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quinta-feira, 20 de maio de 2010

MCDT perde um dos seus fundadores: Doutor Joaquim José Macedo Teixeira - Saudade sem reparação











MCDT perde um dos seus fundadores
Doutor Joaquim José Macedo Teixeira - Saudade sem reparação


No momento em que perdemos do nosso convívio aquele que tínhamos como exemplo vivo de Grandeza Humana dissimulada entre comuns mortais, ficamos brutalizados pelo absurdo ilusório deste palco terreno onde estamos jogados.

Doutor Macedo Teixeira, Joaquim José Macedo Teixeira de seu nome completo, devolveu-se à eternidade desde este plano existencial, ontem (19/05) no edifício-reservatório do Centro Hospitalar do Vale do Sousa em Amarante, antes Hospital São Gonçalo, onde entrara pelo seu próprio pé cinco dias antes, em estado de saúde muito debilitado.

Acompanhámo-lo de perto há vinte cinco anos e nele sentíamos uma profunda sabedoria ancestral em ruptura com as marcas de que se faz este nosso mundo. Dos seus olhos brotava a Luz que a alguns é capaz de cegar e do seu coração a força de um laço definitivo a uma fraternal Amizade a todos que o conheceram e à sua Amarante a quem se entregou e o cobriu até à sua última morada terrena em Lufrei.

O seu exemplo é tão grande na simplicidade em que sempre se resguardou quanto no Humanismo que infundia naqueles que tiveram o privilégio da sua companhia, que por mais voltas que as palavras tentem serão sempre curtas e cingidas perante a memória deste Amigo, filho e Servo de Amarante, onde foi Professor e pedagogo, Presidente da Câmara, destacado membro da Assembleia Municipal, fundador de associações culturais, activo militante da vida associativa nas suas múltiplas vertentes, de uma entrega genuina às causas públicas cujo exemplo perdurará para sempre naqueles que assim o conheceram e o respeitam como Irmão.

A sua Cruzada estendeu-a ao Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (MCDT) de que foi seu fundador e incansável delator da famigerada Barragem de Fridão e do demoníaco Programa-patranha Nacional de Barragens.

'Do assento etéreo aonde subiu' nos continue a iluminar e dele possamos ter sua magnificente protecção quando a perda sentida pelo vazio que em nós deixou não tem mais reparação.

José Emanuel Queirós - 20 de Maio de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

MCDT - MONDIM DE BASTO: Armando José Pereira Oliveira - Mondinense dos sete costados









MCDT - MONDIM DE BASTO
Armando José Pereira Oliveira - Mondinense dos sete costados


A tristeza que eu sinto quando sei que morreu um amigo mistura-se rapidamente com a saudade e habitualmente não resisto a relembrar os momentos em que as nossas vidas se cruzaram. Assim está a acontecer com o «Armando de Fafe» que hoje, há bem pouco, acabou de nos deixar.

Bom homem, de feitio reservado, era um grande amigo do Tâmega.

Pescador exímio, ex-atleta do mondinense, um bom conhecedor do concelho, conheci-o já lá vão quase 3 dezenas de anos.

Com ele, sendo eu adolescente, lembro-me bem de treinar futebol no Mondinense. Chegado de Fafe, o Armando, veio jogar para o clube da sede da nossa terra.

Afável e atencioso, na altura craque da bola, connosco dava uns “toques” para alegrar a rapaziada.

Quando foi Presidente do Clube de Caça e Pesca de Mondim conversámos muito e trabalhámos em alguns projectos comuns. Foi ele e sua direcção, que desbloqueou uma questão pertinente aquando da formação da zona de caça municipal.

A pedido dele colaborei, tecnicamente, elaborando o projecto para a criação da concessão de pesca desportiva no troço do Tâmega, que vai da Ponte à foz do Cabril.

A existência da pista de pesca de Mondim a ele muito se deve.

Com o Armando reforcei a convicção do interesse que tem a pesca desportiva como valência importante no desenvolvimento do turismo de um concelho como Mondim.

Grande apaixonado pelo rio Tâmega, logo que se conhece o Programa Nacional de Barragens, o Armando, desde a primeira hora, atento e preocupado com a previsível destruição do nosso Rio procurou incansavelmente informar-se para, como cidadão, tomar uma posição pública.

Foi ele quem em primeira-mão me disse que o nosso rio Olo também fazia parte do famigerado Programa.
Inúmeras vezes me contactou procurando recolher novas informações, trazendo sempre novos elementos e ideias para se preparar uma contestação.

Membro fundador do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega, foi subscritor inicial do Manifesto anti-barragem e subscritor da petição online “Salvar o Tâmega e a vida no Olo”.

O Armando não mais sossegou: dia após dia, procurava obter mais informação para que o grupo de contestação à barragem estivesse bem informado e desse modo pudesse preparar o combate que até hoje estamos a travar.

Foi ele, o primeiro de nós a ir ao Torrão [Marco de Canavezes] verificar in loco o desastre ambiental que a barragem provocou. Foi ele, que nessa visita falou com pessoas que habitam nas margens da albufeira e nos relatou o que ouviu: “se soubéssemos o que hoje sabemos, nunca tínhamos acreditado que isto iria melhorar a nossa vida e trazer turistas...” , “não deixem que na vossa terra vos façam o mesmo...

Nesta luta, difícil mas que ainda não terminou, o Armando esteve em todas: debates, manifesto, recolha de assinaturas, petição, reuniões em Mondim, Amarante e Ermelo.

Por tudo isto Armando - o que fizeste está feito e ninguém to tirará: atleta do Mondinense, Presidente do Clube de Caça e Pesca, criação da pista de pesca de Mondim, defensor activo do Tâmega e do Olo, treinador das camadas jovens do Mondinense entre outros que não saberei, «Armando de Fafe» (de alcunha), foi um Mondinense dos sete costados.

Bem-haja por teres escolhido Mondim como a tua terra.

Alfredo Pinto Coelho - 16 de Setembro de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Mondim de Basto)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Valdemar Pinheiro Coelho de Abreu - UM HOMEM LIVRE

Valdemar Pinheiro Coelho de Abreu - UM HOMEM LIVRE


Na noite de 25 para 26 de Abril, aos 70 anos, calou-se, definitivamente, a voz indomável (e indomada) do Valdemar de Abreu, um homem de causas, sempre igual a si próprio, que repudiava o seguidismo e o enfeudamento intelectual, que nunca aceitou dono ou bebeu pela concha da mão de quem quer que fosse, e cuja independência lhe granjeou não poucas vezes, o sarcasmo dos pontífices e senhores das verdades supremas, que lhe inspiravam uma soberana indiferença.

Generoso e devotado, como poucos, à terra que o viu nascer, a sua autoridade moral e exemplo, no terreno, constituíam uma mais valia no Movimento Cidadania para o Desenvolvimento do Tâmega, de que foi co-fundador, e, nessa qualidade, subscritor e apóstolo do Manifesto Antibarragem.

Com o seu desaparecimento Amarante perde um democrata, um cidadão empenhado, interventivo e livre, o que vai escasseando nestes tempos de múltiplas crises, antes do mais, de valores.

AF - 27 de Abril de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)