quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Amarante - Rio Tâmega: Nova ETAR vai acabar com mau cheiro na cidade



Amarante - Rio Tâmega
Nova ETAR vai acabar com mau cheiro na cidade


A estação de tratamento de esgotos de Amarante, junto ao rio Tâmega, por vezes geradora de mau cheiro na cidade, vai ser desactivada dentro de dois anos, revelou o vereador do Ambiente, Carlos Pereira. O equipamento vai ser substituído por outro de maior capacidade cuja construção começou esta semana na freguesia de Vila Caiz, a cerca de oito quilómetros a jusante da cidade.

A nova estação de tratamento de águas residuais (ETAR)de Vila Caiz, que vai custar nove milhões de euros, terá capacidade para tratar efluentes de 50 mil pessoas, incluindo de algumas freguesias do concelho de Celorico de Basto.

A actual ETAR, inaugurada em 1999, serve quase 20 mil habitantes, estando há vários anos no limite da sua capacidade e muito longe de corresponder às necessidades de um concelho com cerca de 60 mil pessoas.

A proximidade face à área urbana de Amarante acaba também por gerar desconforto entre os habitantes e os turistas que acorrem ao centro histórico, sobretudo quando estes são confrontados com os maus cheiros, nomeadamente no período do Verão.

Os sucessivos melhoramentos introduzidos no equipamento têm aumentado a sua capacidade e diminuído os odores, mas nos períodos de maior fluxo de efluentes a ETAR revela dificuldades, como reconhecem Carlos Pereira e a empresa concessionária do serviço saneamento no concelho – Águas do Noroeste.

Paulo Queirós, técnico desta empresa, disse ontem que, “apesar de estarem a ser cumpridos os parâmetros de descarga”, só com a construção da nova estação de tratamento será possível resolver definitivamente o problema.

in Jornal de Notícias, N.º 99, Ano 123 (p. 21) - 8 de Setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Portugal - Tâmega: A cascata do Tâmega

Portugal - Tâmega
A cascata do Tâmega

Os bivalves que nos governam eclodirão em múltiplos rebentos de bostite primaveril enquanto afogam os campos do Alto Tâmega.
Portugueses embora, muitos renegam a sua terra, que preferem sob as profundezas de um enorme manto de água estagnada onde proliferarão mosquitos do tamanho de pterodáctilos. Vazia no verão, exibirá esta monstruosa obra os ossos do país: granito e algum lodo, e ao longe, o fio de água onde não mais se poderá pescar ou tomar banho, pela simples razão de que esta bonita barragem será cercada de uma elegante rêde de arame farpado.

Assim são tratados os povos tamaganos! Como índigenas condenados a viverem numa reserva, vendo os seus ricos terrenos ancestrais devorados pela cupidez iberdrólica.
A empresa espanhola, dizem, não tem culpa. Quer apenas produzir megawatts e está-se legitimamente nas tintas para os índios. Embora tenha concorrido para uma cota de 310 fez imediatamente os estudos de impacto ambiental para a cota 322.
Se a rija gente transmontana não se manifestar, eu pessoalmente, quando fôr eleito, encarrego-me de destruir não só esta barragem mas também as barragens onde os espanhóis detêem ilegalmente água que é nossa por direito internacional e divino.

Manuel João Vieira, in Cascata do Tâmega - Abril de 2010

Pegada na água acentua-se: Recursos hídricos sofrem pressão crescente



Pegada na água acentua-se
Recursos hídricos sofrem pressão crescente

Até um frango chegar à nossa mesa são consumidos 3900 litros de água. O fabrico de uma t-shirt implica o gasto de 2700 litros e só uma folha de papel A4 chega aos dez. A pegada humana nos recursos hídricos está a reduzir-lhes a qualidade e a quantidade.

O alerta chega, desta vez, das organizações e especialistas reunidos na Semana Mundial da Água, que decorre em Estocolmo até ao próximo dia 11: a água está a ficar com menor qualidade e mais poluída. Por todo o mundo, é extraída, utilizada, reutilizada e rejeitada a um ritmo crescente.

O tratamento nem sempre é feito antes de alcançar de novo o meio aquático. A sua contaminação aumenta e nesse fenómeno participam também, já de forma preocupante, fertilizantes agrícolas, produtos industriais e mesmo substâncias activas de medicamentos, depois de excretadas pelo organismo humano.

Entre os produtos que vão parar ao meio aquático estão os pesticidas, retardantes de fogo, substâncias esteróides e hormonas das pílulas contraceptivas. Biólogos têm observado em muitas regiões que tais substâncias levam espécies de peixe a mudar de sexo, o que põe em causa o equilíbrio dos ecossistemas.

Segundo o Instituto Internacional da Água de Estocolmo, que organiza esta conferência há 20 anos, "a poluição da água está a aumentar a nível mundial". Todos os dias são lançados dois milhões de toneladas de efluentes de origem humana em ribeiras, rios, lagos e mares. Nos países em desenvolvimento, cerca de 70% dos efluentes industriais não são sujeitos a tratamento.

A água e o saneamento foram declarados como direitos de toda a pessoa pelas Nações Unidas, numa declaração aprovada no passado dia 28 de Julho. Mas o acesso a esses direitos está longe de ser alcançado. Cerca de 2,5 mil milhões de habitantes do planeta, entre os mais de seis mil milhões existentes, não têm acesso a saneamento básico. E falta em muitas regiões a água potável: as Nações Unidas estabeleceram como necessidade individual entre 20 a 50 litros de água não contaminada por dia e por pessoa.

A falta dessa garantia implica doenças, muitas delas fatais, sobretudo em crianças. Em cada ano morrem 1,8 milhões de cólera e outros males por falta de condições sanitárias. Em todo o Mundo, 87% da população (5,5 mil milhões) ainda usam fontes improvisadas para se abastecerem de água potável. Cerca de 884 milhões não têm mesmo acesso a ela, usando poços e outras fontes sem qualquer tratamento.

As regiões mais afectadas pela escassez de água continuam a ser a Ásia, África e parte da América do Sul. Mas a Europa, ainda que beneficie de sistemas de abastecimento e saneamento com larga cobertura, não escapa aos problemas. Há, segundo a Agência Europeia do Ambiente, oito países que já podem ser considerados como tendo dificuldades com a água. São eles a Alemanha, Inglaterra e País de Gales, Itália, Malta, Bélgica, Espanha, Bulgária e Chipre. No conjunto, isto equivale a 46% da população europeia.

A situação não pode dar largas a optimismos: 60% das cidades europeias estão a sobre-explorar as reservas subterrâneas e 20% das águas superficiais estão seriamente ameaçadas pela poluição.

Portugal, Espanha e Itália são os campeões europeus e mundiais do consumo de água (gastamos, agricultura incluída, entre 2100 a 2500 metros cúbicos por pessoa e por ano). Os EUA ocupam o topo do consumo, com 2480 metros cúbicos.


Eduarda Ferreira, in Jornal de Notícias, N.º 98, Ano 123 (p. 51) - 7 de Setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Amarante: Água Podre no Rio Tâmega.

Amarante
Água Podre no Rio Tâmega

Tenho que discordar, que o facto de ter havido muitos incêndios florestais naquela região, em pouco ou nada vai afectar a corrente das águas do Tâmega e muito menos formar toda aquela espuma. A matéria orgânica decomposta pelo fogo e erodida pelas águas da chuva, o que ainda não aconteceu, podem na verdade colorar a água com tons cinzentos mas nunca dar-lhe aquele aspecto sebento.

Rodrigo Oliveira, in Corrente Natural - 7 de Setembro de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Barragens: "Tâmega e Patagónia a mesma luta"

Barragens
"Tâmega e Patagónia a mesma luta"

O José Emanuel Queirós faz um paralelismo interessante: duas realidades, em espaços físicos quase opostos, padecem do mesmo mal.

O mal, é facilmente identificado: é algo que se junta misturando a ganância de multinacionais, desrespeito por leis ambientais e por aquilo que estas pretendem proteger (nós, meus amigos), o consentimento (criminoso) e a passividade dos dirigentes sociais e políticos.

No Tâmega, tal como na Patagónia, vivemos o mal globalizado, pois o bem (aquilo que estes piratas intitulam de lucro e dividendos) é distribuído localmente -entenda-se, para os bolsos destes grandes "investidores".

Marco Gomes, in Remisso - 5 de Setembro de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

Barragens agravam o problema: O mar avança implacável na costa portuguesa



Barragens agravam o problema
O mar avança implacável na costa portuguesa


As barragens que o Governo pretende ver construídas deverão agravar ainda mais o problema da erosão da costa portuguesa, na medida em que retêm os sedimentos

A costa portuguesa está em sério risco. Todos o sabemos. E quase todos agimos como se nada estivesse a acontecer. O trabalho que o "Jornal de Notícias" publicou ao longo de mais de 40 dias não podia ser mais elucidativo. O problema não se circunscreve a uma região, é transversal, de Caminha a Vila Real de Santo António.

E, embora se reconheça que a situação mudou alguma coisa nos últimos anos, devido a uma maior vigilância e censura social, continua a haver tentativas de persistir no erro. Alveirinho Dias, professor da Universidade do Algarve, dizia, ao JN, que o fundamental para preservar o futuro é aprender com os erros do passado. Nem todos, enfim, aprendem. Há poucos anos, em plena Área de Paisagem Protegida do Litoral de Esposende, agora designada Parque Natural do Litoral Norte, a promoção de um empreendimento de luxo, na fustigada praia de Pedrinhas, convidava: more com o mar a seus pés. Não podiam ser mais reais. E os exemplo repetem-se.

O próprio Estado tem contribuído e continua a favorecer o agravamento do problema: todos os anos injecta milhões de euros em obras que nada resolvem, muitas vezes apenas pioram a situação. Também o Programa Nacional de Barragens - prevê a construção de 10 novos empreendimentos - , para além das dúvidas que subsistem em relação à sua necessidade em termos de produção de energia, virá com certeza agravar mais o problema. As barragens, como se sabe, retêm a areia, não a deixando chegar ao mar. Podem argumentar: a energia hídrica é verde (algo controverso), por isso as barragens ajudam a combater as alterações climáticas. Essas mesmas alterações climáticas que, com a subida do nível do mar, tanto têm ajudado ao encolher da costa portuguesa.

Não basta argumentar: é necessário agir, inverter procedimentos. Ao ritmo que o mar tem avançado - as fotos aéreas cedidas ao JN pelo Instituto Geográfico e os testemunhos ouvidos pelo repórter do JN provam-no -, nove metros por ano em algumas zonas, os refugiados ambientais não serão apenas os habitantes das ilhas do Pacífico, poderemos ser nós próprios.


Paula Ferreira, in Jornal de Notícias, N.º 92, Ano 123 (p. 6) - 1 de Setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

Amarante: BE questiona sobre descarga poluente no Tâmega



Amarante
BE questiona sobre descarga poluente no Tâmega

António Orlando, in Jornal de Notícias, N.º 95, Ano 123 (p. 18) - 4 de Setembro de 2010

Tâmega - AMARANTE: Câmara admite poluição no Tâmega, mas garante qualidade da água da rede pública




Tâmega - AMARANTE
Câmara admite poluição no Tâmega, mas garante qualidade da água da rede pública
“Para já não há motivos para alarme. Quero tranquilizar a população”, acrescentou Carlos Pereira

O vereador do Ambiente na Câmara de Amarante, Carlos Pereira, admitiu hoje à Lusa que o rio Tâmega, a montante da cidade, apresenta “sinais de aparente poluição”, mas garante que está assegurada a qualidade da água para abastecimento público.

“Foram tomadas todas as precauções. Os nossos serviços da estação de tratamento (ETA) redobraram os cuidados com o controlo da qualidade da água captada no Tâmega em Amarante, para que a mesma tenha a qualidade exigida”, frisou o autarca.
“Para já não há motivos para alarme. Quero tranquilizar a população”, acrescentou o autarca à Lusa.

O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega alertou hoje em comunicado para “descargas ilegais” de efluentes, alegadamente ocorridas nos últimos dias neste curso de água, a montante de Amarante.

Emanuel Queirós, daquele movimento, diz que na quinta feira eram visíveis na água manchas e espuma na zona do Borralheiro, a cerca de quatro quilómetros de Amarante, atribuindo a situação a descargas ilegais de efluentes de explorações agropecuárias, que não identificou.

Face à situação, os técnicos da autarquia, acompanhados por militares da GNR do Serviço de Proteção de Natureza e Ambiente (SEPNA) deslocaram-se à zona de Fridão, onde foram encontradas nas duas margens manchas e espuma, e ali fizeram a recolha de amostras para análise.

“Vamos analisar, mas tudo aponta para que não se trate de uma situação grave, até porque não parece haver peixes mortos nem cheiros”, afirmou o vereador.

Carlos Pereira acrescentou que tudo aponta para que a poluição já venha da região de Basto, a montante de Amarante, porque, sublinhou, já foram avistados sinais na zona da Ponte de Arame, próxima do limite do concelho.

“Talvez possa ter a ver com os muitos incêndios que houve nessa zona”, observou.

Também hoje o movimento de cidadãos alertou para a poluição que tem sido avistada no rio junto ao parque desportivo da Costa Grande, próximo do centro da cidade.

O vereador confirmou à Lusa que essa situação, que “aconteceu duas ou três vezes”, foi identificada pelos serviços, que a atribuíram a avarias na bomba de uma estação elevatória que encaminha os efluentes para a estação de tratamento localizada a jusante da cidade.

“As avarias, após terem sido detectadas, foram de imediato resolvidas”, afirmou Carlos Pereira, admitindo no entanto que enquanto tal não ocorreu foram lançados esgotos para o rio.

O vereador sublinha que o problema só será definitivamente resolvido quando estiver concluído o novo emissário, cujo projecto está em execução, o qual, explicou, conduzirá os efluentes à estação de Vila Caiz, esta já em construção.

Armindo Mendes (Lusa), in Tâmega online - 3 de Setembro de 2010

AMARANTE - Tâmega: Movimento de cidadãos alerta para descargas de efluentes no Tâmega







AMARANTE - Tâmega
Movimento de cidadãos alerta para descargas de efluentes no Tâmega
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“São situações deploráveis. Alguns estão a prejudicar os recursos naturais que são de todos, perante a displicência das autoridades locais e regionais”, disse à Lusa Emanuel Queirós

O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega alertou hoje, em comunicado, para “descargas ilegais” de efluentes, alegadamente ocorridas nos últimos dias neste curso de água, a montante de Amarante.


“São situações deploráveis. Alguns estão a prejudicar os recursos naturais que são de todos, perante a displicência das autoridades locais e regionais”, disse à Lusa Emanuel Queirós, daquele movimento de cidadãos.
Emanuel Queirós diz que na quinta feira eram visíveis, na água, manchas e espuma na zona do Borralheiro, a cerca de quatro quilómetros de Amarante, atribuindo a situação a descargas ilegais de efluentes de explorações agropecuárias, que não identificou. “Esta é uma situação do terceiro mundo”, lamentou, considerando que o rio está votado "ao total desprezo das autoridades".
O activista garante que esta situação não é nova e lembra que recentemente terão sido realizadas descargas de efluentes no curso do rio que atravessa a cidade, com origem na rede de saneamento. Essas descargas, acrescentou à Lusa, “foram visíveis junto ao açude da Feitoria e poderão ter sido provocadas por problemas num colector de esgotos da Ribeira do Fontão”. “A cada passo o açude apanha um banho de porcaria. O colector a cada passo está entupido e debita tudo para o rio. São situações deploráveis que não deviam acontecer e que merecem das autoridades acção para a resolução de problemas que só nos reportam um estado de terceiro mundismo, que não podemos aceitar”, afirmou.
A Lusa contactou a GNR e a Câmara de Amarante, mas ambas as entidades alegaram desconhecer a situação. O comandante da força policial, capitão Babo Nogueira, e o vereador do Ambiente, Carlos Pereira, disseram à Lusa que vão averiguar a situação.

Armindo Mendes (Lusa), in Tâmega online, Público - 3 de Setembro de 2010 - e in Tâmega Jornal, N.º 62, Ano 3 (p. 2) - 10 de Setembro de 2010

Assembleia da República - PCP pergunta ao Governo: Cheiros e descargas poluentes em Amarante





Assembleia da República - PCP pergunta ao Governo
Cheiros e descargas poluentes em Amarante

Moradores, utentes e até alguns órgãos de comunicação social local têm divulgado a repetida existência de maus cheiros na zona ribeirinha de Amarante, em especial no trajecto entre o Parque florestal e a ponte de S. Gonçalo, na margem esquerda do Rio Tâmega, com maior incidência nas partes finais dos dias e nos períodos nocturnos.
Estes fenómenos que, de acordo com algumas informações que nos foram disponibilizadas, têm sido algumas das vezes acompanhados do aparecimento de manchas negras na água do próprio Rio Tâmega, ocorrem de forma intermitente, embora com maior frequência, desde o passado mês de Maio.
Os responsáveis pelo sistema local de abastecimento de água e saneamento reconheceram publicamente – a fazer fé em relatos de imprensa local – que durante o mês de Maio terão ocorrido pelo menos duas descargas ilegais de hidrocarbonetos, “de origem desconhecida”. Bem se sabe que há sistemas plenamente eficazes que permitem a detecção e identificação da natureza deste tipo de descargas poluentes e que permitem de forma muito segura a identificação da respectiva origem. Para além deste reconhecimento “não identificado”, esses mesmos responsáveis negam a existência dos cheiros e de outras descargas poluentes que se fizeram e fazem sentir de forma intermitente. Negam, em especial, que a origem destes cheiros e (eventuais) descargas possa ser a ETAR que existe nas proximidades, a quem, por outro lado, a maioria das pessoas atribui a origem de toda esta situação.
Estamos assim perante uma situação muito pouco aceitável que necessita de ser esclarecida com rigor, objectividade e transparência e que, simultaneamente, exige decisões e acções que impeçam a repetição quase cíclica deste tipo de fenómenos.
Face ao exposto, e ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, solicita-se ao Governo que, por intermédio do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, responda às seguintes perguntas:

  1. Tem esse Ministério conhecimento da ocorrência repetida de maus cheiros e descargas poluentes na zona ribeirinha de Amarante?
  2. Relativamente às descargas que as autoridades locais reconhecem ter ocorrido em Maio, que tipo de acções promoveram as autoridades ambientais para as identificar e conter e para penalizar, (mormente com a aplicação das contra-ordenações previstas na Lei) os seus autores? Considera esse Ministério aceitável que tenha sido divulgado por responsáveis locais pela área ambiental a ideia da não identificação dos respectivos autores?
  3. Está esse Ministério em condições de garantir que a origem destas descargas não é o funcionamento deficiente da ETAR existente nas proximidades? E está o Ministério em condições de garantir que as afirmações dos responsáveis locais pela área ambiental não se destinam a ocultar a sua própria responsabilidade?
  4. Face à repetição de maus cheiros e de descargas, que medidas cautelares forma ou vão ser impostas por esse Ministério para impedir a sua repetição cíclica?

Partido Comunista Português - in Partido Comunista Português - 20 de Agosto de 2010

Relatório anual do banco de Portugal: Receitas extraordinárias com as barragens salvaram o défice de 2008





Relatório anual do banco de Portugal
Receitas extraordinárias com as barragens salvaram o défice de 2008


O défice público de 2008 de 2,6% do PIB teve um contributo de 1,1% de receitas extraordinárias, o mais elevado desde que Santana Lopes foi primeiro-ministro em 2004. Sem estas "medidas temporárias", o défice orçamental português teria sido de 3,7% no ano passado, segundo se conclui do relatório anual do Banco de Portugal.

O défice público de 2008 de 2,6% do PIB teve um contributo de 1,1% de receitas extraordinárias, o mais elevado desde que Santana Lopes foi primeiro-ministro em 2004. Sem estas "medidas temporárias", o défice orçamental português teria sido de 3,7% no ano passado, segundo se conclui do relatório anual do Banco de Portugal.

Quando são excluídas as receitas extraordinárias desde o ano 2000, Portugal só conseguiu em 2007 ter um défice inferior ao limite imposto pelo Pacto de Estabilidade. Em todos os outros anos, o desequilíbrio das contas públicas foi superior a esse limite.

As receitas extraordinárias foram no ano passado de 1,8 mil milhões de euros graças ao alargamento dos prazos e à concessão de novas barragens e auto-estradas. Em 2007, a única medida temporária tinha sido a concessão da barragem do Alqueva, que rendeu aos cofres públicos 195 milhões de euros.

No seu conjunto, as barragens, na sua esmagadora maioria nas mãos da EDP, permitiram ao Estado encaixar 1.383 milhões de euros. O alargamento do prazo das já concessionadas rendeu 759 milhões enquanto as novas barragens geraram 624 milhões de euros.

As estradas viabilizaram 471 milhões de euros. Deste valor, 271 milhões estão ligados ao aumento do prazo de concessões da Brisa e o restante diz respeito à auto-estrada do Douro-Litoral (ver quadro).

O Governo de Durão Barroso, em 2002, foi o primeiro a usar receitas extraordinárias para garantir um défice inferior aos 3% impostos pelo Pacto de Estabilidade. Desde esse ano até 2004, posteriormente com Santana Lopes, as medidas irrepetíveis é que garantiram o cumprimento do Pacto. De 2005 a 2007, já com José Sócrates como primeiro-ministro, as receitas extraordinárias desapareceram. Regressaram no ano passado, com um valor praticamente igual ao que Manuela Ferreira Leite recolheu em 2002 (1.822 milhões de euros).


Maria João Soares (mjsoares@negocios.pt) e Helena Garrido (helenagarrido@negocios.pt), in negóciosonline - 17 de Junho de 2009

sábado, 4 de setembro de 2010

Chile - Portugal: Tâmega e Patagónia a mesma luta

Chile - Portugal
Tâmega e Patagónia a mesma luta



No Tâmega (Portugal) e na Patagónia (Chile), territórios situados em hemisférios opostos do mesmo mundo de interesses, pairam ameças semelhantes provindas de negócios estatais com empresas bem nossas conhecidas.
Ignorando a terra e as pessoas, cilindrando tudo quanto a Terra dá aos autóctones em chão e ambiente, a selvajaria mercenária que dita o superior interesse hidroeléctrico campeia por esse mundo fora numa sofreguidão infernal em figurino travesti.

Tal como no Tâmega - onde se perspectiva a morte da água, do rio e da bacia, dos ecossistemas ribeirinhos e de todo o património natural e construído no vale, em seis «grandes» represas absurdas (uma já está construída a barrar as águas com os efeitos que se conhecem, e com as autoridades a assobiar para o lado e meter ao bolso o produto do garimpo) - numa ameaça demoníaca permanente que se erguerá sobre e a montante da cidade de Amarante (3 barragens concessionadas à Iberdrola e 1+1 concessionada à EDP), na Patagónia chilena, ameaça semelhante (5 «grandes» barragens hidroeléctricas!) recai sobre dois rios, dos que estão em melhor estado natural: Baker e Pascua.

Em ambos os casos sempre os mesmos apetites a saciar, cada qual com as suas particularidades, gerando privações aberrantes aos povos deserdados dos dois países por ambos os governos, com as monstruosidades a ganharem enormes proporções tanto em Portugal (Europa) como no Chile (América do Sul), com maior sacrifício sobre o Tâmega (Portugal).

"El mundo y la humanidad se encuentran hoy en un punto de inflexión sin precedentes históricos. Sin duda la historia pasará la cuenta respecto de quienes, por ambiciones personales o corporativas, sumaron caos y entropía al proceso en estos difíciles momentos. También reconocerá a quienes, por amor a la creación y solidaridad generacional, se la jugaron denodadamente por un mundo mucho mejor." (CDPC)

No Chile (Patagónia) e em Portugal (Tâmega), por semelhante brutalidade, as populações erguem o mesmo estandarte da paz e desenvolvimento, sustentadas nos mesmos valores civilizacionais e nos princípios da sustentabilidade consagrados na Lei.

José Emanuel Queirós - 4 de Setembro de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

Texto reproduzido in O Chato.


> Livro (pdf)

Consejo de Defensa de la Patagonia Chilena, in Patagonia Chilena ¡Sin Represas! (Chile)


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Mondim de Basto - Rio Olo: Um rio no precipício



Mondim de Basto - Rio Olo
Um rio no precipício

Aí está - reportado com absoluta independência informativa - o retrato jornalístico de uma parte de quanto em valor natural irreprodutível - património da Terra, da região, de todos e de sempre - o Ministério do Ambiente, liderado por Francisco Nunes Correia, concessionou no Tâmega à eléctrica espanhola Iberdrola, presidida em Portugal pelo ex-ministro da economia e finanças Joaquim Pina Moura - rendido aos MegaWatts da energia - no âmbito do nacional e socialista programa-patranha das barragens inventado na transportadora REN (Redes Energéticas Nacionais) de José Penedos.

Eduardo Pinto, in Jornal de Notícias (Viva +), N.º 91, Ano 123 (p. 27) - 31 de Agosto de 2010

Tâmega - Terras de Basto: Ribeira de Pena a água e fogo

Tâmega - Terras de Basto
Ribeira de Pena a água e fogo


Do que se soube ao findar da tarde, a borrasca do dia aliviou ribeirapenenses das aflições do fogo, que terá levado 6000 hectares de muita da mais bela paisagem da região. Mas nem só esse elemento consome a alma das gentes de Ribeira de Pena.

Ao inteirarem-se devidamente do viciado processo de concessão das Barragens da Iberdrola, entre elas, a de Daivões, a população tem mostrado inquietação com o futuro. Sabe-se, dos exemplos desse país abaixo, que investimentos destes vêm sempre mascarados de promessas e ilusões por cumprir. Consideradas as perdas que nenhuma compensação suplanta, nomeadamente a privação do uso de um rio, das suas margens e mesmo da albufeira que o poderá substituir, a Assembleia Municipal de Ribeira de Pena, em sessão extraordinária, aprovou, por unanimidade, uma moção que visa clarificar e inverter todo processo. Uma posição de coragem que merece todo o louvor e serve de exemplo a órgãos homólogos noutros concelhos de Basto.


Vítor Pimenta, in O Mal Maior - 2 de Setembro de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto)

Molhes de defesa já ocupam um décimo dos limites entre mar e terra: Orla costeira da Europa perde biodiversidade e sofre erosão



Molhes de defesa já ocupam um décimo dos limites entre mar e terra
Orla costeira da Europa perde biodiversidade e sofre erosão

A costa da Europa está em mudança acelerada devido à pressão humana. Apesar de múltiplas directivas a pensar na protecção de espécies e habitats, ocorreu nas duas últimas décadas uma perda acelerada de diversidade, diz a Agência Europeia do Ambiente.

Reconciliar o desenvolvimento e a conservação da natureza é o “apelo” da Agência Europeia do Ambiente, que agora divulgou um documento de balanço sobre o estado da orla costeira da Europa. São cerca de 185 mil quilómetros onde se vêm concentrando as populações. Mais de metade já habita na faixa mais próxima do litoral, situando-se Portugal entre os oito países em que tal ocorre com maior intensidade.

A ocupação da zona costeira tem sido feita pelo sector residencial, mas também pelo industrial, e turístico, sendo que tal movimentação é acompanhada pela construção de estradas e outras infra-estruturas.

Dois factores ressaltam na análise feita pela Agência Europeia do Ambiente quanto às causas que levam o litoral europeu a mudar o seu perfil e a retrair-se: a artificialização dos rios, nomeadamente através da construção de barragens, e a extracção de areias, paradoxalmente para irem alimentar outras praias. Sem a chegada de novos sedimentos transportados pelos rios, a linha de costa não é alimentada, o mesmo acontecendo a muitas espécies de peixes.

Sistemas dunares e estuarinos são afectados também na sua biodiversidade, o mesmo acontecendo a zonas de sapal. Cerca de 4.500 quilómetros quadrados de zonas húmidas deverão desaparecer como resultado da subida do nível das águas do mar. Essa área corresponde a metade da existente na Europa.

As actividades humanas em terra , lembra a Agência Europeia do Ambiente vão afectar o litoral. A agricultura envia, por acção das escorrências das chuvas, cargas de nitratos e fostatos para as águas dos estuários e da costa. Isso vai matar a vida aquática porque esses fertilizantes facilitam o crescimento das algas azuis, grandes consumidoras de oxigénio.

Os eco-sistemas marinhos junto á costa também estão a ser afectados por espécies invasoras que vêm competir com as autóctones e por vezes transmitir-lhes doenças. O Mediterrâneo é o caso mais grave. Essas espécies chegam no casco e lastro dos navios, mas também já houve a introdução intencional de espécies, por exemplo no Mar Frísio, onde uma espécie de ostra do Pacífico prosperou.

Como resultado destas pressões, lembra o documento agora divulgado, “estão em risco na Europa habitats e espécies costeiras de interesse comunitário”. O estado de conservação é considerado “desfavorável” para dois terços dos habitats e para metade das espécies.

A União Europeia tem diversos mecanismos de conservação aplicáveis a este meio, mas eles parecem não estar a ser suficientemente eficazes. Além da Directiva Quadro da água, há a Directiva Quadro para a Estratégia Marinha, a Directiva Habitats e a Directiva das Aves. Além disso, a Europa subscreveu diversas convenções internacionais, como a de OSPAR, para protecção do nordeste atlântico.

Estuários e sapais, lagoas, zona entre marés, rochas, corais e algas são componentes dos habitats costeiros. A Agência Europeia do Ambiente lembra que eles fornecem “serviços”, como alimentos, fármacos, regulação do clima e recreio, o que implicaria a sua melhor preservação.


Eduarda Ferreira, in Jornal de Notícias, N.º 92, Ano 123 (p. 49) - 01 de Setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Destaque - MAIS UM ATENTADO ECOLÓGICO: DESCARGAS POLUENTES NO RIO TÂMEGA CONTINUAM IMPUNES





Destaque - MAIS UM ATENTADO ECOLÓGICO
DESCARGAS POLUENTES NO RIO TÂMEGA CONTINUAM IMPUNES
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Na zona de Vila Chã/Gatão (foto) o rio apresenta o aspecto típico do efeito produzido por descargas ilegais feitas no seu leito, como habitualmente acontece nesta época do ano.

A falta de água, resultado de um Verão tórrido e seco, já era motivo suficiente para que o cuidado com o frágil rio fosse absoluto. Como se isto não bastasse, assistimos a um espectáculo degradante de poluição nitidamente propositada de pessoas, cuja punição e apuramento de responsabilidades, raramente acontece.
Já na sexta-feira passada alguns populares ter-se-ão apercebido que o rio Tâmega apresentava uma coloração diferente. No passado domingo a deposição de espuma de coloração branca, manchada de castanho à superfície era bem visível. Hoje, quinta-feira, voltou a acontecer com mais gravidade (ver fotos anexas).
É certo e sabido que certo tipo de explorações são responsáveis por estes actos criminosos que visam apenas o seu próprio lucro económico, quando deveriam possuir meios próprios que permitissem desactivar substâncias activas cuja poluição é por demais conhecida e que se torna evidente aquando das descargas para o indefeso rio.
Caberá às autoridades locais a fiscalização destes negócios, muitas vezes clandestinos, cuja laboração não colocamos em causa mas sim os maléficos atentados ecológicos, fruto de uma falta de respeito imperdoável pelo meio ambiente.

Delfim Carvalho / Ismael Coelho (Fotos), in @marante.jornal - 02 de Setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Tâmega - Barragens: «Desencanto» de António Patrício

Tâmega - Barragens
«Desencanto» de António Patrício

>> Desencanto <<

Canto sem gosto e sem beleza
Este Tâmega ledo e pardacento
Que um homem sem esperteza
Enjaulou entre muros de cimento.

Choro este rio ao mesmo tempo
Que doido passa sobre a ponte
Em desnorte e contratempo
Nada vislumbro no horizonte

Duas pontes, duas passagens,
Outra bandas, outros lados,
Com certezas e miragens
Fantasias e outros fados.

Mais cinco jaulas em betão
Querem no teu leito erguer
Sepulturas fundas num chão
Que já começou a morrer.

Não, não matem o Tâmega
Rio de sadias paixões
Deixem-no viver liberto
Das grilhetas das prisões.


António Patrício - Abril de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)