
domingo, 15 de agosto de 2010
Novas oportunidades depois do Governo: Pinho com aulas pagas

Esta cadeira está integrada numa parceria de quatro anos entre a eléctrica portuguesa e a School of International and Public Affairs da Universidade da Columbia. A pedido da empresa liderada por António Mexia, a universidade nova-iorquina não revelou o valor da doação. Mas uma página do site sobre notícias da Universidade da Columbia está ‘linkada’ a outra que refere que as doações rondam os 2,34 milhões de euros.
Manuel Pinho garante que foi convidado pela universidade nova-iorquina em Outubro, antes de a EDP fazer esta parceria. "Depois de ter aceite o convite o que fiz foi colocar a EDP e o ISCTE em contacto com a Columbia", disse o antigo ministro ao ‘Jornal de Negócios’. E acrescentou: "Tenciono estabelecer mais contactos entre a Columbia e instituições portuguesas para ajudar a criar um grande programa sobre energias renováveis".
Contactada pelo CM, a EDP afirma que cabe à Universidade da Columbia a escolha do corpo docente. Mas reconhece que o antigo ministro da Economia Manuel Pinho "ganhou competência na área das energias renováveis".
Ana Carvalho Vacas, in Correio da Manhã - 14 de Agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
CEO da EDP em foco: O admirável mundo de Mexia

CEO da EDP em foco
O admirável mundo de Mexia
Li, com algum atraso e por sugestão amiga, a entrevista de António Mexia, presidente da EDP, à penúltima edição da Única, a revista do Expresso. É um documento de notável interesse psicológico e sociológico sobre o perfil do entrevistado – e os estereótipos culturais dos chamados gestores de topo –, mas também sobre um género de jornalismo hoje muito comum em Portugal (quando não estão em causa actores e controvérsias políticas).Será mera impressão minha ou é um facto indisfarçável que os homens de negócios mais influentes gozam de um tratamento de privilégio excepcional nos jornais económicos e na imprensa generalista? Neste caso particular, tudo parece tão meticulosamente programado e encenado – até o cenário escolhido para as poses da entrevista, a barragem do Alqueva – que a espontaneidade ou o distanciamento entre entrevistador e entrevistado deixam de existir.
Com duas ou três excepções para confirmar a regra, as declarações do gestor mais bem pago do país sublinham um narcisismo extravagante e uma visão quase malthusiana do sucesso social. Segundo Mexia, apenas líderes como ele teriam direito a posar para o retrato da História: «Eu gosto de liderança. Gosto dos números 1, 2 e 3. Não gosto dos outros a partir do 4,5…Dou-me mal com eles, embora o 7 seja o meu número da sorte». (…) «Tenho um apetite imenso pela escala. Estive ligado àquilo que foi o maior investimento estrangeiro em Portugal – anunciei o investimento da Autoeuropa –, estive ligado ao projecto mais interessante da década de 90, que foi o da introdução do gás natural, e neste momento estou na maior multinacional portuguesa. Eu gosto de escala. Dou-me mal com coisas pequenas».
Nesta obsessão pelas coisas grandes, pela escala, pelo bigger than life, Mexia ‘liga-se’ a todos os protagonismos (ainda quando o seu papel possa ter sido apenas instrumental ou episódico). A ideia que faz de si mesmo ultrapassa qualquer circunstância ou contingência: vê-se a ocupar o palco como superstar de uma companhia que não existiria sem ele. Ele é, como diz, o grande «energizador». «Energizar» é o seu verbo mágico.
Sintomaticamente, o mesmo homem que faz depender a competência técnica da «inteligência emocional» denuncia um extraordinário défice de auto-análise. Por um lado, pretende que «ser líder não tem a ver com ego. Ser líder é ser humilde, ver e ouvir e associar-lhe determinação e decidir». Mas essa suposta humildade não o impede – a propósito de uma conversa com Passos Coelho – de «ter a mania de dar conselhos. Em tudo na vida digo do que não gosto e trago a solução».
De facto, ele julga ter sempre a solução para tudo, a solução que o levou a acertar em todos os desafios da vida, mesmo quando foi carteiro e barman na Suíça para pagar os estudos ou foi modelo publicitário em Portugal porque os seus ordenados como professor assistente em duas faculdades não lhe chegavam para pagar a renda da casa: «Era uma forma fantástica de ganhar dinheiro».
Na introdução da entrevista, a jornalista nota que ele «sobe as escadas a correr, dois degraus de cada vez» nas «dezenas de lanços que teve de transpor no interior da barragem do Alqueva». Páginas adiante, é ele próprio quem assume a teatralidade da representação: «Viu-me hoje a subir escadas não é! Quando é para subir, é para subir depressa. Deixei de festejar os meus anos, não gosto destas coisas das datas. Não gosto de ter menos tempo do que já tive. (…) Eu quero-me eternizar. Não necessariamente no poder. Quero trabalhar enquanto sentir que tenho valor acrescentado».
Para este workaholic do «valor acrescentado», o poder empresarial e o poder político constituem duas faces de uma mesma ambição – defende enfaticamente a presença do Estado na EDP embora recuse opinar sobre as golden share… –, apesar da «capacidade de sofrimento» que, segundo ele, a política pressupõe. Ministro de Santana, admite vir a ser um dia presidente de uma «das maiores empresas portuguesas», a Câmara de Lisboa, embora se deduza que aspira a voos ainda mais altos, para que se sentirá predestinado como ‘energizador da solução’.
Talvez esta capacidade providencial explique a perfeita boa consciência com que justifica o bónus de 3,1 milhões de euros que recebeu em 2009 e a displicência com que responde aos que se escandalizaram com isso: é apenas um sinónimo de «preguiça e inveja». Está tudo dito.
A grande polémica internacional sobre a questão dos bónus é omitida pela entrevistadora, que se limita a uma referência a Steve Jobs, esquecendo as normas restritivas que a maioria dos governos ocidentais, de esquerda ou direita, têm procurado adoptar e o Governo português tentou, em vão, pôr em prática. Quanto ao entrevistado, deduz-se que prescinde de comentá-la por estar fora do guião.
Mexia paira acima das convulsões planetárias da crise e das medidas de austeridade que os números de que ele não gosta (do 4 para diante, à excepção do 7…) serão forçados a pagar, por mais que isso custe às respectivas bolsas. Aliás, a palavra crise não consta das perguntas e respostas da entrevista ao Expresso, como se fosse uma ficção inteiramente estranha ao admirável mundo de António Mexia.
As ausências humanas são, de resto, aquilo que mais se faz sentir neste documento singular sobre o protótipo de um homem unidimensional. Somos informados de que Mexia pratica jardinagem ou alguma ginástica e que é um fotógrafo de iPhone com a paixão da fotografia. Mas aquilo de que mais gosta «mesmo é ouvir música, música, música» (embora se fique sem saber de que música se trata, suspeitando-se tão só que tem de ser ‘energizante’).
Desconhece-se se vai ao cinema, que livros lê ou que autores o marcaram, se frequenta museus ou se gosta de pintura. A entrevistadora escreve que o único assunto que o emociona é falar da sua filha de 12 anos: «Ela não é material…Percebe que é a coisa mais importante para mim». E aí, anota a jornalista, os seus «olhos enchem-se de lágrimas».
Vicente Jorge Silva, in Sol, Edição n.º 205 (p. 25) - 6 de Agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Alto Tâmega - Barragens: Municípios exigem compensações

in Grande Porto, Edição N.º 58, Ano II (p. 6) - 6 de Agosto de 2010EDP versus barragens: Salvar o Tua

EDP versus barragens
As recentes declarações da ministra da Cultura, durante a inauguração do Museu do Côa, sobre a inevitabilidade da construção da barragem de Foz-Tua, são surpreendentes.(...)
Enfim, por provirem do membro de um Governo que sabe que o Plano das Dez Barragens, em que se inclui a do Foz-Tua, foi alvo de uma queixa junto da Comissão Europeia, por violação da legislação da União em matéria ambiental, e que é sabido que os competentes serviços da Comissão nutrem vivas reservas em relação àquele Plano.
Se o lobby da EDP, das eólicas e das construtoras não tiver desta vez, pelo nosso silêncio, o ganho de causa com que conseguiu abafar o crime do vale do Sabor, essa queixa provocará a abertura de uma infracção e a eventual condenação do Estado português. Deve ser por isto, aliás, que a EDP anunciou a 24 de Julho o lançamento precipitado do concurso de empreitada para a construção da barragem do Foz-Tua, numa tentativa de criar factos consumados e de aumentar a pressão em Bruxelas para que ali não se esqueçam do “pá-porreirismo” em que se afogou a infracção do Baixo Sabor.
(...)
Os interesses da EDP, definidos em Lisboa com a conivência das forças centralistas, parecem ser majestáticos e acima da lei. Houvesse uma Região Norte instituída e outro galo cantaria. É por isso que alguns temem o surgimento de uma Região Norte e ainda mais o Movimento que crie o Partido do Norte. Para nós, a prioridade está no aumento da eficácia energética, em que estamos abaixo da média europeia e onde há uma margem importantíssima para economia a ponto de se reconhecer oficialmente que por cada euro investido em eficácia energética se poderia obter até oito euros de retorno em poupança de consumos.
Mas esse não é o negócio da EDP; o centralismo prefere gastar milhões a destruir um vale precioso lá para o Norte longínquo e favorecer os interesses dos fabricantes de eólicas, as quais necessitam destas barragens de armazenamento, e os interesses das construtoras e cimenteiras.
Para isso tentará sempre encobrir com a fachada de energias limpas a sujeira que provoca no Norte transmontano.
Francisco de Sousa Fialho (jurista e dirigente do Movimento Pró-Partido do Norte - MPN), in Grande Porto, Edição N.º 58, Ano II (p. 18) - 6 de Agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Alto Tâmega: Municípios querem contrapartidas financeiras por causa das barragens
Alto Tâmega
Municípios querem contrapartidas financeiras por causa das barragens
As autarquias do Alto Tâmega directamente afectadas pela futura construção de barragens no rio Tâmega já têm definidas as contrapartidas financeiras que vão exigir ao Governo pela edificação dos empreendimentos. Em propostas aprovadas em sede de reunião de Câmara, as autarquias de Boticas, Vila Pouca de Aguiar e Chaves exigem, pelo menos, um terço do valor da contrapartida financeira entregue ao Estado (303 milhões de euros) pela empresa concessionária das referidas barragens, a espanhola Iberdrola. De acordo com o documento, o dinheiro em causa deverá ser aplicado em investimentos nos municípios directamente afectados, mas com repercussão a nível de todo o Alto Tâmega. Mas esta não é a única exigência. Os três municípios exigem igualmente que sejam criadas as condições técnicas e de segurança que permitam a utilização das albufeiras para fins turísticos, bem como a atribuição de um montante financeiro fixo de 2,5 por cento da produção bruta das barragens, para distribuir pelos concelhos afectados. Para os autarcas em causa, esta será a única forma de atenuar os efeitos dos empreendimentos, que dizem ir causar “prejuízos assinaláveis para as comunidades locais”. Entre eles, destacam “a perda de bons terrenos agrícolas, de casas habitadas, desestruturação dos modos de vida das populações afectadas e consequente necessidade do seu desalojamento e realojamento, a ocorrência de alterações climáticas, com muito impacto na sua economia, e a perda de referências culturais”.
O Governo já emitiu parecer ambiental favorável (à cota mínima) a três das quatro barragens previstas para o Tâmega. No entanto, o processo poderá ainda esbarrar com outros obstáculos. Um movimento local no concelho de Chaves contra as barragens no Tâmega já admitiu que está disposto a avançar com uma providência cautelar para travar o processo.
Margarida Luzio, in Semanário Transmontano - 12 de Agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Mondim de Basto - Associação Cívica Pró-Tâmega: A 27 de Agosto «Ajuda a Salvar o rio Tâmega!»

Mondim de Basto - Associação Cívica Pró-Tâmega
A 27 de Agosto «Ajuda a Salvar o rio Tâmega!»

Jantar de angariação de fundos
A Barragem de Fridão no rio Tâmega é a maior ameaça ao desenvolvimento sustentável da região nas vertentes ambiental, social, económica e na segurança da cidade de Amarante.
A Associação Cívica Pró-Tâmega cumpre o dever de participar a realização e de o convidar para o jantar «Ajuda a Salvar o Rio Tâmega», que vai ter lugar em Mondim de Basto (Bar da Ponte do rio Tâmega), pelas 19h30 do próximo dia 27 de Agosto de 2010
Este evento tem como objectivos dar conhecimento das iniciativas cívicas levadas a efeito com vista a salvar o Tâmega e promover a angariação de fundos para ajuda à anulação da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da Barragem de Fridão, da Acção Popular Administrativa que deu entrada no Tribunal Administrativo de Penafiel.
Preço por pessoa: € 15,00 (€5,00 reverte para a Acção Judicial)
Inscrições:
Prof. António Aires (93 690 2393) – aires21@sapo.pt
Fernando Gomes (96 187 3539) – fmdcgomes@portugalmail.pt
Data limite de inscrição: 23 de Agosto de 2010
Organização: Associação Cívica PRÓ-TÂMEGA
Associação Cívica Pró-Tâmega - Agosto de 2010
Europa Central - Polónia: Rebentamento de barragem agrava situação na Alemanha

Europa Central - Polónia

José Belchior, in TSF - 8 de Agosto de 2010
Mundo: Aumento do número de catástrofes naturais exige maior prevenção

Aumento do número de catástrofes naturais exige maior prevenção
Casos de incêndios florestais aumentaramTufões, deslizamento de terra, enchentes e incêndios florestais: assuntos que se tornaram corriqueiros nas manchetes de jornais. Mas teria a incidência com que ocorrem realmente aumentado ou seria apenas uma impressão causada pelo aprimoramento das tecnologias de comunicação?
Segundo uma pesquisa feita recentemente na Alemanha, dois terços da população do país temem o aumento do número de catástrofes naturais devido às mudanças climáticas.
A cada ano, 250 milhões de pessoas são afetadas por desastres naturais. Desde 1992, a comunidade internacional já gastou mais de 2,7 bilhões de dólares em ações para mitigar os efeitos de furacões, enchentes e secas.
Prejuízos causados por inundaçãoEvidências concretas
“Quando se observa o número de desastres naturais nos últimos dez anos, não há dúvidas de que os prejuízos aumentaram”, avalia Walter Amma, presidente do Global Risk Forum, de Davos, uma organização que avalia os riscos a que uma sociedade está exposta. “Não se pode nem se deve argumentar que esses eventos são registrados hoje de forma mais precisa e mais rápida do que há 20 anos. A tendência é claramente de aumento.”
Para o Comitê Alemão de Prevenção de Catástrofes (DKKV), as mudanças climáticas têm aumentado a frequência e o impacto de catástrofes naturais. “É preciso lidar com as mudanças climáticas no âmbito regional, especialmente em relação aos eventos mais raros e de grande proporção. Pois as alterações provocadas variam de região para região no que diz respeito a fenômenos extremos”, explica Gerd Tetzlaff, meteorologista da Universidade de Leipizig e presidente do conselho científico do DKKV.
Em alguns países europeus, por exemplo,o aumento das temperaturas tem provocado ondas de calor e, consequentemente, aumentado o risco de incêndios florestais. A mudança climática não é a única responsável pelos desastres, mas cria as condições necessárias a eles.
Em algumas regiões do mundo, os eventos climáticos se tornaram mais extremos do que no passado. “No Caribe, furacões extremos são hoje mais frequentes. Previsões indicam que esse quadro irá persistir, embora ainda seja preciso avaliar a medida exata desse aumento”, pondera Tetzlaff.
Furacão Katrina começou a se formar em 23 de agosto de 2005A catástrofe provocada em Nova Orleans pelo furacão Katrina em 2005 é uma prova de que países ricos e industrializados também podem sofrer com os efeitos do clima. Entretanto, eles têm mais condições de se prevenir do que países pobres.
“Os impactos das mudanças climáticas serão fortemente sentidos nas regiões ao sul do Saara, na África, também em Bangladesh e em certas ilhas onde as maiores elevações situam-se apenas alguns metros acima do nível do mar”, cita Amman, do Global Risk Forum.
Há algumas semanas, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, alertou que o aumento da seca, das enchentes e de outras catástrofes naturais depende dos resultados que serão alcançados na Conferência Mundial do Clima de Copenhagen, que acontece no final do ano.
O principal objetivo da conferência será a diminuição da emissão de gases causadores do efeito estufa, mas, para os especialistas do DKKV e do Global Risk Forum, a adaptação às mudanças climáticas e a prevenção de catástrofes naturais são igualmente importantes.
Irene Quaile, Rodrigo Rimon (Revisão), in Deutch Welle - 25 de Agosto de 2009
Tâmega - Ribeira de Pena (Viela): Aldeia vive em angústia, esperando a barragem de Daivões
A emblemática ponte de arame terá de ser removida e recolocada
noutro sítio, disse o presidente da Câmara de Ribeira de Pena
Em Ribeira de Pena, Viela poderá ser uma aldeia inviável por causa da construção da barragem de Daivões, no rio Tâmega, já que grande parte das suas casas e terrenos agrícolas poderão ficar submersos.
A emblemática ponte de arame terá de ser removida e recolocada noutro sítio, disse o presidente da Câmara de Ribeira de Pena.
Na aldeia os rostos são de preocupação pelo futuro e pela falta de informação. “É claro que estamos preocupados, a barragem pode levar as nossas coisas, mas ainda ninguém dos explicou como isto vai ser”, afirmou à Lusa Serafina Fernandes.
A moradora na aldeia de Viela apenas sabe que os técnicos da barragem, que por ali andaram, lhe pediram os documentos da casa, construída há sete anos com o dinheiro ganho na Suíça, e dos terrenos que ligam a moradia ao rio Tâmega.
O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) das Barragens do Alto Tâmega aponta para mais de 70 as habitações que estão em área inundável em Ribeira de Pena.
Na pequena aldeia de Viela serão entre 13 e 15, dependendo da cota da barragem, mais a estrada de acesso e 80 por cento de toda a sua área. Na Declaração de Impacte Ambiental (DIA) é mesmo referida a necessidade de se estudar a viabilidade futura da aldeia.
No entanto, “a falta de informação concreta é o pior de tudo”, salientou Serafina Fernandes, que se recusa a ir viver para um apartamento. É que, explicou à Lusa, regressou à aldeia para dar “as melhores condições” à filha: Agora, "só sabemos que a barragem vai ser construída. Não sabemos as medidas, nem exactamente onde vai chegar a água”.
Na casa ao lado, também em frente ao rio, José da Silva Fernandes, 77 anos, diz-se descansado porque tem a certeza que a barragem já não vem no seu tempo. “Já falam há 30 e tal anos na barragem. Na altura em que fiz a casa vieram cá e disseram-me para não gastar mais dinheiro e assim ficou, nem pusemos mosaicos na cozinha nem na varanda. Estamos à espera até agora”, salientou.
Também Luís da Silva diz que as incertezas quanto à construção do empreendimento “são muitas”. Com casa construída em Viela há 33 anos, este residente está à espera que lhe digam alguma coisa. “Falta saber para onde havemos de ir, estamos à espera do que dizem. Se fazem uma casa ou nos dão dinheiro. Que remédio nós temos senão mudar daqui, não podemos ficar no meio da água, não é?”, afirmou.
O presidente da Câmara de Ribeira de Pena, Agostinho Pinto, até era a favor da construção dos empreendimentos quando foi anunciado o Plano Nacional de Barragens. Agora, afirma que mudou de ideias porque, depois de fazer as contas, chegou à conclusão que o concelho vai ser muito afectado e não vai ganhar nada.
“A nossa preocupação não é só com Viela, mas com todo o impacto que as barragens vão provocar em Ribeira de Pena”, salientou. É ainda em Santo Aleixo, Manscos, Friúme, Ribeira de Baixo ou Balteiro, onde casas e terrenos agrícolas vão também ficar submersos, são as redes viárias e o património como a emblemática ponte de arame. “Esta ponte terá que ser removida e recolocada em outro sítio”, salientou.
Apesar de a DIA ter sido aprovada condicionada à construção das barragens à cota mais baixa, Agostinho Pinto acredita que Daivães vai ser construída à cota maior, de 231.“Com menos uma barragem a Iberdrola vai produzir o mesmo. Têm que subir a cota às barragens”, justificou.
in Esquerda.Net - 9 de Agosto de 2010
PNBEPH - Energias versus Ambiente: Os dilemas das barragens

Os dilemas das barragens
Estamos num país onde o desperdício de energia atinge os 60%. Perante isto, a prioridade deve ser a gestão da procura, não da oferta, conforme tem sido defendido pelas ONGs ambientalistas.O debate sobre as barragens encontra-se sempre condicionado pela chantagem que consiste em escolher entre a água e o carvão. Mas apenas faz sentido ter este debate tendo em conta as implicações da opção hidroeléctrica para os dilemas ecológico, social e energético. Vejamos então como se comporta o Plano Nacional de Barragens (PNB).
O dilema ecológico
Um conjunto de directivas europeias compromete Portugal com objectivos em relação à qualidade da água e à gestão da água em função de planos de bacia hidrográfica (área da superfície terrestre drenada por um rio e seus afluentes). O cumprimento destas directivas era imperativo num país com secas cada vez mais frequentes e onde escasseiam programas de redução de consumos. Mas o facto de o PNB ter sido aprovado antes de terem sido aprovados os planos de gestão das bacias hidrográficas mostra como temos as prioridades trocadas.
A construção de barragens degrada consideravelmente a qualidade da água de um rio, como consequência da sua retenção em reservatórios. Problemas de eutrofização (proliferação de algas) e de contaminação da água são comuns em albufeiras. No Alqueva, por exemplo, a água encontra-se contaminada com níveis elevados de pesticidas e herbicidas, segundo um estudo da Universidade de Aveiro1. Com grandes barragens temos acesso a água, sim, mas de má qualidade.
As barragens são também más notícias para a preservação da biodiversidade. Os peixes tendem a extinguir-se como consequência da criação de obstáculos à sua migração (apesar das eclusas para peixes) e da degradação da qualidade da água. Nas albufeiras, proliferam as espécies exóticas, tendo em conta que o ecossistema se aproxima do de um lago. Quanto aos vertebrados que percorrem as zonas afectadas, o surgimento de uma enorme albufeira onde dantes havia um pequeno rio coloca também um entrave à sua mobilidade. O habitat de muitas espécies animais torna-se assim mais reduzido, aumentado o risco de extinção.
Outro grande inconveniente das barragens é o da redução do caudal sólido. Os rios transportam grandes quantidades de sedimentos ao longo do seu trajecto. Quando desaguam no mar, uma parte dos sedimentos irá fornecer nutrientes ao mar, essenciais para muitas espécies piscícolas. Outra parte deposita-se na costa, dando origem à areia das praias. Ao impedirmos a circulação dos sedimentos pela construção de represas estamos assim a contribuir para a erosão costeira.
Tudo isto se justifica, dizem os defensores da opção hidroeléctrica, face à necessidade de combater o aquecimento global. Mas as barragens não são neutras em carbono. Nas albufeiras a matéria vegetal decompõe-se a um ritmo superior ao normal, estimulando a produção de metano, um poderoso gás com efeito de estufa. Estudos científicos citados pela International Rivers2 concluem que 4% da contribuição humana para o aquecimento global pode ser atribuída às barragens.
A magnitude dos danos ecológicos causados pela energia hidroeléctrica atinge o seu expoente com as barragens construídas para aproveitar o excedente de produção das eólicas. Neste caso, constroem-se duas barragens (a principal e uma mais pequena de apoio) e a água é descarregada a montante em horas de elevada procura e bombeada de novo a jusante em horas de baixa procura. O constante vai-e-vem da água até ao momento em que finalmente é libertada para o rio agrava todos os problemas acima mencionados.
Em suma, o dilema ecológico desqualifica a energia hidroeléctrica como uma opção “limpa” e até como uma energia renovável, dado que há diferenças substanciais entre a água que entra e a água que sai de uma barragem.
O dilema social
Construir uma grande barragem implica quase sempre deslocar populações, sendo frequentes os casos em que povoações inteiras são submersas. As condições em que se efectuam os realojamentos são ilustrativas da forma como se encara o mundo rural. Forçados a abandonar as terras mais férteis, situadas nos vales dos rios, os locais são deslocados para zonas onde a produtividade agrícola é menor, recebendo em troca uma indemnização simbólica.
Quanto às promessas de emprego e desenvolvimento, cedo se desvanecem. Apenas durante a fase de construção as barragens dão emprego, quando as construtoras importam trabalhadores de todo o país e os colocam em guettos improvisados, sem qualquer contacto com a população local. Uma vez construída a barragem o emprego gerado se resume-se a quase zero.
O mesmo se pode dizer das promessas de criação de uma atracção turística. Os dedos das mãos não chegam para contar as albufeiras que se tornaram em pólos dinamizadores de turismo em localidades do interior. Por outro lado, deveria ser claro que existe um potencial não explorado de turismo de natureza em zonas naturais ainda não submergidas.
O dilema energético
Estamos num país onde o desperdício de energia atinge os 60%. Perante isto, a prioridade deve ser a gestão da procura, não da oferta, conforme tem sido defendido pelas ONGs ambientalistas. A execução do Plano Nacional de Barragens levará a um acréscimo na produção de electricidade que corresponde a 3,3% do consumo final de 2006, um pequeno excedente que poderia facilmente ser obtido de forma económica e ecológica investindo em medidas de eficiência e conservação energética.
Reduzir a dependência face aos combustíveis fósseis e reduzir as importações de energia são objectivos válidos, é claro. Mas fazê-lo à custa da degradação de um recurso comum tão essencial à vida como a água dificilmente pode fazer sentido, mesmo de um ponto de vista meramente geo-político ou económico. O facto de não aproveitarmos plenamente o potencial energético dos nossos rios não deve ser encarado como uma falha da política energética mas como um investimento na sustentabilidade.
Mesmo se ignorarmos a gestão da procura, portanto, o investimento em barragens não surge como uma alternativa defensável ao investimento em formas limpas de produção de energia. O argumento da fiabilidade do abastecimento não sobrevive a uma análise dos dados, na medida em que as oscilações sazonais no caudal dos rios ao longo de um ano, um mês ou até um dia, são muito consideráveis. A fiabilidade da energia hidroeléctrica não é tão elevada quanto diz a EDP e será cada vez mais reduzida à medida que as secas se tornarem cada vez mais frequentes devido às alterações climáticas, conforme estimado pelo IPCC3.
O que está em causa
Para aumentar um pouco a produção de energia, o governo pretende degradar ainda mais as bacias hidrográficas dos rios Douro, Vouga, Mondego e Tejo. Entre outros crimes ambientais, o PNB prevê a destruição do Sabor, o último rio selvagem da Península Ibérica e o fim da linha férrea do Tua. No fim, ficaremos mais pobres, pois teremos dado mais uma machadada no nosso património comum. Não há campanha publicitária da EDP ou propaganda governamental que possa compensar esta perda.
______________________________
1 “Estudo científico revela que a água do Alqueva é tóxica”, Público, 17/06/2009
2 http://www.internationalrivers.org/en/node/383
3 Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, órgão da ONU responsável por sintetizar as descobertas científicas no estudo do clima. A previsão é que enfrentaremos na Península Ibérica uma redução na produção hidroeléctrica de 20% a 50% até 2070.
No concelho de Ribeira de Pena: Barragem no Tâmega pode acabar com aldeia de Viela

No concelho de Ribeira de Pena
Barragem no Tâmega pode acabar com aldeia de Viela


"Estamos preocupados, a barragem pode levar as nossas coisas, mas ainda ninguém nos explicou como isto vai ser", afirmou Serafina Fernandes, moradora na aldeia. O Estudo de Impacte Ambiental das Barragens do Alto Tâmega aponta para mais de 70 as habitações que estão em área inundável em Ribeira de Pena. Na pequena aldeia de Viela, serão entre 13 e 15, dependendo da cota da barragem, mais a estrada de acesso e 80 por cento de toda a sua área.
O presidente da Câmara de Ribeira de Pena, Agostinho Pinto, lamenta que o concelho ganhe pouco com a barragem.
Lusa, in Correio da Manhã (p. 20) - 10 de Agosto de 2010
Alto Tâmega - Boticas, Vila Pouca de Aguiar e Chaves: Contrapartidas financeiras por barragens

Contrapartidas financeiras por barragens
Autarquias do Alto Tâmega directamente afectadas pela futura construção de barragens no rio Tâmega já têm definidas as contrapartidas financeiras que vão exigir ao Governo pela edificação dos empreendimentos. Em propostas aprovadas em sede de reunião de Câmara, as autarquias de Boticas, Vila Pouca de Aguiar e Chaves exigem, pelo menos, um terço do valor da contrapartida financeira entregue ao Estado (303 milhões de euros) pela empresa concessionária das referidas barragens, a espanhola Iberdrola.
De acordo com o documento, o dinheiro em causa deverá ser aplicado em investimentos nos municípios directamente afectados, mas com repercussão a nível de todo o Alto Tâmega. Mas esta não é a única exigência. Os três municípios exigem igualmente que sejam criadas as condições técnicas e de segurança que permitam a utilização das albufeiras para fins turísticos, bem como a atribuição de um montante financeiro fixo de 2,5 por cento da produção bruta das barragens, para distribuir pelos concelhos afectados.
Para os autarcas em causa, esta será a única forma de atenuar os efeitos dos empreendimentos, que dizem ir causar “prejuízos assinaláveis para as comunidades locais”. Entre eles, destacam “a perda de bons terrenos agrícolas, de casas habitadas, desestruturação dos modos de vida das populações afectadas e consequente necessidade do seu desalojamento e realojamento, a ocorrência de alterações climáticas, com muito impacto na sua economia, e a perda de referências culturais”.
O Governo já emitiu parecer ambiental favorável (à cota mínima) a três das quatro barragens previstas para o Tâmega.
Margarida Luzio, in Jornal de Notícias - 9 de Agosto de 2010
Município exige ao Estado a atribuição de compensações financeiras aos municípios afectados pela construção de barragens: O Município de Chaves exige

Município exige ao Estado a atribuição de compensações financeiras aos municípios afectados pela construção de barragens
O Município de Chaves exige...
O Município de Chaves exige ao Estado a atribuição de compensações financeiras aos municípios afectados pela construção das grandes barragens do Alto Tâmega.
Recorde-se que a autarquia sempre defendeu a cota de 312 m para o Nível Pleno de Armazenamento (NPA) da albufeira do Alto Tâmega e entende que a região sairá a perder com a construção destas barragens, que vai causar prejuízos assinaláveis para as comunidades locais, conforme o próprio Estudo de Impacte Ambiental (EIA) realizado retrata, com perdas de bons terrenos agrícolas, de casas de morada, com a inevitável desestruturação dos modos de vida das populações afectadas e consequente necessidade do seu desalojamento e realojamento, a ocorrência de alterações climáticas com muito impacto na sua economia e a perda de referências culturais e espaços de lazer, entre outras consequências negativas daquela construção, vendo as populações alteradas para sempre, independentemente da sucessão de gerações, paisagens, memórias e modos de vida, como a história de construção de grandes barragens no nosso País tem abundantemente demonstrado, acarretando também uma diminuição acentuada das receitas dos Municípios, provenientes da não cobrança dos impostos sobre a propriedade, (IMI e IMT), como resultado da submersão de muito prédios rústicos e urbanos, bem como, da própria degradação da actividade económica, intensificando assim o abandono da população afectada com a construção das barragens para outros destinos, contribuindo desta forma para a desertificação Humana da área abrangida.
Deste modo, através da proposta de “Atribuição de Compensações Financeiras aos Municípios Afectados pela Construção das Grandes Barragens”, aprovada em reunião do executivo no passado dia 2 de Agosto, e enviada ao Governo, a Câmara solicita a afectação de, pelo menos, um terço do valor da contrapartida financeira entregue ao Estado (303 milhões de euros) pela empresa concessionária das referidas barragens aos Municípios directamente prejudicados pela sua construção através da realização, em cada um deles, de um investimento com repercussão a nível de todo o Alto Tâmega; que sejam criadas as condições técnicas e de segurança que permitam a utilização das albufeiras para fins turísticos; bem como a atribuição de um montante financeiro fixo de 2,5% da produção bruta das barragens a distribuir pelos municípios afectados.
in Município de Chaves (site oficial) - 4 de Agosto de 2010
Alto Tâmega - Barragem à cota máxima inunda melhores terrenos: Câmara receia que a Iberdrola queira aumentar a cota do empreendimento de Vidago

Câmara receia que a Iberdrola queira aumentar a cota do empreendimento de Vidago
A Câmara de Chaves receia que a Iberdrola construa à cota máxima uma das quatro barragens previstas no Tâmega e se percam os melhores terrenos agrícolas de três aldeias. A empresa garante que a cota ainda não está definida.
As apreensões da autarquia, que já está a elaborar um documento para enviar à empresa espanhola e ao Governo português, surgiram depois de a firma contratada para fazer o levantamento das expropriações necessárias à construção do Empreendimento Hidroeléctrico do Alto Tâmega (Barragem de Vidago) ter contactado as populações de Anelhe, Vilarinho das Paranheiras e Arcossó. É que, à cota prevista no estudo que deu origem ao concurso (312), a albufeira atingiria apenas uma pequena parte da localidade de Arcossó. Ora, para a autarquia, esta é a prova de que houve alteração da cota. "À cota que estava prevista, o concelho de Chaves praticamente não era atingido. À cota 322, que é aquela que, pela zona a expropriar, se percebe que pretendem avançar, são abrangidos 200 hectares a mais", lembra o presidente da Câmara de Chaves, João Batista, que já reuniu com a população das aldeias em causa.
Os moradores das aldeias estão preocupados com o facto de ficarem sem os melhores terrenos agrícolas. Mas há outros "prejuízos". Além de algumas habitações, será submersa a nova Estação de Tratamento de Águas Residuais de Arcossó. Custou um milhão de euros. Também se perderão moinhos e uma ponte medieval. Segundo o autarca, o clima também será afectado, podendo mesmo estar em causa, por causa do nevoeiro, um campo de golfe de 19 buracos que faz parte do projecto de investimento da Unicer no complexo termal de Vidago. A Unicer diz não ter conhecimento da alteração do projecto.
De acordo com o presidente da Câmara, no documento que está a ser elaborado irá ser lembrado à empresa que "o direito que adquiriram por concurso foi à cota 312". "Vamos, aliás, propor uma cota inferior à que foi a concurso", garante Batista.
Confrontada pelo JN, a Iberdrola referiu que a cota definitiva será definida pela Declaração de Impacto Ambiental (DIA). "As cotas definitivas das barragens do Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega serão as fixadas pela DIA que resultará do Estudo de Impacto Ambiental (EIA). O EIA está em elaboração e irá avaliar todos os impactos", explicou Cândida Bernardo. A barragem de Vidago faz parte do Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega, que inclui a construção de quatro barragens no rio Tâmega, até 2018, no âmbito do Plano Nacional de Barragens com Potencial Hídrico.
Barragens do Alto Tâmega: Os riscos e os perigos desta obra

Os riscos e os perigos desta obra
Risco sísmico, destruição da flora, perda de turismo ou custos escondidos para a região foram alguns dos argumentos ouvidos na sessão de esclarecimento, que serviu para sensibilizar a população contra a construção das barragens do Alto Tâmega.
De forma a explicar o porquê das freguesias de Vidago, Anelhe, Acossó e Vilarinho das Paranheiras, entre outras instituições, estarem contra a construção das barragens do Alto Tâmega, estas mesmas freguesias realizaram uma sessão de esclarecimento, no passado dia 23 de Julho, no auditório do GATAT em Chaves.
Conforme explicou o presidente da junta de Vidago, Rui Branco, no início da sessão, que acabou por não levar muita gente ao auditório na noite de sexta-feira, esta iniciativa teve como objectivo esclarecer os flavienses, lembrando que, embora as barragens sejam construídas a jusante do rio que passa pela cidade, as implicações também se farão sentir em Chaves. Rui Branco afirmou também que “gostava de sentir mais solidariedade e ajuda para lutar por esta causa”.
Com um painel de cinco convidados, o primeiro a discursar foi José Emanuel Queirós, de Amarante, especialista em Geomorfologia e fundador do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega.
Para José Emanuel Queirós, o rio é um “elemento unificador de toda a região”, afirmando: “somos todos originários do rio Tâmega”. O risco sísmico, que as construções das barragens do Alto Tâmega podem trazer, foi o principal alerta que José Emanuel Queirós apresentou. Evocando estudos certificados, o especialista em geomorfologia explicou que “as barragens têm um peso no subsolo”, explicando que vivemos numa região “com fragilidades sísmicas” e que, com as barragens, a água originará uma maior pressão sobre o solo.
Para Marco Fachada, engenheiro florestal, esta luta contra as barragens do Alto Tâmega já se iniciou em 2007, conforme o próprio explicou, e que na altura “nenhuma instituição quis saber”. A qualidade da água e dos solos depois da construção das barragens são as principais preocupações de Marco Fachada.
“Não sei quais vão ser as consequências para a qualidade da água”, afirmou o engenheiro florestal, que avisou que tendo em conta o facto de Espanha também estar a preparar a “construção de represas”, a água, desde o país vizinho, já irá “perder qualidade”.
“A eutrofização vai piorar com as barragens”, alerta Marco Fachada, acrescentando que a flora não vai suportar as “flutuações que todos os meses o nível da água terá”. O engenheiro florestal avisa que todas estas possíveis consequências “não estão previstas no estudo de impacte ambiental”.
Barragens têm implicações económicas na região
“O progresso não pode acontecer à custa da população”, começou por afirmar Artur Cardoso, representante da Associação Pisão Louredo. Abordando as consequências empresariais que a construção das barragens pode trazer, Artur Cardoso explicou que para que as barragens sirvam para um aproveitamento turístico, a construção das mesmas “tem de ser enquadrada”, o que neste caso não acontece, afirmando ser apenas um “modelo de exploração intensivo” para a obtenção de energia eléctrica.
O representante da Associação Pisão Louredo afirma assim que “vamos assistir a um verdadeiro hecatombe” e que “todo o potencial económico da região vai desaparecer”. “O que vemos hoje não é o que teremos cá amanhã”, alertou Artur Cardoso que deixou ainda um repto para que se obrigue “a quem de direito a fazer cedências”.
Para João Branco, da Quercus, as barragens do Alto Tâmega significam os interesses “sócio-económicos da região a serem prejudicados em prol do interesse nacional”. “As albufeiras serão lagos de água choca, que cheiram mal”, alertou João Branco, afirmando ainda que este projecto está “desenquadrado da economia da região”.
O representante da Quercus deixou ainda claro que na primeira quinzena de Setembro será entregue uma acção judicial contra a construção das barragens.
Do ponto de vista económico, conforme explicou Amílcar Salgado, nem durante a construção, nem depois de as barragens estarem em funcionamento, o lucro gerado para a região se poder comparar com o que é criado actualmente.
“O desenvolvimento durante a construção não é significativo”, afirmou Amílcar Salgado, explicando que os materiais de construção, e até alguma mão-de-obra, virão de fora da região. “Mesmo o pequeno aumento é pouco significativo. Durante a exploração, a paisagem perde valor e a afluência à região será menor”, afirma o economista.
Ainda sobre a paisagem, Amílcar Salgado avisa que “durante o Verão existirá uma cratera a céu aberto com um enorme impacto paisagístico”, devido à descida do nível da água. Abordando as perdas económicas para a região, o economista explicou ainda os “custos sombra” por detrás da construção das barragens, dando como exemplo o aumento do nevoeiro, que levará a mais custos agrícolas, ou ainda o facto de os municípios perderem impostos sobre as terras inundadas.
Amílcar Salgado afirmou ainda que “a imagem que a região tem, pode perdê-la” e que “se este fosse um projecto de desenvolvimento, não era feito aqui, era disputado por várias regiões”.
Do painel de convidados que apresentaram os riscos que as barragens podem trazer para a região, saíram no final apelos para o público afirmando que este é o “momento soberano para a população actuar” ou que a população deve “fazer barulho e manifestar-se”.
Para os interessados em consultar o estudo de impacte ambiental acerca das barragens do Alto Tâmega, as cópias estarão disponíveis na Câmara Municipal de Chaves, na Divisão do Ordenamento do Território.
Diogo Caldas, in A Voz de Chaves - 30 de Julho de 2010
Cascata do Tâmega - Barragens: «O cheiro já é horrível nas margens do Tâmega»

«O cheiro já é horrível nas margens do Tâmega»
De facto, no caso da triste “sequência”/“cascata” de barragens prevista para a bacia do rio Tâmega, o que se está a querer represar não é água, não é de todo água, são esgotos! :-(Esgotos industriais e esgotos domésticos.
Em Amarante, metade dos esgotos desagua directamente no rio, sem tratamento. E, nalguns concelhos a montante, a situação ainda consegue ser pior…
Há vinte anos, foi desactivada a Linha Ferroviária do Tâmega. E eu, embora ciente disso, nem trouxe aqui a hipótese de reactivação desta linha… Para quê? Para transportar passageiros, cada um deles com a sua máscara de oxigénio???
O cheiro já é horrível nas margens do Tâmega, em muitos pontos do percurso onde outrora passava o combóio… Com a construção das barragens, a qualidade da água ainda atingirá piores patamares de poluição, o cheiro será intolerável, o ar será irrespirável… Não é possível falar em combóios turísticos perante este cenário, não bastará não construir as várias barragens, seria preciso que se investisse fortemente no tratamento das águas residuais e nas redes de saneamento básico… :-(
Recomendo o vídeo inserido atrás, intitulado “Destroços do rio Tâmega em Agosto de 2009”, e ainda estes dois (“clicar” no título para abrir):
BIOSFERA (RTP2) - Rio Tâmega em Amarante 2009! - Afinal em que ficamos? (som e imagem muito deficientes… mas vale a pena ver)
Linha do Tâmega: 20 anos sem comboio
Madalena F. C. A. Homem Cardoso, in Limpar Portugal (Forum) - 15 de Julho de 2010
Projecto BARRAGENS NÃO, TURISMO SIM!

Um exemplar Novo Projecto de Limpeza, que poderá canalizar este movimento cívico, na sua dimensão nacional, para um gravíssimo problema de algumas regiões!
Este é o “exemplo perfeito” de um NPL (Novo Projecto de Limpeza), tal como preconizado pelo “Manifesto e Projecto pela Continuidade em Conformidade”…
…algo que só se Portugal inteiro se mobilizar para impedir algumas atrocidades regionais, absolutamente devastadoras, poderá ter algumas probabilidades de sucesso...
Em Foz Coa, conseguiu-se impedir a construção da barragem… Acreditemos que é possível!

PROJECTO BNTS = BARRAGENS NÃO, TURISMO SIM!
OBJECTIVO: Sensibilização da população nacional e das populações locais para a participação cívica necessária em acções concretas, com a finalidade de IMPEDIR A CONSTRUÇÃO DE NOVAS BARRAGENS HIDROELÉCTRICAS EM PORTUGAL, quer as programadas no quadro do “Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico”, quer as previstas à margem desse Plano.
TEMPO DE EXECUÇÃO: Indefinido.
Há já 165 grandes barragens hidroeléctricas em Portugal. Não seria mais lógico reequipá-las?
Atrocidades? Onde?
…Sobretudo em territórios desertificados do interior, onde só muito poucos sabem ou podem fazer-se ouvir, e onde a grande pobreza justifica um encolher ombros ou até uma esperança “Talvez assim ganhe um dinheirito que dê para ir para…”, a cidade grande ou o estrangeiro, fora dali onde mal se sobrevive…
Com as expropriações das terras a submergir, e com os efeitos das barragens, não são só os transmontanos que ficam expropriados das suas belezas naturais, da sua história, da sua cultura, das suas gentes (à construção de uma barragem está SEMPRE associado um grave decréscimo da população residente na zona envolvente), do seu potencial turístico único, das suas vias de comunicação (acessíveis, limpas e inócuas) para pessoas e mercadorias, etc. …É Portugal que fica também expropriado de Trás-os-Montes.
Mas não é só aí… Abordemos a construção de barragens que está prevista, contratada, adjudicada, e mesmo em curso (caso da Barragem do Baixo Sabor, em fase inicial), na sua globalidade. Depois, vejamos os detalhes das consequências de algumas delas, talvez as mais escandalosas. Mas todas estas barragens que estão “no papel” são, cada uma delas, uma vénia imoral aos interesses económicos da energia e do betão…
“Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar.”, dizia a poeta.
Faço aqui uma compilação de reportagens, documentários, e outros vídeos, entre outras imagens, de grande densidade informativa. Veja alguns, veja todos, mas VEJA… Não podemos ignorar. Daqui a pouco será tarde demais.
Ou, melhor, reformulo parafraseando o título do multi-premiado documentário do Jorge Pelicano sobre a submersão da Linha do Tua pela futura Barragem de Foz-Tua, “PARE, ESCUTE, OLHE”:
Paremos …para pensar e para pôr a mão na consciência.
Escutemos …o som da água a correr nos rios onde a água ainda corre. Por pouco tempo, dizem.
Olhemos …para o futuro, e façamos o que está ao nosso alcance para impedir isto.
Que acham? …Vamos “LIMPAR BARRAGENS” das paisagens de um futuro sombrio que ninguém quer, num negócio que alguns tentam impor?
Madalena F. C. A. Homem Cardoso, in Limpar Portuga (Forum) - 11 de Julho de 2010


























