quinta-feira, 25 de março de 2010

RIO TÂMEGA - Amarante: A Água no Tâmega a reflectir usos insustentáveis

RIO TÂMEGA - Amarante 
A Água no Tâmega a reflectir usos insustentáveis

Desde há 18 anos (1992-2010) o dia 22 de Março foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) Dia Mundial da Água. 

Sendo abundante no planeta, mas cada vez mais escassa nas suas propriedades naturais em virtude da poluição que sobre ela é vertida, a Água reflecte hoje o desenvolvimento das sociedades humanas e a qualidade do ambiente reservado ao Homem.


Este ano o Dia Mundial da Água é dedicado ao tema “Água Limpa para Um Mundo Saudável”. A necessidade da conservação da Água potável associada à enorme carência de saneamento básico adequado à sua preservação e ao seu uso sustentável justificam a campanha da ONU tendo em vista alargar e aumentar a consciencialização do problema como forma de partir para a sua solução. 


A saúde do planeta depende de nós, de cada um e da sociedade, e todos nós dependemos do estado de saúde dos recursos naturais, solo, ar e água, sendo os países pobres os que mais reflectem escassez e falta de qualidade dos recursos hídricos. 


Um exemplo em como é importante aproveitar este dia mundial para reflectir localmente o que há a corrigir na nossa sociedade, no âmbito da relação estabelecida com a Água, está patente no vídeo sobre o rio Tâmega, às portas da cidade de Amarante, feito no Verão passado (2009), tal como pode ser visto a seguir.




in EB1 - JI Torreira (Fregim-Amarante) - 25 de Março de 2010

ALTO TÂMEGA - BARRAGENS: Estudo de impacto ambiental "inundado" de críticas





ALTO TÂMEGA - BARRAGENS
Estudo de impacto ambiental "inundado" de críticas 

"Documento considerado como pouco fiável e demasiado pobre", foram as críticas mais ouvidas ao Estudo de Impacto Ambiental, EIA, referente à construção dos quatro empreendimentos hidroeléctricos do Alto Tâmega.

Na sessão que juntou no Auditório do IPJ em Vila Real, a Agência Portuguesa do Ambiente, APA, Iberdrola, autarcas, associações e população, ficaram muitas dúvidas no ar quanto ao efeito das várias barragens.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, Domingos Dias, não gostou do que ouviu e viu sobre o EIA. O autarca que é também o responsável máximo em exercício dos Empreendimentos Hidroeléctricos do Alto Tâmega e Barroso, EHTB, sugeriu mesmo a substituição do documento apresentado. "É evidente que o estudo apresentado é demasiado pobre para que se possam executar os empreendimentos com tantos impactos no Alto Tâmega. Neste momento, a melhor solução passava pela retirada deste estudo e apresentar um outro mais credível, suspendendo mesmo a execução destes projectos, tal como nos foram apresentados".

Domingos Dias adiantou ainda que a EHTB fica na expectativa. "Sustentando que o estudo não avalia correctamente a implicação da alteração dos solos e a criação de lençóis de água que poderão afectar os ventos e isso poderá ter alterações ao nível da energia eólica, que é uma das fontes de rendimento da empresa".

"No Estudo de Impacto Ambiental não foi avaliado correctamente se a Barragem de Padroselos é ou não executada. Se for executada, o nosso empreendimento de Bragadas, que é o melhor que temos, fica completamente destruído, mas, se não for executado, a barragem de Daivões vai afectar o local de produção da barragem de Bragadas".

Amílcar Salgado, membro do núcleo do Alto Tâmega do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega e Pedro Couteiro, da COAGRETE, e alguns docentes da UTAD, ligados à área ambiental e biológica, foram alguns dos intervenientes que defenderam outro EIA, alertando para as consequências que o empreendimento poderá ter na componente ambiental e socioeconómica, nomeadamente na vitivinicultura.

Por sua vez, Paulo Ferreira, representante da Procesl, empresa que levou a cabo o EIA, admitiu que "o estudo tem lacunas", mas sublinhou que "foi feito um trabalho sério, onde cerca de 40 pessoas andaram no terreno". No entanto, garantiu que as dúvidas deixadas poderão ser desenvolvidas na fase do Relatório de Conformidade Ambiental.

Confrontado com as críticas, o Administrador em Portugal da Iberdrola, Pina Moura, mostrou-se irredutível quanto à alteração do projecto. "As opiniões adversas não me fazem nem diminuir a determinação, nem catalogar quem quer que seja. Isto está fora de questão. O que nos trouxe aqui foi o cumprimento da nossa primeira obrigação de ouvir as reacções de um conjunto de personalidades que aqui estiveram, autarcas, universitários e cidadãos interessados na sorte dos seus concelhos e das suas localidades. Ouvimos com todo o respeito, tomamos nota e vamos reflectir. Agora isto não significa um menor empenhamento nas responsabilidades que já assumimos. A Iberdrola investiu, por condições fixadas pelo próprio concurso, 300 milhões de euros para cumprir um caderno de encargos que nos foi fixado pelo Governo português".

A "cascata" do Alto Tâmega foi adjudicada à empresa espanhola Iberdrola e prevê a construção de quatro barragens. Alto Tâmega (Vidago) e Daivões - ambas no rio Tâmega, e em Gouvães e Padroselos (afluentes). O EIA está em consulta pública até 14 de Abril.

José Manuel Cardoso (A Voz de Trás-os-Montes), in Expresso - 25 de Março de 2010

Rio Tâmega (Fridão) - Barragem é 'roleta russa' de Amarante: Ruptura na barragem destrói Amarante em 13 minutos




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P.C. / J.S., in Repórter do Marão, N.º 1233, Ano 26 (pp. 1 e 4) - 10 a 24 de Março de 2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

PNBEPH - Rio Tâmega: Para lá e cá do Marão, sabem os que por ali estão

PNBEPH - Rio Tâmega
Para lá e cá do Marão, sabem os que por ali estão.



Fomentar o crescimento de uma região à custa do sacrifício das gentes de outra, só tem um nome: colonialismo. E é de colonialismo do Interior português que fala, quando eminentes administradores, como o Pina Moura, vem pelo próprio pé, abanar com falsas promessas do "bom" a uma região deprimida, a troco da sua riqueza.

Mas eis que ex-ministro da economia, prontamente colocado ao serviço da Iberdrola, engoliu em seco, num debate em Vila Real, perante um parecer técnico, elaborado por 15 investigadores da UTAD, que arrasa por completo o Estudo de Impacte Ambiental. Pelas palavras, pelos actos e, sobretudo, pelas omissões. O megaprojecto não é sustentável do ponto de vista ambiental, ignora quaisquer impactos económicos negativos sobretudo quando retira hectares de cultivo a populações inteiras que tão pouco poderão fazer uso dos recursos hídricos.

Mas para Pina Moura, pleno bondade, está fora de questão refazer o EIA. E dali, quanto muito, terá levado umas notas para reflexão em casa, uma vez descartada (na sua cabeça) a suspensão da empreitada.

Ora essa, e logo depois de Sócrates gastar albufeiras de saliva na coisa, com a historinha do potencial hídrico subaproveitado. É bem visto que este keinesianismo de clientela, tem apenas o propósito maior de fazer render o peixe às construtoras e cimenteiras, tão sedentas de lucro, à custa da cartelização do mercado da energia. Para estes o lucro, para o estado os encargos com as compensações. A factura, está visto, há-de ser paga pelo consumidor de electricidade e pelo contribuinte. Ambos a mesma pessoa.

(na imagem, retirada daqui, a paisagem lunar que fundeia a esvaziada barragem da Caniçada, no Gerês)


Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 24 de Março de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto)

Rio Tâmega - Barragens de Fridão (Amarante): Por causas ou por "coisas"?

Rio Tâmega - Barragens de Fridão (Amarante)
Por causas ou por "coisas"?

Decorrido o período de discussão pública do Estudo de Impacte Ambiental das Barragens de Fridão, e enquanto aguardamos o veredicto dos "esclarecidos" decisores, por Amarante parece que ainda há muita gente que não tem opção clara sobre o que verdadeiramente quer!

Já não acredito que lhes falte informação, sobre as reais dimensões da tragédia que se irá abater sobre Amarante!!!

E dou comigo a repetir aquele ditado popular que reza:
- "O maior cego não é o que não vê, é o que não quer ver".

E o que os levará a não querer ver?

Que forças ocultas;
que interesses inconfessáveis;
Que medos;
que conivências... justificam tal cegueira?

Já é tempo de estarmos esclarecidos e fazermos opções!
Já não é desculpável a existência de partidários do "Nim"

É a nossa terra e o futuro dos nossos descendentes que está em jogo!

Cabe-nos o direito de lutar contra a construção das barragens...
Cabe-nos o direito à indignação para com o destino que nos querem traçar...
Cabe-nos o direito à revolta
Cabe-nos o direito a criticar os que "de cócoras" aceitam o que os outros decidem...
Cabe-nos o direito a erguer a voz e GRITAR:

- Parem, não façam mais mal à nossa terra!

Se não são capazes de nos propocionar um futuro e desenvolvimento assentes nas riquezas que possuimos, também não lhes cabe o direito de as desbaratar ou hipotecar!

Se os amarantinos não assumem a luta contra as barragens de Fridão como uma causa comum, então não há causas que justifiquem, nunca mais,a sua unidade!

É tempo de sermos todos amarantinos e dignos herdeiros do património que nos legaram!


António Aires, in Força Fridão - 24 de Março de 2010

Barragens no Alto Tâmega: Autarcas e ambientalistas querem estudo ambiental mais credível





Barragens no Alto Tâmega
Autarcas e ambientalistas querem estudo ambiental mais credível


in Repórter do Marão, N.º 1234, Ano 26 (p. 10) - 24 de Março a 7 Abril de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

País: Construção de mais Barragens pode danificar 70% da costa portuguesa






País
Construção de mais Barragens pode danificar 70% da costa portuguesa


É um alerta lançado pelos especialistas. 

A construção de mais barragens pode aumentar os efeitos do avanço do mar na costa portuguesa. 

Quase 70 por cento da costa está em risco de perder terreno e os especialistas apontam para a necessidade de medir bem o impacto da construção de mais barragens. 

Dentro de uns anos, pessoas e bens podem ser colocados em risco. 

O alerta foi deixado hoje numa Conferência na Culturgest, em Lisboa, onde esteve a jornalista Arlinda Brandão.


Arlinda Brandão, in Antena 1 - 23 de Março de 2010

Vila Real - Rio Tâmega: Debate sobre a construção das barragens do Alto Tâmega






Vila Real - Rio Tâmega
Debate sobre a construção das barragens do Alto Tâmega

Autarcas, ambientalistas e representantes de movimentos cívicos defenderam a substituição do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) das Barragens do Alto Tâmega, em consulta pública até 14 de Abril, por outro mais «sério e credível».

A obra do Alto Tâmega, adjudicada à espanhola Iberdrola, visa a construção de quatro barragens: as de Alto Tâmega (Vidago), Daivões - ambas no rio Tâmega - Gouvães e Padroselos (afluentes).

No âmbito do EIA, em consulta pública até 14 de Abril, a Agência Portuguesa do Ambiente promoveu uma reunião que contou com a presença de responsáveis da Iberdrola, de representantes da empresa responsável pelo estudo, a Procesl, e ainda de autarcas, movimentos cívicos, ambientalistas, universitários e agricultores.

Domingos Dias, presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, o concelho mais afectado pela construção das barragens, defendeu que o EIA deve ser substituído, uma vez que «este EIA é demasiado pobre para poder levar a que empreendimentos com tão grandes impactos no Alto Tâmega sejam executados».

Como impacto mais significativo, Domingos Dias realçou a deterioração da qualidade da água, sendo que o estudo não refere se esta vai ficar inutilizada para consumo humano, animal ou para regadio.

O autarca apontou ainda falhas sobre as consequências que as albufeiras poderão ter nos ventos, afectando os parques eólicos da Empreendimentos Hidroeléctricos do Alto Tâmega e Barroso, principal fonte de rendimento da empresa que junta os seis municípios deste território.

Perante as críticas, Paulo Ferreira, representante da Procesl, reconheceu que o estudo tem lacunas, mas frisou que muitas das questões ambientais apontadas serão desenvolvidas na fase do Relatório de Conformidade Ambiental.

Pina Moura, presidente da Iberdrola Portugal, afirmou que a retirada do EIA está «fora de questão», explicou que a reunião serviu para ouvir as «reacções, tomar nota e refletir» e defendeu o projecto, que considerou ser «bom» para as populações daquela que é uma das regiões mais deprimidas do país.


in Indústria e Ambiente - 23 de Março de 2010

ÁFRICA - Meio milhão de pessoas poderia ser afectado: Activistas lançam campanha contra gigantesca barragem na Etiópia







ÁFRICA - Meio milhão de pessoas poderia ser afectado
Activistas lançam campanha contra gigantesca barragem na Etiópia


A polémica barragem situa-se no rio Omo, que desce do planalto central da Etiópia (DR)

Um grupo de activistas internacionais lançou hoje uma campanha online para que a Etiópia não prossiga a construção da enorme barragem de Gibe III, iniciada em 2006.

O grupo pretende exercer pressão sobre os dadores e os bancos ocidentais para que não financiem aquele projecto, que no seu entender colocaria em risco a vida de meio milhão de pessoas.

A polémica barragem situa-se no rio Omo, que desce do planalto central da Etiópia, atravessa o Sudoeste do país e vai desaguar no Lago Turkana, já no Quénia.

O Omo é uma autêntica linha vital para centenas de milhares de camponeses, pastores e pescadores, que dependem das suas águas e aluviões para aguentar o estilo de vida que há muito têm.

O Governo de Addis-Abeba afirma que a barragem de Gibe III é necessária para gerar electricidade suficiente para os seus 80 milhões de habitantes; e ainda para vender ao estrangeiro.
Mas a organização International Rivers, da Califórnia, que se dedica a proteger os rios e os direitos das comunidades que deles dependem, diz que a Etiópia ainda precisa de 1.400 milhões de dólares (1.035 milhões de euros) para acabar a obra.

As grandes barragens africanas têm sido construídas à custa das comunidades rurais, afirma aquela instituição, parte do grupo de activistas que entende que estas gigantescas obras têm causado consideráveis estragos sociais e ambientais. Gibe III, se vier a concretizar-se, irá inundar uma vasta superfície, criar um lago de 150 quilómetros de comprimento (uma vez e meia a albufeira do Alqueva) e impedir as populações de semear os campos em redor, como desde há séculos o têm feito.

A barragem vai devastar os ecosistemas e a cultura do Vale do Baixo Omo e do Lago Turka, ambos reconhecidos pela UNESCO como património mundial, sendo que o Turkana é o maior lago mundial que existe no meio de uma região desértica.

“Esta obra viola a Constituição da Etiópia, as convenções internacionais, a política ambiental das instituições financeiras internacionais e as prioridades estratégicas da Comissão Mundial das Barragens”, disseram as ONGs que hoje se pronunciaram sobre o tema.

A maior parte das pessoas afectadas sabe muito pouco do projecto. O Governo costuma reprimir todos os que não pensam como ele e por isso os habitantes da bacia do rio Omo não têm qualquer hipótese, mesmo que se sintam lesados, de manifestar as suas opiniões.

É por isso que entidades como a International Rivers, a Campanha para a Reforma do Banco Mundial, os Amigos do Lago Turkana e a Survival International estão a pedir à comunidade internacional que tome posição quanto a este assunto.

Outro projecto contra o qual muitas vozes já se ergueram é o de Grand Inga, que seria a maior central hidroeléctrica do mundo, projectada para o rio Zaire, na República Democrática do Congo (RDC), um dos países africanos politicamente mais instáveis e minados pela corrupção.

Grand Inga teria o dobro da envergadura daquela que é actualmente a maior barragem mundial, a das Três Gargantas, concluída em 2006 no rio Yangtzé, na China. E ficaria a 40 quilómetros de Matadi, o principal porto marítimo da RDC, frente à vila angolana de Nóqui.


Jorge Heitor, in Público - 23 de Março de 2010

ALTO TÂMEGA: Contestação a barragens aumenta de tom





ALTO TÂMEGA
Contestação a barragens aumenta de tom


E.P., in Jornal de Notícias, N.º ..., ANO 122 (p. 22) - 23 de Março de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

Crise da água - Conflito do futuro: guerras de água





Crise da água
Conflito do futuro: guerras de água



Elizabeth Braw, in Metro (Grande Porto), N.º 1178, ano 6.º (p. 6) - 22 de Março de 2010

PNBEPH - Rio Tâmega: Autarcas e ambientalistas querem estudo mais sério e credível sobre impacto ambiental da Barragem do Alto Tâmega







PNBEPH - Rio Tâmega
Autarcas e ambientalistas querem estudo mais sério e credível sobre impacto ambiental da Barragem do Alto Tâmega

Autarcas, ambientalistas e representantes de movimentos cívicos defenderam hoje, em Vila Real, a substituição do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) das Barragens do Alto Tâmega, em consulta pública até 14 de Abril, por outro mais “sério e credível”.

A “cascata” do Alto Tâmega, adjudicada à espanhola Iberdrola, visa a construção de quatro barragens: as de Alto Tâmega (Vidago), Daivões – ambas no rio Tâmega -, Gouvães e Padroselos (afluentes).

No âmbito do EIA, em consulta pública até 14 de abril, a Agência Portuguesa do Ambiente promoveu hoje uma reunião que contou com a presença de responsáveis da Iberdrola, de representantes da empresa responsável pelo estudo, a Procesl, e ainda de autarcas, movimentos cívicos, ambientalistas, universitários ou agricultores.

Domingos Dias, presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, o concelho mais afectado pela construção das barragens, defendeu que o EIA deve ser “retirado e substituído por outro”.

“Este EIA é demasiado pobre para poder levar a que empreendimentos com tão grandes impactos no Alto Tâmega sejam executados”, afirmou o autarca.

Como impacto mais significativo, Domingos Dias realçou a deterioração da qualidade da água, sendo que o estudo não refere se esta vai ficar inutilizada para consumo humano, animal ou para regadio.

O autarca apontou ainda falhas sobre as consequências que as albufeiras poderão ter nos ventos, afectando os parques eólicos da Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso, principal fonte de rendimento da empresa que junta os seis municípios deste território.

Também Pedro Couteiro, da Coordenadora de Afectados pelas Grandes Barragens e Transvases (COAGRET), defendeu que deve ser submetido a consulta pública um estudo “sério e decente”, salientando que estes empreendimentos não vão trazer nenhum benefício para as populações.

O economista Amílcar Salgado chamou a atenção para os “custos sombra” que não estão contabilizados no EIA, como o aumento dos tratamentos nas vinhas devido ao aumento da humidade e dos custos com o aquecimento das casas e frisou que os 3500 postos de trabalho criados pela construção destes aproveitamentos hidroelétricos são “temporários”.

Perante as críticas, Paulo Ferreira, representante da Procesl, reconheceu que o estudo tem lacunas, mas frisou que muitas das questões ambientais apontadas serão desenvolvidas na fase do Relatório de Conformidade Ambiental.

Pina Moura, presidente da Iberdrola Portugal, afirmou que a retirada do EIA está “fora de questão”, explicou que a reunião serviu para ouvir as “reacções, tomar nota e reflectir” e defendeu o projecto, que considerou ser “bom” para as populações daquela que é uma das regiões mais deprimidas do país.

Em relação à população de bivalves, espécie rara e protegida que foi encontrada no rio Beça, para onde está prevista a Barragem de Padroselos, Pina Moura recusou antecipar cenários.

Na sequência da descoberta, o EIA revela um “possível cenário alternativo do projecto”, que passa pela exclusão desta barragem aumentando a potência prevista para Gouvães.

“Esperamos que as regras fixadas pelo concurso se cumpram com rigor por parte de todos os intervenientes neste processo. Esperamos contribuições críticas mas num quadro de concretização do projecto”, sublinhou.

Lusa, in Construir - 22 de Março de 2010

Amarante - Rio Tâmega: Dia Mundial da Água

Amarante - Rio Tâmega
Dia Mundial da Água


Dia Mundial da Água - Tâmega - S. Gonçalo
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Comemora-se hoje (22/03) [Dia Mundial da Água] e aproveito a ocasião para partilhar mais uma fotografia, tirada no passado dia 13 de Março, em plena manifestação pela defesa de um Tâmega livre de barragens.

A fotografia não sofreu qualquer manipulação e o Tâmega apresentou-se, perante a minha lente, como nunca o vira antes, de um luto cerrado e absolutamente carregado.


Aqui deixo, mais uma vez, o meu rio, um mártir da ganância dos homens e da delapidação dos recursos que são de toda a Humanidade, em filme realizado em Setembro de 2009.


Estou convicta que pagaremos bem caro este desprezo e falta de respeito pela Natureza.


Estou até convicta que já começamos a pagar.




Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 22 de Março de 2010

domingo, 21 de março de 2010

Rio Tâmega: Não, poeta! O teu lugar é aqui na rua!

RIO TÂMEGA
Não, poeta! O teu lugar é aqui na rua!

O Tâmega foi musa inspiradora de muitos poetas.

Sereno e transparente no Verão, irado e sombrio d'Inverno, nunca passou indiferente aos que o olhavam e sentiam …!

Alguém cantará o betão das barragens?


Ou o “bucolismo” das albufeiras?



“Sem esta terra funda e fundo rio,
Que ergue as asas e sobe, em claro voo,
Sem estes ermos montes e arvoredos,
Eu não era o que sou.”



(…)

“Cantai-me as vossas cantigas
Junto ao rio a murmurar.
Mas, cuidado raparigas
Deixai-o também cantar”

Teixeira de Pascoaes


Ó Tâmega meu irmão, rio de agruras
Estrada a serpear entre salgueiros

(…)

Nunes Ferreira


Se o Tejo é o maior;
E o Douro o mais profundo
O Tâmega, sem favor
É o mais belo do mundo.

Mestre Zé Maravilha


És tu, rio verde
E doce e amigo
Que banhas as margens
Do meu sonho antigo

És tu que me dás

A fonte cantante
Dos versos que dou

António Brochado Rodrigues


Rio
No silêncio de pedra corre o vale
E só lhe quebra ao fundo a solidão
A voz de água do rio, levando os seixos
Como quem leva sonhos pela mão.

Ilídio Sardoeira




“… Agora vai o viajante entrando e Amarante, cidade que parece italiana ou espanhola, a ponte e as casas que na margem esquerda do Tâmega se debruçam…”

José Saramago


“Primeiro era o Rio que descia do nordeste serpenteando por ermos e vales desde as montanhas da Galícia, esculpindo enseadas e canelhos nas suas Ínsuas, autênticos paraísos escondidos em frondosos e verdejantes arvoredos”

Costa Neves



“Lanço meus olhos ao rio
Que vai correndo a cantar…”

Fernando Marques de Queirós



“… pelas fontes submersas, ignoradas,
Por estas águas queixosas, ressentidas, do Tâmega,
Viajeiras da Galiza e da neblina…”

Manuel Amaral




“… Neles deslizam furtivas carícias do Tâmega sobre seu leito…”
António Roberval Miketen


(…)
Ó rio Tâmega,
Deste amieiro enobrecido
Faremos barcas de amor
Para navegar nas tuas águas.
Xosé Lois Garcia


Canta, poeta! É chegada a tua hora!
Abandona a tua torre dourada,
Anda sentir o povo que chora.

Não faças mais versos à lua…

Não, poeta! O teu lugar é aqui na rua!

José Pinheiro Fonseca
Na rua e na luta!
Não à Barragem de Fridão.

António Aires, in Força Fridão - 21 de Março de 2010

IBERDROLA - EIA da «cascata do Tâmega»: Avaliação da UTAD arrasa "estudo" de Impacte Ambiental da PROCESL

IBERDROLA - EIA da «cascata do Tâmega»
Avaliação da UTAD arrasa "estudo" de Impacte Ambiental da PROCESL


(Clicar na imagem para abrir o documento)

Os sinais de displicência e sofisma que alguns eleitos nas autarquias, na Assembleia da República e no Governo dão do modo como publicamente reflectem a problemática das barragens em Portugal - sem atenderem ao prometido serviço que os conduziu a sufrágio, ignorando os termos da Lei e o seu edifício, suplantando a observância dos princípios ambientais em que o arquétipo de desenvolvimento sustentável assenta, desqualificando valores e recursos intemporais de todos, que passaram a ser negócio para alguém - dão de si provas cavais de uma vulgaridade indigna - e talvez não só! - elevada a lugares de eleição e decisão, seriamente comprometedora do papel que ao Estado compete.

As preocupações emergentes na região Tâmega (do Alto ao Baixo Tâmega passando por Terras de Basto), nomeadamente nas populações que residem nas proximidades do rio e seus afluentes, com a mercantilização do seu mais rico e fecundo património natural - água, rios, paisagem, solos agrícolas, floresta, segurança e Natureza - às eléctricas EDP e IBERDROLA, começam finalmente a estar na ordem do dia e a fazer curso nos principais órgãos representativos locais e regionais.

As ameaças do último garimpo no Tâmega pairam no vale em maior profusão que todas as rapinas conhecidas, retirando as populações ao seu sossego e ao esquecimento a que a democracia e a república as votou.

Na sub-bacia duriense do Tâmega, uma década depois de entrados no século XXI, há já afectados pelas decisões cegas dos Governantes e pela arrogância e indisfarçável desfaçatez com que nos corredores do Poder, centrado em Lisboa, prepararam o cozinhado do demoníaco Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH).

Com a alienação do património natural do Tâmega promovida pelo Instituto da Água /Ministério do Ambiente, a versão local e regional dos milhões encaixados pelo Governo com um negócio impossível para esconder o défice nas contas do Estado, reverte-se na espoliação de patrimónios únicos, da Terra e do Homem, escassos e não renováveis; na abominável entrega à força de terras e habitações; na retirada compulsiva das pessoas das terras e suas residências; no espectro dos bulldozers e do betão a reter o rio e a afogar todo o ecossistema pela desmesurada e contranatural «cascata» de águas mortas; na violência para os autóctones de se verem despojados de toda uma vida construída em comunhão fidelíssima com o seu torrão natal.

Não há negócio algum que possa ser bom para o Estado com tamanhas repercussões nefastas para o património de todos, para os ecossistemas e para as populações que dão vida ao Tâmega - de Vidago a Amarante - neste remoto e encravado endereço português.

Perante quanto nas freguesias e nos concelhos ribeirinhos do Tâmega passou a estar em equação, há consciências que não soçobraram com a afronta dos valores do negócio nem temem a subalternidade de tratamento a que são remetidos no vale os cidadãos, relegados à condição de indígenas «tamecanos».

Um programa nacional (PNBEPH) que toma alicerce no erro da análise, na falácia do "estudo", na sonegação de informação privilegiada, na conveniência do não-esclarecimento aos afectados e na mentira generalizada aos portugueses, neste Estado de Direito, num país europeu que se quer livre e desenvolvido não pode vingar sobre os reflexos da violência psico-sociológica, do agravamento da situação sócio-económica, que tende a colocar nas populações mais desprotegidas pelo seu potencial de destruição social, ambiental e patrimonial.

Acabada de ser produzida (16/03) pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - UTAD, para a Associação de Municípios do Alto Tâmega (AMAT), chega ao nosso conhecimento a avaliação (Parecer Técnico - versão provisória) efectuada sobre o «ESTUDO DE IMPACTE AMBIENTAL DOS APROVEITAMENTOS HIDROELÉCTRICOS DE GOUVÃES, PADROSELOS, ALTO TÂMEGA E DAIVÕES».

Elaborado por uma equipa de quatorze (14) investigadores universitários, em quatro domínios científicos (Alterações Climáticas; Biodiversidade e Valores Ecológicos; Recursos Naturais e Factores Hidrológicos; Desenvolvimento Humano e Competitividade), o estudo da UTAD vem arrasar mais uma peça desta grande patranha nacional jogada com o PNBEPH, e não podia ser mais eloquente na denúncia da falta de seriedade, rigor técnico, e valor científico do "estudo" colocado em consulta pública pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA):

«O EIA dos aproveitamentos hidroeléctricos de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões revela inúmeras fragilidades e insuficiências, quer do ponto de vista metodológico, quer do ponto de vista da qualidade da informação utilizada e da consistência e profundidade da avaliação realizada. Essas fragilidades e limitações, referidas nas páginas anteriores, condicionam e influenciam os resultados obtidos pelo que os erros, omissões e insuficiências deverão ser corrigidos e colmatados.» (p. 46)

José Emanuel Queirós - 21 de Março de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

sábado, 20 de março de 2010

Vale do Tâmega - Amarante: Manifestação para “Salvar o Tâmega” juntou centenas de manifestantes




.Vale do Tâmega - Amarante
Manifestação para “Salvar o Tâmega” juntou centenas de manifestantes~

Centenas de manifestantes junto à Ponte de São Gonçalo

Em Amarante, no passado dia 13 de Março, centenas de pessoas manifestaram-se contra a construção de seis barragens [de 10 do total] previstas para a bacia do Tâmega no “Plano Nacional de Barragens” (PNBEPH). Exigiram a suspensão do “Plano Nacional de Barragens” bem como o apoio de todos para esta causa comum.

A ponte de São Gonçalo, como também a zona envolvente, esteve repleta com cartazes alusivos à “luta” em “Salvar o Tâmega”. Aquela zona de Amarante foi o palco da reivindicação de diversas pessoas que ali se juntaram para ouvirem “as suas vozes”. 


Durante a manhã houve diversas iniciativas desde a entrega de comunicados, panfletos, autocolantes, a venda de “t-shirts” com as frases e os símbolos da manifestação, a momentos de música e dança a condizer.

Ao meio-dia houve discursos. Intervieram Ricardo Marques da Quercus e José Emanuel Queirós do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega. Ricardo Marques salientou as desvantagens e os “mitos” anexos ao “Plano Nacional de Barragens”. Afirmou que estas hidroeléctricas produzirão cerca de 1,6 por cento da energia do país e irão reduzir apenas 0,25% das importações de petróleo. Um impacto irrelevante também ao nível das emissões poluentes, salientou o ambientalista. 


Ricardo Marques afiançou que caso as barragens sejam construídas, estas não vão gerar qualquer emprego e serão responsáveis por prejuízos e uma “destruição ambiental imensa”. Reforçou a ideia a afirmar a submersão de milhares de hectares de reserva agrícola e ecológica, a diminuição da qualidade da água, a alteração a ecossistema piscícola e que os lobos deixarão de movimentar-se para sul do Tâmega.

José Emanuel Queirós afirmou que o Vale do Tâmega tem sido “desconsiderado pelo poder político nacional” e que “fizeram a venda do nosso principal recurso nas costas de toda a população. Venderam e estão a pensar retalhar o Tâmega, fragmentando em seis grandes albufeiras [Fridão terá duas barragens], fazendo que o Tâmega deixe de ser rio e a água deixe de correr livremente”. Queirós lançou um apelo a afirmar que “o país não pode estar alheio ao que se passa no Tâmega, o país tem de estar solidário com o que se passa aqui”.

No decorrer da manifestação pode-se ver a presença de diversas associações ambientalistas, movimentos cívicos e associações desportivas. A representação política sentiu-se com a presença de alguns presidentes de junta de freguesia, vários elementos do partido “os Verdes” e os deputados do Bloco de Esquerda João Semedo, José Soeiro e Rita Calvário.


A próxima manifestação está marcada para o dia 28 de Março e realizar-se-á em Mondim de Basto.


in O Basto - 20 de Março de 2010

Alto Tâmega - Petição online pela região: «SALVAR O RIO TÂMEGA E OS SEUS AFLUENTES»





AltoTâmega - Petição online pela região
«SALVAR O RIO TÂMEGA E OS SEUS AFLUENTES»


Para: Órgãos de Soberania do Estado Português

Considerando que se encontra decorrida quase uma década e meia sobre os primeiros embates públicos acerca das iniciativas da EDP, S.A. para, em território português, submeter o rio e o vale do Tâmega aos desígnios da hidroelectricidade, em Julho de 2008 veio o Instituto da Água, I.P. (INAG) adjudicar a concessão de cinco barragens na área desta bacia hidrográfica;

Considerando o propósito empresarial da construção de mais 10 grandes empreendimentos hidroeléctricos no país, o Governo actualizou uma antiga problemática relativa à designada “cascata do Tâmega”, há muito receada na região, surgindo em toda a sua plenitude com a adjudicação da barragem do Fridão à EDP, SA e as restantes 4 (Gouvães, Padroselos, Daivões e Alto Tâmega) à Iberdrola;

Considerando e lançando mão ao designado “Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico" (PNBEPH) o aparelho de Estado, pela acção concertada da Direcção-Geral de Energia e Geologia / Ministério da Economia e Inovação com o Instituto da Água, I.P. / Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, encontrou fundamento para dar sentido às velhas aspirações de crescimento empresarial pulsantes nos poderosos mercados

Considerando que a concessão dos licenciamentos atribuídos pela Autoridade Nacional da Água/Ministério do Ambiente para construção de mais cinco barragens hidroeléctricas na sub-bacia duriense do Tâmega, não leva em conta as classificações recaídas sobre o espaço regional e os recursos locais que vai afectar, nomeadamente:

Primeiro – o leito do rio Tâmega e toda a rede hidrográfica é «reserva ecológica nacional» (REN) – Decreto Lei nº 93/90, de 19 de Março (anexo 1 – alínea a) – nº 2);

Segundo – a Bacia Hidrográfica do Tâmega é «zona sensível» (Decreto-Lei nº 152/97, de 19 de Junho) em virtude de se «revelar eutrófica»;

Terceiro – o Plano de Bacia Hidrográfica do Douro (Decreto Regulamentar nº 19/2001, de 10 de Dezembro, alínea n) – Parte VI) em vigor estabelece e classifica a sub-Bacia do Tâmega em:

a) «ecossistema a preservar» – o «rio Tâmega desde a confluência com a ribeira de Vidago até Mondim de Basto e principais afluentes: rios Olo, Covas e Bessa».

b) «ecossistemas a recuperar» – o «sector superior: desde a fronteira até à confluência do rio principal com a ribeira de Vidago», e o «sector terminal: desde Mondim de Basto, confluência da ribeira de Cabresto, à confluência com o Douro».

Quarto – as cabeceiras do rio Olo, até à proximidade de Ermelo (Mondim de Basto) é «área classificada» do Parque Natural do Alvão, onde são proibidos os «actos ou actividades» de «captação ou desvio de águas»;

Quinto – a Bacia do rio Tâmega é «zona protegida», conforme a Lei-Quadro da Água( Lei nº 58/2005 de 28 de Dezembro, alínea jjj) - Artigo 4º).

- Considerando o meio físico e os contextos ambientais e sociais do Tâmega para os quais as cinco barragens estão projectadas, torna-se evidente que o «Programa Nacional de Barragens» foi produzido para justificar a construção de 5 (cinco!) grandes barragens de uma assentada na bacia do Tâmega. Senão, perante o quadro legal da Água e segundo o conceito de «desenvolvimento sustentável» que o edifício jurídico tem por fundamento, como seria possível justificar ao país e à Europa da União a exploração exaustiva e massificada da água dos rios, as perdas patrimoniais efectivas locais e regionais, e os ganhos em privações ambientais e desarranjos biofísicos, insegurança e riscos para as pessoas, em particular no vale do Tâmega?

Tendo por referência o «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico», a conjuntura que o gerou e em que está a ser executado, o Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional passou a estar subordinado aos ditames da produção hidroeléctrica; o quadro legal define limites perfeitamente transponíveis; e a Autoridade Nacional da Água oferece provas insofismáveis de estar perfeitamente entrosada no processo. Mais apta a converter os recursos hídricos nacionais à luz dos interesses em presença do que na observância da lei e em concordância com os preconizados conceitos do «desenvolvimento sustentado», da «utilização eficiente» dos recursos hídricos nacionais, e da «gestão sustentável da água», por respeito à necessidade em «garantir um uso eficiente, racional e parcimonioso deste recurso» enquanto desígnio orientador «da política de gestão da água em Portugal», consagrado no «Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água» (PNUEA) – Resolução do Conselho de Ministros nº 113/2005, de 30 de Junho.

Considerando que, à semelhança dos mexilhões margaritifera margaritifera identificados no rio Beça durante o Estudo de Impacte Ambiental (EIA), a espécie humana também se encontra em risco nas zonas de implantação do complexo das barragens do Alto Tâmega (Padroselos, Daivões, Gouvães e Vidago), pelo que se torna imperioso preservar o seu habitat e o seu modo de vida, sob pena do seu desaparecimento na região ocorrer com a construção das barragens;

Considerando que o EIA da «cascata do Tâmega» promovido pela Iberdrola não contempla a contabilização dos custos-sombra ou indirectos, sempre elevados neste tipo de projectos, limitando-se o ressarcimento às indemnizações associadas aos custos directos resultantes do uso do espaço e à obrigatória reposição de infra-estruturas, sendo obrigatório a consideração desses custos-sombra no balanceamento entre custos e proveitos na construção das barragens do Alto Tâmega e a reformulação de toda a análise sócio-económica presente no estudo;

Considerando que o Estudo Climático constante do EIA se limita a indicar alterações sem quantificar a magnitude das mesmas e utiliza dados de estações meteorológicas que se encontram em locais cujo clima é muito diferente daquele que ocorre no vale do rio Tâmega e portanto nas nossas freguesias, exigimos que seja realizado um estudo rigoroso e que quantifique a magnitude das alterações induzidas pela construção das barragens, tanto mais que a Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes alerta para o perigo destes efeitos e tendo sido dado conhecimento dessa preocupação a diversos organismos, o EIA faz tábua rasa das mesmas;

Considerando que o próprio EIA foi realizado em épocas não propícias para este tipo de estudo (período invernal) e que o próprio estudo é na sua grande parte um trabalho meramente teórico, resultante da transcrição de informação já existente, mal enquadrada e com uma análise e discussão claramente deficientes.

Considerando que as alternativas apresentadas só fazem referência a cotas de enchimento, sem ter qualquer considerando em relação a estudos já realizados, como o elaborado entre a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e a empresa Espaço Visual para a associação de municípios das Terras de Basto (ProBasto).

Considerando a falta de medidas mitigadoras exequíveis e adaptadas ao ecossistema do Tâmega (sendo que as propostas apresentadas constituem uma relação de carácter geral e extremamente vagas).

Considerando que o Estudo de Impacte Ambiental não foi realizado para as cotas 300 e, designadamente, 312 (aliás cota lançada a concurso), constantes no PNBEPH para a Barragem do Alto Tâmega (Vidago), pelo que nos afigura a posição da empresa que o elaborou de má-fé, uma vez que não faculta à população informação que lhe permita melhor balancear vantagens e desvantagens e emitir uma opinião melhor fundamentada, quanto ao uso equilibrado dos recursos, sendo uma exigência que o EIA analise estas cotas e não pareça que apenas tem como objectivo justificar a opção pretendida à cabeça pela concessionária;

Considerando que o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) foi elaborado pela mesma empresa (PROCELS) que elaborou o EIA e que para a anterior designação de Barragem de Vidago considerou que, a pp 78, “A análise das áreas a inundar pela albufeira permite constatar que com um NPA da albufeira à cota 325 m são afectadas um conjunto importante de habitações, nomeadamente nas localidades de Sobrilhal, Sobradelo e Caneiro, que poderiam condicionar significativamente a execução do aproveitamento. A cota 312m evita em grande parte, embora não na totalidade, a afectação de áreas urbanas, que apenas seriam integralmente preservadas caso se adoptasse o NPA à cota de aproximadamente 300 m. A pp 132 refere “Para o aproveitamento de Vidago, integrado na cascata do rio Tâmega, adoptou-se o NPA da albufeira de 312 m, inferior em 13 m relativamente ao NPA máximo previstos em estudos anteriores, atendendo que a partir dessa cota seriam inundadas significativas áreas com ocupação urbana”, como é que agora defende outras cotas e sempre para níveis altimétricos superiores;

Considerando que simultaneamente a mesma empresa apresenta erros de cálculo significativos de áreas a inundar e quantidade de água armazenada para a mesma cota no PNBEPH e os constantes no EIA;

Considerando que os impactos na paisagem, na qualidade da água e no ecossistema serão de tal ordem que as albufeiras terão apenas como única utilização a retenção de água para a produção de energia e implicarão uma deterioração da imagem da região com todas as implicações que daí decorrem.

Em síntese, e não contestando a imperiosa necessidade de o País lançar mão às energias renováveis, na medida do sustentável e, dentro destas, ao potencial hidroeléctrico disponível, partindo do que a construção das 4 barragens envolve de excepcionalmente gravoso para as populações do Vale do Tâmega intoleravelmente afectadas por esses empreendimentos, e com a consciência de interpretar a sua inconformação, os cidadãos abaixo assinados Vêm recorrer às diferentes instâncias da estrutura do Estado, com a jurisdição directa ou indirecta sobre as barragens, no sentido de:

- A cascata do Tâmega ser reapreciada, também à luz dos objectivos da Organização das Nações Unidas (ONU) consagrados na “Declaração do Milénio” “visando pôr fim à exploração insustentável dos recursos hídricos”;

- Conciliar os quatro empreendimentos hidroeléctricos, com o “quadro de acção comunitária no domínio da politica da água”, em ordem a, concomitantemente, “garantir um uso eficiente, racional e parcimoniosos deste recurso”, enquanto desígnio orientador da política de gestão da água consagrado no “Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água”;

- Respeitar minimamente o quadro legal que estabelece as “bases e o quadro institucional para a gestão sustentável das águas”, em concordância com o princípio do desenvolvimento sustentável”;

- Que o EIA da «cascata do Tâmega» promovido pela Iberdrola contemple a contabilização dos custos-sombra ou indirectos, sempre elevados neste tipo de projectos, e a consideração desses custos-sombra no balanceamento entre custos e proveitos e, consequentemente, a reformulação de toda a análise sócio-económica presente no estudo;

- Que, à semelhança dos mexilhões margaritifera margaritifera identificados no rio Beça durante o Estudo de Impacte Ambiental (EIA), a espécie humana também se encontra em risco nas zonas de implantação do complexo das barragens, pelo que se torna imperioso preservar o seu habitat e o seu modo de vida;

- Que seja realizado um rigoroso Estudo Climático que quantifique a magnitude das alterações induzidas pela construção das barragens, e que responda às preocupações expressadas pela Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes;

- Que o EIA seja realizado em épocas propícias para este tipo de estudo (período de verão e não invernal) e que o próprio estudo não seja em grande parte um trabalho meramente teórico;

- Que o EIA seja realizado para as diferentes cotas em cada um dos aproveitamentos constantes no PNBEPH, por forma habilitar todos os intervenientes a uma melhor decisão;

- Que as alternativas apresentadas não façam só referência a cotas de enchimento, mas que considerem alternativas com base em estudos já realizados e não sejam as barragens apresentadas como única solução para a região, tanto mais que tal vai originar uma radical fractura da unidade geomorfológica, económica, paisagística e climatérica que afectará todo o Vale do Tâmega e particularmente a região do Alto Tâmega.


Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Núcleo do Alto Tâmega) - 20 de Março de 2010

Mirandela - «Aliança pelos Rios»: CARTA DE ABREIRO

Mirandela - «Aliança pelos Rios»
CARTA DE ABREIRO



No dia 20 de Março de 2010, na antiga Vila de Abreiro -- concelho de Mirandela -- no vale do rio Tua ameaçado por um empreendimento hidroeléctrico, pela presente carta a ser subscrita nos próximos 14 dias pelas Organizações Não Governamentais daí adiante consideradas fundadoras, propõe-se:

a criação da “Aliança Pelos Últimos Rios De Portugal”, adiante abreviada por “Aliança pelos Rios” ou AR que terá como objectivos a defesa e a promoção dos rios vivos que restam em Portugal, bem como a recuperação do bom estado ecológico das massas de água danificadas, segundo a metodologia e em cumprimento da Directiva-Quadro da Água (União Europeia).

A AR é legalmente uma coligação formada por ONGs (associações, movimentos cívicos e outros colectivos sob qualquer forma legal), reconhecidas pelos seus pares como tendo actuação relevante em matéria de defesa dos recursos hídricos em qualquer âmbito territorial (internacional, nacional, regional ou local).

Podem pertencer à AR como membros de pleno direito as organizações subscritoras da presente Carta, e todas as outras que venham a ser aceites por maioria qualificada (2/3) dos membros à data dessa auto-proposta.

Qualquer organização pode desvincular-se desta coligação com o aviso prévio geral de 15 dias, contando não existirem compromissos em aberto de qualquer tipo;

A AR rege-se internamente pelos princípios da boa fé, da solidariedade e do respeito pela especificidade, histórico e modos de actuação de cada uma das organizações aderentes;

As decisões no seio da AR são tomadas por consenso ou, na sua ausência por maioria simples;

Por maioria qualificada podem ser convidadas outras entidades como observadoras deste consórcio (não tendo direito de voto).

A Aliança pelos Rios pretende vir a ser um fórum de discussão, concertação e planeamento estratégico permanentes com vista à salvaguarda dos ecossistemas e habitats de águas doces continentais em Portugal, ameaçadas que estão de destruição por políticas governamentais e interesses privados alheios ao interesse geral.


COAGRET - Portugal - 20 de Março de 2010

PNBEPH - Rio Tâmega: Iberdrola arrisca perder uma barragem






PNBEPH - Rio Tâmega
Iberdrola arrisca perder uma barragem


in Expresso (Economia), 1951 (pp. 22 e 23) - 20 de Março de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

Amarante - Centenas de manifestantes contra as barragens no Vale do Tâmega







Barragem de Fridão: Onda chegaria a Amarante em 13 minutos
Amarante: Centenas de manifestantes contra as barragens no Vale do Tâmega




Uma eventual ruptura da Barragem de Fridão, no rio Tâmega, provocará uma onda que chegará à cidade de Amarante em apenas 13 minutos, submergindo grande parte da área urbana, admite Orlando Borges, presidente do Instituto da Água (IA), num documento ao qual a Lusa teve hoje acesso.

“Em Amarante, em situação de cheia, o nível máximo a atingir será a cota de 90,95”, pode ler-se no documento, com data de 05 de março, que Orlando Borges enviou a um elemento do grupo “Por Amarante Sem Barragens”.


A cota de 90.95 significa que - segundo alguns amarantinos ouvidos pela Lusa - em caso de inundação causada pela ruptura da barragem, o rio subiria na área urbana mais cerca de 20 metros do que a cheia de 2001, a maior de sempre em Amarante, que atingiu a cota 71.


Nesse ano, a água inundou vastas áreas da baixa da cidade, sobretudo da margem esquerda, cujos habitantes tiveram de ser evacuados com recurso a barcos.


No entanto, numa primeira reacção a estes números, o presidente da Câmara de Amarante afirmou à Lusa não ter ficado surpreendido nem preocupado, porque “o risco é praticamente zero”.


Armindo Abreu (PS) diz que “praticamente não há possibilidade da barragem colapsar por completo sem dar aviso”.


“Foi isso que os técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) nos disseram quando cá estiveram num debate sobre segurança promovido pela câmara”, frisou o autarca.


Armindo Abreu lembra que uma infraestrutura como a Barragem de Fridão “seria monitorizada ao segundo e que, caso fosse detetada alguma anomalia, haveria tempo para se proceder ao seu esvaziamento”.


Contudo, o autarca admite que “o risco existe sempre, apesar de pequeníssimo”.


Para Armindo Abreu, é fundamental que o plano de emergência da barragem seja bem elaborado para estarem acauteladas todas as situações.


No entanto, a cota 90,95 seria suficiente para inundar a ponte e o largo de S. Gonçalo, incluindo o mosteiro, que é monumento nacional.


Na carta enviada ao representante do grupo “Por Amarante Sem Barragens”, o presidente do IA diz basear-se numa simulação que consta no anteprojeto desta barragem.
Essa simulação - acrescenta o presidente do IA - “identifica como “zonas de perigo” todo o vale do rio Tâmega a jusante das barragens”.


Orlando Borges acrescenta que na simulação “são identificadas estruturas e povoações passíveis de serem afectadas, mas não o número de vidas em risco”.


Os números avançados pelo presidente do IA reportam-se a uma simulação num cenário em que a barragem principal seria construída à cota de 160.


O presidente do IA não avança com o cenário na cidade de Amarante, em caso de ruptura resultante da construção da barragem à cota 165, que também consta do anteprojeto.


A Lusa tem tentado, sem sucesso, um comentário sobre a segurança da futura barragem junto do presidente do IA, Orlando Borges.


A Barragem de Fridão é uma das 10 que constam do Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, afetando território dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Mondim de Basto.


A discussão pública do Estudo de Impacte Ambiental da Barragem de Fridão terminou a 15 de Fevereiro.


Armindo Pereira Mendes / Lusa, in Tâmega Jornal, N.º 53, Ano 3 (pp. 1 e 2) - 19 de Março de 2010