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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Assembleia da República - PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS: AUDIÇÃO PARLAMENTAR DA MINISTRA DO AMBIENTE POR INICIATIVA DE "OS VERDES"








Assembleia da República - PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS
AUDIÇÃO PARLAMENTAR DA MINISTRA DO AMBIENTE POR INICIATIVA DE "OS VERDES"

Num momento em que está a decorrer a consulta pública das barragens do Alto Tâmega, a Ministra do Ambiente vai amanhã, dia 6 de Abril, pelas 10.00h, ser ouvida na Comissão Parlamentar de Ambiente e Ordenamento do Território, por iniciativa do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), um Programa que foi o suporte para os empreendimentos em consulta pública, assim como para a barragem de Fridão e para a barragem do Tua.

“Os Verdes” relembram que contestaram o PNB desde o início, assim como a localização e concretização dos empreendimentos em causa. Salientam ainda o facto de, apesar de o Governo considerar esta matéria de interesse nacional, nunca por sua iniciativa ter sido discutida na Assembleia da República, mas sim por iniciativa do PEV, como acontecerá – mais uma vez – amanhã.

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes” (Lisboa) - 5 de Abril de 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

2010 ANO INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE: DIA 1 DE ABRIL VERDES PREMEIAM EDP PELA MENTIRA DO ANO








2010 ANO INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE
DIA 1 DE ABRIL VERDES PREMEIAM EDP PELA MENTIRA DO ANO


No Ano Internacional da Biodiversidade, o Partido Ecologista “Os Verdes” vai premiar a EDP com a atribuição do “Planeta de Pechisbeque” pela maior mentira do ano.

Esta escolha de “Os Verdes” é atribuída à EDP pela sua campanha “Viva a Energia”, anteriormente apelidada de “Sinta a Energia”, campanha que defende que as barragens são promotoras de melhor ambiente e contribuem para a biodiversidade.

“Os Verdes” convidam os(as) Senhores(as) Jornalistas para a “Cerimónia” de entrega do troféu, quinta-feira, dia 1 de Abril, pelas 11 horas, frente à Sede da EDP, na Praça Marquês de Pombal.


Partido Ecologista “Os Verdes” (Gabinete de Imprensa) - 30 de Março de 2010

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

PNBEPH - Assembleia da República: Ministra do Ambiente chamada ao Parlamento para explicar barragens




PNBEPH - Assembleia da República
Ministra do Ambiente chamada ao Parlamento para explicar barragens


in Jornal de Notícias, N.º 254, ANO 122 (p. 10) - 10 de Fevereiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PNBEPH - “OS VERDES” ENTREGARAM HOJE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA INICIATIVA LEGISLATIVA QUE VISA SUSPENDER O PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS









“OS VERDES” ENTREGARAM HOJE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA INICIATIVA LEGISLATIVA QUE VISA SUSPENDER O PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS


Os Deputados do Partido Ecologista “Os Verdes” entregaram hoje (17/12/2009) no Parlamento uma iniciativa legislativa que visa suspender de imediato o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH).

Porque o que consta do PNBEPH é por de mais importante, porque o tempo de discussão e de consulta pública foi demasiado escasso, porque os estudos dos impactos gerais, e especialmente dos cumulativos, têm que ser aprofundados, porque a contestação a esta opção do Governo é cada vez maior, porque as críticas estão sobejamente comprovadas, porque um olhar independente sobre o PNBEPH dará sempre uma conclusão idêntica àquela que chegou da Comissão Europeia, ou seja, de que não se percebe como é que um Programa com estas características foi aprovado, e também porque a concretização do PNBEPH trará consequências irreversíveis que não poderão jamais ser repostas e impactos económicos, sociais, patrimoniais, ambientais e culturais elevadíssimos, “Os Verdes” requerem que o Governo suspenda de imediato o Programa Nacional de Barragens.


PROJECTO DE RESOLUÇÃO Nº /XI
REQUER A SUSPENSÃO DO PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS COM ELEVADO POTENCIAL HIDROELÉCTRICO

Nota justificativa

Face à inegável gravidade e irreversibilidade de muitos dos impactos económicos, sociais, ambientais e patrimoniais do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), que preconiza a construção de dez novas barragens, seis delas na bacia do Douro, “Os Verdes” apelaram ao Governo, no dia 8 de Fevereiro de 2008, para que suspendesse o processo de concretização deste Programa.

Este apelo, lançado no quadro de um debate de urgência em plenário da Assembleia da República, precedido da realização de uma audição parlamentar bastante participada, da iniciativa do Grupo Parlamentar do PEV, reflectia também a posição da grande maioria das associações de ambiente deste país, de muitos especialistas e diversas entidades, desde autarquias, passando por associações profissionais, até técnicos e responsáveis de organismos da administração central, os quais expressaram a sua posição no quadro de consulta pública ou de diversas iniciativas públicas.


O amplo consenso gerado à volta da necessidade de suspender este Programa, advém de vários factos inaceitáveis, dos quais destacamos o não cumprimento de muitos dos pressupostos e do objectivo da Avaliação Ambiental Estratégica, regulada pelo Decreto-Lei nº 232/2007, o desfasamento entre os objectivos e as propostas do Programa e a falta de razoabilidade entre factores custos / benefícios / impactos do Programa.
Com efeito, este Programa omite nuns casos, e noutros subavalia, muitos dos impactos negativos previsíveis de cada projecto hidroeléctrico em si e do Programa no seu todo. Não se compreende, por exemplo, que se omita a inclusão da barragem do Tua numa área classificada ao nível mundial, pela UNESCO, ou que não se proceda a uma avaliação de riscos sobre as populações e sobre Amarante decorrentes da “cascata do Tâmega” e do facto da cidade ficar a cerca de noventa metro abaixo da quota da barragem do Fridão, tal como prevista no Programa, enquanto, por outro lado, inflaciona alguns aspectos como a produção hidroeléctrica ou o emprego gerado, fazendo os cálculos da produção hidroeléctrica a partir de caudais com valores de referência de há cinquenta anos atrás, e referindo-se aos empregos a criar, sem mencionar os empregos extintos com a submersão de largas áreas territoriais e a consequente extinção das actividades económicas que aí têm lugar, nomeadamente do sector agrícola, e sem estabelecer o diferencial com os empregos extintos pela submersão de vastas áreas territoriais e consequente extinção das actividades económicas aí localizadas, nomeadamente na agricultura.


O PNBEPH não avalia os impactos cumulativos da totalidade de barragens propostas, nem os impactos da sua construção e funcionamento relacionados com as barragens já existentes, designadamente no caso da bacia hidrográfica do Douro onde se localizam seis dos dez projectos propostos e onde já existem catorze barragens. Há, até, certos parâmetros fundamentais que foram pura e simplesmente ignorados em termos dos seus impactos cumulativos que tendem a ser muito significativos, quer no que respeita a retenção de inertes, a degradação da qualidade da água, a perda de biodiversidade, ou ao aumento de riscos para as populações.


Mas mais, o PNBEPH sustenta-se numa ausência total de avaliação de caminhos alternativos que permitissem atingir os objectivos (resposta ao consumo energético, redução da dependência energética de Portugal do exterior, combate às alterações climáticas) enunciados pelo Governo com muito menores impactos. De resto, a eficiência energética foi totalmente secundarizada num Programa de deveria estar integrado em objectivos estratégicos de poupança energética, nem tão pouco foi avaliada a resposta das barragens já existentes ao seu reforço hidroeléctrico ou à sua resposta à reversibilidade da produção eólica. Certo é que há um desperdício energético enorme no país, designadamente ao nível do transporte da energia, mas também ao nível dos consumos. 


Certo é que este PNBEPH não representará mais do que 3% da electroprodução nacional e certo é, ainda, que não contribuirá em mais do que 1% para o combate às alterações climáticas, o que leva à necessidade de uma avaliação séria entre os factores custo / benefício /impactos, a qual não foi ponderada.

Este Programa de barragens utiliza ainda umas “manigâncias” incompreensíveis, quando faz previsões ao nível da produção hidroeléctrica calculadas com base em caudais de há cerca de 50 anos, distorcendo, portanto, a própria viabilidade económica das barragens e a aferição do seu custo /vantagem.


Para além de não ter em conta os efeitos das alterações climáticas que já se fazem sentir e a necessidade de adaptação do país a essas mudanças climatéricas, há uma total ausência de articulação deste Programa, e das suas propostas, com outros programas ou Planos, nomeadamente com o Programa Nacional de Combate as Alterações Climáticas, com a Estratégia Nacional para a Eficiência Energética, com o Programa de combate à Desertificação, ou com os Planos de Bacia/Região Hidrográfica.


Desde sempre foi sentida, por todos os interessados, uma absoluta necessidade de aprofundar os estudos e de prolongar a consulta pública, sobretudo quando está em causa uma proposta governamental que tanta controvérsia e apreensão levanta em amplos sectores da sociedade. E essa necessidade é tanto mais sentida quanto no quadro da consulta pública ocorrida só foram promovidos três debates público (em Lisboa, no Porto e em Coimbra), sendo que nenhum destes debates decorreu em locais que poderão vir a ser directamente afectados pelas Barragens, negando-se, assim, o direito às populações mais afectadas de participar, de manifestar a sua opinião e de pedir esclarecimentos necessários .


Mas o Governo, de então, confortavelmente apoiado na sua maioria absoluta, assim não entendeu, assumiu a sua opção de não querer um amplo debate em torno do PNBEPH e apressou-se a dar andamento ao Programa, fazendo “orelhas moucas”, inclusivamente depois dos contributos prestados no âmbito da consulta pública, a todas as críticas, preocupações, alertas e sugestões emitidas. 


Foram publicados apressadamente vários diplomas para concretizar o programa e, simultaneamente, assistia-se à clara violação de compromissos internacionais, entre os quais a não participação à UNESCO da intenção de construir uma Barragem na Foz do Tua, participação obrigatória pelo facto deste projecto (curiosamente o primeira a ser sujeito a concurso) estar localizado no Alto Douro Vinhateiro, zona classificada como Património da Humanidade por esta prestigiada entidade.

Entretanto, a Comissão Europeia, na posse de um estudo independente relativo ao PNBEPH, o qual arrasa completamente os pressupostos e objectivos deste Programa, veio pedir explicações ao Governo português e salientar, designadamente, a forma como o PNBEPH se incompatibiliza com as metas assumidas para 2015, relativas à qualidade da água, compromissos, de resto, decorrentes da transposição da Directiva Quadro da Água.


E, se dúvidas ainda restassem quanto à omissão ou subavaliação dos efeitos do PNBEPH, a avaliação de impacto ambiental (AIA) de cada projecto seleccionado, mesmo que também fique aquém na aferição desses impactos, acabou por pôr a nu as grandes debilidades e a falta de rigor da avaliação estratégica, como bem prova a identificação de espécies (mexilhão de rio) protegidas pela Convenção de Berna e claramente afectadas pela barragem de Padrozelos, ou a AIA relativa à barragem do Tua. 


A verdade é que relativamente a esse projecto vieram à tona de água muitos dados omitidos na avaliação estratégica, nomeadamente quanto aos efeitos decorrentes da submersão da Linha do Tua, não só em relação à mobilidade das populações, mas também do ponto de vista patrimonial e identitário.

Porque a questão é por de mais importante, porque a contestação a esta opção do Governo é cada vez maior, porque as críticas estão sobejamente comprovadas, porque um olhar independente sobre o PNBHPE dará sempre uma conclusão idêntica àquela que chegou da Comissão Europeia, ou seja, de que não se percebe como é que um Programa com estas características foi aprovado, e também porque a concretização do PNBEPH trará consequências irreversíveis, que não poderão jamais ser repostas,
nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, delibera recomendar ao Governo:

1. Que suspenda, de imediato, a concretização do PNBEPH.

2. Na sequência do número anterior, que não seja adjudicado nenhum dos empreendimentos previstos no PNBEPH, sem que se realize um estudo, com carácter independente, que avalie os objectivos traçados no Programa, sua articulação com os diferentes Planos já existentes e que relacione, de uma forma objectiva, custos /impactos /benefícios dos empreendimentos previstos. 

3. Que a avaliação prevista no número anterior se debruce sobre aspectos não avaliados, designadamente sobre os impactos cumulativos dos diferentes projectos previstos no PNBEPH, entre si, e em acumulação com as barragens já existentes nas diferentes bacias hidrográficas.

4. Que essa avaliação determine rigorosamente os efeitos das barragens previstas sobre a qualidade da água, conjugando essa aferição com os compromissos assumidos por Portugal, bem como os efeitos do conjunto de projectos sobre o litoral, questão da maior relevância para a preparação do país no que concerne ao fenómeno das alterações climáticas.

Os Deputados

Heloísa Apolónia
José Luís Ferreira
.
in Partido Ecologista "Os Verdes" - 17 de Dezembro de 2009

Assembleia da República - "Os Verdes" - Iniciativa para suspender o Programa Nacional de Barragens discutida a 27 de Janeiro













INICIATIVA LEGISLATIVA DE “OS VERDES” QUE VISA SUSPENDER O PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS HIDROELÉCTRICAS É DISCUTIDA NO PLENÁRIO DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA A 27 DE JANEIRO

Por iniciativa de “Os Verdes”, a Assembleia da República vai debater na próxima quarta-feira, dia 27 de Janeiro de 2010, a suspensão do Programa Nacional de Barragens Hidroeléctricas (PNBEPH), matéria sobre a qual “Os Verdes” apresentaram um Projecto de Resolução.

Esta suspensão, que “Os Verdes”, assim como a grande maioria do movimento ambientalista português, já tinham reclamado aquando da apresentação deste Programa, devido à falta de rigor na avaliação dos impactos ambientais, sócio-económicos, patrimoniais do mesmo, e também devido ao desfasamento entre os objectivos e as propostas do Programa e a falta de razoabilidade entre factores custos / benefícios / impactos, no quadro da Avaliação Ambiental Estratégica regulada pelo Decreto-Lei nº 232/2007, volta a ser apresentada pelo PEV na Assembleia da República, apoiada nos novos factos que o decorrer do processo trouxe.

Os estudos de impacto ambiental já conhecidos de alguns empreendimentos, nomeadamente o da Barragem da Foz do Tua, assim como o estudo independente da Comissão Europeia que arrasa completamente os pressupostos e objectivos do PNBEPH, vieram reforçar a razão de “Os Verdes”.

Para além disso, “Os Verdes” consideram que o PNBEPH não avalia os impactos cumulativos da totalidade de barragens propostas, nem os impactos da sua construção e funcionamento relacionados com as barragens já existentes. Ainda, omite totalmente qualquer avaliação de vias alternativas que permitissem atingir os objectivos de redução de dependência energética e de combate às alterações climáticas anunciados pelo Governo, com muito menores impactos. A realidade é que este PNBEPH não representará mais do que 3% da electroprodução nacional e não contribuirá em mais do que 1% para o combate às alterações climáticas.

Por todas estas razões, e face às gravíssimas e irreversíveis consequências de cariz económico, social, patrimonial, ambiental e cultural, que o Programa Nacional de Barragens Hidroeléctricas poderá vir a trazer, “Os Verdes” consideraram oportuno que a Assembleia da República se viesse novamente a pronunciar sobre esta matéria de grande importância para o país e, por isso, apresentaram o Projecto de Resolução que visa suspender o PNBEPH.
.

PROJECTO DE RESOLUÇÃO Nº 42/XI/1.ª

REQUER A SUSPENSÃO DO PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS COM ELEVADO POTENCIAL HIDROELÉCTRICO
Nota justificativa

Face à inegável gravidade e irreversibilidade de muitos dos impactos económicos, sociais, ambientais e patrimoniais do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), que preconiza a construção de dez novas barragens, seis delas na bacia do Douro, “Os Verdes” apelaram ao Governo, no dia 8 de Fevereiro de 2008, para que suspendesse o processo de concretização deste Programa.
Este apelo, lançado no quadro de um debate de urgência em plenário da Assembleia da República, precedido da realização de uma audição parlamentar bastante participada, da iniciativa do Grupo Parlamentar do PEV, reflectia também a posição da grande maioria das associações de ambiente deste país, de muitos especialistas e diversas entidades, desde autarquias, passando por associações profissionais, até técnicos e responsáveis de organismos da administração central, os quais expressaram a sua posição no quadro de consulta pública ou de diversas iniciativas públicas.
O amplo consenso gerado à volta da necessidade de suspender este Programa, advém de vários factos inaceitáveis, dos quais destacamos o não cumprimento de muitos dos pressupostos e do objectivo da Avaliação Ambiental Estratégica, regulada pelo Decreto-Lei nº 232/2007, o desfasamento entre os objectivos e as propostas do Programa e a falta de razoabilidade entre factores custos / benefícios / impactos do Programa.
Com efeito, este Programa omite nuns casos, e noutros subavalia, muitos dos impactos negativos previsíveis de cada projecto hidroeléctrico em si e do Programa no seu todo. Não se compreende, por exemplo, que se omita a inclusão da barragem do Tua numa área classificada ao nível mundial, pela UNESCO, ou que não se proceda a uma avaliação de riscos sobre as populações e sobre Amarante decorrentes da “cascata do Tâmega” e do facto da cidade ficar a cerca de noventa metro abaixo da quota da barragem do Fridão, tal como prevista no Programa, enquanto, por outro lado, inflaciona alguns aspectos como a produção hidroeléctrica ou o emprego gerado, fazendo os cálculos da produção hidroeléctrica a partir de caudais com valores de referência de há cinquenta anos atrás, e referindo-se aos empregos a criar, sem mencionar os empregos extintos com a submersão de largas áreas territoriais e a consequente extinção das actividades económicas que aí têm lugar, nomeadamente do sector agrícola, e sem estabelecer o diferencial com os empregos extintos pela submersão de vastas áreas territoriais e consequente extinção das actividades económicas aí localizadas, nomeadamente na agricultura.
O PNBEPH não avalia os impactos cumulativos da totalidade de barragens propostas, nem os impactos da sua construção e funcionamento relacionados com as barragens já existentes, designadamente no caso da bacia hidrográfica do Douro onde se localizam seis dos dez projectos propostos e onde já existem catorze barragens. Há, até, certos parâmetros fundamentais que foram pura e simplesmente ignorados em termos dos seus impactos cumulativos que tendem a ser muito significativos, quer no que respeita a retenção de inertes, a degradação da qualidade da água, a perda de biodiversidade, ou ao aumento de riscos para as populações.
Mas mais, o PNBEPH sustenta-se numa ausência total de avaliação de caminhos alternativos que permitissem atingir os objectivos (resposta ao consumo energético, redução da dependência energética de Portugal do exterior, combate às alterações climáticas) enunciados pelo Governo com muito menores impactos. De resto, a eficiência energética foi totalmente secundarizada num Programa de deveria estar integrado em objectivos estratégicos de poupança energética, nem tão pouco foi avaliada a resposta das barragens já existentes ao seu reforço hidroeléctrico ou à sua resposta à reversibilidade da produção eólica. Certo é que há um desperdício energético enorme no país, designadamente ao nível do transporte da energia, mas também ao nível dos consumos. Certo é que este PNBEPH não representará mais do que 3% da electroprodução nacional e certo é, ainda, que não contribuirá em mais do que 1% para o combate às alterações climáticas, o que leva à necessidade de uma avaliação séria entre os factores custo / benefício /impactos, a qual não foi ponderada.
Este Programa de barragens utiliza ainda umas “manigâncias” incompreensíveis, quando faz previsões ao nível da produção hidroeléctrica calculadas com base em caudais de há cerca de 50 anos, distorcendo, portanto, a própria viabilidade económica das barragens e a aferição do seu custo /vantagem.
Para além de não ter em conta os efeitos das alterações climáticas que já se fazem sentir e a necessidade de adaptação do país a essas mudanças climatéricas, há uma total ausência de articulação deste Programa, e das suas propostas, com outros programas ou Planos, nomeadamente com o Programa Nacional de Combate as Alterações Climáticas, com a Estratégia Nacional para a Eficiência Energética, com o Programa de Combate à Desertificação, ou com os Planos de Bacia/Região Hidrográfica.
Desde sempre foi sentida, por todos os interessados, uma absoluta necessidade de aprofundar os estudos e de prolongar a consulta pública, sobretudo quando está em causa uma proposta governamental que tanta controvérsia e apreensão levanta em amplos sectores da sociedade. E essa necessidade é tanto mais sentida quanto no quadro da consulta pública ocorrida só foram promovidos três debates público (em Lisboa, no Porto e em Coimbra), sendo que nenhum destes debates decorreu em locais que poderão vir a ser directamente afectados pelas Barragens, negando-se, assim, o direito às populações mais afectadas de participar, de manifestar a sua opinião e de pedir esclarecimentos necessários .
Mas o Governo, de então, confortavelmente apoiado na sua maioria absoluta, assim não entendeu, assumiu a sua opção de não querer um amplo debate em torno do PNBEPH e apressou-se a dar andamento ao Programa, fazendo “orelhas moucas”, inclusivamente depois dos contributos prestados no âmbito da consulta pública, a todas as críticas, preocupações, alertas e sugestões emitidas. Foram publicados apressadamente vários diplomas para concretizar o programa e, simultaneamente, assistia-se à clara violação de compromissos internacionais, entre os quais a não participação à UNESCO da intenção de construir uma Barragem na Foz do Tua, participação obrigatória pelo facto deste projecto (curiosamente o primeira a ser sujeito a concurso) estar localizado no Alto Douro Vinhateiro, zona classificada como Património da Humanidade por esta prestigiada entidade.
Entretanto, a Comissão Europeia, na posse de um estudo independente relativo ao PNBEPH, o qual arrasa completamente os pressupostos e objectivos deste Programa, veio pedir explicações ao Governo português e salientar, designadamente, a forma como o PNBEPH se incompatibiliza com as metas assumidas para 2015, relativas à qualidade da água, compromissos, de resto, decorrentes da transposição da Directiva Quadro da Água.
E, se dúvidas ainda restassem quanto à omissão ou subavaliação dos efeitos do PNBEPH, a avaliação de impacto ambiental (AIA) de cada projecto seleccionado, mesmo que também fique aquém na aferição desses impactos, acabou por pôr a nu as grandes debilidades e a falta de rigor da avaliação estratégica, como bem prova a identificação de espécies (mexilhão de rio) protegidas pela Convenção de Berna e claramente afectadas pela barragem de Padrozelos, ou a AIA relativa à barragem do Tua. A verdade é que relativamente a esse projecto vieram à tona de água muitos dados omitidos na avaliação estratégica, nomeadamente quanto aos efeitos decorrentes da submersão da Linha do Tua, não só em relação à mobilidade das populações, mas também do ponto de vista patrimonial e identitário.
Porque a questão é por de mais importante, porque a contestação a esta opção do Governo é cada vez maior, porque as críticas estão sobejamente comprovadas, porque um olhar independente sobre o PNBHPE dará sempre uma conclusão idêntica àquela que chegou da Comissão Europeia, ou seja, de que não se percebe como é que um Programa com estas características foi aprovado, e também porque a concretização do PNBEPH trará consequências irreversíveis, que não poderão jamais ser repostas,
nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, delibera recomendar ao Governo:
1. Que suspenda, de imediato, a concretização do PNBEPH.
2. Na sequência do número anterior, que não seja adjudicado nenhum dos empreendimentos previstos no PNBEPH, sem que se realize um estudo, com carácter independente, que avalie os objectivos traçados no Programa, sua articulação com os diferentes Planos já existentes e que relacione, de uma forma objectiva, custos /impactos /benefícios dos empreendimentos previstos.
3. Que a avaliação prevista no número anterior se debruce sobre aspectos não avaliados, designadamente sobre os impactos cumulativos dos diferentes projectos previstos no PNBEPH, entre si, e em acumulação com as barragens já existentes nas diferentes bacias hidrográficas.
4. Que essa avaliação determine rigorosamente os efeitos das barragens previstas sobre a qualidade da água, conjugando essa aferição com os compromissos assumidos por Portugal, bem como os efeitos do conjunto de projectos sobre o litoral, questão da maior relevância para a preparação do país no que concerne ao fenómeno das alterações climáticas.

Os Deputados
Heloísa Apolónia
José Luís Ferreira

"Os Verdes", in Assembleia da República - 17 de Dezembro de 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

PNBEPH - "Os Verdes" denunciam resposta errada ao problema energético






Programa Nacional de Barragens
"Os Verdes" denunciam resposta errada ao problema energético

(...) A ausência de combate ao desperdício energético, que atinge perto de 30% em Portugal, e a promoção de uma política energética baseada no incentivo ao aumento de consumo é outro dado que contribui para agravar as emissões de CO2 e põe em causa as medidas de adaptação que seriam necessárias tomar para acautelar e minimizar as consequências ambientais geradas pelas alterações climáticas que afectam o nosso país.

O Programa Nacional de Barragens é um dos exemplos mais flagrantes duma resposta errada para o problema energético. Estas barragens, contrariamente à propaganda da EDP e do Governo, vão agravar os problemas já decorrentes das alterações climáticas, como a a perda de biodiversidade e a degradação da qualidade da água, vão aumentar os riscos para as populações, nomeadamente com a erosão da orla costeira resultante da conjugação do aumento da retenção de inertes com a subida do nível dos mares. (...)

“Os Verdes” apelam a:
(...)
- Recusar o Programa Nacional de Barragens e tomar o máximo de medidas em sua casa para combater o desperdício e poupar energia.(...)

Susana Silva, in "Os Verdes" em Lisboa - 14 de Dezembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

REACÇÃO DO PARTIDO ECOLOGISTA “OS VERDES” À ENTREVISTA DA MINISTRA DO AMBIENTE






Da entrevista dada pela Ministra do Ambiente ao jornal Público, no dia 22 de Novembro, (...) “Os Verdes” realçam o seguinte:
  • Quanto à Água – fica claro que o Ministério vai continuar no caminho da privatização deste recurso fundamental à vida e continuar a impor às autarquias decisões no sentido de forçar à privatização da água e de impor tarifários. O aumento dos preços será uma realidade com a qual os cidadãos se vão confrontar, sacudindo o Governo os custos e o ónus do descontentamento decorrente dos mesmos para as autarquias.

  • Quanto ao Programa Nacional de Barragens – a Ministra mostra desconhecer o PNB e os seus impactos e continua a fazer resistências a uma avaliação global e cumulativa dos mesmos, mesmo depois da chamada de atenção do estudo comunitário, há dias tornado público, estudo este que vinha ao encontro das denúncias de “Os Verdes” e das associações de ambiente portuguesas.
(...)
O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”, in "Os Verdes" em Setúbal - 23 de Novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ENERGIA - PNBEPH: Plano Nacional de Barragens posto em «xeque»






ENERGIA - PNBEPH
Plano Nacional de Barragens posto em «xeque»


Especialistas questionam construção de novas estruturas. «Os Verdes» perdem suspensão e Liga para a Protecção da Natureza fala em melhor aproveitamento das actuais barragens.

O alerta foi lançado pela própria Comissão Europeia e já há pelo menos um grupo parlamentar a querer pressionar o Governo, tentando suspender o plano nacional de barragens. Em causa, o um estudo independente que aponta para falhas do Estado português na avaliação dos impactos e verdadeiras necessidades das barragens.

O Partido Ecologista «Os Verdes» exige medidas drásticas, pedindo mesmo a suspensão de todo o plano. «O Governo nunca se debruçou sobre esta matéria», denuncia a deputada Heloísa Apolónia, considerando que a intenção é apenas produzir mais, quando Portugal já tem «equipamentos suficientes».

«Estas dez barragens não vão servir para mais do que três por cento da electroprodução nacional», frisou, acrescentando: «Aquilo que o estudo da Comissão Europeia diz é que para manter a qualidade da água isso terá que ser reduzido a um terço. 

Segundo o relatório, o estudo de avaliação estratégica do Plano Nacional de Barragens omitiu a avaliação de questões determinantes.Portugal não conseguirá atingir as metas relativas à qualidade da água, a que está comprometido até 2015». 

Do lado do PS, o deputado Jorge Seguro contrapôs, referindo que o estudo foi «encomendado pelos serviços da CE a uma empresa belga que também tem alguns técnicos espanhóis» e que em questões de ambiente a bancada do PS teve na anterior legislatura «uma atitude muito conscienciosa».

Resposta está a ser preparada
Pelo que foi dito no Parlamento, o Governo já conhecia este estudo desde Junho, mas a resposta ainda não está pronta. Segundo o director-geral de Energia e Geologia, José Manuel Perdigoto, vai ser dada uma resposta a Bruxelas. 

«Conheço o relatório que já tinha sido publicado. Não tenho conhecimento de qualquer relatório novo que a Comissão [Europeia] tenha enviado ao ministério do Ambiente e ao da Economia», diz José Manuel Perdigoto, citado pela agência Lusa, acrescentando que «não há nenhum dado novo». 

O documento afirma que, se as dez barragens previstas forem para a frente, a directiva europeia sobre a qualidade da água não deverá ser cumprida e aponta que, «considerando a relação custo-benefício, é difícil compreender esta decisão».

«Plano de barragens não faz sentido»
O estudo elaborado para a Comissão Europeia em Maio (e divulgado no dia 1 de Junho) teve a colaboração, em Portugal, da Liga para a Protecção da Natural (LPN). Uma entidade independente que tem vindo a denunciar as fragilidades do plano no nacional de barragens.

Ao tvi24.pt, Eugénio Sequeira recordou isso mesmo: «Este plano não faz sentido e na altura do debate público dissemos isso mesmo. Existem muitas dúvidas sobre se a produção de energia através da construção de novas barragens tem mais benefícios do que inconvenientes. Isto porque não tem em conta questões como a influência na qualidade da água ou a erosão da costa».

Sem se saber se o metano produzido compensa o investimento, o Estado nunca irá abdicar de uma barragem depois de construída, até porque a adjudicação está feita. 

Resta saber se, tal como estão os caudais, haverá água para tanta barragem. A solução? «Aproveitar melhor as que existem, fazer estudos independentes e evitar novas construções», alerta o especialista.

Filipe Caetano, in TVI24 - 11 de Novembro de 2009

Assembleia da República: "Os Verdes" vão pedir suspensão do plano nacional de barragens







Assembleia República
"Os Verdes" vão pedir suspensão do plano nacional de barragens

























O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) anunciou, esta quarta-feira no Parlamento, que vai apresentar muito em breve uma iniciativa legislativa para suspender de imediato o plano nacional de barragens, citando um estudo, segundo o qual o Estado português avaliou mal os impactos e a verdadeira necessidade das barragens.

Heloísa Apolónia, do PEV, diz que Portugal já tem equipamentos suficientes para produzir energia

A deputada do PEV Heloísa Apolónia defendeu que o programa nacional de barragens deve ser suspenso, citando um estudo encomendado pela Comissão Europeia a uma entidade independente que considerou que o Estado português avaliou mal os impactos e a verdadeira necessidade de barragens em Portugal.

A ecologista lembrou também que o relatório considera que os impactos de cada barragem na qualidade da água foram analisados de uma forma muito pobre. «O Governo nunca se debruçou sobre essa matéria», considerou.

Heloísa Apolónia disse que o Executivo quer mais barragens para produzir mais, mas Portugal já tem «equipamentos suficientes», sendo que «estas dez barragens não vão servir para mais do que três por cento da electroprodução nacional».

«Aquilo que o estudo da Comissão Europeia diz é que para manter a qualidade da água isso terá que ser reduzido a um terço», acrescentou.

O PS reagiu a esta declaração dizendo que o país não se pode precipitar e que o estudo em causa tem de ser analisado.

in TSF - 11 de Novembro de 2009

PEV pede suspensão do Plano de Barragens




Nacional
PEV pede suspensão do Plano de Barragens

Partido Ecologista "Os Verdes" considera que documento possui "erros de cálculo incompreensíveis".

Numa declaração política na Assembleia da República, a deputada do PEV Heloísa Apolónia citou um "relatório da Comissão Europeia (CE) que delapida completamente o Plano Nacional de Barragens" e que o Governo "conhecia desde Junho mas guardou em segredo".

"Segundo o relatório, o estudo de avaliação estratégica do Plano Nacional de Barragens omitiu a avaliação de questões determinantes. Portugal não conseguirá atingir as metas relativas à qualidade da água, a que está comprometido até 2015", apontou.

"O PEV apresentará a brevíssimo prazo no Parlamento uma iniciativa legislativa que propõe a suspensão imediata do erro que constituiu a aprovação do Programa Nacional de Barragens", anunciou Heloísa Apolónia.

A deputada assinalou que para garantir a qualidade dos recursos hídricos do Douro, a electroprodução das 14 barragens existentes naquele rio "teria de ser reduzida a um terço".

Desta forma, o Programa Nacional de Barragens já só representaria "nos moldes propostos três por cento da produção eléctrica nacional", acrescentou.

Apolónia disse ainda "ter a certeza" que se "os verdadeiros interesses nacionais fossem públicos e não privados" a barragem do Tua não seria construída, "como outras" que integram o plano nacional.

Do lado do PS, o deputado Jorge Seguro contrapôs, referindo que o estudo foi "encomendado pelos serviços da CE a uma empresa belga que também tem alguns técnicos espanhóis" e que em questões de ambiente a bancada do PS teve na anterior legislatura "uma atitude muito conscienciosa".

Jorge Seguro afirmou que o Governo "não autorizou a construção de barragens onde os privados pretendiam", referindo que se os estudos fossem contrários a barragem do Tua "não seria construída".

O deputado do CDS-PP João Almeida assinalou que o Governo "foi alertado sucessivamente para os erros" em relação às barragens, mas considerou que "a suspensão pura e simples deste plano pode levar a outro ciclo de tempo sem que nada se decida".

Já Rita Calvário, do BE, disse que o estudo citado pelo PEV "confirma tudo aquilo que vários movimentos públicos e partidos têm vindo a dizer".

in Jornal de Notícias - 11 de Novembro de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

BARRAGEM DE FOZ TUA - PARTIDO ECOLOGISTA "OS VERDES": COMUNICADO DE IMPRENSA





BARRAGEM DE FOZ TUA - PARTIDO ECOLOGISTA "OS VERDES"
COMUNICADO DE IMPRENSA

AVAL DADO ONTEM À BARRAGEM DA FOZ DO TUA FOI A GOTA DE ÁGUA

“OS VERDES” VÃO CONFRONTAR GOVERNO NA AR SOBRE POLÍTICA ENERGÉTICA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O Partido Ecologista “Os Verdes” está chocado e repudia veementemente o aval dado pelo Ministro o Ambiente à Barragem da Foz do Tua e considera que as condicionantes apresentadas na Declaração de Impacte Ambiental são simplesmente escandalosas.

Exemplo disto é a condição requerida à EDP de estudar uma alternativa à Linha Ferroviária do Tua, fazendo-se de esquecido de que esta já era uma exigência do Caderno de Encargos. Exigência que não tendo sido cumprida pela empresa concorrente, deveria ter levado o Ministro do Ambiente a chumbar a proposta da EDP.

Os impactes ambientais, culturais, económicos e sociais negativos deste empreendimento hidroeléctrico, mesmo à cota 170, são numerosos e de extrema gravidade, para o Vale do Tua, assim como para a região de Trás-os-Montes e Alto Douro e para o país.

Estes impactes são sobejamente conhecidos, não só por terem sido denunciados inúmeras vezes pelos “Os Verdes”, e por todos quantos se têm oposto à construção desta Barragem, como por exemplo o Movimento Cívico Pela Linha do Tua, mas também por estarem descritos no próprio Estudo de Impacte Ambiental, encomendado pela EDP.

Por isso, “Os Verdes” consideram que não é por desconhecer os impactes negativos que o Ministro do Ambiente, como porta voz do Governo, toma esta decisão, mas sim por demonstrar uma ausência total de preocupação com o futuro das populações do Vale do Tua, nomeadamente com os vitivinicultores de Murça que ficarão sem o seu ganha pão e com todos aqueles para quem a Linha do Tua é um meio de transporte fundamental.

Esta é mais uma decisão do Governo que ilustra bem a recusa obstinada em criar condições para promover um desenvolvimento sustentável desta região, assim como o grande desprezo que tem pelo património natural e cultural do nosso país. É ainda a prova que o Governo põe os interesses económicos de algumas empresas à frente dos interesses das populações e do país no seu todo.

Mas para “Os Verdes”, o aval dado ontem pelo Ministro do Ambiente à Barragem do Tua, não põe ainda um ponto final neste assunto. E como consideramos que “até ao lavar dos cestos ainda é vindima”, não vamos baixar os braços e continuaremos a lutar para que esta Barragem não venha a ser construída.

E desde já anunciamos que este aval foi a gota de água, que vai levar o Grupo Parlamentar de “Os Verdes” a agendar uma Interpelação ao Governo na Assembleia da República sobre “Política Energética e Desenvolvimento Sustentável”.

Amanhã “Os Verdes” irão ainda confrontar o Ministro das Obras Públicas, na Comissão Parlamentar, com o facto da EDP não ter apresentado uma proposta ferroviária alternativa à linha do Tua, condição exigida no Caderno de Encargos.

“Os Verdes” irão ainda desenvolver um conjunto de outras iniciativas que darão em breve a conhecer aos Senhores e Senhoras Jornalistas.

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

AR: "Os Verdes" acusam PS de ajudar governo a fugir do debate sobre Programa Nacional de Barragens






Assembleia da República
"Os Verdes" acusam PS de ajudar governo a fugir do debate sobre Programa Nacional de Barragens

Lisboa, 20 Dez (Lusa) - O partido "Os Verdes" acusou hoje a maioria socialista de ajudar o Governo a "fugir à discussão" sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), prometendo uma audição pública no Parlamento sobre esta matéria.

"A maioria socialista inviabilizou a vinda do ministro do Ambiente, proposta pelo Grupo Parlamentar "Os Verdes" à Comissão de Poder local, Ambiente e Ordenamento do Território, para debater o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)" referem "Os Verdes" em comunicado.

Para "Os Verdes", esta é uma atitude "tanto mais lamentável quando o Governo nunca tomou a iniciativa de apresentar e debater este Programa na Assembleia da República, antes de o aprovar, continuando mesmo agora a fugir à discussão com a ajuda dos deputados do Partido Socialista".

"Perante esta atitude inaceitável e face aos impactes ambientais, patrimoniais, sociais e económicos que este programa terá, caso se venha a concretizar, nas regiões onde se pretende localizar algumas destas barragens", "Os Verdes" garantem que "tudo farão para que o Programa Nacional de Barragens (PNBEPH) seja debatido na Assembleia da República".

Deste modo, os ecologistas estão já a preparar "uma audição pública", a ter lugar no dia 9 de Janeiro de 2008, na Assembleia da República, que estará "aberta a todos os interessados e com vários especialistas".

O Governo aprovou no passado dia 7 a versão final do Programa Nacional de Barragens, prevendo a construção de 10 barragens, sendo que o início dos trabalhos na Foz do Tua, deverá acontecer dentro de um ano.

As barragens previstas vão localizar-se na Foz do rio Tua, Pinhosão, no rio Vouga, Padroselos, Vidago, Daivões, Fridão e Gouvães, no rio Tâmega, Girabolhos, no Mondego, Alvito, no rio Ocreza, e Almourol, no rio Tejo.

O Plano Nacional de Barragens vai implicar um investimento total de 1.140 milhões de euros e aumentar a capacidade hídrica instalada no país em mais 1.100 megawatts (MW).

IZM/ACF/IRE.

Lusa, in RTP e Expresso - 20 de Dezembro de 2007