante está contra a barragem de Fridão, que será construída 12 [6] quilómetros a montante da cidade e que, na sua opinião, vai deixar a cidade no meio de duas barragens e de um lago de águas paradas.

Ouvido pela TSF, Armindo Abreu lembrou que a cidade ficaria no meio das barragens de Torrão e de Fridão e que a qualidade de água que chegaria a Amarante seria bastante pior que a actual, uma vez que as barragens degradam a qualidade da água.

«Se tivéssemos a cota 65 na barragem do Fridão e se ela a jusante já está muito má com os fenómenos conhecidos de atrofização então ficaríamos no centro da cidade com um lago pestilento, isto para além do desequilíbrio estético e da harmonia que temos e que terminaria», acrescentou.

Também em declarações à TSF, o ministro do Ambiente disse compreender as preocupações do autarca de Amarante e recordou o «enquadramento cénico notável» da cidade, que considerou ser em si mesmo um «valor».

«Esse é justamente um dos aspectos que vai ter de ser ponderado na avaliação de impacto ambiental. Quando se diz construir uma barragem isso quer dizer pouco, porque no que diz respeito à localização, à cota e à cota de exploração existem muitas variantes», explicou Nunes Correia.

in TSF - 28 de Janeiro de 2008

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

PNBEPH - RIO BEÇA: Meter Água

PNBEPH - RIO BEÇA
Meter Água

Estive a ler o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, mais o artigo em PDF, Nota sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, e fiquei a saber que a barragem de Padroselos, no rio Beça, vai ter uma potência instalada de 113 MW e que vai produzir 102 GWh/ano.

Eu fico muito admirado de como é que um rio pequeno como o Beça poder vir a produzir 113 MW, que é o equivalente, em cavalos (1cv=735W), a 153.741 cv. Se um carro da Fórmula 1 tem cerca de 800 cv, o rio Beça tem tanta potência como 192 desses carros! 

Parece-me cavalaria a mais para um rio tão calmo, onde eu já nadei tantas vezes, e que pouca água leva. É que a produção de energia numa barragem só pode gastar a água que o rio que a abastece lhe fornecer, senão seca, não adianta acumular muita água se só se pode gastar a que vai no rio.

Vamos lá fazer contas (Vou utilizar os conhecimentos que aprendi no liceu, em Chaves. Apesar de eu ser um emigrantezeco que anda para aqui nas jardinagens, ainda sei qualquer coisa.) a quanta água o rio tem que levar para produzir a potência de 113 MW. Sabe-se que a dita barragem vai ter 90 m de altura. Se 1 Kg de água cair da altura de 90 m, a energia que esse 1 Kg consegue transferir para a turbina é igual à sua energia potencial, que é dada por E=m×g×h. Se a massa m é 1 Kg, a constante da aceleração da gravidade g=9.8, e a altura h=90, a energia é E=882 J (J é de Joules). E esta quantidade de energia não é completamente produzida por causa da resistência do ar e do atrito, só se aproveita 76,5%, o que quer dizer que 1 Kg de água só pode produzir 674,73 J. Se imaginarmos que cai 1 Kg de água por segundo na turbina, a potência calcula-se como P=E/t, logo P=674,73/1, o que dá uma potência de P=674,73 W por quilo de água. 

Vamos (eu, vós corfimareis) lá calcular quanta água tem que cair por segundo para fazer a potência de 113 MW, o mesmo que 113.000.000W. Se 1Kg produz a potência de 674,73 W, são precisos 167.474 Kg para produzir 113MW! Que é o mesmo que dizer que se na turbina têm que cair 167 toneladas de água por segundo, ou que o rio Beça tem um fluxo de água de 167 toneladas de água por segundo!!!!!!!

Admitindo que a tal potência instalada é apenas a potência máxima das turbinas, vamos então fazer contas à energia produzida que é de 102 GWh/ano. Como o ano tem 365 vezes 24 horas, dá 8760 horas, tem que haver uma potência média de 11,6 MW para fazer esta energia, o que implica que haja um fluxo de água, médio, no rio de 17,2 toneladas de água por segundo, que mesmo assim ainda é mesmo muita água.

Conhecendo como eu conheço o rio Beça, um rio que em muitos sítios tem 6 ou 7 metros de largura, onde só se nada bem nas suas represas porque senão for aí a água dá pela cintura, e onde nalguns sítios é possível atravessar de jipe, não percebo como é que o fluxo pode ser de 17,2 toneladas de água (ou 17,2 metros cúbicos, é o mesmo) por segundo, em média, e muito menos 167! 

Como é que um jipe pode atravessar um rio e levar ao mesmo tempo com parte das 167 toneladas? 

Eu fico muito admirado com estes valores! Como é que um ribeiro como o Beça, um rio pequenino, pode fazer tanta potência como 192 fórmulas 1?!

Será que os técnicos não se enganaram?! Parece que os relatórios sobre a barragem têm vários erros, como os que são apontados aqui, por isso eu desconfio do que se apresenta nesses relatórios. 

Será que o Sócrates andou a dar trabalho a técnicos formados na Universidade Independente? 

Aquilo que me parece a mim é que algum desses meninos da Independente foi medir o fluxo do Beça com algum aparelho electrónico e se enganou, ao ler a escala, num factor de 1000, porque o que me parece mais certo é que no rio passem 167 Kg de água por segundo.

Parem a construção da barragem, o rio Beça não leva água suficiente para produzir energia que se veja, parem lá com isso, há outras opções melhores.

in Bloguex - 17 de Janeiro de 2008

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

PNBEPH - Rio Tâmega: Património a desaparecer - Ponte de Arame (Lourido - Rebordelo)

PNBEPH - Rio Tâmega: Património a desaparecer com a Barragem de Fridão
Ponte de Arame (Lourido - Rebordelo)






A ponte de arame no lugar de Lourido, sobre o rio Tâmega, liga as freguesias de Rebordelo (concelho de Amarante) e Arnóia (concelho de Celorico de Basto).

Para chegar até esta pitoresca ponte, constituída por cabos de arame entrelaçados, com estrado de madeira, ao seguir a estrada N210 no sentido Celorico de Basto – Amarante, encontrará um desvio à esquerda que dá acesso à pequena povoação de Lourido, situada na margem direita do rio Tâmega, que pertence à freguesia de Arnóia.

Ao passar junto à estação dos caminhos de ferro da extinta Linha do Tâmega, e já em direcção ao rio vamos deparar com a ponte de arame. A sua travessia constitui uma autêntica aventura, atendendo ao seu aspecto frágil e ao balouçar de forma pronunciada, mas apesar disto não há registo de nenhum acidente ao longo destes anos.

A ponte aparenta uma tipologia simples, constituída por um piso de madeira apoiado em barrotes, também de madeira, pendurados por arames em cabos metálicos amarrados nas encostas das margens do rio.

A actual ponte, construída por volta de 1926/27, não é a primitiva. Tem um comprimento de 55 metros e 2,5 metros de largura. A anterior era mais estreita e terá sido construída nos finais do séc. XIX e foi cortada numa das margens pelos “Galinhas” de Codessoso a mando da tropa de Amarante… por receio que os de Vila Real por ali passassem.

Em Portugal estão identificadas seis pontes de arame situadas no norte do País, incluindo uma no concelho vizinho de Ribeira de Pena, que se tornou num ex-libris, depois de uma profunda intervenção de reabilitação e reforço.

Naturalmente e devido às características dos materiais que a constituem, é uma estrutura particularmente sensível à acção dos agentes atmosféricos, pelo que na ausência de uma manutenção adequada a sua degradação evolui rapidamente, pondo em causa a segurança de pessoas e bens.

Sabemos que o Município de Celorico de Basto está preocupado com o estado de conservação da Ponte de Arame de Lourido, pelo que a sua recuperação é uma obra mencionada no Orçamento e no Plano Plurianual de Investimentos de 2007, no sentido de continuar firme e permitir o intercâmbio entre as duas margens do rio Tâmega.

Orlando Silva, in Celorico de Basto - Digital - 1 de Janeiro de 2008