quinta-feira, 17 de junho de 2021

ALTO TÂMEGA - BARRAGEM: Pontes de arame na moda... menos "a" Ponte de Arame

 




ALTO TÂMEGA - BARRAGEM

Pontes de arame na moda... menos "a" Ponte de Arame

Duas ancestrais aldeias de Trás-os-Montes, Monteiros (V. P. Aguiar) e Veral (Boticas), são separadas pelo rio Tâmega. As populações, em tempos idos, construíram uma ponte de arame que tem servido para irmanar os lugares, cambiando produtos agrícolas e casamentos, dando passagem a pessoas e gado, a cabras montesas e até - em dias de frio e fome - a lobos.



A data da construção já ninguém sabe. Hoje a ponte é património comunitário e global, objeto de afeto das gentes locais e dos muitos emigrantes espalhados pelo Mundo. 

A Ponte "Indiana Jones", como também lhe chamam, vai ficar submersa com a Barragem do Alto Tâmega.

As pontes passadiços estão na moda, sobretudo depois da inauguração da Ponte 516 de Arouca. Com os seus modestos 30 m., a velhinha ponte não quer competir. Mas é diferente: a de Monteiros-Veral foi uma construção comunitária que fazia falta. E continua a fazer!

A Iberdrola, a responsável pela barragem, tem sido incansável nas contrapartidas. No que se refere à Ponte Monteiros-Veral, há, porém, como que um "diálogo de surdos".

Primeiro foi a procura de encontrar lugar para recolocar a ponte... mesmo que entre margens desabitadas. A ponte só como "monumento".

Depois, recentemente (carta à Agência Portuguesa do Ambiente de 18.03.21), a afirmação de que a questão da ponte está a ser estudada (serão apresentados projetos até 30.06.21) mas que, "no que se refere à comunicação entre as margens, esta seria assegurada através da existência da passagem rodoviária na barragem do Alto Tâmega", sendo que o trajeto "é atualmente mais curto por via rodoviária do que o trajeto a pé" pela ponte.

Afirmação de total desconhecimento da realidade. O referido trajeto é uma hora de má estrada. A pé... talvez 15 minutos.

A solução é simples: peguem na ponte, coloquem-na numa cota mais alta, provavelmente aumentem-na um pouco de extensão (não é difícil)... E a ponte continuará a servir as populações, permitirá que as duas localidades não morram lentamente e, com a previsível albufeira que se formará, Monteiros e Veral poderão até ressurgir, com a ponte como atração.

Simples, barato e eficaz. Vamos descomplicar!

*Amigos da Ponte de Arame Monteiros-Veral

Maria Olímpia Mourão, in Jornal de Notícias - 17 de Junho de 2021 

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