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quinta-feira, 9 de maio de 2019

RIO TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO: "NÃO ESTAMOS À VENDA" - Hernâni Carneiro











RIO TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO

"NÃO ESTAMOS À VENDA"


Será mais uma frase para a nossa história recente, "NÃO ESTAMOS À VENDA", dita pelo coronel Artur Freitas, contra a barragem de Fridão, na sua entrevista à RTP1, no programa "Sexta às Nove", como se fosse uma aula para uma boa lição, em estilo vivo, animado e conveniente, realçando o drama que esse famigerado empreendimento representaria para Amarante.

Há quem não se remeta à penumbra da história. E fica para a história documentada quem sempre tomou uma atitude corajosa, um ardor combativo e se empenhou contra o empreendimento da barragem de Fridão. Não  há coração que agradeça.

às dificuldades, ao conformismo e ao peso da desventura, respondeu a convicção, e a ousadia em levantar a voz, indiferente à sentença, mais que certa da E.D.P. em levar em frente a construção da barragem, com a resignação do fatalismo apático de nada poder fazer.

Por detrás do tempo e das vigílias do coronel Artur Freitas, pena foi que o nosso minguado contingente de forças se resuma à Associação Pró-Tâmega, ao Bloco de Esquerda, e à Associação Ambientalista Geota.

Aqui, não posso deixar passar o contributo e o alerta, em 1995, pelo José Emanuel Queirós, no seu livrinho "A BARRAGEM DE FRIDÃO - Consequências previsíveis sobre o rio Tâmega e a cidade de Amarante", uma edição da Associação Cívica e Ecológica "OS AMIGOS DO RIO".

E escreve:

"Perante o cenário da construção anunciada da Barragem de Fridão, com a publicação deste estudo prospectivo efectuado sobre as consequências que aquele empreendimento hidro-eléctrico provocará sobre o rio Tâmega e a cidade de Amarante, Os Amigos do Rio vem abrir um precedente na consciencialização pública e na determinação dos argumentos de opinião relativos à defesa dos valores ambientais locais, regionais e nacionais em causa.Na defesa dos princípios que conduziram à constituição jurídica da associação, Os Amigos do Rio manifesta frontal oposição à construção da Barragem de Fridão, sabendo-se de antemão que por aí passará a existência sobrevivente da cidade de Amarante".

Escreve depois sobre as estratégias dos argumentos oficiais - "Ante os interesses que representa, o potentado técnico e económico que a EDP detém, qualquer discorrência contra-argumentativa correrá o risco da desvalorização racionalista da sua consistência lógica, estabelecendo um vazio de conhecimento propenso à proliferação de notícias desencontradas...". "Evitando-se a discussão pública e a revelação das fragilidades ou prejuízos que a Barragem de Fridão potencialmente gerará sobre a região, ignorando as consequências ao nível de cada um dos diversos factores tomados em ponderação, (...) perdidas em questões acessórias". "O argumento de regularização do rio Tâmega quando usado para justificar a construção da Barragem de Fridão tem por destinatário preferencial a população local, mas terá por beneficiário directo a E.D.P., pelo seu conhecido interesse em manter o funcionamento rendível regular das suas próprias barragens...".

Das "Consequências previsíveis no Sistema «Tâmega» resultantes da conjugação dos factores de ponderação", "A transformação do vale",  "A nova situação para a cidade", "As mudanças comportamentais do rio", "A exposição da cidade à imprevisibilidade geodinâmica", "Neste contexto a Barragem de Fridão configurará uma guilhotina colectiva suspensa sobre Amarante, exposta à imprevisibilidade comportamental da geodinâmica interna geradora de algum fenómeno ocasional de causas naturais, considerado à priori de ocorrência impossível ou de considerada escassa probabilidade estatística".

Um livrinho a reler pela sua actualidade.

Ainda bem que melhores mãos que as nossas têm a vontade de dar continuidade em terminar de vez com a ambição de poder, de quem tudo pode, como é a EDP, e prosseguem na actualidade, indiferentes ao nosso desleixo e fraqueza, contra o soberano descaramento e desprezo pelo que mais prezamos: um rio livre, um património histórico e único, a nossa mais legítima riqueza, que corre mundo em milhões de fotos, e bem gostaríamos que quem goza do conforto dos seus escritórios, e tem bónus especiais, (numa empresa monopolista até eu atingia os objectivos), soubesse que a paciência humana, como tudo, tem um termo.

Agora que o Governo cancelou a construção da barragem de Fridão, assalta-nos a dúvida na agonia de uma crise, ou a paralisia na frouxidão ou o desacerto que se poderá tornar num verdadeiro caos futuro, quando se sabe da estampa da obra que está em causa, e que parece ficar escondida nas sombras do mistério e da dúvida.

Claro que ainda não está dita a última palavra, por parte da EDP ``a garantia feia pelo Governo, mesmo quando o Primeiro-Ministro, no debate parlamentar colocando a mão sobre o peito, afirmou a sua não construção.

Gostaria de escrever que temos muitos meios para vencer, que não nos resignamos, mas quem é que longe sabe o que é amar este rio, esta terra, que nem sabemos explicar, com tanta história, destacada da tinta comum, de costumes e imagens, e sobre este quadro, a sua própria simplicidade, com que ainda nos convida enquanto é tempo, assistir, viver, viver, e sentir o que ainda podemos usufruir.

Com estes tempos que nos servem de baliza, e no abismo das lotarias, bem gostaria de acrescentar à frase do coronel Artur Freitas: NÃO NOS CONQUISTARÃO DE ASSALTO.

(Depois do percurso desencantado do meu primo António Pedro da sua luta contra a barragem de Fridão, sei bem como ele gostaria de assistir a este "25 de Abril". Fica a minha homenagem, lembro-lhe a memória com honra de oração verdadeira).

Hernâni Carneiro, in O Jornal de Amarante n.º 1806 (Ano 38), página 2 - 9 de Maio de 2019

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

BARRAGEM DE FRIDÃO - CERCIMARANTE: Dirigente da cooperativa demarca-se de apoios da EDP







BARRAGEM DE FRIDÃO - CERCIMARANTE
Dirigente da cooperativa demarca-se de apoios da EDP



 
COMUNICADO

A Direcção da Cercimarante - Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Amarante apresentou um projecto à Fundação EDP no âmbito do Programa "EDP Solidária Barragens", e que foi aprovado

Aquando da apresentação de uma iniciativa para um primeiro projecto, em reunião da Direcção da Cercimarante, de cujos corpos directivos faço parte, fui contra qualquer vínculo pessoal a essa iniciativa ou outra qualquer, e fiz questão de assinalar, já que é pública a minha posição frontal contra a construção da barragem de Fridão, pela EDP.

Coloquei inclusivamente o meu lugar à disposição, dando carta branca à Direcção da Cercimarante para decidir como entendesse, já que apesar da minha posição, jamais pretenderia prejudicar a instituição.

Contudo esse não foi o entendimento da Direcção, pelo que renovo aqui individualmente a minha posição acima expressa, demarcando-me de todo e qualquer apoio da Fundação EDP, partilhando sim, com os Amarantinos que também assumem idêntica preocupação, receosos do futuro, contra tão nefasto empreendimento para Amarante e o seu concelho.

Amarante, 12 de Dezembro de 2011
Hernâni Carneiro

Hernâni Carneiro, in O Jornal de Amarante, N.º 1647, Ano 32, (p. 5) - 15 de Dezembro de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Barragem de Fridão - Fundação da EDP: Evocando Pascoaes








Barragem de Fridão - Fundação da EDP
Evocando Pascoaes

Que diferença nos separa, que sentimentos diferem dos de Pascoaes, que à semelhança de outros grandes poetas que elegeram nas suas poesias os seus rios (Eduardo Lourenço: Teixeira de Pascoaes e a saudade), também cantou o seu Rio Tâmega, agora que por todo o lado anunciam a sua morte? Transcrevo apenas duas quadras da poesia “sombras” do livro com o mesmo nome com o desejo que os meus conterrâneos dissipem as sombras e até as trevas, e combatam os que só pretendem realizar os seus projectos e os seus grandes interesses, destruindo os nossos mais legítimos direitos patrimoniais, ambientais e até de segurança. 

Há comportamentos que neutralizam e até limitam a participação do cidadão, agora que já se distribuem por aí umas migalhitas, e a experiência da caritativa Fundação da EDP, intervindo na vida da comunidade através dos vários grupos beneficiados, e muito caladinhos, mas o resto da população fica á margem, discriminados, já não interessa reclamar, está tudo encaminhado e organizado para um só objectivo: Barragem de Fridão a qualquer preço. 


Há alguns princípios que poderiam apontar para o sentido crítico dos Amarantinos e das suas responsabilidades na discussão de um problema que diz respeito a todos, mas porque delegam essa responsabilidade nos políticos, com os piores resultados, ou porque participar na coisa pública é uma espiga, remete-nos mais tarde para o fatalismo, ou aquele se eu sabia….

A progressiva intervenção da Fundação da EDP nas instituições de Amarante, ou o rebuçado da EDP barragens solidária (belo título), obedece a acções consertadas, muito bem planeadas, para adormecer o cidadão, naquele ritual de acordo com os seus interesses, que só limitam a consciencialização e a participação dos cidadãos entorpecidos, sem qualquer rumo e interesse. 


E lembrem-se também que as migalhitas não duram sempre.
Não me resigno ao peso de futuras desgraças ou de um futuro sem remédio. A ignorância não duvida porque desconhece o que ignora. Oxalá que a próxima geração não nos rotule de ignorantes porque transigimos e a razão não nos serviu de guia, nem uniu vontades e forças contra a Barragem de Fridão.

Ó Sena, Eurotas, Tibre! Grandes águas!
Que a voz de Homero, de Hugo e de Virgílio
Juntaste o clamor de vossas mágoas…
Pegos de drama e de dor, margens de idílio!
Ó meu Tâmega obscuro, água dormente…
Ó rio, à noite, a arder, todo estrelado!
Água meditativa, ao luar nascente,
Água coberta de asas ao sol nado!


(Sombras - Teixeira de Pascoaes).

Hernâni Carneiro, in O Jornal de Amarante, N.º 1631, Ano 32 (p. 9) - 25 de Agosto de 2011

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Amarante -Barragem de Fridão e a compra de um concerto pela EDP: Contributo para uma cidadania crítica e responsável







Amarante - Barragem de Fridão e a compra de um concerto pela EDP
Contributo para uma cidadania crítica e responsável




Hernâni Carneiro, in O Jornal de Amarante, N.º 1592, Ano 31 (p. 8) - 25 de Novembro de 2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

EDP compra concerto à Orquestra do Norte: Tenho direito à indignação







EDP compra concerto à Orquestra do Norte
Tenho direito à indignação




Alguém disse que Deus deu-nos a música para adoçar as nossas penas, acalmar as nossas paixões, e acrescentava que nos votos de amor há menos sinceridade e menos lealdade, e que ao contrário, os acordes da música têm o poder de nos consolar, sem perigo de nos trair.

Este meu introito vem a propósito de uma notícia no Jornal de Amarante - INICIATIVA CULTURAL LEVA MÚSICA CLÁSSICA ÀS REGIÕES DAS NOVAS BARRAGENS -, isto com o apoio da EDP e a sua fundação, que pagarão vários concertos a realizar em Mogadouro, Vila Velha de Ródão, Amarante e Vila Real.

Quero desde já afirmar todo o meu respeito à Orquestra do Norte, sou um entusiasta dos seus concertos, mas não pactuo com situações que são uma afronta, seja qual for a Fundação ou empresa, que se preparem para contribuir para grandes perdas em Amarante, quanto ao seu património monumental e ambiental.

Dia 12 de Dezembro não estarei no anunciado concerto, pois gostaria de viver numa terra em que os cidadãos temesses menos as leis que a vergonha.

Para mim, o compromisso da EDP com a cidadania e causas relevantes é uma ofensa e uma vergonha com a realização do anunciado concerto.

E eu teria vergonha de assistir a um concerto que implicaria estar a dar o aval ao "espírito caridoso" da EDP, incapaz de justificar respostas às realidades que iremos sofrer imediatamente. A bondade é tanta que até os impostos gerados com o empreendimento serão pagos em Lisboa!!!

A banalidade do local no Jornal de Amarante serve de exemplo à nossa acomodação, como já tivéssemos destino traçado. A vulgaridade da rotina cá pelo burgo, o receio da crítica para denunciar a realidade de um empreendimento, sempre explicado pelos interessados, sem contraditório, quanto ao nosso património paisagístico e ambiental, numa época cada vez mais ameaçada, quanto aio que mais prezamos em Amarante.

Por enquanto vou lendo indignado a propaganda que vai sendo feita, até para apalpar terreno por parte da EDP, mas é tudo tão postiço, até sem sentido, que a riqueza prometida no futuro, desaparecerá num momento, tal como os calores do Estio em dia de tempestade.

É nestas alturas em que nos "querem dar música", que devemos fechar os ouvidos aos aduladores.

Quanto a essas originalidades musicais estou em crer que cada verba gasta nestas festanças até podia incluir um bom beberete no fim das noites, pois alguém vai pagar tudo isto mais tarde. Assim mais ou menos como aquele anúncio de uma agência de viagens, "viaje agora e pague depois".

Se Deus quiser marcarei falta ao concerto da Orquestra do Norte, no dia 12 de Dezembro pretérito.

Que bom seria não abandonarmos o campo de batalha, resistirmos à afronta e aos reveses que nos preparam. Vamos aguentando a propaganda e o desencanto na expectativa que as verdades que menos gostamos de ouvir, são quase sempre aquelas que mais importa saber mesmo que nos queiram embalar com música. É que há perdas para Amarante mais fáceis de prevenir que reparar.

Mas enquanto a EDP e a sua fundação andarem a fingir de ricaços e altruístas, no próximo ano a electricidade aumentará 3,8%, e vão ter mais este pedacinho, e para compor o ramalhete da factura o ministro da economia desde desgoverno, autorizou o aumento da taxa de audiovisual em 29%, revertendo daí um bónus para a RTP de 33 milhões de euros. Só...

Mas com tanta resignação não vamos lá...

Hernâni Carneiro, in O Jornal de Amarante, N.º 1588, Ano 31 (p. 8) - 28 de Outubro de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Amarante - Barragem de Fridão: Este é o momento de sermos ousados








AMARANTE - Barragem de Fridão 
Este é o momento de sermos ousados


Será que o povo lê? Será que o povo ouve? Será que o que se estampa e publica aproveita aos Amarantinos, acordando-os e mostrando o caminho, até com algum dramatismo, e tocando a rebate, com a informação escrita no Jornal de Amarante de 11/03/2010? 

Reparem nesta informação:
“Em caso de uma muito remota, mas possível ruptura da barragem, a onda de inundação chega aí em treze minutos e passa 13,95 metros acima da ponte de S. Gonçalo (!!!)”

Quem ouvir os senhores da EDP a defender o empreendimento, tão bem embrulhado, só acha que para tão bons e tantos benefícios já devia estar pronto há muito tempo. 

Não é por certo esta dádiva, conforme pretensão da EDP pelas discussões e debates que se vêm fazendo há algum tempo em Amarante. Mistura-se tudo querendo fazer de nós estúpidos, só vantagens, estilo gato escondido com rabo de fora. 

Atentemos agora na entrevista do Prof. Rui Cortes, da Universidade de Trás-os-Montes ao Repórter do Marão:
“Em primeiro lugar o agravamento da qualidade da água. Isto é, uma barragem vai diminuir a capacidade que o rio tem de depurar os materiais, o que vai resultar numa concentração de poluentes e numa grande degradação da qualidade da água. 


Esta é uma situação preocupante. Mas depois há todo um conjunto de situações que se poderão suceder como, por exemplo, o aparecimento de algas tóxicas, que surgem em meios de poluição e que põem em risco a utilização da água para regadio directo ou abastecimento público. 

Depois, toda a veiga de Chaves leva também uma grande quantidade de nutrientes para dentro da água e ainda existem várias indústrias agro-alimentares de enchidos e lacticínios. Tudo isto a drenar para o rio. 


Por isso tem de haver um grande investimento no sentido de diminuir essas influências ou temos uma situação dramática do ponto de vista ambiental. Do ponto de vista da biodiversidade as consequências são muitíssimo grandes. 

Das dez previstas barragens do plano, apenas foram adjudicadas oito. São todas de grande dimensão e correspondem a 3% da produção energética nacional. 

O que é na minha opinião mais preocupante é o facto de 3% representar aquilo que são dois anos de acréscimo de consumo que se verificam em Portugal. Quer isto dizer que estas duas barragens ao fim de dois anos, já não compensam o aumento dos consumos energéticos. 

Tem havido um aumento das necessidades de energia e não tem havido cuidado a nível de eficiência energética. O que dá dinheiro são os empreendimentos de vulto.” 

Falam-nos do interesse nacional. E há quantos anos, desde o tempo da “velha senhora” os sucessivos governos sempre nos preteriram. 


Os entendidos na matéria, as Comissões de Coordenação e outros, só sabem dizer que estamos numa zona cinzenta, nem somos Trás-os-Montes nem Douro Litoral. Isto é, nem carne nem peixe. 

Lancemos agora os olhos para os prejuízos apontados e depois, mais tarde, não manifestemos a nossa ignorância e só ficarmos convencidos quando de facto verificarmos o lago pestilento que se formará no centro histórico da nossa cidade e olharmos o verde metálico das algas Fridão acima, e o palavrão reserva estratégica da água ser nada mais que um reservatório dos esgotos a montante, de toda a porcaria das suiniculturas e da que resulta da falta de estações de tratamento de esgotos dos nossos vizinhos, que para já só se preocupam quanto às percentagens a sacar à EDP. 

As cautelas e as preocupações, o temor das consequências, parecem que à primeira vista tornam inglória a luta que se queria de todos perante a força dos lobbies e da EDP. 

O exame e a reflexão de alguns dos intervenientes que vão contraditando as maravilhas com que nos querem “brindar”, e que nem tempo nos querem dar para decidir, então que aqueles motivos sejam um incentivo e ânimo para novas acções de indignação contra o erro e a afronta que se preparam levar a cabo contra Amarante. 

Todos os golpes que se preparam para nos desferir, não sucumbamos perante as notícias que dão o assunto da construção da barragem como definitiva, não fechemos os ouvidos aos que continuam teimosamente a lutar para um Tâmega livre, sem grilhetas de seis barragens no seu percurso. 


Esta vontade profunda e generosidade visível na manifestação do dia 13 de Março contra a barragem de Fridão, dos que ainda dão a cara, a força da sua ponderação mantém viva a vontade de lutar contra a indiferença, contra o alarido e a confusão completa daqueles que no meio do desenho, dissimulam os receios tentando encobrir o nosso medo e o nosso desespero. 

Vamos perder a esperança na nossa luta? 


Em Lisboa, onde se fazem as revoluções e se governa ninguém nos ouve e ajuda. 


Seremos nós, os Amarantinos, a empenharmo-nos contra os que pretendem arruinar-nos, a contribuir para o desterro de muita gente que não vai suportar ver definhar a nossa terra enquanto a mira do lucro da EDP e a valorização das suas acções são só as suas preocupações. 


Não deixemos as nossas decisões incompletas, este é o momento de sermos ousados, que cada um de nós multiplique a sua energia para que estas qualidades fiquem para a posteridade, como exemplo de ambição, de esperança e de luta, e que nesta escolha todos possamos dizer: CUMPRIMOS.


Hernâni Carneiro, in O Jornal de Amarante, N.º 1556, Ano 30 (p. 5) - 18 de Março de 2010