Mostrar mensagens com a etiqueta PNBEPH - Rio Beça - Património em risco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta PNBEPH - Rio Beça - Património em risco. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Quercus - Comunicado: DIA das barragens do Alto Tâmega não cumprem lei da água e com processos pouco claros de alteração de cotas









Quercus - Comunicado
DIA das barragens do Alto Tâmega não cumprem lei da água e com processos pouco claros de alteração de cotas
.


Em reacção à emissão da DECLARAÇÃO DE IMPACTE AMBIENTAL (DIA) das Barragens de GOUVÃES, PADROSELOS, ALTO TÂMEGA E DAIVÕES a QUERCUS reitera a sua posição de que os grandes empreendimentos hidro-eléctricos, ao mudarem radicalmente a configuração do meio natural onde se inserem, afectam gravemente, de forma permanente e irreversível a biodiversidade e a qualidade das águas ribeirinhas do país. São ecossistemas inteiros, apoiados na riqueza criadora que é um rio de água corrente que acabam por desaparecer, com impactes irreversíveis na qualidade das águas, o que é reconhecido no EIA. 

Como estratégia para a questão energética nacional a QUERCUS contrapõe a aposta definitiva na Eficiência Energética (que o Estado Português continua a relegar para segundo plano [1]) e, na parte da produção, a aposta nas Energias Renováveis em empreendimentos de escalas médias, pequenas e micro. 

Defendemos ainda o reforço de potência das centrais hidro-eléctricas já existentes como forma, perfeitamente possível (de acordo com os dados da própria EDP), de atingir a meta de 2000MW lançados pelo actual Governo.

O nosso parecer ao EIA [2] deste projecto reflectiu, através de uma análise detalhada e rigorosa, esta mesma ideia de base, concluindo que os efeitos negativos para a região (ambientais e sócio-económicos) serão de longe superiores aos positivos (que praticamente são inexistentes na nossa opinião) e como tal, dando opinião desfavorável à construção do SET (Sistema Electro-produtor do Tâmega) no seu conjunto.


Pelo exposto a QUERCUS lamenta a emissão da DIA com a decisão de Favorável Condicionada e considera que a decisão não cumpre integralmente a Directiva Quadro da Água e não protege eficazmente espécies prioritárias que o EIA reconhece que terão perda de habitat, como por exemplo o Lobo Ibérico.

Como aspecto positivo a QUERCUS ressalta a decisão de não construção do empreendimento de Padroselos, previsto para o rio Beça, e vimos ainda com muito agrado o abandono do plano dos desvios previstos para os rios Poio (em Alvadia) e Viduedo.

No entanto acreditamos que a forma como o processo foi conduzido pelo Estado Português pecou pela falta de clareza nos seguintes aspectos:

- O conhecimento do Estado Português da existência de uma colónia da espécie “Criticamente em Perigo” Margaritifera Margaritifera com estatuto de protecção comunitária num local a afectar pela Barragem de Padroselos, desde logo tornou claro que essa barragem não iria ser construída sob pena de o Estado Português entrar em grave litígio com as respectivas estruturas europeias. Sendo assim esse facto é para nós um resultado lógico decorrente da situação.

- Por outro lado as cotas em estudo no EIA foram, estranhamente alteradas para cotas mais altas relativamente ao previsto no PNBEPH (Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico), senão vejamos:

....................cota mínima apresentada no PNBEPH................ cota mínima aprovada .............DIF


Alto Tâmega: ...................300m .......................................................315m................................+15m
Daivões: ..........................221m........................................................228m............................... + 7m
Gouvães: ........................880m.........................................................885m.............................. + 5m


Ou seja, parece ter havido aqui uma compensação ao promotor pelo facto de se saber que Padroselos seria descartada, aumentando-se as cotas mínimas em estudo. Assim o Estado Português, prevendo já um EIA com conclusões negativas nas vertentes ambiental e socioeconómica, subiu, sem explicação válida, essas mesmas cotas mínimas em valores consideráveis, para depois, em sede de DIA, aprovar estas cotas mínimas aumentadas.

As cotas aprovadas são para nós demasiado elevadas nas afectações sócio-económicas dado que irá existir uma grande percentagem de terrenos de exploração agrícola ou florestal que desaparecerão, facto aliás reconhecido na própria DIA.

Assim a subida das cotas mínimas foram em Gouvães de 5m, em Daivões de 7 m e no Alto Tâmega de 15 m.

Lamentamos esta forma de actuar do Estado Português que parece pouco clara e é passível de provocar dúvidas nos cidadãos sobre qual o verdadeiro papel destes instrumentos de decisão que são os EIA e as respectivas DIA e os interesses que efectivamente servem: se os dos grandes promotores, se os dos cidadãos portugueses.
_______________


[1] Parecer - Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética
[2]
Parecer - Quercus contra construção de 4 novas barragens no Tâmega


A Direcção do Núcleo Regional da QUERCUS em Vila Real [João Branco (964534761) e Sérgio Madeira (918403094)] - 30 de Junho de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Barragens - Construção é contestada por ambientalistas e autarcas - Tâmega: declaração de Impacte Ambiental das barragens pronta em Junho






Barragens - Construção é contestada por ambientalistas e autarcas
Tâmega: declaração de Impacte Ambiental das barragens pronta em Junho



O secretário de Estado do Ambiente deverá emitir até ao final de Junho a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) das quatro barragens do Alto Tâmega, um empreendimento concessionado à Iberdrola e muito contestado a nível local, noticia a Lusa.

Este aproveitamento hidroeléctrico visa a construção de quatro barragens: a do Alto Tâmega, em Vidago, e Daivões (ambas no rio Tâmega), e Gouvães e Padroselos (afluentes).

A consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da «cascata» do Tâmega termina esta quarta-feira, tendo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) recebido até ao meio da tarde «menos de uma dezena» de contributos no âmbito deste processo.

O secretário de Estado do Ambiente tem agora até ao final de Junho para emitir a DIA, que pode ser favorável, desfavorável ou condicionada.

Durante o período de consulta pública, o EIA foi alvo de inúmeras críticas e até pedidos de substituição do documento por parte de autarcas e ambientalistas.

Os «custos sombra» da barragem
O município de Vila Pouca de Aguiar, presidido pelo social-democrata Domingos Dias, entregou um parecer desfavorável ao EIA, realçando como impacto mais significativo a deterioração da qualidade da água das albufeiras.

O economista e viticultor Amílcar Salgado chamou a atenção para os «custos sombra» que não estão contabilizados no EIA, como o aumento dos tratamentos nas vinhas devido ao aumento da humidade, dos custos com o aquecimento das casas, frisando que os 3500 postos de trabalho criados pela construção destes aproveitamentos hidroeléctricos são «temporários».

Também o «Grupo Lobo» mostra-se preocupado com os efeitos negativos da construção das barragens. Os ambientalistas temem que a edificação possa pôr em perigo a sobrevivência do lobo ibérico na zona do Alvão, Vila Real.

Para além dos lobos, também o mexilhão de rio do norte, (margaritifera margaritifera) pode estar em perigo. A espécie rara protegida pela legislação nacional e europeia e que em 1986 chegou a ser dado como extinto em Portugal é uma das muitas que pode não sobreviver à obra.

A construção da barragem de Padroselos implicaria a eliminação desta colónia de bivalves e, por isso, o EIA revela já um «possível cenário alternativo do projecto», que passa pela exclusão desta barragem aumentando a potência prevista para Gouvães.

Petição
Não são só os ambientalistas estão revoltados com a situação. Quase 1070 pessoas subscreveram na Internet uma petição para «Salvar o Tâmega e seus afluentes» que será entregue a todos os órgãos de soberania do Estado português.

Iberdrola já pagou ao Estado um prémio de concessão no valor de 303 milhões de euros pela exploração das barragens durante 65 anos.

O empreendimento deverá ter um total de 1.135 megawatts (MW) de potência e uma produção eléctrica anual de 1.900 gigawatts/hora (GWh), equivalente ao consumo de um milhão de pessoas, e representa um investimento de 1700 milhões de euros.

Redacção /CMM, in TVI24 - 14 de Abril de 2010

domingo, 24 de janeiro de 2010

Assembleia da República - PNBEPH em debate (27/1): Senhores deputados SALVEM O TÂMEGA!

Assembleia da República - PNBEPH em debate (27/1)
Senhores deputados SALVEM O TÂMEGA!






.

.

.Amigos da Água, dos Rios, da Terra, do Tâmega e seus afluentes Olo, Beça e Louredo:

De acordo com a agenda parlamentar, na próxima Quarta-feira (27/1) sobe ao plenário da Assembleia da República uma iniciativa legislativa proposta pelo Partido Ecologista "Os Verdes" visando a «suspenção imediata» do Programa Nacional de Barragens.

Os deputados da Nação, por nós eleitos, vão ter de se pronunciar e deliberar sobre essa matéria em agenda, decisiva para o Tâmega e toda a Vida que nele se faz.

Nos concelhos do Tâmega - de Basto (Cabeceiras, Celorico e Mondim) a Amarante - antevemos e sabemos dos malefícios que advirão com a perda definitiva dos rios Tâmega e afluentes (Olo, Beça e Louredo):

Perante o contexto absurdo de absoluta desregulação hídrica da Bacia do Tâmega, criado em 2007 pelo XVII Governo com a passagem para a mão de privados destes recursos naturais-patrimoniais da Terra e da região, estratégicos para as nossas populações,

Estamos perante a derradeira oportunidade de, individual e civicamente, manifestarmos aos diversos grupos Parlamentares (onde há deputados eleitos pelos distritos e concelhos afectados) o nosso apreço e atenção pela matéria agendada e a discordância quanto ao desprezo pelo Tâmega, no que comportaria a execução do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico.

A todos propomos e solicitamos que até ao final da próxima Segunda-feira (25/1) divulguem a seguinte mensagem

Pelo direito à Vida no vale do Tâmega!
Pelo Tâmega livre da pressão das barragens!
Não ao transvase do rio Olo para a barragem de Gouvães!
Não à Barragem de Fridão! Sim ao desenvolvimento da Região!

pelos amigos e conhecidos, para que todos a possamos enviar para os seguintes endereços electrónicos:

........................Grupo Parlamentar PCP <gp_pcp@pcp.parlamento.pt>,
........................Grupo Parlamentar CDS-PP <gp_pp@pp.parlamento.pt>,
........................Grupo Parlamentar PSD <gp_psd@psd.parlamento.pt>,
........................Grupo Parlamentar PS <gp_ps@ps.parlamento.pt>,
........................Grupo Parlamentar BE <hugo.evangelista@be.parlamento.pt>,
........................Grupo Parlamentar PEV <pev.correio@pev.parlamento.pt>,
d......................Deputado Europeu Diogo Feio <diogo.feio@europarl.europa.eu>,
........................PSD Europa <duarte.marques@europarl.europa.eu>,

com o título seguinte:

Senhores deputados SALVEM O TÂMEGA!

O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (MCDT)

_________________________

(1)
Primeiro - o leito do rio Tâmega e toda a rede hidrográfica é «reserva ecológica nacional» (REN)[1];
Segundo - a Bacia Hidrográfica do Tâmega é «zona sensível»[2] em virtude de se «revelar eutrófica»;
Terceiro - o Plano de Bacia Hidrográfica do Douro[3] em vigor estabelece e classifica a sub-Bacia do Tâmega em:
......... a) «ecossistema a preservar» - o «rio Tâmega desde a confluência com a ribeira de Vidago até Mondim de Basto e principais afluentes: rios Olo, Covas e Bessa».
......... b) «ecossistemas a recuperar» - o «sector superior: desde a fronteira até à confluência do rio principal com a ribeira de Vidago», e o «sector terminal: desde Mondim de Basto, confluência da ribeira de Cabresto, à confluência com o Douro».
Quarto - as cabeceiras do rio Olo, até à proximidade de Ermelo (Mondim de Basto) é «área classificada» do Parque Natural do Alvão, onde são proibidos os «actos ou actividades» de «captação ou desvio de águas»[4].
Quinto - a Bacia do rio Tâmega é «zona protegida», Lei-Quadro da Água[5].
Sexto - sobre o vale do Tâmega recai a classificação de «corredor ecológico», na categoria de «zona sensível», no âmbito do Plano Regional de Ordenamento Florestal do Tâmega (PROF T)[6].

[1] Decreto-Lei n.º 93/90, de 19 de Março (Anexo I - alínea a) - número 2).
[2] Decreto-Lei n.º 152/97, de 19 de Junho.
[3] Decreto Regulamentar n.º 19/2001, de 10 de Dezembro (alínea n) - Parte VI).
[4] Decreto-Lei n.º 237/83, de 8 de Junho (alínea h) - número 1 - artigo 6.º).
[5] Lei n.º 58/2005, de 29 de Dezembro (alínea jjj) - artigo 4.º) .
[6] Decreto Regulamentar n.º 41/2007, de 10 de Abril (alínea b) - número 5 - artigo 10.º).

Obs: o «MCDT» tem as suas bases programáticas editadas em Manifesto e Petição no endereço http://cidadaniaparaodesenvolvimentonotamega.blogspot.com/
e actualiza a informação sobre o Tâmega em http://artigosediscussao.blogspot.com/.


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

PNBEPH - Barragens no Tâmega: A Voz aos Pescadores de Trutas no Tâmega e afluentes

PNBEPH - Barragens no Tâmega
A Voz aos Pescadores de Trutas no Tâmega e afluentes 


Na sequência da política de redução da dependência energética do nosso país, o actual governo decidiu realizar um mega investimento em barragens na zona do Alto Tâmega. 

A decisão foi tomada, mesmo tendo em conta o grande impacto negativo que o investimento irá ter sobre a flora e fauna única da região, nomeadamente os rios truteiros e as populações de trutas indígenas. 

Neste âmbito, há a realçar a ambição desmedida do projecto, que numa fase inicial chegava a incluir o desvio do curso do rio Olo (mítico rio truteiro) antes das fisgas de Ermelo, ou seja a destruição de uma das maiores preciosidades naturais do Parque Natural do Alvão. Felizmente, alguém teve o mínimo de bom senso de deixar cair esta ideia. 

Neste momento, o que é real e inevitável, é a perda de um bom número de rios e ribeiras com características únicas para trutas indígenas e que atraiam inúmeros pescadores para esta área. Dentre alguns, temos a destacar o Beça, o Tâmega, a Ribeiro de Gondiães, a Ribeira de Covas, etc. 

Num país com pouca área disponível e numa era de aquecimento global, apraz registar que é possível existir meia dúzia que se dedicam a inundar grandes porções de terra em nome de politicas e ideais bastante duvidosos. 

Por contrapartida, os interesses económicos são claros e todos sabemos quem ganha com isto! 

Nós os pescadores de trutas, só temos a perder! 

Ficam para a posteridade as memórias de grandes pescarias no Beça e nas ribeiras da zona!!

in Trutas.pt - 29 de Dezembro de 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Iberdrola / PNBEPH - Rio Beça: Património Natural a extinguir

Iberdrola / PNBEPH - Rio Beça: Património Natural a extinguir
Beça - uma semana, duas descidas épicas!



Na semana passada aproveitei para desenferrujar o Rio Beça. Com as chuvas diluvianas que caíram durante o fim de Janeiro e o início de Fevereiro, o caudal esteve sempre a níveis "inavegáveis", 150 cm, 100 cm, 205 cm. 

Remanos quinta com o caudal da praxe, 37 cm e no Domingo, que com mais uma série de "introducers" naquele rio vivi uma das descidas mais épicas dos últimos tempos ...

O Maia "crashou" e alombou mato acima, a Teresa obrigou a desmultiplicações de corda e invenções de remendos de última hora depois de se ter "espatifado" nos calhaus de granito, e o Crazy Ramada decidiu (desde há muito tempo) que sempre é preferível esquimotar que nadar e arrastar as canelas no leito do rio.

A companhia da minha câmara de testa deu este pequeno "take" que vos apresento. 

No final tudo acabou bem com minis e sandes de presunto num tasco sem nome da Serra da Cabreira.

Jorge Babiço, in Aquavertical - 18 de Fevereiro de 2009