sábado, 2 de agosto de 2008

Rompimento de barragem





Rompimento de barragem

A construção de uma barragem num rio envolve sempre o risco de colapso, mesmo que a mesma tenha sido construída com o melhor conhecimento técnico. 

Este risco pode ser minimizado quando existe um programa preventivo de segurança de barragem, mas nunca eliminado. A chance de rompimento é pequena, da ordem 1 para 1 milhão para bons projetos (um pouco inferior ao risco de queda de um avião), mas não é nulo. Este risco aumenta quando procedimentos preventivos não são rotineiros e varia com o tipo de barragem, altura, características do vertedor, entre outros.

Três processos são fundamentais na análise do rompimento de uma barragem: (a) formação da brecha (no tempo) e o hidrograma correspondente para jusante; (b) propagação do escoamento pelo vale de inundação e estimativa dos impactos; e (c) a onda negativa para montante e seu efeito (geralmente pequeno).

Sobre os impactos a jusante no vale de inundação deve-se estimar a velocidade e o nível do escoamento, a ação sobre a população e infra-estrutura e desenvolver um plano de zoneamento preventivo e um sistema de alerta para sua eventual ocorrência. O dimensionamento dos dispositivos de segurança como o vertedor deve considerar a análise de risco do rompimento e os padrões de dimensionamento devem ser rigorosos quando envolvem riscos a vidas humanas. 

As principais causas de rompimentos de barragens baseados em estatísticas mundiais são: 34% devido a falta de capacidade dos vertedores; 30% devido a problemas de fundação e 28% devido a percolação do maciço. Foram estimados que 60% das quase 12 mil mortes que ocorreram em grandes eventos a nível mundial são resultados de apenas três eventos em países diferentes: Itália, Estados Unidos e Índia.Geralmente estes elementos são regulados por legislação e normas específicas. 

Nos Estados Unidos na década de 70 ocorreram vários eventos de rompimento como Tenton Dam em Idaho, o que motivou a regulação sobre o assunto. Atualmente todos os Estados americanos possuem regulação sobre o assunto. Na França isto também ocorreu depois de um grande evento da década de 60 e na Argentina, depois da privatização dos anos 90. 

Infelizmente não existe no Brasil nenhuma regulação ou prevenção sobre o assunto. Muitas vezes este assunto é confundido com a segurança de barragem. 

O tema de segurança procura evitar o rompimento e a análise do rompimento procura mitigar os efeitos da efetiva ocorrência do colapso, planejando o operador para sua mitigação. Estima-se que um programa preventivo pode-se evitar pelo menos 30% das mortes.

Apesar do baixo risco de rompimento de uma barragem, a grande quantidade das mesmas mostra que a sua ocorrência não é trivial. Vários rompimentos ocorreram ao longo do tempo no Brasil. Um dos principais casos ocorreu no rio Pardo, São Paulo em 20/01/1977, quando a barragem da Usina de Euclides da Cunha rompeu, produzindo uma onda de cheia que rompeu a barragem de Armando Sales de Oliveira. 

No último ano, com base no noticiário identificamos pelo menos seis rompimentos de barragem de pequeno porte.(4 em 2008). Estes dados podem estar incompletos, pois foram obtidos de uma rápida pesquisa na Internet. Estes eventos ocorreram em açudes e PCHs em pequenas bacias, onde existem dados precários e projeto de qualidade duvidosa.

O potencial impacto deveria fazer parte do termo de referência de um EIA Estudos de Impactos Ambientais, mas por falta de desconhecimento as entidades ambientais não exigem este estudo, apesar do risco e das implicações que envolvem.

Imagine-se como um operador de uma barragem que fica sabendo da meteotorologia que pode estar chegando o hidrograma de projeto ou superior. Você saberia quem evacuar? Quais os danos que seriam produzidos para prevenir, para bloquear estradas, retirar pessoas, etc, ou seja atitudes de um país civilizado. 

Será que estamos esperando um desastre de grandes proporções para termos uma regulação sobre o assunto? 

Já fazem pelo menos 15 que venho tentanto alertar para o assunto em palestras e cursos. esta é mais uma tentativa.

Carlos E. M. Tucci (engenheiro civil, PhD), in RHAMA - 2 de Agosto de 2008 

quinta-feira, 24 de julho de 2008

PNBEPH - Barragem de Almourol: Instituto da Água congelou construção de barragem no Tejo na zona de Constância





Autarcas e técnicos duvidam que o equipamento venha alguma vez a ser concretizado
Instituto da Água congelou construção de barragem no Tejo na zona de Constância


foto
Redução da cota de 31 para 24 metros torna inviável economicamente a produção de energia eléctrica.




O Instituto da Água (INAG) congelou o processo que deveria levar à construção da Barragem do Almourol, no rio Tejo, entre Constância e Abrantes. A redução da cota da albufeira de 31 para 24 metros tornou o projecto menos apetecível a potenciais investidores e é provável que pelos menos nos anos mais próximos o assunto não saia da gaveta. Sinal disso mesmo é o facto de a barragem de Almourol ter sido retirada do pacote que envolve a construção das barragens de Fridão e Alvito, submetido a concurso público e cujas propostas foram abertas na passada semana. A EDP é a empresa melhor colocada para receber a adjudicação, mas abdicou de construir a de Almourol, cuja rentabilidade nos moldes previstos é muito duvidosa.

O processo da Barragem de Almourol nasceu torto e nunca se endireitou. Inicialmente prevista para as proximidades do castelo de Almourol, a jusante de Constância (como ainda hoje se encontra mencionado na informação mais detalhada sobre o projecto no site do INAG), depressa subiu uns cinco quilómetros rio acima, para evitar que a sua albufeira inundasse a zona baixa da vila.

Entretanto novos contratempos se anunciaram. A cota 31, inicialmente prevista, deixaria submersos os investimentos feitos na zona ribeirinha de Abrantes, onde o município investiu alguns milhões de euros. Deixaria ainda debaixo de água infraestruturas como redes de saneamento básico e estrada, bem como férteis campos de cultivo. Custos sociais e económicos que o INAG não quis assumir, tendo recuado a cota de 31 metros para 24. 
As infraestruturas ficaram assim a salvo, mas colocou-se em risco o interesse económico do projecto, que não conseguiu atrair investidores.

Mário Samora, o engenheiro técnico responsável pela concepção da Barragem de Almourol nos anos oitenta, diz que o lançamento deste concurso "foi um erro de casting", classificando o Plano Nacional de Barragens (PNB) como "uma iniciativa atamancada e com projectos feitos à pressa". "O Plano Nacional de Barragens foi mal feito e o facto do Governo ter lançado inicialmente o concurso para a Barragem de Almourol à cota 31 e depois terem emendado para a cota 24 é a prova disso mesmo", afirmou.

Segundo disse, "o projecto da barragem concebida nos anos oitenta era efectivamente para construir à cota 31, mas partia de pressupostos totalmente diferentes dos que hoje existem no terreno". "Estava prevista a construção de diques para proteger as zonas inundáveis entre Abrantes e Vila Franca de Xira e, com esses diques, podia fazer-se um projecto integrado que resultaria, não só na edificação da Barragem de Almourol, como também em tornar o rio Tejo navegável".

Mário Samora revelou à Agência Lusa que "até hoje nada disso foi feito e, como tal, os pressupostos para a construção desta barragem não se verificam". Dias antes da abertura das propostas já vaticinava o desfecho: "Reduzir a cota de 31 para 24 metros torna inviável a produção de energia eléctrica e não acredito que alguém concorra, até porque acima da cota 24 afogar-se-á a base da Barragem de Castelo do Bode com a consequente diminuição da sua produção".

in O Mirante - 24 de Julho de 2008

domingo, 20 de julho de 2008

A Câmara Municipal de Amarante o Presidente Abreu e a Barragem de Fridão/Amarante

A Câmara Municipal de Amarante o Presidente Abreu e a Barragem de Fridão/Amarante

Em 5 de Maio de 2008 a Câmara Municipal, em reunião do Executivo, decidiu, após estudar juridicamente o problema, intentar uma providência cautelar para, tentar, suspender a abertura do concurso lançado pelo Ministério do Ambiente.

Nessa reunião, por sinal bizarra, o Presidente Armindo Abreu preocupou-se mais em criticar as propostas apresentadas que encontrar uma proposta de trabalho que sintetizasse o interesse da acção a propor.

Armindo Abreu, por exemplo, em relação à proposta efectuada pelo Eng. Carlos Silva, preocupou-se em desconsiderá-la.

Segundo o Presidente, jurista de formação, aquela proposta deveria ser desconsiderada porque deveria dizer "que acto do Governo deve ser impugnado e quais os fundamentos da impugnação".

Ou seja para Armindo Abreu o vereador, “no caso” engenheiro de formação, deveria explicitar qual o acto de Governo a impugnar e quais os fundamentos da impugnação.

Já agora deveria, digo eu, fundamentar a causa de pedir e redigir o pedido.

Queria o Sr. Presidente poupar trabalho ao gabinete jurídico da autarquia? Não!

O problema é que Armindo Abreu não argumenta, desconversa!

Tal tirada não passou de mais uma blague, porque Armindo Abreu não tem propostas!

De qualquer forma, nessa reunião a proposta aprovada, por cinco votos a favor (PSD, MAA e IND) e dois contra (PS), estabeleceu que os serviços jurídicos, da câmara, avaliassem a possibilidade de impedir o curso normal do concurso da Barragem de Fridão/Amarante.

No mesmo documento impõem-se aos serviços jurídicos a produção, no prazo de 15 dias, de um parecer jurídico.

Se me perguntarem se tal parecer foi produzido respondo que não tenho qualquer conhecimento sobre o assunto o que sei é que quer os vereadores ou o presidente não o leram.

Entretanto, na passada segunda feira 14 de Julho, na reunião do Executivo, uma vez mais o presidente, com a sua habitual inteligência, alias douta, após ser interpelado pelos vereadores sobre o procedimento cautelar disse que “…falta tempo para a elaboração de um processo com pés e cabeça”.

Ou seja, ao que parece não foi elaborado qualquer parecer, fazendo tábua rasa da proposta aprovada, ou caso o tenha sido apenas chega a conclusão, triste, que “falta tempo”.

Por isso… Armindo Abreu é mais um “cromo(*)”!

Não é que tenha algo contra o Presidente Armindo Abreu como é verdade nada ter a favor.

É-me, uma pessoa, profundamente indiferente. Apenas lhe acho graça!

Acho-lhe graça quando, visivelmente enervado, solta tiradas pseudo “filosóficas” com a mesma profundidade que brame “coléricas” palavras contra, imaginários, seres politicamente inferiores.

Tem piada, o Dr. Armindo Abreu, quando diz (disse-o num debate) que o CDS de Amarante apoia a construção da barragem quando ao mesmo tempo, o Dr. Armindo, promete, como vimos, procedimentos acautelares contra a construção da barragem mas que, quando acossado arranja como argumento o pretexto da profunda “falta de tempo para a elaboração de um processo com pés e cabeça”.

Por isso e porque já ninguém o respeita lhe pedem, como requereu o vereador Moura e Silva nessa reunião, que apresente ao Executivo “todos os documentos dos relacionados com o processo da Construção da Barragem de Fridão” o “ofício do Sr. Presidente da Câmara em que ordena ao Serviços Jurídicos da Câmara parecer acerca da possibilidade de se apresentar processo de providência cautelar” e “parecer elaborado pelos referidos serviços ou outro que a câmara possua.”

Qual será a desculpa? - Não sei!

Sei, apenas, que Amarante não merecia tão pequeno líder.

* Cromo no sentido de figura

ASA, in Os Artigos Expostos São Para Consumo Da Casa... - 20 de Julho de 2008

sexta-feira, 18 de julho de 2008

A BARRAGEM DE FRIDÃO, A EDP E O MERCADO MOBILIÁRIO







INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA
EDP VENCE CONCURSO PARA CONSTRUÇÃO DE CENTRAIS HIDROELÉCTRICAS DE FRIDÃO E ALVITO

Lisboa, 17 de Julho de 2008

Nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários, a EDP - Energias de Portugal, S.A. (EDP) informa o mercado e o público em geral acerca do seguinte: ... 

(ler o restante comunicado aqui)

OBS:«(…) a EDP progrediu 1,42% para os 3,56 euros, depois de ontem ter anunciado a sua vitória nos concursos para construção das barragens do Alvito e do Fridão. (…)»


Ler em: «PSI 20 encerra em alta superior a 3% com títulos da Banca em destaque»


in Diário Económico – Nacional/Mercados – 18 de Julho de 2008

sábado, 12 de julho de 2008

terça-feira, 1 de julho de 2008

PNBEPH - ENERGIA: Valerá mesmo a pena construir mais 10 barragens em Portugal?






PNBEPH - ENERGIA 
Valerá mesmo a pena construir mais 10 barragens em Portugal?




Cristina Espada, in Meia Hora - 1 de Julho de 2008

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Paisagens em vias de extinção

Esta foto foi tirada enquanto passeava nas margens do rio Tâmega, ao fundo pode-se avistar o centro histórico de Amarante, constituído pelo mosteiro e ponte de S. Gonçalo.

Este belo conjunto monumental contém muito mais do que a sua beleza, por ali passaram as invasões francesas, ali se fez resistência às tropas de Napoleão. Nesta terra nasceram mitos sobre santos casamenteiros, se inspiraram figuras consagradas da nossa cultura tais como Teixeira de Pascoaes ou Amadeo de Sousa Cardoso. As origens da cidade remontam…

Interrompo esta emissão para vos fazer um comunicado:

A paisagem que vêm nesta foto com o pescador e o passeio junto ao rio vai ser destruída pela construção de uma barragem a cerca de 6km a montante do rio Tâmega.

Sérgio Abreu
, in Olhares - 11 de Junho de 2008

quarta-feira, 21 de maio de 2008

AMARANTINOS NÃO ACEITAM BARRAGEM EM FRIDÃO

AMARANTINOS NÃO ACEITAM BARRAGEM EM FRIDÃO
A voz dos que estão na linha de rebentação



POPULAÇÃO DA ZONA RIBEIRINHA RECEIA UM ACIDENTE NA FUTURA BARRAGEM DE FRIDÃO

A população de Amarante está contra a anunciada construção de uma barragem no Rio Tâmega em Fridão.
Ainda bem frescos na memória dos amarantinos estão os malefícios que a barragem do Torrão causou à zona ribeirinha da cidade: O rio deixou de ser a principal atracção turística nos meses de Verão e toda a cidade perdeu, principalmente o sector da restauração.


Com a construção do novo empreendimento, " a cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens", alertou recentemente Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os- Montes e Alto Douro.

Em entrevista recente, a este jornal, Hugo Silva afirmou que se tivesse uma casa na Rua 31 de Janeiro "fugia de lá". Esta afirmação, corroborada pelo presidente da Câmara, deixou a população ribeirinha preocupada, ainda mais quando o deputado municipal Emanuel Queirós levantou a questão para o perigo dos sismos induzidos, um problema que "está completamente desvalorizado e foi até descurado".

Já em 1995, Emanuel Queirós falava das consequências previsíveis sobre o rio Tâmega e a cidade de Amarante.
Para o actual deputado municipal, "A Barragem de Fridão encontra-se projectada para ser construída no limite das freguesias de Fridão e Codeçoso, dos concelhos de Amarante e Celorico de Basto, respectivamente, 6 Km a montante da cidade de Amarante. Com a supressão da localização intermédia prevista inicialmente para o nível da Senhora da Graça (Mondim de Basto), prevê-se que a barragem de Fridão possa atingir uma altura de 110 metros, que a morfologia do lugar comporta. Pleneada para interceptar o leito do rio Tâmega e nele reter um volume de 210 hm3 de água, a barragem de Fridão, tanto pela sua dimensão como pela posição relativa face à cidade de Amarante, vem colocar em questão não só os impactes ecológicos imediatos resultantes da inundação que a albufeira originará nos concelhos de Basto, mas, sobretudo, os impactes directos potencialmente consequentes a jusante da construção. Assim será no que se relaciona com o desvio do leito do rio Olo, na parte final do seu traçado; a dificuldade em garantir a manutenção do caudal ecológico do próprio rio Tâmega em período normal de estiagem entre a barragem de Fridão e a cidade de Amarante; a integridade e eficiência do sistema de captação, tratamento e abastecimento público de águas, partindo do rio Tâmega, em consequência da libertação de águas quimicamente alteradas depois de acumuladas na albufeira.
A grandeza e a extensão das consequências que a construção da Barragem de Fridão irá provocar localmente justifica, que o respectivo dossier seja colocado perante as mais altas instâncias decisórias do País, levado aos principais órgãos de soberania do Estado Português, para que as mais sérias preocupações locais sejam devidamente atendidas, e a decisão final sobre o futuro da barragem de Fridão fique com quem tem o sentido justo do exercício democrático"
.


Todos os partidos já manifestaram a sua discordância em relação à anunciada construção da barragem de Fridão.

Para conhecermos a posição das pessoas que trabalham e vivem da rua 31 de Janeiro, o NTA registou a opinião de alguns comerciantes, já habituados a sofrer com o efeito da barragem do Torrão em época de cheias. 

O sentimento é de revolta e manifestaram-se totalmente contra a construção de um paredão no Tâmega, com 110 metros de altura.

A possibilidade, ainda que remota, do rebentamento da barragem, é outro dos problemas que afligem os amarantinos.

António Gonçalves (Casa Gonçalves)
Sou contra a construção da Barragem por várias razões: a primeira é precisamente por causa da destruição ambiental que vai acontecer e a segunda por causa do nível das cheias. Se agora é mau, quando construírem a barragem o nível das águas vai subir ainda mais. Acho que ninguém construiria uma casa perto de uma central nuclear por muito seguro que fosse. Portanto, no nosso caso, é quase igual porque os nossos estabelecimentos ainda vão estar mais ameaçados.
A história diz-nos que de vez em quando uma barragem vai abaixo e também nos diz que a massa de água aliada à velocidade destruiriam Amarante em seis minutos. Uma parede de água com 110 metros de altura a uma distância de 6 Km ia com certeza destruir a nossa cidade. O que me comove é que o que representa a barragem de Fridão no plano energético nacional é praticamente nulo. Eu faço parte do movimento "Por Amarante sem barragens" e peço que toda agente se una a nós para travar esta barragem porque o que está aqui em causa é uma cidade e, por isso, não pode haver divisão de partidos.
Eles têm que se unir e lutarem com mais força. Estou convencido que Amarante ainda vai conseguir que não se faça esta barragem, já que o Dr. Armindo Abreu disse publicamente que é contra a construção da barragem.
Espero que ele não fique só pelas palavras. É um apelo que eu lhe faço.

Hilda Faria (Pastelaria Tinoca)
Sou contra a barragem porque já tenho tido muitos problemas com as cheias e acho o facto de ser construída uma tão perto ainda vai ser pior. Aquilo vai ser um muro de betão tão grande a reter a água que se vem um ano de chuvas fortes eles abrem as comportas e nós é que levamos com a água toda.

Lúcia Monteiro (Restaurante Zé da Calçada) Sou contra a barragem, porque temo pelos meus bens. Sem a barragem já temos tido problemas de cheias, de águas paradas a provocar maus cheiros e isso é muito prejudicial para um estabelecimento de restauração porque os clientes não gostam de estar a comer e a sentir um cheiro nauseabundo vindo do rio.
Se o nível da água subir muito vai estragar as margens do rio e a paisagem que se vê.

Avelino Basto (Casa das Malas)
Sou contra a barragem. Preocupa-me muito manter o estabelecimento neste local atendendo à forma como irá ficar a barragem. Este é o meu local de trabalho e receio um dia vir a perder alguma coisa. Já é um transtorno muito grande quando acontecem as cheias que fará com a subida do nível das águas. É provável que com a barragem toda a beleza que esta rua transmite se perca e faça com que as pessoas se afastem.

Nova Tribuna de Amarante, in Por Amarante, Sem Barragens - 21 de Maio de 2008

sábado, 17 de maio de 2008

PNBEPH - Barragem de Fridão: Património a submergir pela albufeira

PNBEPH - Barragem de Fridão: Património a submergir
Brug-Mondim


de Frederik Thoolen

Além desta ponte medieval, este local tem a jusante um conjunto de açude e moinhos de àgua de valor turístico importante para este Concelho de Mondim de Basto. 

Será tudo submergido se a cota da Barragem de Fridão a construir for de 160 m?

Comentário feito à foto por miskunk, in Panoramio - 17 de Maio de 2008

quarta-feira, 14 de maio de 2008

SISMO: China tenta evitar que barragem danificada se rompa





Terremoto provoca rachaduras 'extremamente perigosas' na construção e cidade pode ser inundada

China tenta evitar que barragem danificada se rompa


Gestante de 8 meses é retirada de escombros com vida nesta quarta-feiraAP

Gestante de 8 meses é retirada de escombros com vida nesta quarta-feira

PEQUIM - A imprensa estatal chinesa afirmou nesta quarta-feira, 14, que 2 mil militares correm contra o tempo para evitar o rompimento da barragem da represa de Zipingku. Os soldados tentam consertar rachaduras "extremamente perigosas", já que as instalações e prédios próximos foram danificados e parte chegou a afundar.

Segundo o Ministério de Recursos Hídricos, o sistema de irrigação da cidade de Dujiangyan, responsável pela contenção de inundações da cidade de mais de 630 mil habitantes, pode ser prejudicado. As autoridades alertaram para os riscos da crescente pressão sobre as demais barragens locais, assim como os deslizamentos de terra nas regiões montanhosas.

O número de mortos no pior terremoto em décadas na China subiu para quase 15 mil na quarta-feira. Militares, bombeiros e civis lutam para salvar milhares de pessoas soterradas por terra e escombros. Na tarde de quarta-feira, o número de mortos era de 14.866, segundo a Xinhua, a agência de notícias oficial. O número de mortos deve subir, já que a mídia estatal informou que 25 mil pessoas estão soterradas.

As equipes de resgate retiravam os pedaços retorcidos de prédios caídos e observavam as fendas entre eles, atrás de sinais de sobreviventes do terremoto de magnitude 7,9 que destruiu casas, escolas e hospitais. O governo mandou 50 mil soldados para procurar vítimas na província de Sichuan.
Mas, entre os momentos sombrios, houve alguma alegria.

Em Mianzhu, onde milhares de pessoas foram confirmadas mortas, cerca de 500 pessoas foram retiradas vivas dos escombros dos prédios. Em Hangwang, um vilarejo em Mianzhu, uma menina recebeu comida e água enquanto tentavam tirá-la dos escombros do prédio de uma escola. Uma mulher grávida de oito meses e sua mãe, presas há dois dias debaixo de um prédio em Dujiangyan, foram resgatadas pelos bombeiros e levadas a um hospital. "Estamos muito felizes. Estávamos gritando aqui há dois dias", disse Pan Jianjun, um parente. "Mas ainda há três pessoas fazendo barulho ali."

Nos arredores da cidade de Miangyang, desabrigados circulavam por um estádio lotado, segurando cartazes com os nomes de parentes, na esperança de encontrá-los. A maioria é do condado rural de Beichuan, uma das áreas mais severamente afetadas. "Eles não disseram nada sobre o que vai acontecer conosco. 

Este é somente um lugar temporário. Não sei se vou conseguir voltar para casa," disse Hu Luobing, da vila de Beichuan, onde, segundo ela, tudo foi destruído. Ela deixou a filha no abrigo improvisado no estádio, onde cerca de 10 mil moradores de Beichuan estão, para procurar roupas. Outros procuravam comida e abrigo da chuva.

Fotos de Beichuan, área montanhosa de difícil acesso para a equipe de resgate, mostram uma devastação quase total. Os sobreviventes ficam ao ar livre, ao lado dos mortos e cercados por prédios reduzidos a pedaços de concreto.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que está em Sichuan fazendo apelos e visitando crianças órfãs, esteve em Beichuan no meio do dia. "A sua dor é a nossa dor", disse ele na televisão estatal. Ele estava entre uma multidão de moradores da região. Alguns deles choravam. "Salvar a vida das pessoas é a tarefa mais importante."

Só o condado de Beichuan precisa urgentemente de 50 mil barracas, 200 mil cobertores e 300 mil casacos, além de água potável e medicamentos, disse a Xinhua. 

O tremor de segunda-feira é o pior na China desde 1976, quando 300 mil pessoas morreram. 

Com o desastre, fica suspensa a propaganda patriota do governo, a três meses das Olimpíadas de Pequim.

in Estadao.com.br - 14 de Maio de 2008

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Construção da Barragem de Fridão [Amarante]: Ponte sobre o Tâmega [Mondim - Veade] ficará submersa






Construção da Barragem de Fridão (Amarante)
Ponte sobre o Tâmega [Mondim - Veade] ficará submersa



Henrique Gomes / Fernando Vilas Boas, in Notícias de Basto, N.º 110, Ano VII (pp. 1 e 7) - 09 de Maio de 2008

AMARANTE - RIO TÂMEGA: Cidade em risco de desastre ambiental







AMARANTE - RIO TÂMEGA

Cidade em risco de desastre ambiental

A cidade de Amarante corre o risco de sofrer um desastre ambiental devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível, ficando emparedada entre dois açudes e duas barragens, alertou um especialista ambiental

A afirmação foi feita num debate, em Amarante, por Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista em estudos de impacte ambiental.

Segundo o técnico, que tem colaborado em estudos ambientais de diversas barragens - nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua - o Tâmega é porventura o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).

Rui Cortes sustenta ainda que se for construído um contra-embalse/açude a jusante da barragem, para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite aproveitando a energia das eólicas - a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será de pior qualidade.

Outro problema crucial a debater no âmbito do estudo de impacte ambiental (EIA), a cargo do consórcio que ganhar o concurso, será a profundidade a que a água será turbinada.

"Quanto mais fundo for turbinada mais poluição terá o caudal libertado. Será necessário diminuir as fontes de poluição, a montante, se não vamos ter em Amarante um desastre ambiental", avisou o professor da UTAD.

Linha de alta tensão com 22 quilómetros

Participaram também no debate Hélder Leite, que chamou a atenção para os problemas da construção de uma linha de alta tensão de 400 KVA com 22 quilómetros de extensão, e Berta Estevinha, que considerou preocupante o aumento da eutrofização das águas do rio, devido à poluição.

A eutrofização é um problema que afecta o rio Tâmega há quase uma década, sobretudo na albufeira formada pela actual barragem do Torrão, localizada na foz do rio.

Durante o debate, o deputado municipal por Amarante, Emanuel Queirós, alertou para o perigo dos sismos induzidos, um problema que, afirmou, "está completamente desvalorizado e foi até descurado" na análise dos dez empreendimentos considerados prioritários.

Dos dez aproveitamentos seleccionados pelo Governo, a barragem de Fridão é a segunda infraestrutura em potencial hidroeléctrico, logo a seguir a Foz Tua, já adjudicada à EDP.

in Jornal de Notícias - 9 de Maio de 2008

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Ainda a Barragem de Fridão

Ainda a Barragem de Fridão








Tâmega - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Hoje volto à carga para reforçar a ideia de perda irreparável que se verificará em Amarante se tudo o que está previsto pela construção desta malfadada barragem se vier a concretizar. 

Perda irreparável para Amarante e perda irreparável para cada um de nós, amarantinos que amam a terra que os viu nascer.

Por isso postei as mesmas fotografias de ontem, desta vez sem cortes, e no maior tamanho em que é possível publicá-las aqui no blogue

Já o disse e repito. Não é um tamanho de fotografia que eu use muito. Porque gosto de postar o tamanho mais pequeno e deixar que as pessoas as ampliem investigando e absorvendo um ou outro pormenor que achem mais interessante. Mas, porque a hora é grave, aqui ficam as mesmíssimas fotografias que ilustraram o meu "post" de ontem no maior tamanho possível.

Para que as pessoas interiorizem o que corremos o risco de deixar afogar, e de perder, sem possível reparação futura.

E nós, amarantinos, não estamos já fartos de perder?

Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 8 de Maio de 2008

terça-feira, 6 de maio de 2008

Votação sobre a barragem de Fridão

Votação sobre a barragem de Fridão

Barragem de Fridão
Vantagens
Desvantagens
  • Produz grandes quantidades de energia;
  • Responde rapidamente a necessidades de pico de consumo;
  • Permite o desenvolvimento económico;
  • Benefícios para as zonas rurais, na área do turismo, indústrias e agricultura;
  • Destruição de importante património histórico e natural;
  • Em anos de seca a produção de energia baixa muito;
  • Degradação da água do rio Tâmega;
  • Esta construção irá criar enormes questões ao nível da segurança.

No dia 9 de Abril de 2008, organizámos uma votação acerca da Barragem de Fridão.

A mesma questão foi colocada a 111 membros da comunidade escolar (professores, funcionários e alunos) da Escola Secundária/3 de Amarante:


«Como sabe a construção da barragem de Fridão irá trazer benefícios para a nossa cidade, mas ao invés, traz inúmeros prejuízos a nível paisagístico, patrimonial e levantará inúmeras questões de segurança.

A pergunta que colocamos é a seguinte:

“Amarante deveria aceitar a construção da barragem de Fridão?”»

Resultados:


31 pessoas votaram "SIM" e 80 votaram "NÃO", o que permite concluir que a comunidade amarantina, na sua grande maioria é contra a construção da barragem de Fridão.

Enzo, in The Awesome Stuff - 6 de Maio de 2008

segunda-feira, 5 de maio de 2008

FRIDÃO/BARRAGEM: Câmara de Amarante pede parecer jurídico sobre providência cautelar contra concurso







FRIDÃO/BARRAGEM: Câmara de Amarante pede parecer jurídico sobre providência cautelar contra concurso


A Câmara de Amarante decidiu hoje, por maioria, estudar a possibilidade de intentar uma providência cautelar contra a abertura do concurso para a barragem de Fridão, lançado pelo Ministério do Ambiente a 30 de Abril.

A decisão foi tomada na reunião camarária desta segunda-feira, tendo o executivo deliberado – por cinco votos a favor (PSD, MAA/Ferreira Torres e IND.) e dois contra (PS) – solicitar um parecer ao gabinete jurídico da autarquia acerca dos fundamentos da referida providência cautelar.

O vereador independente Carlos Silva apresentou uma proposta para o executivo aprovar a apresentação da providência cautelar, mas uma contra-proposta de Amadeu Magalhães acabou por levar à retirada da primeira, depois de ambas terem sido admitidas a discussão.

Carlos Silva defendia que se deve impugnar desde já o concurso, tendo acusado o presidente de "pouco ou nada ter feito para travar a construção da barragem".

Armindo Abreu, por seu lado, considerou que a proposta estava mal fundamentada, não expressando sequer "que acto do Governo deve ser impugnado e quais os fundamentos da impugnação".

"Só depois da barragem construída é que vai fazer alguma coisa?", perguntou Carlos Silva, num comentário às posições de Armindo Abreu.

Ferreira Torres também entrou na discussão: "Ele [presidente] não vai fazer nada, como no caso da maternidade. [Armindo Abreu] É uma peça do Governo".

O vereador Amadeu Magalhães (PSD) interveio para alertar "que [a barragem] é um assunto demasiado sério para haver clivagem no executivo", considerando, também, que a proposta de Carlos Silva, ao não fundamentar a impugnação, é "insensata".

Acabou por vingar a proposta do primeiro vereador do PSD: "Sou contra a barragem, mas uma providência cautelar deve ser um acto ponderado e a sua oportunidade [logo após o lançamento do concurso público] é questionável".

A proposta aprovada hoje determina que os serviços jurídicos da câmara avaliem as possibilidades de travar nos tribunais o concurso da construção da barragem de Fridão e apresentem um parecer no prazo de 15 dias.

Se o Município apresentar uma providência cautelar contra o concurso o processo desencadeado pelo Ministério do Ambiente pára imediatamente e, pelo menos, terá a vantagem, segundo alguns ambientalistas, para separar o caso de Fridão das outras nove barragens.

Recorde-se que a construção do aproveitamento hidroeléctrico de Fridão, a menos de uma dezena de quilómetros a montante da cidade, tem sido apresentado pelos movimentos ecologistas e de cidadãos como “um atentado ambiental” à região de Amarante.

in Marão online - 5 de Maio de 2008

quarta-feira, 30 de abril de 2008

PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO: Bloco propõe ao Governo suspensão das barragens do Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor






PNBEPH - BARRAGEM DE FRIDÃO
Bloco propõe ao Governo suspensão das barragens do Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor

O Bloco de Esquerda (BE) propôs hoje a suspensão das barragens de Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor, do Plano Nacional de Barragens, e dos concursos de concessão até se concluírem estudos de impacte ambiental. Propôs ainda o estudo da possibilidade de substituir a barragem de Almourol por mini-hídricas ou que a sua albufeira não ultrapasse a cota 19. Ver aqui a proposta.

Numa proposta de resolução entregue hoje (29) na Assembleia da República, os bloquistas propõem que o executivo de José Sócrates “recue na decisão de construção das barragens de Foz Tua, Fridão e Baixo Sabor”.

Por outro lado, a bancada do BE quer que o Governo “suspenda todos concursos de concessão das barragens” previstas no Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) “até estarem concluídos os processos de avaliação de impacte ambiental”.

O BE considera, no texto da resolução, “elemento decisivo para a tomada de decisão sobre a construção ou não de cada uma das barragens” a conclusão dos processos de avaliação do impacte ambiental de cada barragem.

Preocupações ambientais explicam a sugestão para que seja estudada a possibilidade de substituir por mini-hídricas a barragem de Almourol, aproveitando-se para fazer a beneficiação do parque de campismo de Constância.

Os bloquistas recomendam ainda ao Governo que “não permita que a albufeira da barragem de Almourol, caso avance, tenha um nível de pleno armazenamento superior à cota 19” e que seja elaborado “um plano de recuperação da qualidade da água do rio Tâmega”, impedindo-se que a albufeira da Barragem do Torrão “ultrapasse a cota 62”.

O Governo aprovou no início de Dezembro de 2007 o Programa Nacional de Barragens, tendo aprovado a construção de 10 novas barragens: Foz Tua, no rio Tua, Pinhosão, no rio Vouga, Padroselos, Vidago, Daivões, Fridão e Gouvães, no rio Tâmega, Girabolhos, no Mondego, Alvito, no rio Ocreza, e Almourol, no rio Tejo.

O plano nacional de barragens vai implicar, segundo o executivo, um investimento total entre 1.000 e 2.000 milhões de euros e aumentar a capacidade hídrica instalada no país em mais 1.100 megawatts (MW).

in Ecoblogue, 30 de Abril de 2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

TÂMEGA: BARRAGENS PODEM AUMENTAR POLUIÇÃO

TÂMEGA: BARRAGENS PODEM AUMENTAR POLUIÇÃO

As quatro barragens previstas para o rio Tâmega podem provocar um desastre ambiental devido à poluição do rio, alertou à RR Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. 

Para o especialista, o caso mais grave é o da barragem de Fridão que pode agravar o ambiente na cidade de Amarante. 

O Tâmega é dos cursos de águas internacionais que apresenta um maior grau de poluição em Portugal.

in Tribuna Médica Press - 22 de Abril de 2008