sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Rio Tâmega - O prazer das águas correntes

RIO TÂMEGA
O prazer das águas correntes do rio Tâmega


Tamecanos no Tâmega - Fevereiro de 2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

As barragens representam perigo de cheias num planeta em aquecimento






As barragens representam perigo de cheias num planeta em aquecimento

Num período em que Moçambique enfrenta as piores cheias desde a independência, o Presidente Guebuza afirma que a solução é construir mais barragens. No entanto, as barragens são tão boas quanto os seus operadores, desenhistas e técnicos de manutenção – e nenhum destes foram particularmente bons em Kariba. E não existe nenhuma garantia que as barragens que já possuímos sejam capazes de suportar um clima em constante mudança. As nações do Zambeze devem aprender com os erros das outras nações e adoptar um conjunto de técnicas mais flexível, efectivas e sofisticadas, de forma a melhor lidar com as cheias.

As cheias são, entre os desastres naturais, as mais destrutivas, mais frequentes e com maior custo. E este facto piora a cada dia. As cheias no Zambeze já afectaram centenas de milhares de pessoas. Mais pessoas morrem a cada dia, na sua grande maioria por doenças causadas pela água contaminada. Ao menos parte deste sofrimento tem prevenção.

No entanto, parece que actualmente, a barragem de Cahora Bassa tem vindo a ser operada de forma mais cuidada, o que não acontece com a barragem de Kariba. Foi admitido pelos operadores da barragem de Kariba que no pico da nossa época de chuvas, a barragem estaria 100% cheia, de forma a maximizar a provisão de energia eléctrica às minas. Os residentes a jusante irão sofrer com esta má gestão.

Este não é o primeiro caso da má gestão de barragens que aconteceu em África. Centenas de pessoas foram mortas e centenas de milhares foram afectadas quando, em 1999 e em 2001, os operadores da barragem Nigeriana abriram as suas comportas sem aviso prévio. O desastre das cheias do ano passado no Gana tornou-se bastante pior quando os operadores de Burkina-Faso abriram as suas comportas para impedir que a barragem de Bagre transbordasse após intensas chuvas. Esta água libertada correu a montante, em direcção a Gana, pelos rios Volta Branco e Negro, embatendo com grande intensidade nos habitantes à margem do XX. Neste caso – bem como em outros por todo Mundo – as barragens que supostamente iriam auxiliar a diminuir as cheias tornaram a situação pior.

Os danos causados pelas barragens tem pairado internacionalmente nas últimas décadas, em parte devido ao facto do aquecimento global estar a causar tempestades cada vez mais intensas, e também porque cada vez mais pessoas vivem e trabalham em planícies aluviais.

As Nações Unidas(ONU) estimam que até 2050, o número de pessoas em risco de desastre de cheias irá aumentar até 2 bilhões. Um factor importante por detrás destes desastres em espiral são as mesmas medidas de controlo que supostamente deveriam proteger contra estas calamidades.

As barragens e represas não conseguem ser sempre à prova de falhas, e quando estas falhas acontecem, ocorrem de forma espectacular, e por vezes são catastróficas. É criada uma falsa percepção de segurança que encoraja projectos de desenvolvimento arriscados em planícies aluviais vulneráveis.

Em demasiados casos de controlo de cheias através de barragens, os habitantes a jusante são colocados em risco por agências que estão mais interessadas em espremer a maior quantidade possível de energia ou de água para irrigação dos reservatórios, do que manter os níveis de água baixos o suficiente para absorver as águas das cheias.

As limitações das formas de controlo convencionais irão se tornar mais evidentes à medida que se realizarem testes às barragens e represas, de forma a testar os seus limites programados, através da indução dos efeitos do aquecimento global.

O autor Jacques Leslie descreve de forma apta as barragens como “armas carregadas apontadas aos rios”. As barragens matam, não só pela negligência e falha dos operadores de barragens em avisar as pessoas a jusante quando as comportas são abertas subitamente, mas também porque estas se desmoronam (em 1975, na China Central, pelo menos 230,000 pessoas morreram devido a uma sequência de falhas de barragens).

Várias barragens de grande porte desmoronaram na Nigéria com consequências mortais, destacam-se a Barragem Bagauda no estado de Kano, em 1988; a Barragem de Cham no estado de Gombe, em 1991 e, a Barragem de Bagoma no estado de Kaduna, em 1994.

Os planos de controlo convencionais de “caminho duro” costumam ignorar os trajectos complexos dos rios e costas. As barragens, represas, o estreitamento e dragagem dos rios desencadeiam mudanças profundas no fluxo da água e sedimentos ao longo das bacias.

Os danos das cheias aumentam quando os engenheiros dos projectos reduzem a capacidade dos canais dos rios, bloqueiam os escoamentos naturais, aumentam a velocidade das inundações, causam subsidência dos deltas e erosão costeira. Adicionando a isto, os planos de controlo convencionais de “caminho duro” normalmente diminuem a saúde ecológica dos rios e estuários. Existe uma forma de lidar com estas inundações – o “caminho suave” na gestão de risco de cheias.

A gestão de risco de cheias assume que todas as infra-estruturas anti-cheias podem falhar, e, estas falhas devem ser planeadas. O “caminho suave” também é baseado num entendimento de que alguma inundação é necessária para a saúde dos ecossistemas ribeirinhos.

Em vez de gastar biliões de dólares em vão a tentar erradicar as cheias, nós devemos reconhecer que as cheias irão acontecer, e aprender a viver com este facto da melhor maneira possível.

Isto significa tomar medidas de forma a diminuir a sua rapidez e tamanho dos rios (por exemplo, restaurar os mangais e o serpentear do curso o rio) e duração (melhorando por exemplo a drenagem).

Isto significa proteger os nossos bens mais valiosos, construindo casas em montes ou sobre pilares, defender áreas urbanas com represas planeadas e mantidas de forma cuidadosa. Isto também significa fazer tudo o que for possível para sair do caminho destrutivo das cheias através de um aviso atempado e medidas de evacuação.

Tais prácticas estão em uso em várias partes do mundo. Na China, estão em curso esforços para efectuar a restauração de 20.000 quilómetros quadrados do mangal de Yangtze, de forma a actuar como área de absorção de inundações.

Estão a ser realizados testes com descargas de hídricas artificiais na Nigéria como meio de reavivar os ecossistemas dos mangais a jusante, desde as Barragens do Tiga e de Challawa Gorge. Neste momento, estão a ser propostas alterações na gestão de águas para a Barragem de Cahora Bassa que poderão reduzir o impacto de grandes inundações e restaurar os ecossistemas a jusante.

Nos Estados Unidos, está em curso no rio Napa, na Califórnia,
um projecto de 10 anos, que tem como objectivo reduzir as cheias e restaurar as marés pantanosas, bem como retirar alguns edifícios da zona de inundações e recuar represas de forma a dar mais espaço ao rio para este se estender.

As comunidades que vivem ao longo do rio mais longo de França, o rio Loire, conseguiram persuadir o governo a esboçar um plano de “controlo de inundações” que favorecesse a restauração do rio e com um sistema de prevenção.

Apesar do consenso Mundial crescente de que a única politica realística de controlo de cheias é a mitigação e não a eliminação, persistem ainda facções poderosas devotas a métodos de controlo de cheias “duros” e obsoletos.

Existe um triângulo de políticos, burocratas e construtores de barragens que continua a prometer a salvação através de represas e barragens após ocorrência de cheias (mesmo quando as cheias se tornaram piores – ou foram causadas – por barragens ou represas já existentes).

No lugar de seguir métodos de gestão de inundações que fracassaram em outros pontos do Mundo, África pode aprender através dos erros de outras nações, e adoptar um conjunto de técnicas mais flexíveis, efectivas e sofisticadas, de forma a lidar melhor com as cheias.


Patrick McCully, in International Rivers - 22 de Fevereiro de 2008

McCully é o autor de “Depois do Dilúvio: Lidando com cheias num Clima em Mudança”, publicado pelo International Rivers - Rede Internacional de Rios.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

PNBEPH - A construção da barragem de Padroselos depende muito de nós


PNBEPH - Barragem de Padroselos
Ponto de situação

O Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico já foi aprovado. A construção da barragem de Padroselos está prevista neste Programa. 

Aparentemente, não nos restará senão chorar sobre leite derramado. Mas não. Não é assim. A efectiva construção da barragem será necessariamente precedida de um processo de Avaliação de Impacte Ambiental

O que aconteceu até agora, como previsto na legislação em vigor, foi a elaboração e discussão pública de um estudo de avaliação ambiental estratégica. Feito a correr, displicente, versou, como se diria na gíria militar, sobre espingardas e culatras. 

Já aqui se fez referência, por exemplo, à ligeireza quase ostensiva do estudo, que aponta como «provável» a existência de enguias em cursos de água onde a enguia é abundante e conhecido e corrente recurso gastronómico local.

Resta-nos, portanto, estar atentos e não fazer como fizemos neste processo de consulta pública que teve três sessões de esclarecimento (em Lisboa, em Coimbra e no Porto…), e no âmbito do qual se contabilizou uma participação de cerca de 0,001% de portugueses (ou seja: por cada milhão de portugueses registaram-se dez participações…). 

Sobre a barragem de Padroselos em concreto, imagine-se – nem um único comentário, um único, em todo este processo de consulta pública, foi produzido…

A nossa democracia tem as limitações que se conhecem. É certo que a aprovação do Programa contou com a nossa distracção, o nosso alheamento. Mas isso não justifica choradinhos. 

Vem aí um Estudo de Impacte Ambiental e o respectivo processo de Avaliação. Vamos ter a possibilidade de participar, de ser rigorosos e exigir rigor, de questionar, de intervir. 

Até agora – não obstante o carácter de irreversibilidade que o discurso oficial tem vindo a enfatizar – o que aconteceu foi a aprovação de um Programa geral, estratégico. Falta o essencial: a avaliação de cada aproveitamento hidroeléctrico em concreto.

É este o ponto de situação: a construção ou não da barragem dependerá em muito de nós; do que nós quisermos; da capacidade que tivermos de questionar propostas e rebater argumentos. Exige-se-nos, pois, que permaneçamos atentos, vigilantes. Actuantes.

Pela minha parte, a falta de actualizações do blog reflecte algum desânimo perante a falta de participação dos leitores e de amigos com quem jurei essa vigilância. É um intervalo. Breve. Mas não se desarmará. Um grão de areia é um grão de areia. E este blog será, no mínimo, esse minúsculo grão num processo que, a ir até ao fim, nos haveria no futuro de envergonhar a todos.

José Carlos Barros, in Negrilho - 30 de Janeiro de 2008

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Barragens geram descontentamento

Barragens geram descontentamento

A construção de três barragens, de um conjunto de dez que o Governo aprovou em Dezembro último, está a gerar discórdia. Do “contra” estão autarcas e ambientalistas. O Ministério do Ambiente continua a afirmar a sua posição “pró” construção.

A Barragem da Foz do Tua, a Barragem do Fridão, em Amarante, e a Barragem de Almourol, em Abrantes, estão no centro da discórdia entre Ministério do Ambiente, autarcas locais e ambientalistas.

Aquela que é a maior das dez barragens que o Governo incluiu no programa aprovado em Dezembro, a Barragem da Foz do Tua, é contestada a uma só voz pela Quercus, o movimento que defende a manutenção da Linha do Tua e a autarquia de Mirandela. 

Enquanto a associação ambientalista não acredita no desenvolvimento rural que a referida construção poderá trazer para a região, os defensores da Linha do Tua ressaltam o interesse turístico que a linha férrea que circunda o afluente do Douro tem e que desaparecerá com a submersão da linha pela construção da barragem.

De lados opostos estão as autarquias. Em declarações à TSF, o presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano, também está contra a construção da barragem, muito embora entenda que esta é um «bem nacional em produção de energia», mas que pode ser construída noutro local. 

Opinião contrária tem o autarca de Murça, João Teixeira, que entende a envolvência municipal que surgirá da construção desta infra-estrutura como algo de muito positivo para a região.

A futura barragem do Fridão, a ser construída doze quilómetros a montante da cidade de Amarante, encontra a maior contestação no autarca local. Armindo Abreu não quer ver a cidade que lidera no meio de duas barragens, de Torrão e do Fridão, e um lago de águas paradas, para além de acreditar que esta construção poderá resultar numa possível degradação da qualidade da água que abastece o concelho.

“Inviável” foi como o presidente da autarquia de Abrantes, Nelson de Carvalho, classificou à TSF a futura construção da Barragem de Almourol. De acordo com esta voz contestária, a barragem colocará em causa as populações de Rio de Moinhos e Rossio ao Sul do Tejo, cerca de mil hectares de terras agrícolas, várias estradas, uma linha de caminho-de-ferro, bem como o Parque Ribeirinho de Abrantes, onde foram investidos 20 milhões de euros.

Quem não vê razões para abandonar qualquer uma das dez barragens que o Governo pretende construir, é o ministro do Ambiente, Nunes Correia, que lembra que já foram excluídas cerca de 15 construções pelos problemas de difícil solução que acarretavam.

Entretanto, o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) também já mostrou a sua oposição à construção de qualquer uma das três barragens, tendo já agendado para o próximo dia 13 de Fevereiro um debate sobre o Plano Nacional de Barragens.

in ABC do Ambiente - 29 de Janeiro de 2008

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Autarca de Amarante contesta barragem de Fridão








Autarca de Amarante contesta barragem de Fridão

O presidente da Câmara Municipal de Amarante, Armindo Abreu, considera que a cidade vai ficar no meio de dois lagos se a barragem de Fridão for construída. O ministro do Ambiente, Nunes Correia, assegurou que a situação vai ser analisada.

O presidente da câmara de Amarante está contra a barragem de Fridão, que será construída 12 [6] quilómetros a montante da cidade e que, na sua opinião, vai deixar a cidade no meio de duas barragens e de um lago de águas paradas.

Ouvido pela TSF, Armindo Abreu lembrou que a cidade ficaria no meio das barragens de Torrão e de Fridão e que a qualidade de água que chegaria a Amarante seria bastante pior que a actual, uma vez que as barragens degradam a qualidade da água.

«Se tivéssemos a cota 65 na barragem do Fridão e se ela a jusante já está muito má com os fenómenos conhecidos de atrofização então ficaríamos no centro da cidade com um lago pestilento, isto para além do desequilíbrio estético e da harmonia que temos e que terminaria», acrescentou.

Também em declarações à TSF, o ministro do Ambiente disse compreender as preocupações do autarca de Amarante e recordou o «enquadramento cénico notável» da cidade, que considerou ser em si mesmo um «valor».

«Esse é justamente um dos aspectos que vai ter de ser ponderado na avaliação de impacto ambiental. Quando se diz construir uma barragem isso quer dizer pouco, porque no que diz respeito à localização, à cota e à cota de exploração existem muitas variantes», explicou Nunes Correia.

in TSF - 28 de Janeiro de 2008

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

PNBEPH - RIO BEÇA: Meter Água

PNBEPH - RIO BEÇA
Meter Água

Estive a ler o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, mais o artigo em PDF, Nota sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, e fiquei a saber que a barragem de Padroselos, no rio Beça, vai ter uma potência instalada de 113 MW e que vai produzir 102 GWh/ano.

Eu fico muito admirado de como é que um rio pequeno como o Beça poder vir a produzir 113 MW, que é o equivalente, em cavalos (1cv=735W), a 153.741 cv. Se um carro da Fórmula 1 tem cerca de 800 cv, o rio Beça tem tanta potência como 192 desses carros! 

Parece-me cavalaria a mais para um rio tão calmo, onde eu já nadei tantas vezes, e que pouca água leva. É que a produção de energia numa barragem só pode gastar a água que o rio que a abastece lhe fornecer, senão seca, não adianta acumular muita água se só se pode gastar a que vai no rio.

Vamos lá fazer contas (Vou utilizar os conhecimentos que aprendi no liceu, em Chaves. Apesar de eu ser um emigrantezeco que anda para aqui nas jardinagens, ainda sei qualquer coisa.) a quanta água o rio tem que levar para produzir a potência de 113 MW. Sabe-se que a dita barragem vai ter 90 m de altura. Se 1 Kg de água cair da altura de 90 m, a energia que esse 1 Kg consegue transferir para a turbina é igual à sua energia potencial, que é dada por E=m×g×h. Se a massa m é 1 Kg, a constante da aceleração da gravidade g=9.8, e a altura h=90, a energia é E=882 J (J é de Joules). E esta quantidade de energia não é completamente produzida por causa da resistência do ar e do atrito, só se aproveita 76,5%, o que quer dizer que 1 Kg de água só pode produzir 674,73 J. Se imaginarmos que cai 1 Kg de água por segundo na turbina, a potência calcula-se como P=E/t, logo P=674,73/1, o que dá uma potência de P=674,73 W por quilo de água. 

Vamos (eu, vós corfimareis) lá calcular quanta água tem que cair por segundo para fazer a potência de 113 MW, o mesmo que 113.000.000W. Se 1Kg produz a potência de 674,73 W, são precisos 167.474 Kg para produzir 113MW! Que é o mesmo que dizer que se na turbina têm que cair 167 toneladas de água por segundo, ou que o rio Beça tem um fluxo de água de 167 toneladas de água por segundo!!!!!!!

Admitindo que a tal potência instalada é apenas a potência máxima das turbinas, vamos então fazer contas à energia produzida que é de 102 GWh/ano. Como o ano tem 365 vezes 24 horas, dá 8760 horas, tem que haver uma potência média de 11,6 MW para fazer esta energia, o que implica que haja um fluxo de água, médio, no rio de 17,2 toneladas de água por segundo, que mesmo assim ainda é mesmo muita água.

Conhecendo como eu conheço o rio Beça, um rio que em muitos sítios tem 6 ou 7 metros de largura, onde só se nada bem nas suas represas porque senão for aí a água dá pela cintura, e onde nalguns sítios é possível atravessar de jipe, não percebo como é que o fluxo pode ser de 17,2 toneladas de água (ou 17,2 metros cúbicos, é o mesmo) por segundo, em média, e muito menos 167! 

Como é que um jipe pode atravessar um rio e levar ao mesmo tempo com parte das 167 toneladas? 

Eu fico muito admirado com estes valores! Como é que um ribeiro como o Beça, um rio pequenino, pode fazer tanta potência como 192 fórmulas 1?!

Será que os técnicos não se enganaram?! Parece que os relatórios sobre a barragem têm vários erros, como os que são apontados aqui, por isso eu desconfio do que se apresenta nesses relatórios. 

Será que o Sócrates andou a dar trabalho a técnicos formados na Universidade Independente? 

Aquilo que me parece a mim é que algum desses meninos da Independente foi medir o fluxo do Beça com algum aparelho electrónico e se enganou, ao ler a escala, num factor de 1000, porque o que me parece mais certo é que no rio passem 167 Kg de água por segundo.

Parem a construção da barragem, o rio Beça não leva água suficiente para produzir energia que se veja, parem lá com isso, há outras opções melhores.

in Bloguex - 17 de Janeiro de 2008

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

PNBEPH - Rio Tâmega: Património a desaparecer - Ponte de Arame (Lourido - Rebordelo)

PNBEPH - Rio Tâmega: Património a desaparecer com a Barragem de Fridão
Ponte de Arame (Lourido - Rebordelo)






A ponte de arame no lugar de Lourido, sobre o rio Tâmega, liga as freguesias de Rebordelo (concelho de Amarante) e Arnóia (concelho de Celorico de Basto).

Para chegar até esta pitoresca ponte, constituída por cabos de arame entrelaçados, com estrado de madeira, ao seguir a estrada N210 no sentido Celorico de Basto – Amarante, encontrará um desvio à esquerda que dá acesso à pequena povoação de Lourido, situada na margem direita do rio Tâmega, que pertence à freguesia de Arnóia.

Ao passar junto à estação dos caminhos de ferro da extinta Linha do Tâmega, e já em direcção ao rio vamos deparar com a ponte de arame. A sua travessia constitui uma autêntica aventura, atendendo ao seu aspecto frágil e ao balouçar de forma pronunciada, mas apesar disto não há registo de nenhum acidente ao longo destes anos.

A ponte aparenta uma tipologia simples, constituída por um piso de madeira apoiado em barrotes, também de madeira, pendurados por arames em cabos metálicos amarrados nas encostas das margens do rio.

A actual ponte, construída por volta de 1926/27, não é a primitiva. Tem um comprimento de 55 metros e 2,5 metros de largura. A anterior era mais estreita e terá sido construída nos finais do séc. XIX e foi cortada numa das margens pelos “Galinhas” de Codessoso a mando da tropa de Amarante… por receio que os de Vila Real por ali passassem.

Em Portugal estão identificadas seis pontes de arame situadas no norte do País, incluindo uma no concelho vizinho de Ribeira de Pena, que se tornou num ex-libris, depois de uma profunda intervenção de reabilitação e reforço.

Naturalmente e devido às características dos materiais que a constituem, é uma estrutura particularmente sensível à acção dos agentes atmosféricos, pelo que na ausência de uma manutenção adequada a sua degradação evolui rapidamente, pondo em causa a segurança de pessoas e bens.

Sabemos que o Município de Celorico de Basto está preocupado com o estado de conservação da Ponte de Arame de Lourido, pelo que a sua recuperação é uma obra mencionada no Orçamento e no Plano Plurianual de Investimentos de 2007, no sentido de continuar firme e permitir o intercâmbio entre as duas margens do rio Tâmega.

Orlando Silva, in Celorico de Basto - Digital - 1 de Janeiro de 2008

domingo, 23 de dezembro de 2007

PNBEPH - Cidadãos de Boticas contra a construção da Barragem de Padroselos



Albufeira faz parte do plano nacional de barragens
Grupo de cidadãos está contra a construção da barragem de Padroselos

Um grupo de cidadãos está a organizar-se no sentido de evitar a construção da barragem de Padroselos, em Boticas, uma das dez previstas no âmbito do plano nacional de albufeiras conjecturadas pelo Governo.

A inclusão do rio Bessa para a construção de uma das dez barragens previstas no plano nacional de albufeiras previsto pelo Governo já tem opositores. José Carlos Barros, natural do Alto Tâmega e actualmente vereador do ambiente da Câmara municipal de Vila Real de Santo António, é apenas um dos cidadãos um dos cidadãos que está contra.

De acordo com José Barros, o estudo de avaliação ambiental estratégica obrigatório por leisobre o local é “absolutamente desastroso”. Segundo garante, no documento pode-se ler que “não foi confirmada a presença de qualquer espécie com estatuto de conservação elevado, embora seja provável a presença da enguia”. No entanto, afirma José Barros, “toda a gente sabe que há muita enguia naquele rio e truta, que nem sequer é referida no estudo”.

A criação de uma barragem em Padroselos poderá também trazer consequências ao nível do turismo rural e de natureza, que, na opinião do autarca, poderia trazer “maiores benefícios” à área envolvente ao rio Bessa, com o aproveitamento dos “recursos endógenos, como a paisagem”.
Apesar do movimento cívico que está a ser criado, José Carlos Barros tem consciência que para demover o Governo das suas intenções é necessário que mais vozes se juntem ao protesto.

A barragem de Padroselos é uma das albufeiras previstas para aumentar a produção de energia hidroeléctrica a nível nacional, para, segundo o Governo, cumprir para baixar a emissão de dióxido de carbono e, assim, cumprir o protocolo de Quioto.

Sónia Domingues, in Diário de Trás-Os-Montes - 23 de Dezembro de 2007

sábado, 22 de dezembro de 2007

PNBEPH - Barragem de Padroselos: Tábua rasa da Lei

PNBEPH - Barragem de Padroselos 
Tábua rasa da Lei

O Plano de Bacia Hidrográfica do Douro, aprovado pelo Decreto Regulamentar número 19/2001 [cf. Parte VI, alínea n)], considera explicitamente que os rios Covas e Beça se incluem nos «ecossistemas a preservar», onde, em conformidade, ficam proibidas todas as acções que não contribuam «para a preservação e melhoria» dos ecossistemas em causa.

Em nenhuma parte dos estudos relativos ao PNBEPH se faz referência a esta impossibilidade prática, do ponto de vista legal, de levar para diante a construção da barragem de Padroselos. 

Tábua rasa, portanto, à lei – na sua letra e no seu espírito – eis o que se prevê.

Uma lagoa eutrofizada – não é mais o que agora se propõe em nome de uma política energética que se enredou nas suas mais labirínticas contradições.

A concretização do PNBEPH vai ser precedida da revogação do Decreto Regulamentar número 19/2001? 

A importância efectiva e então reconhecida destes ecossistemas também se revogará por medida legislativa?...

José Carlos Barros, in Negrilho - 22 de Dezembro de 2007

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

PNBEPH - Boticas: Grupo de cidadãos está contra a construção da Barragem de Padroselos



BOTICAS: Albufeira faz parte do Plano Nacional de Barragens
Grupo de cidadãos está contra a construção da barragem de Padroselos

Um grupo de cidadãos está a organizar-se no sentido de evitar a construção da barragem de Padroselos, em Boticas, uma das dez previstas no âmbito do plano nacional de albufeiras conjecturadas pelo Governo.

A inclusão do rio Bessa para a construção de uma das dez barragens previstas no plano nacional de albufeiras previsto pelo Governo já tem opositores. José Carlos Barros, natural do Alto Tâmega e actualmente vereador do ambiente da Câmara municipal de Vila Real de Santo António, é apenas um dos cidadãos um dos cidadãos que está contra.

De acordo com José Barros, o estudo de avaliação ambiental estratégica obrigatório por lei sobre o local é “absolutamente desastroso”. Segundo garante, no documento pode-se ler que “não foi confirmada a presença de qualquer espécie com estatuto de conservação elevado, embora seja provável a presença da enguia”. No entanto, afirma José Barros, “toda a gente sabe que há muita enguia naquele rio e truta, que nem sequer é referida no estudo”.

A criação de uma barragem em Padroselos poderá também trazer consequências ao nível do turismo rural e de natureza, que, na opinião do autarca, poderia trazer “maiores benefícios” à área envolvente ao rio Bessa, com o aproveitamento dos “recursos endógenos, como a paisagem”.
Apesar do movimento cívico que está a ser criado, José Carlos Barros tem consciência que para demover o Governo das suas intenções é necessário que mais vozes se juntem ao protesto.

A barragem de Padroselos é uma das albufeiras previstas para aumentar a produção de energia hidroeléctrica a nível nacional, para, segundo o Governo, cumprir para baixar a emissão de dióxido de carbono e, assim, cumprir o protocolo de Quioto.

Sónia Domingues, in Semanário Transmontano - 21 de Dezembro de 2007

PNBEPH - Barragem de Padroselos contestada em Boticas



PNBEPH - Avaliação Ambiental Estratégica fundada em mentiras
Construção em Padroselos contestada


Um grupo de cidadãos de Boticas está a organizar um movimento para impedir a construção da Barragem de Padroselos, prevista pelo Governo.
O executivo de José Sócrates inclui esta obra, em Vila Real, no grupo de medidas que garantirão o cumprimento do protocolo de Quioto.

José Carlos Barros, natural do concelho de Boticas e porta-voz do movimento que se opõe à barragem do Rio Bessa, garante que o estudo de avaliação ambiental estratégica se funda em mentiras, uma vez que indica que “não foi confirmada a presença de qualquer espécie com estatuto de conservação elevado, embora seja provável a presença da enguia”, quando, garante, “toda a gente sabe que há muita enguia naquele rio”. Algo que acontece também no caso da truta, que “nem sequer é referida no estudo”.

Para José Carlos Barros (que se deslocou para o Algarve, onde desempenha as funções de vereador do Ambiente na autarquia de Vila Real de Santo António), a construção desta estrutura vai impedir o crescimento do turismo na sua região natal, porque fere os “valores endógenos” da área do Rio Bessa.

LA, in Rádio Renascença - 21 de Dezembro de 2007

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Plano Nacional de Barragens é um grande erro

Plano Nacional de Barragens

A construção de mais 10 barragens em Portugal é um grande erro, pois os aumentos dos consumos de electricidade têm vindo constantemente a crescer, e o Governo português, ao construir estas 10 barragens parte do princípio que assim tem de continuar a ser.

Deste modo, não se está a apostar na melhor estratégia, que é mais eficiente, mais económica e que aposta na redução do consumo de electricidade com base no aumento da poupança e da eficiência energética.

Torna-se preocupante a falta de rigor na avaliação que é feita dos impactes ambientais, sociais, patrimoniais, e ambientais de cada empreendimento por si, assim como o efeito cumulativo das 10 barragens.

Barragem de Fridão:
A cota da barragem de Fridão, situada a cerca de 6km de Amarante é de 145, sendo a cota actual da Cidade no Mosteiro de S. Gonçalo de 62. Logo o desnível é de 83m.

Como é possível fazer propostas destas que, para além de destruir a beleza e a harmonia existente entre o património natural e o construído da cidade, são uma verdadeira ameaça à sua qualidade de vida, pelos perigos que representam para a saúde pública (má qualidade das águas) e uma ameaça permanente em termos de segurança pública.

P.S.- Façam "ouvir" a vossa opinião, deixando um comentário neste artigo

Enzo, in The Awesome Stuff - 20 de Dezembro de 2007

AR: "Os Verdes" acusam PS de ajudar governo a fugir do debate sobre Programa Nacional de Barragens






Assembleia da República
"Os Verdes" acusam PS de ajudar governo a fugir do debate sobre Programa Nacional de Barragens

Lisboa, 20 Dez (Lusa) - O partido "Os Verdes" acusou hoje a maioria socialista de ajudar o Governo a "fugir à discussão" sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), prometendo uma audição pública no Parlamento sobre esta matéria.

"A maioria socialista inviabilizou a vinda do ministro do Ambiente, proposta pelo Grupo Parlamentar "Os Verdes" à Comissão de Poder local, Ambiente e Ordenamento do Território, para debater o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)" referem "Os Verdes" em comunicado.

Para "Os Verdes", esta é uma atitude "tanto mais lamentável quando o Governo nunca tomou a iniciativa de apresentar e debater este Programa na Assembleia da República, antes de o aprovar, continuando mesmo agora a fugir à discussão com a ajuda dos deputados do Partido Socialista".

"Perante esta atitude inaceitável e face aos impactes ambientais, patrimoniais, sociais e económicos que este programa terá, caso se venha a concretizar, nas regiões onde se pretende localizar algumas destas barragens", "Os Verdes" garantem que "tudo farão para que o Programa Nacional de Barragens (PNBEPH) seja debatido na Assembleia da República".

Deste modo, os ecologistas estão já a preparar "uma audição pública", a ter lugar no dia 9 de Janeiro de 2008, na Assembleia da República, que estará "aberta a todos os interessados e com vários especialistas".

O Governo aprovou no passado dia 7 a versão final do Programa Nacional de Barragens, prevendo a construção de 10 barragens, sendo que o início dos trabalhos na Foz do Tua, deverá acontecer dentro de um ano.

As barragens previstas vão localizar-se na Foz do rio Tua, Pinhosão, no rio Vouga, Padroselos, Vidago, Daivões, Fridão e Gouvães, no rio Tâmega, Girabolhos, no Mondego, Alvito, no rio Ocreza, e Almourol, no rio Tejo.

O Plano Nacional de Barragens vai implicar um investimento total de 1.140 milhões de euros e aumentar a capacidade hídrica instalada no país em mais 1.100 megawatts (MW).

IZM/ACF/IRE.

Lusa, in RTP e Expresso - 20 de Dezembro de 2007

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

PNBEPH - Grupo de cidadãos está contra a construção da Barragem de Padroselos

Grupo de cidadãos está contra a construção da Barragem de Padroselos
Um grupo de cidadãos está a organizar-se no sentido de evitar a construção da Barragem de Padroselos em Boticas

Este é uma das estruturas prevista para a rede hidroeléctrica nacional, que o Governo está a implementar. Mas nem toda a gente concorda com este empreendimento, pelas consequências ambientais que representa.

José Carlos Barros, natural do alto Tâmega e actualmente vereador do ambiente da câmara municipal de Vila Real de Santo António, não quer ver uma barragem no rio Bessa e afirma que o estudo de avaliação ambiental estratégica, obrigatório por lei é “absolutamente desastroso”. 

No documento pode-se ler que “não foi confirmada a presença de qualquer espécie com estatuto de conservação elevado, embora seja provável a presença da enguia”, quando, segundo José Carlos Bessa, “toda a gente sabe que há muita enguia naquele rio”, o mesmo acontecendo com a truta, que “nem sequer é referida no estudo”.

A criação de uma barragem em Padroselos poderá também trazer consequências ao nível do Turismo rural e de natureza, que poderia trazer “maiores benefícios” à área envolvente ao rio Bessa, com o aproveitamento dos “recursos endógenos, como a paisagem”.

in Vila Real on Line - 19 de Dezembro de 2007

PNBEPH - Grupo de cidadãos está conta a construção da barragem de Padroselos


Cidadãos contra a construção da Barragem de Padroselos

Um grupo de cidadãos está a organizar-se no sentido de evitar a construção da Barragem de Padroselos em Boticas.

Este é uma das estruturas prevista para a rede hidroeléctrica nacional, que o Governo está a implementar. Mas nem toda a gente concorda com este empreendimento, pelas consequências ambientais que representa.

José Carlos Barros, natural do alto Tâmega e actualmente vereador do ambiente da câmara municipal de Vila Real de Santo António, não quer ver uma barragem no rio Bessa e afirma que o estudo de avaliação ambiental estratégica, obrigatório por lei é “absolutamente desastroso”. No documento pode-se ler que “não foi confirmada a presença de qualquer espécie com estatuto de conservação elevado, embora seja provável a presença da enguia”, quando, segundo José Carlos Bessa, “toda a gente sabe que há muita enguia naquele rio”, o mesmo acontecendo com a truta, que “nem sequer é referida no estudo”.

A criação de uma barragem em Padroselos poderá também trazer consequências ao nível do Turismo rural e de natureza, que poderia trazer “maiores benefícios” à área envolvente ao rio Bessa, com o aproveitamento dos “recursos endógenos, como a paisagem”.

in Vila Real on Line - 19 de Dezembro de 2007

sábado, 15 de dezembro de 2007

Programa Nacional de Barragens em sentido contrário à eficiência e à poupança

PNBEPH - GOVERNO
Andar ao contrário

O Tratado de Lisboa não podia deixar de apontar novos caminhos para alguns dos novos grandes desafios que se colocam actualmente a nível global. 

Não surpreende, pois, que preveja disposições específicas sobre política energética; e que, neste domínio, dê clara prioridade à «promoção da eficiência e poupança».

A União não tem outro caminho. Portugal, sobretudo, não tem outro caminho: somos dos países da Europa onde a ineficiência energética apresenta os valores mais elevados e onde os potenciais de poupança de energia podem ascender a 40% do consumo actual.

Mas não. Com o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) decide o Governo atalhar exactamente em sentido contrário ao da promoção da eficiência e da poupança – actuando pelo lado da oferta, do desperdício financeiro, da destruição da Paisagem e de recursos endógenos, do facilitismo e da preguiça.

Veja-se o absurdo: os consumos energéticos actuais no nosso país têm vindo a aumentar 4% ao ano; o nosso potencial de poupança ascende a 40%; o PNBEPH, concluída a totalidade dos investimentos previstos e em velocidade de cruzeiro, prevê a ambiciosa meta de um aumento de 3% da energia disponível…

José Carlos Barros, in Negrilho - 15 de Dezembro de 2007

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

PNBEPH - Contra a barragem de Padroselos no rio Beça

PNBEPH - RIO BEÇA
Barragem No Beça

Já há uns dias em que estou para escrever um post que apoie o José Carlos Barros contra a barragem que vai ser construída no rio Beça, no concelho de Boticas. 

Ainda não o tinha feito porque gostava de me informar mais sobre o assunto para poder dizer algo. O Francisco José Viegas já deu destaque ao caso.

A única coisa que posso dizer, agora, é que não quero nada mais uma barragem a cortar a paisagem barrosã, já estou farto de tanta insensibilidade para com a nossa riqueza natural, a fauna, etc. 

E a barragem não vai ser pequena, terá 90 m de altura e 0,5 Km de largura. Mas sei que não é apenas dizendo "não quero" que se pode tentar contrariar uma decisão política.

Sei que confio naquilo que o JCB diz. Ele é formado em Arquitectura Paisagista, já foi Director do Parque da Reserva Natural da Ria Formosa, trabalhou no gabinete do Ministério do Ambiente com o José Sócrates, e é uma pessoa com conhecimentos e experiência na área do ambiente. 

Além disso, importa referir, é um grande pescador que conhece os rios de lés a lés. Também sabe bastante de como as coisas funcionam ao nível político porque, para além de já ter trabalhado com o José Sócrates, é actualmente Vice-Presidente da Câmara de V. R. de Santo António.
E, melhor do que todas as qualificações que tem, é uma pessoa com uma sensibilidade rara para este tipo de questões, coisa que muitas vezes não acontece com pessoas que trabalham na área do ambiente e do património.

Eu imagino que vai ser muito difícil contrariar uma decisão do Governo, embora não ache que seja impossível.

Acho que vai ser difícil pelas seguintes razões:

É uma decisão do Governo e não estou a ver os autarcas a contrariar uma decisão governamental, ainda que os autarcas sejam PSD. Mais, esses autarcas são os mesmos que nunca demonstraram sensibilidade para com questões ambientais e de preservação das riquezas naturais, ou outras. 

São esses autarcas que deixaram que se "plantasse" uma eólica num dos Cornos das Alturas (isto diz muito) e que nunca zelaram pela qualidade das águas, dos rios do concelho, que se tem vindo a degradar, por exemplo. 

Claro que esses autarcas vão dizer que sim ao projecto da barragem, nem que seja para mostrar que fazem algo (Apesar da obra não ser camarária, é um garante de mais uma inauguração e da visita de algum secretário de estado.) num concelho onde quase nada se faz e aquilo que se faz nunca é de qualidade. 

Autarcas que publicitam a "Sedução da Montanha" enquanto plantam eólicas nas montanhas mais emblemáticas e desprezam completamente as águas onde vivem as trutas da "Dieta de Montanha", só podem ser classificados como ridículos, muito ridículos.

Por outro lado, a oposição PS não se irá impor contra uma obra do governo PS. E mesmo que por algum motivo decidam que são contra, a única coisa que irão fazer é falar, nos cafés, claro, mal da obra depois dela estar concluída, porque é aquilo que fazem sempre (é a oposição mais ridícula que eu conheço!), nunca se dão ao trabalho de protestar contra seja o que for ou organizar um mero abaixo-assinado.

Se o Governo, que emprega técnicos, supostamente, de qualidade, não sabe tomar decisões ambientais que sejam correctas, também não me admira nada que os autarcas, que na maior parte dos casos são de uma ignorância extrema, nada façam sobre questões ambientais e de preservação do património.

Restará a população para fazer alguma coisa sobre o caso. Mas como a maioria da população do concelho é constituída por pessoas pouco informadas, o que não é de admirar pois muitos vivem a mais de 20 km da livraria e tabacaria mais próximas, não estou à espera que por sua iniciativa se vão por contra técnicos governamentais e relatórios complicados que não lhes seriam fáceis de compreender. 

Acredito que parte da população das aldeias limítrofes, da tal barragem, sejam instintivamente contra a construção, mas não saberão mostrar o seu desagrado com argumentos de força.

O resto da população do concelho e da vila, onde reina o marasmo e o torpor diário, rejubilarão com as dezenas de trolhas que virão construir a tal barragem e que darão animação à vida social e cafés da vila. 

O "jetset" botiquense também tudo terá a ganhar com a passagem de algum engenheiro ou topógrafo que poderão também dar um toque exótico às conversas corriqueiras da sociedade.

Também os cucos e cuscos irão adorar a construção da barragem, um tema que lhes vai servir para milhentas conversas. 

Que se foda o ambiente, as trutas e as enguias. O prazer de dar uma espreitadela à barragem em construção e ir contar a novidade num dos cafés da vila vai ser orgástico.

Por isto tudo, resta-nos o JCB para fazer barulho, movimentar pessoas e encontrar uma maneira de que a construção da barragem não se venha a fazer.

Eu não posso fazer grande coisa, a não ser contribuir com a minha assinatura nalgum abaixo-assinado e falar mal da barragem, nos cafés, claro.

Eu ando desconfiado que todas as barragens, ou quase todas, são uma grande estupidez e irei escrevinhar algo sobre as minhas desconfianças, noutro post.

in Bloguex - 14 de Dezembro de 2007

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Os prós e contras das barragens

Os prós e contras das barragens

O debate sobre as barragens é sempre complicado. Perante a emergência das alterações climáticas e o aumento do preço do petróleo, os ecologistas são constantemente encostados à parede pela sua suposta incoerência quando criticam a construção de uma barragem. Se ultrapassarmos a chantagem que consiste em escolher entre a água e o carvão, contudo, podemos analisar o dilema energético de forma mais sensata. Analisemos então as vantagens e desvantagens da opção hidroeléctrica e vejamos se merece ser encarada como uma alternativa ambientalmente correcta aos combustíveis fósseis.

O dilema ecológico

A Directiva-Quadro da Água (2000/60/CE) compromete os países da UE com metas em relação à qualidade da água até ao ano de 2015, prevendo a sua gestão em função de planos de bacia hidrográfica. Perante o investimento em grandes barragens e o impacto que esse investimento terá na qualidade da água dos rios, parece bastante claro que Portugal não vai cumprir esta regra. Num país onde as secas são cada vez mais frequentes, chega ao ponto de ser um crime contra a população o estado desastroso da gestão dos recursos hídricos. O Plano Nacional de Barragens é, aliás, demonstrativo deste ponto, tendo em conta que foi aprovado antes de terem sido aprovados os planos de gestão das bacias hidrográficas.

Não fosse o facto de a qualidade de água piorar imenso com a construção de barragens e até poderia fazer sentido construí-las em zonas agrícolas. O desastre em que resultou a construção da barragem do Alqueva, contudo, devia fazer-nos pelo menos reflectir sobre a viabilidade desta opção. O mesmo se pode dizer, aliás, relativamente à construção de barragens para controlo das cheias, tendo em conta que o seu efeito neste aspecto é pouco claro.

As barragens são também más notícias para a preservação da biodiversidade. Ao impedirem o percurso migratório de numerosas espécies de peixes, levam ao seu desaparecimento. Nas albufeiras, proliferam as espécies exóticas, tendo em conta que o ecossistema se aproxima do de um lago. Para os vertebrados que percorrem as zonas afectadas, o surgimento de uma enorme albufeira onde dantes havia um pequeno rio coloca também um entrave à sua mobilidade. O habitat de muitas espécies animais torna-se assim mais reduzido, aumentado o risco de extinção.

Outro grande inconveniente das barragens que é pouco mencionado é o da redução do caudal sólido. Os rios transportam grandes quantidades de sedimentos ao longo do seu trajecto. Quando desaguam no mar, uma parte uma parte dos sedimentos irá fornecer nutrientes ao mar, essenciais para muitas espécies piscícolas. Outra parte deposita-se na costa, dando origem à areia das praias. Ao impedirmos a circulação dos sedimentos pela construção de represas estamos assim a contribuir para a erosão costeira, potenciando fenómenos como os que assistimos recentemente na Costa da Caparica.

Tudo isto se justifica, dizem os defensores da opção hidroeléctrica, face à necessidade de combater o aquecimento global. Mas as barragens não são neutras em carbono. Nas albufeiras a matéria vegetal decompõe-se a um ritmo superior ao normal, estimulando a produção de metano, um poderoso gás com efeito de estufa. Um estudo recente[1] concluía que as barragens contribuem em 4% para o aquecimento global, tendo em conta estas emissões. Decorrem neste momento outros estudos visando quantificar a contribuição das barragens para a emissão de dióxido de carbono e de óxido nitroso.

O dilema social

Construir uma grande barragem implica quase sempre deslocar populações, sendo frequentes os casos em que povoações inteiras são submersas. As condições em que se efectuam os realojamentos são ilustrativas da forma como se encara o mundo rural. Forçados a abandonar as terras mais férteis, situadas nos vales dos rios, os habitantes da zona afectada pela barragem são deslocados para zonas onde a produtividade agrícola é menor, recebendo em troca uma indemnização cujo valor chega a ser insultuoso. Quanto às esperanças de desenvolvimento, cedo se desvanecem.

As barragens não geram emprego para os locais. Quem constrói as barragens são trabalhadores vindos de fora, frequentemente até de fora do país, trabalhadores esses que são colocados em guettos improvisados, sendo impedidos de ter qualquer contacto com a população local. Uma vez construída a barragem descobre-se rapidamente que o emprego gerado se resume a ... quase zero.

O mesmo se pode dizer das promessas de criação de uma atracção turística. Os dedos das mãos não chegam para contar as albufeiras que se tornaram em pólos dinamizadores de turismo. Por outro lado, deveria ser claro que existe um potencial não explorado de turismo de natureza nas zonas que irão ser submergidas dos rios Sabor e Tua.

O dilema energético

Estamos num país onde o desperdício de energia atinge os 60%. O Governo prefere ignorar este facto, contudo, preferindo apostar em políticas de expansão da oferta, em detrimento da conservação de energia via melhoria da eficiência energética e renovação da (obsoleta) rede eléctrica nacional. É neste contexto que surge o projecto megalómano de construir mais 10 barragens como solução para o dilema energético. Porquê as barragens? Por três grandes motivos.

O primeiro é o da fiabilidade. As renováveis apresentam uma grande desvantagem: a fiabilidade. A cada momento, a quantidade de energia eléctrica que entra na rede tem que ser obrigatoriamente igual à quantidade de energia que é consumida, dado que não temos forma de a armazenar. Ora, regular a energia produzida por uma central termoeléctrica é simples, dado que a produção depende de um combustível. Mas enquanto que uma central a gás natural pode começar a produzir energia à capacidade máxima em dois segundos, é impossível controlar a produção de uma turbina eólica. Isto pode parecer uma questão técnica menor mas é na realidade o maior entrave à expansão das energias renováveis.

Neste ponto entram as barragens. Actualmente é possível construirmos barragens capazes de bombear àgua de jusante para montante. Utilizando esta tecnologia podemos ter um sistema de barragens que nos permita aproveitarmos melhor o potencial da energia eólica. O funcionamento é simples. Entre duas barragens (a principal e uma mais pequena de apoio) armazena-se água durante as horas de cheia. Nas horas em que o consumo de energia é inferior à produção (usualmente, durante a noite) utiliza-se o excesso de energia para bombear de novo a água para a albufeira da barragem, de forma a termos a água ao nosso dispor para produzirmos energia quando necessitarmos. Aquilo que é uma maravilha da engenharia, contudo, é um pesadelo do ponto de vista ambiental. Ao bombearmos água desta forma de um lado para o outro antes de a libertarmos finalmente no rio estamos a exponenciar todos os problemas anteriormente mencionados relativamente à qualidade da água. Tendo em conta que a água que entra na barragem não é a mesma que sai, podemos mesmo dizer que é uma falácia caracterizar esta fonte de energia como renovável.

A fiabilidade da hidroeléctrica é, no entanto, um mito. Os dados apresentados pelo Prof. Bordalo e Sá numa conferência que assisti recentemente[2] são suficientemente elucidativos a este respeito. Se analisarmos a produção de energia das barragens ao longo de um ano ou de um mês assistimos a oscilações sazonais enormes. Mais surpreendentemente ainda, o caudal dos rios e, consequentemente, a produção eléctrica chega a apresentar oscilações consideráveis ao longo de um dia. Tomando como referência o Douro, o rio mais afectado pelas barragens, chegamos a ter várias horas durante a noite em que o caudal é zero, resultado sobretudo da actuação das enormes barragens situadas além da fronteira.

O segundo grande motivo apresentado para o reforço do investimento nas barragens é o da dependência energética. Para nos livrarmos da dependência dos combustíveis fósseis, diz o Governo, temos de expandir imenso a nossa produção de energia proveniente de fontes renováveis e isso implica um grande investimento na energia hídrica. Mas este argumento esbarra num factos que o demente. A maior parte da energia consumida em Portugal destina-se ao sector dos transportes, de onde se conclui que o nosso problema de dependência em relação ao petróleo pouco ou nada tem a ver com a estrutura do nosso sistema energético.

O terceiro motivo é o do aproveitamento do potencial hídrico. Devemos encarar como um desperdício o facto de aproveitarmos apenas metade do potencial energético dos nossos rios. Nada pode ser, do ponto de vista ecológico, mais enganador. Se quisermos viver neste planeta sem enfrentar alterações no meio que nos rodeia que ponham em causa a nossa civilização temos de saber encarar o facto de que não podemos utilizar todos os recursos que temos ao nosso dispor. A maior parte dos rios deverão, portanto, escapar à utilização para produção de energia, da mesma forma que a maior parte dos combustíveis fósseis terão que ser deixados no subsolo. Apenas assim podemos dizer que o conceito de desenvolvimento sustentável é algo mais que um chavão.

O que está em causa
A execução do Plano Nacional de Barragens levará a um acréscimo na produção de electricidade que corresponde a 3,3% do consumo final de 2006, permitindo uma redução nas emissões que, na melhor das hipóteses, representará 1% do valor de base do Protocolo de Quioto[3]. Mesmo estes números poderão estar, contudo, sobre-inflacionados. As recentes estimativas publicadas pelo IV Relatório do IPCC referem uma redução na produção hidroeléctrica até 2070 de 20% a 50%, como resultado das alterações climáticas. Tendo em conta que cada barragem custa 250 a 400 milhões de euros, não me parece que estejamos perante um bom investimento.
_______________

1. Dados da International Rivers.
2. Conferência sobre barragens organizada pela Liga para a Protecção da Natureza, a 29/11, no auditório da Fundação de Serralves, Porto.
3. Parecer da Quercus sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico.

Ricardo Coelho, in EcoBlogue - 10 de Dezembro de 2007

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PNBEPH - TÂMEGA: "Barragens não trouxeram o desenvolvimento que ainda hoje nos tentam vender"






PNBEPH - TÂMEGA
"Barragens não trouxeram o desenvolvimento que ainda hoje nos tentam vender"
  
Foto: DR

Ao mesmo tempo que o Ministro do Ambiente anuncia que o investimento privado em barragens poderá rondar os 2 mil milhões de euros, Bordalo e Sá e Rui Cortes contestam a necessidade de mais barragens e o preço ambiental a pagar.

Estamos numa situação de extremar do clima. "Há mais secas e há mais cheias. As barragens são justamente a nossa resposta à irregularidade do clima. As barragens são uma resposta à alteração climática". Esta é uma afirmação do ministro do Ambiente, Nunes Correia, proferida ontem, numa entrevista publicada pelo jornal Público e Rádio Renascença.


Num país em que se demorou 40 anos a fazer a primeira grande barragem, o Alqueva, o ministério deposita elevadas expectativas em relação às novas barragens, salvaguardando que não será o Estado a fazer essas barragens, mas entidades privadas, as quais estão dispostas a gastar uma quantia que pode chegar aos dois mil milhões de euros.

Já a questão que a Liga para a Protecção da Natureza (LPN) coloca é se as barragens serão sinónimo de desenvolvimento.

Para tentar responder, juntou, num debate, Bordalo e Sá, investigador e docente no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Rui Cortes, docente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e Manuel Antunes, da Associação A Furna.

O Plano Nacional de Barragens de 2007 prevê a construção de 10 novas barragens. Uma dessas barragens é a que se quer construir no rio Tâmega.

Para Bordalo e Sá, que afirma não ser contra as barragens, a nova barragem do Tâmega é considerada a "coqueluche" dos defensores das barragens. "Acontece que o Tâmega já tem uma barragem: a barragem do Torrão que até tem uma turbina que funciona durante a noite".

Para o cientista, a pergunta que nos devemos colocar é: "Para que queremos mais barragens?" "Hoje temos duas termoeléctricas de gás natural (uma na Tapada do Outeiro e outra no Carregado), as quais cobrem 40% das nossas necessidades". Ora, "em 2008/2009 teremos mais duas termoeléctricas de gás natural que irão cobrir 80% das necessidades", adverte.


De notar ainda que a electricidade representa apenas 20% do consumo energético total em Portugal.

Porém, recorde-se que em Outubro de 2007, José Sócrates, em declarações à Lusa, afirmava que "a nossa aposta em energia eólica só faz sentido se for como complemento da aposta no aproveitamento dos recursos hídricos".


Se as barragens são ou não uma resposta às alterações climáticas, só o tempo o dirá. Para já, e segundo Bordalo e Sá, "a hidroelectricidade não é «verde». Porque afecta a biodiversidade, conduz à perda de zonas férteis, à redução do caudal sólido, à eutrofização e aumento de produção de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso". Ou seja, as barragens levam a uma "quebra dos serviços ambientais", conclui o hidrólogo. A mesma opinião é partilhada por Rui Cortes.

Novamente as diferenças entre Portugal e Espanha
Se 65% do nosso território é ocupado por bacias de Espanha (por exemplo, dois terços da bacia do rio Douro situa-se na zona designada por Ibéria intermédia).

No caso do Douro (rio que conta com cinco barragens), "43% do caudal é espanhol, quando há 10 anos a situação era exactamente a oposta", nota Bordalo e Sá para quem, até agora as barragens "não trouxeram o desenvolvimento que ainda hoje nos andam a vender". Veja-se, por exemplo, que Portugal tem hoje 14 grandes barragens e Espanha 35.

Outra diferença é que, ao contrário de Portugal, Espanha preferiu construir as barragens na zona dos afluentes para fins de regadio, devido à existência de forte actividade agrícola nas zonas circundantes às barragens.

"A qualidade da água que entra em Portugal é má devido a essa actividade de regadio, pois se há agricultura, mais nutrientes vão para a água alterando a caracterização tróficas das águas", explica Rui Cortes.

Segundo dados de 2006, 57,1% das massas de água do Douro estão em risco contra 19,6% que não estão em risco.

Filipa M. Ribeiro, in Edition on Web - 03 de Dezembro de 2007