quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Hidrelétricas na Amazônia podem emitir mais gases de efeito estufa que usinas a carvão, óleo e gás









Hidrelétricas na Amazônia podem emitir mais gases de efeito estufa que usinas a carvão, óleo e gás


                    Obras da usina hidrelétrica de Sinop (MT), que poderá emitir três vezes mais toneladas de gás carbônico equivalente do que usinas termelétricas (Foto: UHESinop/jul.2015)

O Brasil orgulha-se de ter usinas hidrelétricas como principal matriz energética por serem  “fontes limpas”, de baixo impacto ao meio ambiente. Mas esse traço nacional está sendo questionado. Hidrelétricas instaladas ou previstas para serem construídas na Amazônia podem ser tão ou mais poluentes que usinas termelétricas. Dezoito novos reservatórios poderão emitir, em cem anos, até 21 milhões toneladas de metano e 310 milhões de dióxido de carbono – dois dos principais gases de efeito estufa, responsável pelo aquecimento do planeta. Como o metano é 32 vezes mais potente no efeito estufa que o gás carbônico, o montante de emissões pode chegar a até 982 milhões de toneladas de “gás carbônico equivalente”. Em cenário mais otimista, o valor é de 369 milhões de toneladas.

A constatação é do estudo desenvolvido por cinco pesquisadores, incluindo o professor do Programa de Pós-graduação em Ecologia da UFJF Nathan Barros. O artigo foi publicado na revista britânica Environmental Research Letters, de alto impacto científico relacionado a pesquisas em meio ambiente. Na próxima edição do periódico, será publicada resenha sobre o artigo por um dos principais pesquisadores sobre Amazônia Philip Fearnside, ressaltando a relevância do estudo.  

Ao se construir uma usina, é obrigatória a retirada da vegetação da área a ser inundada, mas a decomposição da matéria orgânica que sobra do corte das árvores e do carbono presente no solo ocasiona a formação de gás carbônico e metano. Além disso, o rio continuará trazendo sedimentos e matéria orgânica para o reservatório. “A produção desses gases torna-se mais intensa na Amazônia devido à presença abundante de matéria orgânica e da alta temperatura, que favorece a decomposição”, afirma Barros. O metano é formado em zonas sem oxigênio, geralmente áreas mais profundas do reservatório, por bactérias produtoras do gás, as chamadas metanogênicas.

“Seis das 18 hidrelétricas analisadas apresentaram número significante de simulações que apontam emissões comparáveis a usinas termelétricas. São elas: Cachoeira do Caí, Cachoeira dos Patos, Sinop, Bem Querer, Colider e Marabá. E a maioria das simulações para três delas – Cachoeira dos Patos, Caí e Sinop – estima emissões mais altas até mesmo do que usinas termais”, aponta o estudo.

A hidrelétrica de Sinop, em Mato Grosso, emitirá anualmente, pelo menos, 250 quilos de gás carbônico equivalente por megaWatt-hora (CO2eq MWh) de energia produzido ao longo de cem anos – que é o tempo aproximado de vida útil de uma hidrelétrica. Em seus primeiros 20 anos de implantação, quando as emissões são mais intensas, o volume poderá ser de 1,1 tonelada anual. Essa é a perspectiva otimista. Na versão mais poluente, o montante pode chegar a 5 toneladas de CO2eq por MWh anuais nas primeiras duas décadas e a 3 toneladas anualmente em um século. “Os valores são superiores a usinas à base de carvão, que emitem, em geral, 1 tonelada de CO2eq por MWh, e também mais altos que usinas de gás natural, responsáveis por 470 quilos”, explica Nathan. Usinas eólicas, que emitem pouca quantidade de gases de efeito estufa, liberam apenas 46 quilos. Veja mais comparações nos gráficos abaixo.


Emissão de gases de efeito estufa por hidrelétricas e termelétricas (linhas 470, 840 e 1.000)
Medidas

Os pesquisadores destacam que barragens com maior área são mais poluentes que  hidrelétricas menores e a fio d’água, ou seja, que utilizam predominantemente a correnteza para gerar energia e assim estocam menos volume líquido. A sugestão dos autores é adotar reservatórios com alta densidade energética – com alto potencial de produzir energia em menor área alagada – para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.


No áudio abaixo, o professor explica sobre a relação entre área alagada e emissão de gases de efeito estufa:


https://www2.ufjf.br/noticias/2016/01/28/hidreletricas-na-amazonia-podem-emitir-mais-gases-de-efeito-estufa-que-usinas-a-carvao-oleo-e-gas/
         (Clicar na imagem para ouvir na informação original)

A pesquisa também sugere melhoria nos procedimentos de limpeza da vegetação da região inundada para reduzir o volume de matéria orgânica, que favorece a liberação de carbono. O estudo critica a tendência de o governo brasileiro investir em grandes reservatórios, mais poluentes, para tê-los como garantia em caso de seca ou alta demanda energética.

“Vale ressaltar que este estudo foca em hidrelétricas na Amazônia. Isso não significa que usinas no Cerrado ou em outras áreas tenham o mesmo comportamento e sejam tão poluentes, porque as características são diferentes, como a abundância de vegetação e de carbono no solo”, destaca Nathan Barros.

Pioneirismo e mudanças

“Considerando o alto número de barragens planejadas na região amazônica e em outros países como a China, é imperativo desenvolver modelos para estimar o equilíbrio de carbono de projetos de grandes hidrelétricas para dar suporte na tomada de decisão antes da construção de barragens”, afirmam os pesquisadores. Atualmente só há metodologias para os cálculos a partir de hidrelétricas existentes, e não para estimar futuras emissões – foco inédito do estudo.


Caso a perspectiva de aumento na emissão de gases de efeito estufa por hidrelétricas seja considerada, ela influenciará a meta de redução de níveis de carbono adotadas pelo Brasil. Já o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) poderá exigir que projetos de hidrelétricas em busca de financiamento informem o potencial de emissão de gases e se o local de construção é em floresta tropical. 

10 mil simulações

Para calcular o quanto as futuras hidrelétricas na Amazônia podem contribuir para o efeito estufa, foram adotadas duas metodologias a partir de dados publicados: uma que subestima o potencial de emissão de gases pelos reservatórios (considera apenas a emissão de gás derivada da decomposição do material orgânico existente na biomassa e no solo antes da inundação) e outra que superestima a capacidade poluidora (leva em conta também o fluxo decorrente da decomposição da matéria orgânica trazida pelos rios e produzida pelas algas). “Ambas as metodologias fornecem uma gama plausível de emissões por esses reservatórios”, afirmam os pesquisadores.

Foram realizadas 10 mil simulações estatísticas para cada reservatório e cada metodologia (superestimação ou subestimação). A quantidade de cenários simulados é explicada pelos múltiplos fatores, como tamanho do reservatório, suas características bioquímicas e limpeza da área a ser inundada, “os quais podem interferir na produção, consumo e emissão de gases de efeito estufa em reservatórios tropicais e também pela alta variabilidade espacial e temporal dos dados analisados”. Assinam também o artigo Felipe de Farias e Paulina Jaramillo da Universidade Carnegie Mellon (EUA), Henrique Sawakuchi da Universidade de São Paulo e Jeffrey Richey da Universidade de Washington (EUA). Foram estudadas as hidrelétricas de Belo Monte, Bem Querer, Cachoeira do Caí, Cachoeira do Caldeirão, Cachoeira dos  Patos, Colider, 

Ferreira Gomes, Jamamxim, Jatobá, Jirau, Marabá, Santo Antônio, Santo Augusto de Baixo, São Luís do Tapajós, 
Sinop, São Manoel, São Simão Alto e Teles Pires.

in UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) - 28 de Janeiro de 2016

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

PNBEPH - ENERGIA: Presidente da Endesa Portugal preocupado com reavaliação do plano de barragens







PNBEPH - ENERGIA
PRESIDENTE DA ENDESA PORTUGAL PREOCUPADO COM A REAVALIAÇÃO DO PLANO DE BARRAGENS


Reavaliação do plano nacional de barragens pode por em causa investimento de 450 milhões de euros.

O programa de Governo está a preocupar a gigante espanhola Endesa.Em causa está o capítulo referente à retoma da aposta nas energias renováveis, e a alínea em que é dito que o Executivo liderado por António Costa vai “reavaliar o plano nacional de Barragens, no que diz respeito às barragens cujas obras não se iniciaram”. A Endesa tem em curso um investimento de 450 milhões de euros precisamente numa barragem no rio Mondego.

O presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, adianta ao Diário Económico que “a Endesa tem em marcha um investimento de 450 milhões de euros na barragem de Girabolhos, no rio Mondego, e está obviamente preocupada com as duas linhas escritas no programa de Governo”.

“Lançar uma referência de que se vai repensar o plano nacional de barragens quando está em curso um investimento de 450 milhões de euros, que é muito dinheiro em qualquer parte do mundo, é, no mínimo, ligeiro”, acusa o mesmo responsável.

Nuno Ribeiro da Silva revela que recebeu de imediato um telefonema vindo de Espanha para “tentarem perceber o que se passa”. “Somos uma multinacional, é preciso perceber o que é que aquelas linhas querem dizer”, explica o gestor, que acrescentou ainda que o programa de Governo “é um documento generalista. o que significa que vai haver uma resolução do Conselho de Ministros a explicitar de forma mais concreta o que será o ‘road map’ e a implementação do programa do Governo”.

Contactado, o Ministério da Economia, liderado por Manuel Caldeira Cabral, não respondeu ao Diário Económico.
Apesar da obra da barragem de Girabolhos ainda não ter arrancado, a Endesa já investiu 80 milhões de euros no projecto. Aos 35 milhões de euros pagos à cabeça ao Estado português no momento da adjudicação, acrescem estudos e expropriações de terrenos.

“Estou expectante. A situação não é, no mínimo, simpática”, confessa o gestor, que realça ainda que, para “um país que precisa de investimento estrangeiro e que tem de transmitir um sentimento de compromisso e de responsabilidade, estas atitudes não são muito compreensíveis”. Até porque, acrescenta: “As pessoas no mundo não se deitam e acordam a pensar em Portugal. Temos que nos diferenciar pela coerência e pela continuidade. Não se podem passar sinais para o exterior que este tipo de temas varia conforme a cor política.”

Nuno Ribeiro da Silva recorda que “este projecto não tem um tostão de apoios do Estado e é o maior investimento realizado naquela região do país [concelhos de Nelas, Seia, Mangualda e Gouveia]”.

O projecto da barragem de Girabolhos teve origem no Plano Nacional de Barragens colocado a concurso pelo Estado português em 2008,durante o Executivo de José Sócrates.
Na altura, a Endesa venceu o concurso relativo a este projecto, oferecendo ao Estado 35 milhões de euros por esta concessão por um período de 65 anos. O aproveitamento hidroeléctrico funcionando em regime de reversibilidade terá uma potência instalada total de aproximadamente 360 megawatts (MW) e será responsável por gerar energia eléctrica suficiente para o abastecimento de 250 mil famílias em Portugal.

Ainda sobre o programa de Governo, Ribeiro da Silva considera que não faz sentido “demonstrar preocupação com os preços de energia e, ao mesmo tempo, aumentar a carga fiscal sobre o sector energético”.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

ALTO TÂMEGA - BARRAGENS: Ambientalistas intensificam luta contra as Barragens do Tâmega







ALTO TÂMEGA - BARRAGENS
Ambientalistas intensificam luta contra as Barragens do Tâmega


Construção das barragens vai penalizar clima, recursos naturais e paisagem”, diz Quercus

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza vai intensificar, este mês, a luta contra a construção de barragens no Rio Tâmega, investimentos que vão provocar um impacto considerável a nível ambiental, submergindo terrenos agrícolas e casas, mas vai também criar emprego.

Ao todo, serão construídas quatro barragens ao longo do rio, três das quais na região do Alto Tâmega, incluindo a Barragem de Gouvães, na zona do Alvão, em Vila Pouca de Aguiar, e a do Tâmega, próximo de Pensalvos e Parada de Monteiros, que afetará os concelhos de Chaves, Ribeira de Pena, Boticas e Vila Pouca de Aguiar. As três barragens (Gouvães, Tâmega e Daivões) foram concessionadas pelo Estado à Iberdrola, sendo que a quarta (Fridão), próxima de Mondim de Basto, fica a cargo da EDP.

João Branco, dirigente da Quercus, falou em exclusivo ao “Notícias de Aguiar”, referindo que estes empreendimentos não só afastarão o investimento no turismo de natureza, como também terão um impacto considerável ao nível da fauna, flora e clima.

Notícia completa na edição nº 61, nas bancas

in Notícias de Aguiar - 10 de Novembro de 2015

PNBEPH - Socialistas e Verdes vão reavaliar plano nacional de barragens

 
PNBEPH - ENERGIA
SOCIALISTAS E VERDES VÃO REAVALIAR O PLANO NACIONAL DE BARRAGENS


Os socialistas e os ecologistas pretendem analisar centrais hídricas no rio Tâmega cuja construção ainda não avançou: Gouvães, Alto Tâmega/Vidago e Daivões, concessionadas à Iberdrola.
 
O partido Os Verdes e o PS acordaram em rever o plano de barragens na próxima legislatura. "Reavaliar o plano nacional de barragens, nomeadamente as barragens cujas obras ainda não iniciaram", pode-se ler no documento que foi firmado pelas duas formações políticas e divulgado esta terça-feira, 10 de Novembro.

Os socialistas e os ecologistas dão o exemplo das três barragens da cascata do Tâmega cuja construção ainda não avançou: Gouvães, Alto Tâmega/Vidago e Daivões. A construção e gestão destes projectos foi atribuída à espanhola
Iberdrola.

Segundo uma análise feita pelo Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) em Abril, estes projectos ainda não arrancaram. "Foi anunciado no fim do ano passado que em 2015 teriam início as obras das três barragens previstas para a bacia do rio Tâmega. Na verdade, visitas ao terreno demonstram que quase nada tem avançado",
declarou a GEOTA na sua análise.No projecto eleitoral do PS, apresentado em Maio, os socialistas comprometiam-se a concluir o Plano Nacional de Barragens lançado em 2007. Passados oito anos do lançamento do PNB, restam agora seis projectos dos 10 iniciais.

Dois dos projectos não conseguiram atrair investidores: Pinhosão no rio Vouga e Almourol no Rio Tejo. Já a barragem de Padroselos - nos rios Beça/Tâmega e a ser construída e explorada pela Iberdrola - foi chumbada em 2010 por questões ambientais. Destas seis barragens, apenas uma vai entrar em operação brevemente:
a de Foz-Tua, projecto que está a ser desenvolvido pela EDP.
 
André Cabrita-Mendes, in Jornal de Negócios - 10 de Novembro de 2015
 
 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

PNBEPH - TÂMEGA: Impasse na decisão da Construção da Barragem de Fridão está a “boicotar” desenvolvimento da região









PNBEPH - TÂMEGA 
IMPASSE NA DECISÃO DA CONSTRUÇÃO DA BARRAGEM DE FRIDÃO ESTÁ A "BOICOTAR" DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO 

A falta de decisão relativamente barragem de Fridão da EDP e do Governo de Portugal levou à tomada de posição conjunta dos municípios de Celorico de Basto, Mondim de Basto, Cabeceiras de Basto, Ribeira de Pena e Amarante que, pela voz dos seus 5 presidentes de Câmara, em conferência de imprensa, demonstraram o cansaço sentido face ao Impasse no Aproveitamento Hidroelétrico da Barragem de Fridão. 

O autarca de Celorico, porta-voz na conferência de imprensa, salientou compreender a demora no desenvolvimento de uma proposta e uma decisão de investimento e aceitar também que possa demorar algum tempo entre o momento de uma decisão e a sua concretização. Não entendem porém “a falta de decisão clara e inequívoca da barragem de Fridão passados 7 anos de uma obra publicamente anunciada. Foram negociados protocolos, por vezes em vários episódios com cada Câmara Municipal sem que nada do que neles consta tenha sortido qualquer efeito, nem tenha havido qualquer contrapartida paga, seja para os municípios que investiram considerando a palavra dada pela EDP, seja para os que, ficando à espera de pagamento, perderam entretanto a oportunidade de realizar alguns dos investimentos, os quais consideravam apoios previstos no Quadro Comunitário de Apoio de 2007-2013”. 

O presidente da Câmara de Mondim, Humberto Cerqueira fez questão de salientar e reforçar o seu desagrado por tomar conhecimento da evolução do processo pela comunicação social. “Estamos abertos ao diálogo para resolver esta situação o mais célere possível. Vamos sabendo da evolução deste processo pela comunicação social, como a suspensão do PDM nos 5 municípios decida em concelho de ministros ou a hipótese de não construção da barragem.” 

Uma situação que prejudica a evolução dos concelhos ao nível do investimento público e privado como reforçou o presidente da Câmara de Amarante, José Gaspar. “Durante estes 7 anos o investimento público ficou congelado. E o investimento privado viu-se proibido de aproveitar os fundos comunitários do quadro comunitário que vigorou nesses 7 anos, um prejuízo imensurável.” 

Os autarcas exigiram em uníssono a resolução desta situação. “Precisamos que esta situação se resolva, não podemos gerir os municípios com este impasse. São os interesses das populações que estão em causa, e iremos lutar para os defender, independentemente da decisão de construir ou não construir. Precisamos é que sejam claros e objetivos numa tomada de decisão rápida, a partir desse momento atuaremos em conformidade pela via que acharmos mais adequada”, sublinhou Joaquim Mota e Silva. 

Ficou ainda claro o pedido de audiência aos altos responsáveis pelo andamento do processo refira-se ao Presidente do Conselho de Administração da EDP, António Mexia, o Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, João Moreira da Silva e, ainda Presidente da Comissão de Coordenação Regional do Norte. De quem “esperamos colaboração em obter o que desejamos, a tudo estando disponíveis, conjuntamente na defesa dos interesses daqueles que nos elegeram para defender os seus direitos e legítimos interesses”, disse. 

A falta de decisão relativamente barragem de Fridão da EDP e do Governo de Portugal levou à tomada de posição conjunta dos municípios de Celorico de Basto, Mondim de Basto, Cabeceiras de Basto, Ribeira de Pena e Amarante que, pela voz dos seus 5 presidentes de Câmara, em conferência de imprensa, demonstraram o cansaço sentido face ao Impasse no Aproveitamento Hidroelétrico da Barragem de Fridão. 

O autarca de Celorico, porta-voz na conferência de imprensa, salientou compreender a demora no desenvolvimento de uma proposta e uma decisão de investimento e aceitar também que possa demorar algum tempo entre o momento de uma decisão e a sua concretização. Não entendem porém “a falta de decisão clara e inequívoca da barragem de Fridão passados 7 anos de uma obra publicamente anunciada. Foram negociados protocolos, por vezes em vários episódios com cada Câmara Municipal sem que nada do que neles consta tenha sortido qualquer efeito, nem tenha havido qualquer contrapartida paga, seja para os municípios que investiram considerando a palavra dada pela EDP, seja para os que, ficando à espera de pagamento, perderam entretanto a oportunidade de realizar alguns dos investimentos, os quais consideravam apoios previstos no Quadro Comunitário de Apoio de 2007-2013”. 

O presidente da Câmara de Mondim, Humberto Cerqueira fez questão de salientar e reforçar o seu desagrado por tomar conhecimento da evolução do processo pela comunicação social. “Estamos abertos ao diálogo para resolver esta situação o mais célere possível. Vamos sabendo da evolução deste processo pela comunicação social, como a suspensão do PDM nos 5 municípios decida em concelho de ministros ou a hipótese de não construção da barragem.” 

Uma situação que prejudica a evolução dos concelhos ao nível do investimento público e privado como reforçou o presidente da Câmara de Amarante, José Gaspar. “Durante estes 7 anos o investimento público ficou congelado. E o investimento privado viu-se proibido de aproveitar os fundos comunitários do quadro comunitário que vigorou nesses 7 anos, um prejuízo imensurável.” 

Os autarcas exigiram em uníssono a resolução desta situação. “Precisamos que esta situação se resolva, não podemos gerir os municípios com este impasse. São os interesses das populações que estão em causa, e iremos lutar para os defender, independentemente da decisão de construir ou não construir. Precisamos é que sejam claros e objetivos numa tomada de decisão rápida, a partir desse momento atuaremos em conformidade pela via que acharmos mais adequada”, sublinhou Joaquim Mota e Silva. 

Ficou ainda claro o pedido de audiência aos altos responsáveis pelo andamento do processo refira-se ao Presidente do Conselho de Administração da EDP, António Mexia, o Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, João Moreira da Silva e, ainda Presidente da Comissão de Coordenação Regional do Norte. De quem “esperamos colaboração em obter o que desejamos, a tudo estando disponíveis, conjuntamente na defesa dos interesses daqueles que nos elegeram para defender os seus direitos e legítimos interesses”, disse.

in Celorico de Basto - 2 de Julho de 2015

quarta-feira, 1 de julho de 2015

TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO: Amarante critica Governo por adiar "sucessivamente" a Barragem de Fridão











TÂMEGA - BARRAGEM DE FRIDÃO
Amarante critica Governo por adiar "sucessivamente" a Barragem de Fridão 

O presidente da Câmara de Amarante, José Luís Gaspar (PSD), disse hoje ser "inadmissível" que o Governo adie "sucessivamente" a decisão sobre a construção da Barragem de Fridão, naquele concelho.

"O Governo e a EDP não podem estar a fazer, ano após ano, o adiamento da situação", criticou o autarca, em declarações à Lusa, após uma conferência de imprensa que juntou os cinco presidentes das câmaras do território abrangido pela albufeira.

A Barragem de Fridão, no rio Tâmega, integra desde 2008 o Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH), num investimento estimado, à data, de 242 milhões de euros.

Em maio, fonte da EDP, avançou à Lusa não estar ainda definido o cronograma da construção, decorrendo contactos com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para definir os termos da concessão.

Queixando-se de falta de informação, os presidentes das câmaras de Amarante, Celorico de Basto, Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto e Ribeira de Pena revelaram hoje que vão solicitar, "com caráter de urgência", reuniões com o ministro do Ambiente e com os presidentes da EDP e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional.

"Estou solidário com o resto dos colegas", assinalou o autarca de Amarante, depois de lembrar ter sido, pessoalmente, no passado, contra a barragem.

Contudo, assinalou hoje o autarca, "agora discute-se o sim ou não à barragem" por parte do atual Governo, que herdou o dossiê do anterior executivo.

José Luís Gaspar alertou que, face ao impasse, o território está a perder oportunidades de investimento.

"Estamos todos a perder a possibilidade de fazer investimento na área do turismo, da construção na zona envolvente à zona de cheia e perdemos um quadro comunitário por inteiro", sinalizou.

O autarca de Amarante, que cumpre o seu primeiro mandato, recordou que, face à entrada de um novo quadro comunitário, impõe-se a definição de uma política de atuação para o território". Contudo, prosseguiu, em função do impacto da infraestrutura, a planificação poderá ser realizada quando se souber se a barragem avança ou não.

A possibilidade de recurso aos tribunais por parte dos municípios caso o Governo não tome rapidamente uma decisão, posição hoje assumida na conferência de imprensa realizada em Celorico de Basto, é apoiada pelo município de Amarante, o maior do território e onde se localiza a freguesia de Fridão.

"Todas as medidas são tomadas por unanimidade", exclamou.

O social-democrata avançou, a propósito, que Amarante já está a fazer o levantamento dos prejuízos da atual situação do impasse, mas também de projetos que podem avançar se for construído o empreendimento hidroelétrico. 
Lusa, in RTP Notícias - 1 de Julho de 2015

PNBEPH - RIO TÂMEGA: Amarante critica Governo por adiar “sucessivamente” a Barragem de Fridão







PNBEPH - RIO TÂMEGA
Amarante critica Governo por adiar “sucessivamente” a Barragem de Fridão

                 

O presidente da Câmara de Amarante, José Luís Gaspar (PSD), disse hoje ser “inadmissível” o que o Governo adie “sucessivamente” a decisão sobre a construção da Barragem de Fridão, naquele concelho.

“O Governo e a EDP não podem estar a fazer, ano após ano, o adiamento da situação", criticou o autarca, em declarações à Lusa, após uma conferência de imprensa que juntou os cinco presidentes das câmaras do território abrangido pela albufeira.

A Barragem de Fridão, no rio Tâmega, integra desde 2008 o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), num investimento estimado, à data, de 242 milhões de euros.

Em maio, fonte da EDP, avançou à Lusa não estar ainda definido o cronograma da construção, decorrendo contactos com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para definir os termos da concessão.

Queixando-se de falta de informação, os presidentes das câmaras de Amarante, Celorico de Basto, Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto e Ribeira de Pena revelaram hoje que vão solicitar, "com carácter de urgência", reuniões com o ministro do Ambiente e com os presidentes da EDP e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional.
"Estou solidário com o resto dos colegas", assinalou o autarca de Amarante, depois de lembrar ter sido, no passado, contra a barragem.

Contudo, assinalou hoje o edil, "agora discute-se o sim ou não à barragem" por parte do atual Governo, que herdou o dossiê do anterior executivo.

José Luís Gaspar alertou que, face ao impasse, o território está a perder oportunidades de investimento. "Estamos todos a perder a possibilidade de fazer investimento na área do turismo, de construção na área envolvente à zona de cheia e perdemos um quadro comunitário por inteiro", sinalizou.

O autarca de Amarante, que cumpre o seu primeiro mandato, recordou que, face à entrada de um novo quadro comunitário, impõe-se a definição de uma política de atuação para o território". 

Contudo, prosseguiu, em função do impacto da infraestrutura, a planificação poderá ser realizada quando se souber se a barragem avança ou não.

A possibilidade de recurso aos tribunais por parte dos municípios caso o Governo não tome rapidamente uma decisão, posição hoje assumida na conferência de imprensa realizada em Celorico de Basto, é apoiada pelo município de Amarante, o maior do território onde se localiza a freguesia de Fridão.

"Todas as medidas são tomadas por unanimidade", exclamou.

O social-democrata avançou, a propósito, que Amarante já está a fazer o levantamento dos prejuízos da atual situação do impasse, mas também de projetos que podem avançar se for construído o empreendimento hidroelétrico.

Armindo Mendes, in Tâmega Sousa - 1 de Julho de 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

EDP - RIO MINHO: EDP devolve terras expropriadas há 40 anos







EDP - RIO MINHO
EDP devolve terras expropriadas há 40 anos

A elétrica está a devolver as terras que deveriam ter sido usadas para a construção de uma barragem há quarenta anos.



Quarenta anos depois de mais de mil pessoas serem obrigadas a abandonar as suas casas e terrenos para a construção de uma barragem que nunca chegou a existir, a EDP está a devolver as terras aos proprietários, muitos deles herdeiros.

Nas margens do rio Minho, em Monção e Melgaço, iria ser construída a barragem de Sela, um projeto partilhado por Portugal e Espanha, algo que nunca passou do papel mas que deixou muitos longe de terrenos de família, conta o Jornal de Notícias.
 
João Assunção nasceu e viveu naquelas terras e viu a família ser expropriada da habitação e de cinco terrenos. “Fomos dos últimos a ceder. Era preciso entregar a chave, demolir o telhado. Foi um desgosto para os meus pais”, lembra com nostalgia.
 
O presidente da Associação dos Expropriados do Aproveitamento Hidroelétrico da Barragem de Sela, João Silvério, ainda se lembra de terem dado 30 contos (150 euros) para que os pais deixassem as suas terras.

Depois de muitos anos a lutarem, os expropriados e a autarquia conseguiram chegar a acordo com a EDP que está a estudar a devolução definitiva das terras mas que já permitiu que as famílias usufruam dos campos agrícolas.

 in Notícias ao Minuto - 15 de Junho de 2015
 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Eléctricas submetem Municípios: O absurdo das barragens no Tâmega - José Emanuel Queirós

Eléctricas submetem Municípios
O absurdo das barragens no Tâmega


O problema das barragens no Tâmega vem trazer, literalmente, a morte do rio como rio e de todo o ecossistema ribeirinho. Incide sobre todo o Tâmega - rio e região - com consequências que são comuns em toda a extensão do seu leito, reflectindo especificidades agravadas no território, consoante a maior proximidade ao rio e à sua foz.

Decepar um rio numa sucessão de represas, retendo toda a água e colocando-o a andar para trás, é limitar o seu amplo potencial ao uso exclusivo da força motriz subordinando-o à consequente alteração química sem considerar o seu valor natural de uso depurador cíclico e renovador para a natureza e para o homem.


O rio Tâmega, nestas condições - a água, as barragens e as albufeiras - fica sob gestão das empresas eléctricas (espanhola Iberdrola e chinesa EDP) absolutamente impraticáveis e interditas a qualquer uso de recreio e lazer.


Na linha dos mesmos interesses privados, não demorarão a introduzir espécimes exóticos predadores que dissuadam qualquer uso humano e façam desaparecer as espécies ictiológicas endógenas que justificam a pesca e o lazer activo.


A possibilidade da reabilitação das tradicionais "indústrias" da moagem do pão e do linho, jamais constituirão recurso patrimonial e tecnológico industrial, bem como as melhores terras de aluvião ficarão mergulhadas no fundo do poço. Praias, ao longo do eixo fluvial do Tâmega, nunca mais em Verão algum!... Bem a exemplo do que sucede a jusante de Amarante na albufeira do Torrão - barragem que nem electricidade produz!...


Amarante, pois, com os alicerces metidos no leito permanente do rio, padecerá agravadamente toda esta enormidade, sem areais e sem renovação de depósitos aluvionares, artificializada a escorrência em descargas intermitentes, ficando à mercê de algum evento inesperado que possa ocorrer nalguma das 4 barragens a montante.


Completo absurdo aquilo em que as câmaras municipais andam embrulhadas... no saco das contrapartidas em que preferiram meter as populações.


José Emanuel Queirós - 6 de Maio de 2015
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega

Ler: Governo suspende cinco PDM por causa da barragem de Fridão

José Morais Clemente Teixeira: No Regresso ao Pó das Estrelas - José Emanuel Queirós

José Morais Clemente Teixeira (13/05/1945 - 05/05/2015)
No Regresso ao Pó das Estrelas
A chegada ao mundo ocorre desejada como o sol despontando pela manhã atrás das encumeadas do Marão, a dissipar a noite e a novena estendida no chão de orvalho. 

Das incertezas do dia faz-se o tempo comum do permanecer, num trânsito breve e esvoaçante que devolve às alturas a depuração das formas e dos modos semeados, em partilha. 

Florescem memórias cruzadas no sonho e na saudade da comunhão, dissimuladas como se não houvera bem maior além dos territórios da posse e da conquista. Nos silêncios reservam-se instâncias finas e translúcidas indecifráveis, códigos de aproximação ao magma e ao éter onde se desenha o voo suave das gaivotas ao entardecer.

Quando as portas do mundo se encerram para um amigo quebram-se os cristais e as porcelanas ressonantes nas fibras descidas da alma à terra. Em piras e archotes de fogos voláteis se evolam vidas fraternas levadas por instantes eternos como se o próprio mundo não passasse de uma última fasquia ou uma derradeira ilusão colectiva de perdas e danos a superar sem entender as causas e os porquês.

Um amigo que parte é uma parte de nós que se perde arrancada ao parco elenco daqueles que nos são íntimos e sempre fazem por nos preservar.

Não sei por que assim é, mas sei que é assim para José Clemente (13/05/1945 - 05/05/2015), amigo que deixa amigos por todas as causas que se cruzaram em sua vida, sem lhe deixar tempo a comemorar o septuagésimo aniversário. 


Sempre disponível para todas as lutas pacíficas em se que revela a grandeza dos homens simples, capaz para os trabalhos mais ousados nas dificuldades, leva consigo a coroação terrena espelhada em Amarante na organização do empresariado comercial e industrial e nos eventos de Verão, no incremento e consolidação do futebol amador, da comunicação social à causa pública autárquica, no envolvimento pela valorização do Hospital, no atendimento aos mais desfavorecidos e aos idosos, contra a extinção da Linha do Tâmega, com os olhos, o pensamento e a acção colocados no rio Tâmega em frontal oposição à barbaridade política das barragens, como a que um alargado grupo de cidadãos empreendeu no Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (MCDT).

Da sua entrega colhemos o seu exemplo vivificante e sem temor, de uma entrega invulgar na comunidade, num elogio permanente e sincero à vida que agora retoma uma outra dimensão da existência onde todos tivemos origem com o pó das estrelas.


José Emanuel Queirós - 6 de Maio de 2015
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega

terça-feira, 3 de março de 2015

ALTO TÂMEGA - IBERDROLA: Barragens: Protocolo vai assegurar contratação de mão de obra local







ALTO TÂMEGA - IBERDROLA
Barragens: Protocolo vai assegurar contratação de mão de obra local


A Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar vai celebrar, na próxima sexta-feira, dia 6 de março, um protocolo com a empresa Iberdrola, responsável pela construção das barragens do Alto Tâmega, para a “promoção da contratação local” no empreendimento que envolve um investimento de 1,2 mil milhões de euros e implica a criação de 13500 postos de trabalho.

O protocolo, que dará primazia à mão de obra da será assinado por todos os municípios envolvidos na obra, designadamente Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena, Chaves, Boticas, Cabeceiras de Basto.

Alberto Machado, autarca que inclusive é responsável pela seção de barragens da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), referiu que “num ciclo económico negativo, o que se espera da construção das três barragens é as mais-valias possam ser cá deixadas”. “Vamos ser muito exigentes nesta matéria. Temos que garantir que as comunidades são ajudadas e compensadas nas perdas que vão ter com as barragens. É muito importante que haja retorno para a comunidade”, referiu.

No âmbito deste protocolo, a Iberdrola comprometer-se-á a “privilegiar e promover, seja diretamente por si seja através das entidades por si contratadas, a contratação de empresas locais e de mão-de-obra sedeada no município de Vila Pouca de Aguiar, no âmbito dos trabalhos de construção”.

(…)

Artigo completo na edição nº 26, nas bancas

in Notícias de Aguiar - 3 de Março de 2015

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

ENTREVISTA - JOSÉ EMANUEL QUEIRÓS: SOBRE O PROCESSO DA CONSTRUÇÃO DA BARRAGEM DE FRIDÃO

 ENTREVISTA - JOSÉ EMANUEL QUEIRÓS 

SOBRE O PROCESSO DA CONSTRUÇÃO DA BARRAGEM DE FRIDÃO



Delfim Carvalho (NFM - ex Rádio Clube de Amarante), 8 de Janeiro de 2015.