TÂMEGA - BARRAGEM DE PADROSELOS
MINISTÉRIO CHUMBA UMA DAS QUATRO BARRAGENS QUE A IBERDROLA QUERIA ERGUER NO ALTO TÂMEGA
O objectivo é proteger uma espécie rara de bivalves que é protegida pela legislação nacional e europeia
O Ministério do Ambiente chumbou uma das quatro barragens da Cascata do Alto Tâmega (Padroselos) e deu luz verde à construção das restantes três concessionadas à espanhola Iberdrola, mas com limitações: as infra-estruturas terão que ser erguidas às cotas mais baixas. "Mediante medidas de reforço, a produção hidroeléctrica inicialmente prevista para o conjunto das quatro barragens mantém-se com a construção de apenas três", garante fonte do ministério.
O chumbo da barragem de Padroselos, segundo a Declaração de Impacto Ambiental (DIA), tem como objectivo preservar o mexilhão de rio do Norte, Margaritifera margaritifera, uma espécie rara protegida pela legislação nacional e europeia e que, em 1986, chegou a ser dada como extinta em Portugal.
Actualmente, esta espécie existe nos rios Rabaçal, Tuela e Mente, que atravessam a parte ocidental do Parque Natural de Montesinho (PNM), e ainda no Paiva, Neiva e Cávado. No âmbito do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de Padroselos, o mexilhão de rio foi também descoberto no rio Beça. A construção da barragem de Padroselos implicaria a eliminação desta colónia de bivalves e, por isso, o EIA propôs a exclusão do projecto sem impactos na produção global.
A barragem do Alto Tâmega será, neste quadro, construída à cota 315, o que provocará uma albufeira de 468 hectares.
O professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) António Crespí considera que "o Governo teve que tomar uma decisão intermédia que de alguma forma fique bem aos olhos das populações e permita que as obras venham a ser desenvolvidas". "Não resolve absolutamente nada. Vamos ter os mesmos impactes ambientais quer com a cota mínima ou quer com a máxima. A única diferença é que acabam por ocupar um volume de espaço menor, mas os problemas ambientais são exactamente os mesmos", frisou.
A Iberdrola já pagou ao Estado um prémio de concessão no valor de 303 milhões de euros pela exploração das barragens durante 65 anos.
O empreendimento deverá ter um total de 1135 megawatts (MW) de potência e uma produção eléctrica anual de 1900 gigawatts/hora (GWh), equivalente ao consumo de um milhão de pessoas, e representa um investimento de 1700 milhões de euros.
Com a emissão desta Declaração de Impacto Ambiental fica a faltar a referente à barragem de Girabolhos, no Mondego, para a conclusão do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico.
Segundo a fonte, quando estas novas barragens estiverem concluídas, Portugal irá poupar cerca de 205,2 milhões de euros por ano em importações de petróleo.
PÚBLICO/Lusa, in Público - 23 de Junho de 2010








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