sábado, 19 de dezembro de 2009

PNBEPH - Barragem de Padroselos (Boticas) - Convém ouvir e atender ao que se diz nesta reportagem

PNBEPH - Barragem de Padroselos (Boticas)
Convém ouvir e atender ao que se diz nesta reportagem



O Rio Bessa nasce em Montalegre e atravessa o nosso concelho desde Gondiães, até Cavez, passando por Vilar de Cunhas e desaguando no Tâmega. As paisagens que atravessa são raras e de extraordinária beleza com a mais-valia de possuir um ecossistema quase virgem. Contudo, um dos empreendimentos previstos no PNBEPH determinará a mudança radical da qualidade da água, das paisagens e do próprio caudal deste belo afluente do rio Tâmega. É consensual entre os especialistas que a população encontrada desta espécie rara de mexilhão (mexilhão-de-rio do norte) dificilmente poderá ser transferida para outro sítio. Como, esta espécie, só consegue viver e reproduzir em águas límpidas, pouco eutróficas, bem oxigenadas e em pouca profundidade (o que é o oposto - citando uma passagem da reportagem - do que acontece às águas após a construção de uma barragem) a barragem de Padroselos (se a legislação for cumprida) não poderá ser construída.

No entanto, outro pormenor se evidencia. Ao não construir a barragem o Estado tem pelo menos duas hipóteses: ou reembolsará a Iberdrola (empresa detentora dos direitos de exploração) no valor acordado (76 milhões de euros) ou dará o aval para o aumento da capacidade de produção nos outros três empreendimentos na bacia do Tâmega - em que a Iberdrola possui os direitos de exploração. Porém, esta segunda hipótese embate no estudo de avaliação do PNBEPH, encomendado pela União Europeia, que aconselha o Estado a diminuir em cerca de um terço a capacidade de produção de energia (com o objectivo de preservar o Ambiente, a qualidade da água e fazer cumprir a legislação portuguesa e europeia) nestes mesmos três empreendimentos.

A máxima continua: «Se a lei for cumprida nenhuma barragem na bacia do Tâmega será construída».

Marco Gomes, in Remisso - 14 de Dezembro de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PNBEPH - “OS VERDES” ENTREGARAM HOJE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA INICIATIVA LEGISLATIVA QUE VISA SUSPENDER O PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS









“OS VERDES” ENTREGARAM HOJE NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA INICIATIVA LEGISLATIVA QUE VISA SUSPENDER O PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS


Os Deputados do Partido Ecologista “Os Verdes” entregaram hoje (17/12/2009) no Parlamento uma iniciativa legislativa que visa suspender de imediato o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH).
Porque o que consta do PNBEPH é por de mais importante, porque o tempo de discussão e de consulta pública foi demasiado escasso, porque os estudos dos impactos gerais, e especialmente dos cumulativos, têm que ser aprofundados, porque a contestação a esta opção do Governo é cada vez maior, porque as críticas estão sobejamente comprovadas, porque um olhar independente sobre o PNBEPH dará sempre uma conclusão idêntica àquela que chegou da Comissão Europeia, ou seja, de que não se percebe como é que um Programa com estas características foi aprovado, e também porque a concretização do PNBEPH trará consequências irreversíveis que não poderão jamais ser repostas e impactos económicos, sociais, patrimoniais, ambientais e culturais elevadíssimos, “Os Verdes” requerem que o Governo suspenda de imediato o Programa Nacional de Barragens.

PROJECTO DE RESOLUÇÃO Nº /XI

REQUER A SUSPENSÃO DO PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS COM ELEVADO POTENCIAL HIDROELÉCTRICO

Nota justificativa

Face à inegável gravidade e irreversibilidade de muitos dos impactos económicos, sociais, ambientais e patrimoniais do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), que preconiza a construção de dez novas barragens, seis delas na bacia do Douro, “Os Verdes” apelaram ao Governo, no dia 8 de Fevereiro de 2008, para que suspendesse o processo de concretização deste Programa.
Este apelo, lançado no quadro de um debate de urgência em plenário da Assembleia da República, precedido da realização de uma audição parlamentar bastante participada, da iniciativa do Grupo Parlamentar do PEV, reflectia também a posição da grande maioria das associações de ambiente deste país, de muitos especialistas e diversas entidades, desde autarquias, passando por associações profissionais, até técnicos e responsáveis de organismos da administração central, os quais expressaram a sua posição no quadro de consulta pública ou de diversas iniciativas públicas.
O amplo consenso gerado à volta da necessidade de suspender este Programa, advém de vários factos inaceitáveis, dos quais destacamos o não cumprimento de muitos dos pressupostos e do objectivo da Avaliação Ambiental Estratégica, regulada pelo Decreto-Lei nº 232/2007, o desfasamento entre os objectivos e as propostas do Programa e a falta de razoabilidade entre factores custos / benefícios / impactos do Programa.
Com efeito, este Programa omite nuns casos, e noutros subavalia, muitos dos impactos negativos previsíveis de cada projecto hidroeléctrico em si e do Programa no seu todo. Não se compreende, por exemplo, que se omita a inclusão da barragem do Tua numa área classificada ao nível mundial, pela UNESCO, ou que não se proceda a uma avaliação de riscos sobre as populações e sobre Amarante decorrentes da “cascata do Tâmega” e do facto da cidade ficar a cerca de noventa metro abaixo da quota da barragem do Fridão, tal como prevista no Programa, enquanto, por outro lado, inflaciona alguns aspectos como a produção hidroeléctrica ou o emprego gerado, fazendo os cálculos da produção hidroeléctrica a partir de caudais com valores de referência de há cinquenta anos atrás, e referindo-se aos empregos a criar, sem mencionar os empregos extintos com a submersão de largas áreas territoriais e a consequente extinção das actividades económicas que aí têm lugar, nomeadamente do sector agrícola, e sem estabelecer o diferencial com os empregos extintos pela submersão de vastas áreas territoriais e consequente extinção das actividades económicas aí localizadas, nomeadamente na agricultura.
O PNBEPH não avalia os impactos cumulativos da totalidade de barragens propostas, nem os impactos da sua construção e funcionamento relacionados com as barragens já existentes, designadamente no caso da bacia hidrográfica do Douro onde se localizam seis dos dez projectos propostos e onde já existem catorze barragens. Há, até, certos parâmetros fundamentais que foram pura e simplesmente ignorados em termos dos seus impactos cumulativos que tendem a ser muito significativos, quer no que respeita a retenção de inertes, a degradação da qualidade da água, a perda de biodiversidade, ou ao aumento de riscos para as populações.
Mas mais, o PNBEPH sustenta-se numa ausência total de avaliação de caminhos alternativos que permitissem atingir os objectivos (resposta ao consumo energético, redução da dependência energética de Portugal do exterior, combate às alterações climáticas) enunciados pelo Governo com muito menores impactos. De resto, a eficiência energética foi totalmente secundarizada num Programa de deveria estar integrado em objectivos estratégicos de poupança energética, nem tão pouco foi avaliada a resposta das barragens já existentes ao seu reforço hidroeléctrico ou à sua resposta à reversibilidade da produção eólica. Certo é que há um desperdício energético enorme no país, designadamente ao nível do transporte da energia, mas também ao nível dos consumos. Certo é que este PNBEPH não representará mais do que 3% da electroprodução nacional e certo é, ainda, que não contribuirá em mais do que 1% para o combate às alterações climáticas, o que leva à necessidade de uma avaliação séria entre os factores custo / benefício /impactos, a qual não foi ponderada.
Este Programa de barragens utiliza ainda umas “manigâncias” incompreensíveis, quando faz previsões ao nível da produção hidroeléctrica calculadas com base em caudais de há cerca de 50 anos, distorcendo, portanto, a própria viabilidade económica das barragens e a aferição do seu custo /vantagem.
Para além de não ter em conta os efeitos das alterações climáticas que já se fazem sentir e a necessidade de adaptação do país a essas mudanças climatéricas, há uma total ausência de articulação deste Programa, e das suas propostas, com outros programas ou Planos, nomeadamente com o Programa Nacional de Combate as Alterações Climáticas, com a Estratégia Nacional para a Eficiência Energética, com o Programa de combate à Desertificação, ou com os Planos de Bacia/Região Hidrográfica.
Desde sempre foi sentida, por todos os interessados, uma absoluta necessidade de aprofundar os estudos e de prolongar a consulta pública, sobretudo quando está em causa uma proposta governamental que tanta controvérsia e apreensão levanta em amplos sectores da sociedade. E essa necessidade é tanto mais sentida quanto no quadro da consulta pública ocorrida só foram promovidos três debates público (em Lisboa, no Porto e em Coimbra), sendo que nenhum destes debates decorreu em locais que poderão vir a ser directamente afectados pelas Barragens, negando-se, assim, o direito às populações mais afectadas de participar, de manifestar a sua opinião e de pedir esclarecimentos necessários .
Mas o Governo, de então, confortavelmente apoiado na sua maioria absoluta, assim não entendeu, assumiu a sua opção de não querer um amplo debate em torno do PNBEPH e apressou-se a dar andamento ao Programa, fazendo “orelhas moucas”, inclusivamente depois dos contributos prestados no âmbito da consulta pública, a todas as críticas, preocupações, alertas e sugestões emitidas. Foram publicados apressadamente vários diplomas para concretizar o programa e, simultaneamente, assistia-se à clara violação de compromissos internacionais, entre os quais a não participação à UNESCO da intenção de construir uma Barragem na Foz do Tua, participação obrigatória pelo facto deste projecto (curiosamente o primeira a ser sujeito a concurso) estar localizado no Alto Douro Vinhateiro, zona classificada como Património da Humanidade por esta prestigiada entidade.
Entretanto, a Comissão Europeia, na posse de um estudo independente relativo ao PNBEPH, o qual arrasa completamente os pressupostos e objectivos deste Programa, veio pedir explicações ao Governo português e salientar, designadamente, a forma como o PNBEPH se incompatibiliza com as metas assumidas para 2015, relativas à qualidade da água, compromissos, de resto, decorrentes da transposição da Directiva Quadro da Água.
E, se dúvidas ainda restassem quanto à omissão ou subavaliação dos efeitos do PNBEPH, a avaliação de impacto ambiental (AIA) de cada projecto seleccionado, mesmo que também fique aquém na aferição desses impactos, acabou por pôr a nu as grandes debilidades e a falta de rigor da avaliação estratégica, como bem prova a identificação de espécies (mexilhão de rio) protegidas pela Convenção de Berna e claramente afectadas pela barragem de Padrozelos, ou a AIA relativa à barragem do Tua. A verdade é que relativamente a esse projecto vieram à tona de água muitos dados omitidos na avaliação estratégica, nomeadamente quanto aos efeitos decorrentes da submersão da Linha do Tua, não só em relação à mobilidade das populações, mas também do ponto de vista patrimonial e identitário.
Porque a questão é por de mais importante, porque a contestação a esta opção do Governo é cada vez maior, porque as críticas estão sobejamente comprovadas, porque um olhar independente sobre o PNBHPE dará sempre uma conclusão idêntica àquela que chegou da Comissão Europeia, ou seja, de que não se percebe como é que um Programa com estas características foi aprovado, e também porque a concretização do PNBEPH trará consequências irreversíveis, que não poderão jamais ser repostas,
nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, delibera recomendar ao Governo:
1. Que suspenda, de imediato, a concretização do PNBEPH.
2. Na sequência do número anterior, que não seja adjudicado nenhum dos empreendimentos previstos no PNBEPH, sem que se realize um estudo, com carácter independente, que avalie os objectivos traçados no Programa, sua articulação com os diferentes Planos já existentes e que relacione, de uma forma objectiva, custos /impactos /benefícios dos empreendimentos previstos. 3. Que a avaliação prevista no número anterior se debruce sobre aspectos não avaliados, designadamente sobre os impactos cumulativos dos diferentes projectos previstos no PNBEPH, entre si, e em acumulação com as barragens já existentes nas diferentes bacias hidrográficas.
4. Que essa avaliação determine rigorosamente os efeitos das barragens previstas sobre a qualidade da água, conjugando essa aferição com os compromissos assumidos por Portugal, bem como os efeitos do conjunto de projectos sobre o litoral, questão da maior relevância para a preparação do país no que concerne ao fenómeno das alterações climáticas.

Os Deputados

Heloísa Apolónia
José Luís Ferreira
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in Partido Ecologista "Os Verdes" - 17 de Dezembro de 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Programa Nacional de Barragens - Comentário de Ângelo de Castro Ochôa

Programa Nacional de Barragens
Comentário de Ângelo de Castro Ochôa

www.angeloochoa.net disse... em Anabela Magalhães

Seriamente, mas muito seriamente, vos digo, Anabela e leitores de anabelapmatias.blogspot.com, que a insanidade chegou, e se instituiu, em este governo com este plano colossal... -- e atentatório da beleza de Deus...-- das BARRAGENS!
Barragens contra a mais elementar das dignidades humanas.
BARRAGENS contra a mais salutar das salubridades dos simples sem voz.
BARRAGENS contra a vida e a beleza de quanto criado está para o equilíbrio e para o desfrutar saudável e ameno da beleza amiga.
BARRAGENS PORQUE ESTES NOSSOS GOVERNANTES SÃO UNS MONSTROS!
E não falo só, falo com os sem voz de Sabor, Tua, Olo, Tâmega!

Ângelo de Castro Ochôa, in Anabela Magalhães - 14 de Dezembro de 2009

PNBEPH - "Impacto das Barragens no Vale do Tâmega"


"Impacto das Barragens no Vale do Tâmega"
Local: Casa do Povo de Arco de Baúlhe
Hora: 21h30

Oradores:
Prof. António Crespí (UTAD)
Coordenador da Apreciação dos Estudos de Impacte Ambiental no Tâmega

José Emanuel Queirós (Geógrafo)
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega

João Branco (Eng. Florestal)
Associação Ambientalista "Quercus"

Moderador: Vítor Pimenta
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Entrada Livre

domingo, 13 de dezembro de 2009

PNBEPH - MCDT promove esclarecimento: Impacto das Barragens no Vale do Tâmega

Programa Nacional de Barragens em debate público
Impacto das Barragens no Vale do Tâmega

(Clique na imagem)

sábado, 12 de dezembro de 2009

PNBEPH - António Mexia: "A maneira mais eficiente de armazenar energia é a água"





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António Mexia, CEO da EDP, especialista na destruição de rios e ecossistemas
"A maneira mais eficiente de armazenar energia é a água"
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António Mexia, presidente executivo da EDP
David Clifford

A Comissão Europeia apontou duras críticas ao Plano Nacional de Barragens, sobretudo pelas consequências que a construção dos projectos teria na qualidade da água dos rios. Como vê estas acusações?

Não devemos prender-nos a um único estudo. Já foram feitos vários. A questão da qualidade da água não está ligada à existência ou não de barragens, pelo contrário. A única coisa que as barragens permitem ver com maior equidade e rapidez é se há problemas na água. O debate tem de ser esclarecedor e totalmente transparente, para evitar demagogias.


Há argumentos a favor da construção das barragens?


No momento em que se fala que as barragens poderiam ter menos interesse, pela possibilidade de a chuva diminuir - que é uma coisa ainda por provar - elas ganham novas valências. A grande questão da energia, actualmente, é a armazenagem. E a maneira mais eficiente de armazenagem de energia é, actualmente, a água.


E no que respeita à energia do vento, mais dificilmente armazenável?

Acredito que Portugal precisa drasticamente do desenvolvimento da hídrica para a progressão do seu potencial eólico.

Mariana de Araújo Barbosa, in ionline - 25 de Novembro de 2009

PNBEPH - António Mexia: "O estudo de Bruxelas não deve comprometer o plano de barragens"







PNBEPH - Relatório da Comissão Europeia
António Mexia: "O estudo de Bruxelas não deve comprometer o plano de barragens"

António Mexia
D.R.

O CEO da EDP disse hoje que o estudo de Bruxelas, que critica o Plano Nacional de Barragens, deve ser considerado apenas como um de muitos. "Não devemos prender-nos a um único estudo. Já foram feitos vários. A questão da qualidade da água não está ligada à existência ou não de barragens, pelo contrário. A única coisa que as barragens permitem ver com maior equidade e rapidez é se há problemas na água", afirmou António Mexia.
"Além do mais, no momento em que se fala que as barragens poderiam ter menos interesse, pela possibilidade de haver menos chuva no futuro, que é uma coisa que ainda está por provar, que elas ganham uma nova valência, porque passam a ter toda a questão de armazenagem de água, alavancando aquilo que é a armazenagem das novas águas", acrescentou, sublinhando que "Portugal precisa drasticamente do desenvolvimento da hídrica para a progressão do seu potencial eólico", afirmou o CEO da EDP. "A grande questão hoje da energia, é a armazenagem. É a maneira mais eficiente de armazenagem de energia é, actualmente, a água", defendeu.
Um estudo encomendado por Bruxelas apontou erros ao Plano Nacional de Barragens, nomeadamente no que diz respeito aos danos que algumas construções irão provocar nas águas dos rios. No entanto, a direcção-geral da Energia tem já em preparação uma resposta às críticas apontadas pela Comissão.

Mariana de Araújo Barbosa, in ionline - 25 de Novembro de 2009

PNBEPH - MCDT promove esclarecimento: Impacto das Barragens no Vale do Tâmega

Programa Nacional de Barragens em debate público
Impacto das Barragens no Vale do Tâmega

= Impacto das Barragens no Vale do Tâmega =

Local: Casa do Povo de Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto)

Hora: 21h30

18 de Dezembro de 2009 (sexta-feira)

Oradores convidados:

Prof. António Crespí (UTAD)
Coordenador da Apreciação dos Estudos de Impacte Ambiental no Tâmega

José Emanuel Queirós (Geógrafo)
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega

João Branco (Eng. Florestal)
Associação Ambientalista "Quercus"

Moderação: Vítor Pimenta

Entrada Livre

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

PNBEPH - Barragem de Padroselos: Governo pode ter de devolver à Iberdrola 76 milhões de euros

Quem se lixa... é o mexilhão?
Governo pode ter de devolver à Iberdrola 76 milhões de euros

O Estudo de Impacte Ambiental da Barragem de Padroselos, no Rio Beça, descobriu um animal raro, protegido pela legislação nacional e comunitária. A simples existência desta espécie no local onde está prevista a barragem, pode inviabilizar a construção.


Patrícia Nogueira, in SIC - Nós Por Cá - 11 de Dezembro de 2009

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

PNBEPH - EDP-Produção em Amarante - Uma sessão estranha acerca da Barragem de Fridão

EDP-PRODUÇÃO EM AMARANTE
Uma sessão estranha acerca da Barragem de Fridão

Realizou-se no dia 3 de Dezembro do ano corrente, uma Sessão de Esclarecimento no edifício do GAT promovida pela Câmara Municipal de Amarante, tendo como temática a construção da Barragem de Fridão, o seu Impacte Ambiental, Qualidade da Água e Consequências Climatéricas.
Na sessão estiveram presentes técnicos da EDP que em minha opinião, não mais fizeram que tentar “ vender” a ideia das virtudes da “Cascata do Tâmega” que ainda não teve qualquer estudo de impacto ambiental global.
Verdade se diga: um dos técnicos presentes naquele encontro disse em português bem claro que o projecto da Barragem de Fridão ainda está em pré-estudo! Mas da forma como explanou a matéria em causa foi fácil entender a intenção única da sua construção como se fosse já uma realidade.
Perante estas contradições que a meu ver não são ingénuas, vale tudo desde que seja a favor daquela obra nefasta, com toda a certeza, para o futuro da Região e dos que a visitam, por adorarem a beleza natural, histórica e paisagística onde Amarante assume com toda a propriedade a centralidade de todo o processo.
Importante será avisar toda a gente como diz o poeta, devido à importância de que se reveste o problema, dizer Não a este atentado que visa unicamente interesses económicos em prejuízo evidente de valores indiscutivelmente mais importantes, vitais para a qualidade de vida colectiva.
Posto isto, resta-me lamentar ter participado numa Reunião pouco ou nada divulgada, a comunicação social local silenciada em relação à pertinência da matéria em discussão, concluí que algo foi escondido à população amarantina, especialmente aos mais atentos e esclarecidos que de alguma forma e substância podiam ter dado enorme contributo ao esclarecimento da situação.
Mas como o segredo é a alma do negócio a Câmara local optou pela discrição, organizando uma reunião desta envergadura às 15 horas em dia de trabalho, aliás um pouco semelhante ao que o Governo do Eng. Sócrates fez em relação ao relatório da Comissão Europeia sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, o qual foi guardado em segredo desde Julho.

Por que terá sido assim?

É fundamental nesta fase, no meu entender que os amarantinos lutem por esta causa em quanto é tempo. Lutando ganha-se ou perde-se, não lutando perde-se sempre.

António Duarte, in Por Amarante Sem Barragens - 8 de Dezembro de 2009

PNBEPH - Desvendado mais um segredo de Fátima

PNBEPH - Desvendado mais um segredo de Fátima
A vós autarcas, homens de pouca fé, porque temeis ou quem temeis?!


...Este relatório já há muito nas mãos do Governo, mas com a desculpa de que não foi pedido por si, este não fazia tenções de o divulgar mas apenas de o contestar (confirmar em artigo abaixo).

Estamos ou não estamos na Europa?!

Artur Freitas - 9 de Dezembro de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

Barragens para combater a crise - Investimento são fundamentais para a sobrevivência de PME's






Investimento são fundamentais para a sobrevivência de PME's
Barragens para combater a crise

O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou esta sexta-feira que investimentos públicos como a construção de novas barragens serão fundamentais para a sobrevivência de muitas pequenas e médias empresas e para combater a crise internacional, avança a Lusa.

Sócrates, que falava na cerimónia de apresentação do Aproveitamento Hidroeléctrico de Ribeiradio - Ermida, nos concelhos de Sever do Vouga e Ribeira de Frades, distrito de Aveiro, afirmou que Portugal precisa destes investimentos para combater a crise.

«Vim aqui para sublinhar a importância da construção destas barragens para combater a crise internacional. Estes projectos dão emprego a muita gente. E há muitas empresas cuja sobrevivência vai depender de termos ou não barragens a ser construídas. Muitas empresas grandes e pequenas».

O primeiro-ministro sublinhou que «é um mito e um erro» considerar que as grandes obras públicas apenas favorecem as grandes empresas. «Estas barragens dão oportunidades de actividade a fundamentalmente pequenas e médias empresas, àquilo que é a economia local e regional. São essas empresas que vão ter oportunidades. Por isso estes investimentos, sendo importantes para o futuro de Portugal, vêm na melhor altura para dar oportunidades de emprego aos portugueses e de actividade às empresas».

José Sócrates frisou que o plano hidroeléctrico nacional prevê a construção de dez novas barragens, numa altura em que estão em fase de lançamento a de Ribeiradio-Ermida e do Baixo Sabor.

Já antes o ministro da Economia, Manuel Pinho, havia afirmado que é necessário «combater certas ideias que são como vírus e se propagam como verdadeiras se não forem contrariadas», nomeadamente a de que há «uma incompatibilidade entre grandes projectos e grandes empresas, de um lado, e pequenas e médias empresas do outro».

Segundo os cálculos do ministro, os três principais projectos hidroeléctricos em arranque ou em curso no país envolvem mais de 700 empresas e fornecedores locais.

Redacção / JF, in iol - 20 de Fevereiro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

PNBEPH - Barragens Não!






Barragens ou não?

O Comissário Europeu do Ambiente, Stavros Dimas, proferiu uma frase há umas semanas que serve de mote para esta crónica sobre a febre das barragens em Portugal. Dizia o Sr. Dimas qualquer coisa como "o combate ao aquecimento global não pode ser feito à custa de se criarem outros problemas ambientais". E tem toda a razão. Com a discussão a centrar-se cada vez mais nas emissões de dióxido de carbono arriscamo-nos a permitir tudo e mais alguma coisa, desde que tenha um (aparente) efeito positivo sobre as quantidades desse gás que se libertam para a atmosfera. Pode e está a tornar-se uma paranóia perigosa.

AINDA MAIS GRAVE do que dar demasiado protagonismo ao controlo do aquecimento global é usá-lo como desculpa para desenvolver actividades que afectam outras áreas do ambiente, sem sequer pensar obter o efeito benéfico sobre o clima. Ou seja, se é previsível não conseguir a aprovação de um certo plano que oferece, por exemplo, vantagens económicas e financeiras, cola-se o selo da redução das emissões de gases de efeito de estufa… e tudo passa a ser permitido.

O chamado Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) está um pouco na fronteira destes beneméritos impostores. Com os dez projectos que já aprovou, o governo pretende uma potência instalada na ordem dos 2000 Mw. É verdade que esta fonte de energia eléctrica é mais barata do que a queima de carvão, petróleo ou gás e é também verdade que é mais limpa e supostamente renovável. Mas isto não a torna isenta de riscos e ameaças ao ambiente. É preciso pesar cuidadosamente os dois lados da questão, coisa que estes dois últimos governos se têm recusado a fazer.

Um relatório elaborado por uma empresa independente, e que foi solicitado pela Comissão Europeia, parece ser bastante crítico em relação aos custos que a opção das múltiplas barragens vai ter sobre a qualidade da água dos rios (e portanto das nossas torneiras), sobre a biodiversidade e sobre importantíssimos habitats espalhados pelo país.
Este relatório há muito que está nas mãos do governo mas, com a desculpa de que não foi pedido por si, este não fazia tenções de o divulgar mas apenas de o contestar nos bastidores. Felizmente, uma fuga (também há fugas de informação boas) permitiu-nos perceber o que se passava e obrigou o tal comissário europeu a dizer que vai conversar com Portugal no sentido de obter um consenso entre a ânsia cega das barragens e o futuro da famigerada Directiva da Água que pretende prometer água potável para as gerações vindouras.

E quais são os verdadeiros impactes desta dezena de grandes barragens? Primeiro que tudo irá transformar rápidos e revoltosos rios de montanha (seis dos dez projectos são na bacia hidrográfica do Douro) em sucessões de lagos calmos onde o tipo de vegetação e fauna é completamente diferente. A qualidade da água destas poças semiestagnadas reduz-se devido à eutrofização (crescimento de algas e microrganismos que «sufocam» todos os seres habituais nessas águas) e por conseguinte a qualidade da água que vai desembocar nas torneiras das casas das grandes cidades tende a piorar.

Depois temos o efeito sobre a biodiversidade que se adaptou e especializou num tipo de paisagem e habitat. Os obstáculos praticamente intransponíveis que são três ou quatro barragens sucessivamente colocadas no caminho de peixes migradores – salmão, lampreia, enguia... provavelmente conduzirão à extinção destas espécies da maior parte dos rios portugueses. Atrás destes seguir-se-ão todos os que dependem do mesmo tipo de ecossistema e que vão dos pequenos insectos aquáticos a toupeiras de água únicas no mundo.

Até a própria paisagem em redor das barragens irá sofrer alterações dramáticas – como acontece já hoje nos arredores da megabarragem do Alqueva. Não é só o desaparecimento físico de milhares de hectares de habitats preciosos, mas são as mudanças do ecossistema que se avizinham quando se altera de forma rápida a temperatura e humidade média das zonas. Os efeitos podem não ser imediatamente visíveis mas, com o tempo, as espécies adaptadas às áreas secas e rochosas que rodeiam os caudais estreitos e tortuosos vão ser substituídos por aquelas que se adaptam às águas paradas – gaivotas, patos, etc.

Finalmente devemos referir um dos maiores riscos da acumulação de barragens ao longo dos rios, se bem que os efeitos provavelmente passarão despercebidos durante décadas e, quando se tornarem importantes, ninguém se lembrará de apontar o dedo aos responsáveis de 2009. Estou a falar da redução de deposição de matéria orgânica nos estuários. Todos os minerais e resíduos vegetais e animais que são lavados das terras mais altas vão-se acumulando quando o rio começa a espraiar perto do mar. Estes nutrientes alimentam importantes populações animais, enriquecem a agricultura e mantêm viveiros de peixes que depois reforçam os stocks no mar. Quando aos estuários começar a chegar apenas água…

Para alguns o peso destes riscos é pequeno quando comparado com a prometida redução do défice externo – se produzirmos electricidade com as nossas águas não precisamos do petróleo dos outros. Numa primeira análise e tendo em conta o tempo de crise e o estado da economia até parece fazer sentido. Trocar a lampreia por empregos e melhores salários pode parecer essencial para muitos humanos. Só que o problema não precisa de se pôr nesses termos. Há outras soluções que passam, por exemplo, por evitar as megaconstruções pretendidas e substitui-las por pequenos e múltiplos empreendimentos também capazes de produzir electricidade, mas sem afectar demasiado a estrutura e a fisiologia do rio. É claro que todos têm impacte sobre ambiente, mas este pode e deve ser minimizado.

ENTÃO PORQUÊ ESTA URGÊNCIA em construir tantas e tão grandes barragens ao mesmo tempo? As explicações são muitas, mas de certeza que as pressões produzidas por aqueles ligados à produção e distribuição de electricidade, às empresas de construtoras e ainda à necessidade de o governo colmatar insuficiências orçamentais pesaram bastante nesta decisão. Para empresas como a beneficiada EDP, que generosamente distribui ambulâncias e bibliotecas pelas populações ribeirinhas na esperança de colar a si um apoio popular capaz de enfrentar os entraves, as construções gigantescas são muito mais atractivas – o retorno do investimento é rápido e colossal. Nem que para isso a água passe a saber mal.

tomazmontemor@clix.pt

Tomás de Montemor, in notícias magazine, 915 (pp. 100 e 101) - 6 de Dezembro de 2009

sábado, 5 de dezembro de 2009

PNBEPH - Sócrates lança barragem... pela segunda vez




Expresso TV
Sócrates lança barragem... pela segunda vez

Já o tinha feito enquanto ministro do Ambiente, mas na semana passada José Sócrates deslocou-se novamente a Ribeiradio, Oliveira do Hospital, para lançar a primeira (perdão, a segunda ...ou talvez a terceira, segundo alguns locais) pedra da barragem a construir no local pela EDP em associação com a Martifer.

Vítor Andrade, in Expresso TV - 5 de Dezembro de 2009

PNBEPH - Barragens postas em causa

Vítor Andrade, in Expresso>Economia, 1933 (p. 03) - 14 de Novembro de 2009

PNBEPH - Barragens avançam em 2010 apesar das críticas

Carla Aguiar, in Diário de Notícias, N.º 51355, ano 145.º (p. 5) - 12 de Novembro de 2009

PNBEPH - Relatório arrasa política de barragens - Peritos europeus alertam que empreendimentos violam Directiva da Água



Peritos europeus alertam que empreendimentos violam Directiva da Água
Relatório arrasa política de barragens

Gina Pereira, in Jornal de Notícias, N.º 164, ano 122 (pp. 4 e 5) - 12 de Novembro de 2009

País de costas estreitas - Erosão entre a foz do Douro e a Nazaré

Alfredo Maia, in Jornal de Notícias, N.º 175, ano 122 (p. 29) - 23 de Novembro de 2009

BARRAGENS - Comissário europeu do Ambiente espera que Bruxelas e Lisboa encontrem "soluções correctas"




Barragens
Comissário europeu do Ambiente espera que Bruxelas e Lisboa encontrem "soluções correctas"

O comissário europeu para o Ambiente, Stavros Dimas, disse hoje esperar que Bruxelas e o Governo português encontrem "as soluções correctas" para eventuais problemas ambientais do Plano Nacional das Barragens.

"Temos uma boa cooperação com o Governo português sobre questões ambientais e espero que encontremos as soluções correctas", disse Dimas, questionado sobre o Plano Nacional das Barragens durante uma conferência de imprensa.

O comissário confirmou a existência de "um estudo que foi pedido pela comissão a um organismo independente sobre as barragens" em Portugal.

"Em Dezembro, haverá uma reunião para definir como construir as barragens, protegendo o ambiente", sublinhou.

A SIC divulgou terça-feira que o programa das barragens a ser desenvolvido pelo Executivo nos próximos anos está a ser criticado por um relatório de Bruxelas, citando, por exemplo, o caso do Douro, onde a construção de cinco barragens vai "deteriorar significativamente" a qualidade da água na região.

O documento afirma que, segundo a mesma fonte, se as dez barragens previstas forem para a frente, a directiva europeia sobre a qualidade da água não deverá ser cumprida e aponta que, "considerando a relação custo-benefício, é difícil compreender esta decisão".

A Quercus, em comunicado, sublinha que já em 2007 afirmava que "a construção de novas barragens contrariava completamente as exigências da Directiva-Quadro da Água em termos de qualidade da água, a qual exige não só evitar a degradação mas também melhorar o estado dos ecossistemas ribeirinhos".

in Diário de Notícias (por Lusa) - 12 de Novembro de 2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

PNBEPH - Barragens

Barragens

Na ausência de verdadeiro planeamento, pode dizer-se que, nas grandes opções do Estado, em termos de investimento público e de prioridades, reina a maior confusão. Dito de outra forma: os planos e os projectos não se harmonizam, contradizem-se uns aos outros. Por causa disso, ninguém sabe quais são as intenções e compromissos que prevalecem, ou seja, que ideia existe para o país e que objectivos se pretendem alcançar em nome do bem comum.
O caso das barragens é exemplar. O governo lançou um mega-plano (com o pomposo nome de Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, PNBEPH) que consiste na construção de 10 barragens. Da lista ficou — vá-se lá saber porquê — de fora a do Baixo Sabor, um imenso empreendimento com elevado…potencial de destruição da Natureza, atentado que ficará nos anais da insensibilidade ambiental.
O plano foi analisado em documento produzido em Julho (o governo «engavetou-o» e só há poucos dias foi conhecido) por uma equipa destacada pela Comissão Europeia: as conclusões são arrepiantes. Os peritos não encontraram justificação para as novas barragens e afirmam, preto no branco, que as «autoridades portuguesas não fizeram uma comparação adequada entre os benefícios da construção das novas barragens e a defesa da qualidade da água». Pior ainda, o estudo diz que se forem concretizadas tais construções, Portugal não conseguirá cumprir a Directiva europeia da qualidade da água a que está obrigado até 2015. Os peixes migradores e a biodiversidade não foram consideradas aquando da elaboração dos projectos, e tão pouco os efeitos indirectos em zonas costeiras e na globalidade das bacias hidrográficas, o que significa impactes indirectos não previstos no litoral (retenção de sedimentos, etc) e um perigo significativo de degradação da qualidade das águas em toda a extensão de vários rios.
Quer dizer — o estudo europeu arrasou uma das «vacas sagradas» da política de betão do governo.
Voltando ao início da crónica e às contradições: queremos nós alcançar a excelência do estado das massas de água, em proveito do turismo e do desenvolvimento regional, do abastecimento público, ou isso conta pouco e afinal o que interessa é fazer barragens? Contradição à qual não se respondeu.
Se pensarmos que, das dez barragens, seis dizem respeito à bacia hidrográfica do rio Douro, já tão castigada, seria de pensar que o assunto fosse vital para os políticos e instituições da região Norte, tão pródigos a gabarem a importância do grande rio para a nossa vida e economia. Mas nada se ouviu, o que é estranho.
Confusão: procuram-se soluções para a erosão acelerada de quase todo o nosso litoral marítimo, mas não se estudam a fundo as implicações graves que as barragens podem ter nessa matéria. O Estado assume compromissos com a defesa da biodiversidade, mas avança com a sua submersão sem pestanejar.
Ou ainda: se todo o PNBEPH for efectivado, a energia produzida será menos de 3% do total nacional. Quando se sabe que a eficiência energética, apenas com medidas de bom senso e aplicação de tecnologias disponíveis, poderá diminuir o consumo em pelo menos 20%!
Será que vale a pena? A saúde, já tão problemática, do Douro, do Tâmega, do Tua, do Sabor e de outros rios não vale ao menos um debate nacional…e regional?
De facto, as prioridades andam trocadas, jogando à pancada umas com as outras. Mas com o PNBEPH arrecadou o Estado 1.300 milhões de euros avançados pelas entidades construtoras, EDP à frente, «receita extraordinária» para abater ao défice. Explicada a confusão?

Bernardino Guimarães, in Peregrino - 25 de Novembro de 2009
(Crónica no Jornal de Notícias, N.º 176, ano 122 (p. 22) - 24 de Novembro de 2009)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Amarante - Autarca contra Barragem de Fridão

António Orlando, in Jornal de Notícias, N.º 155 (p. 20) - 3 de Novembro de 2009

PNBEPH - Relatório CE: Economia ambiental


Pedro Ivo Carvalho, in Jornal de Notícias, N.º 165 (p. 6) - 13 de Novembro de 2009

PNBEPH - Relatório CE: INAG defende qualidade de barragens







in SOL (n.º 166) - Confidencial>Economia & Negócios (p. 32) - 13 de Novembro de 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sociedade - Erosão: há zonas de costa a recuar 10 metros ano



Sociedade
Erosão: há zonas de costa a recuar 10 metros ano

As causas são principalmente humanas (além da subida do nível médio do mar) e começam longe do litoral.

A construção de molhes e paredões deve acontecer "em casos excepcionais", para proteger grandes aglomerados urbanos "e se essa intervenção for duradoura e não puser em risco outros localizados a sotamar", diz o geógrafo José Nunes André, especialista em Geomorfologia Litoral do pólo do IMAR na Universidade de Coimbra. "Não resolvem as causas da erosão, apenas as transferem para sotamar (na costa Ocidental, para sul; na costa sul, para leste)", afirma, apontando recuos significativos entre a foz do Douro e Nazaré.

As causas são principalmente humanas (além da subida do nível médio do mar) e começam longe do litoral. "Estudos da década de 90 do século XX referem que o rio Douro, principal fonte de alimentação aluvionar da costa até ao canhão submarino da Nazaré, devido às barragens e à extracção de areia, diminuiu-a em cerca de 60%", diz.

Em situação normal, o Douro alimentaria a costa com 1,2 milhões de metros cúbicos de sedimentos por ano (m3/ano), aos quais se juntariam 200 mil transportados pela deriva litoral entre Leixões e a foz do Douro. Com as barragens, reduziu a sua capacidade aluvionar para apenas 200 mil m3/ano. Outros estudos indicam uma redução dos volumes sedimentares transportados por via fluvial em mais de 85% ao longo do século XX, devido aos aproveitamentos hidroeléctricos e hidro-agrícolas. Quando as comportas de fundo das barragens são abertas devido a cheias, o volume de areias na foz aumenta significativamente, o que evidencia o efeito de retenção.

Com a retenção no Douro, que será agravado com a construção de mais seis grandes barragens na sua bacia hidrográfica, e a extracção de areias, os "poucos" sedimentos em deriva resultam essencialmente da erosão da costa". A extracção nos rios e na costa tem sido outro factor. Em S. Jacinto, Aveiro, eram retirados dois milhões de m3/ano. Na foz do Mondego, Figueira da Foz, era extraído cerca um milhão de m3/ano. Com o caudal aluvionar dos rios diminuído, os esporões agravam o problema. Só entre a foz do Douro e a praia de Mira, numa distância de 75 km, há 25 esporões, além dos molhes nas fozes do Douro e do Vouga, "a interceptar os poucos sedimentos em deriva".

Para travar a erosão a sul da Vagueira, foram construídos entre esta praia e a de Mira dois esporões - o do Areão (2003) e o do Poço da Cruz (2004).

Desde então, José Nunes André monitoriza a linha de costa na zona, cujo recuo era, até então, inferior a dois metros por ano. A sul, quantificou erosão superior a sete metros por ano em média. No esporão do Areão, a erosão aumentou para 13,90 metros em oito meses (29 de Abril a 31 de Dezembro de 2008). O cordão dunar frontal (último obstáculo ao avanço do mar) a sul foi erodido após a sua construção. São "cada vez com mais frequentes os galgamentos oceânicos, que se têm prolongado mais para sul e a mata adjacente já está ligada à praia" e o aumento da erosão a sul faz-se sentir até à praia de Mira.

A erosão da base das arribas é outro problema. As situadas entre o norte de S. Pedro de Moel (Praia Velha) e a Praia da Légua (norte da Nazaré) estão em risco de derrocada. O INAG já assinalou parte como zonas de perigo e projecta consolidá-las.

A construção, nos anos 60, dos molhes da Figueira da Foz acelerou a erosão das praias a sul e das arribas. O prolongamento, em curso, do molhe norte em 400 metros "voltará a dar origem à acreção (aumento) do areal a norte (Figueira da Foz - Buarcos) e ao aumento da erosão a sul. A médio prazo, irá reflectir-se nas arribas S. Pedro de Moel - Nazaré". Intervenções "em terra" também respondem pela redução da estabilidade das arribas, avisa, apontando o dedo à construção dos parques de estacionamento sobre elas, a norte do farol de S. Pedro de Moel, "impermeabilizando-as e originando escoamentos pluviais concentrados".

in Jornal de Notícias - 23 de Novembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Estudo internacional põe em causa o «Programa Nacional de Barragens» e avisa que o Tâmega está em perigo







Estudo internacional põe em causa o «Programa Nacional de Barragens» e avisa que o Tâmega está em perigo

Um relatório de um estudo internacional encomendado pela Comissão Europeia foi entregue em Julho ao Ministério do Ambiente e a outras entidades públicas intervenientes no Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) mas só em Novembro foi tornado público, através de uma reportagem da estação televisiva SIC. O relatório do estudo revela que os estudos feitos para o PNBEPH foram muito "superficiais" e com graves erros de cálculo.

O estudo denuncia que o «Programa Nacional de Barragens» irá deteriorar consideravelmente a qualidade da água. Em particular, o rio Tâmega que está num estado eutrófico elevado terá com a construção das cinco barragens (Fridão, Daivões, Pedroselos, Vidago e Gouvães), previstas no programa para a bacia do Tâmega, um factor decisivo para a perda substancial e inevitável da qualidade da sua água. Sobre o tópico da qualidade da água o estudo é muito claro e objectivo ao avisar que se Portugal realizar os dez empreendimentos hidroeléctricos previstos no PNBEPH, Portugal não cumprirá os requisitos para satisfazer a directiva comunitária Quadro da Água. Uma directiva sobre a qualidade das massas de água no espaço europeu, que Portugal aceitou cumprir até 2015 mas que o PNBEPH ameaça. Caso este quadro se verifique o Estado Português será, provavelmente, sujeito a sanções por parte da União Europeia.

Os especialistas vão ainda mais longe ao afirmar que a a perda de biodiversidade será enorme e que este facto é pouco considerado pelos responsáveis governamentais. Afirmam que o governo português não teve em consideração os estudos e os avisos sobre os efeitos que este programa de barragens terá na biodiversidade. No estudo é dado o exemplo da barragem de Gouvães (Vila Pouca de Aguiar) que o governo português adjudicou a construção sem ter em consideração um parecer negativo do Instituto da Conservação da Natureza, para a falta de consideração do Governo pela protecção ambiental. Afirmam, também, que diversas espécies protegidas pela Rede Natura (lobo ibérico e a toupeira de água) estão ameaçadas com este programa e que os espaços naturais como a Ria de Aveiro, o Estuário do Tejo, a serra do Alvão e a serra do Marão estão em causa. O programa embora prevê a construção de barragens em zonas de migração de peixes não considerou nenhuma passagem para estes.

A percentagem da energia produzida em Portugal pelas dez barragens quando estas estiverem em pleno funcionamento é estimada em 3%. Contudo, este valor pode ser ainda mais residual se o Estado Português implementar as medidas de resguardo ambiental que o estudo aconselha. A serem implementadas estas medidas, a energia produzida por estas barragens será diminuida em um terço do valor estimado.

Em conclusão o estudo sentencia que "não compreende", tendo em conta a relação custo-benefício da construção destas barragens, a decisão do Estado Português.

De momento o Estado Português adjudicou sete das dez barragens do PNBEPH, arrecadando cerca de mil e trezentos milhões de euros. Uma receita extraordinária muito importante para colocar o défice do Estado em 2008 no valor de 2.6% do PIB. Caso não existisse esta receita extraordinária, o Estado não teria conseguido cumprir a meta do défice abaixo dos 3% do PIB imposta pela Comissão Europeia.

Numa declaração ao jornal "O BASTO" o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega», pela voz de José Emanuel Queirós, afirma que «acima do que cidadãos livres e movimentos cívicos independentes têm vindo a divulgar nos concelhos do Tâmega (...) estamos confrontados com referências técnicas muito preocupantes relativas à bacia do Tâmega, contidas em relatório europeu que releva os erros no PNBEPH e adverte as autoridades nacionais da decisão cega e madrasta de aprisionar os rios no betão, concessionando as águas às eléctricas.» e tendo em conta os conclusões do relatório do estudo remata que «para que no Tâmega a Lei se cumpra, que mais é preciso?».

in jornal "O BASTO" - 20 de Novembro de 2009

Qual será o interesse superior?







Qual será o interesse superior?

a) A SIC mostrou e tornou público um relatório, encomendado pela União Europeia, em que o Ministério do Ambiente e os institutos adjacentes que vergonhosamente guardaram em segredo. Em Julho deste ano um relatório foi entregue a estas entidades públicas. Contudo, o conteúdo deste relatório só em Novembro foi revelado, devido a uma reportagem da SIC.
O artigo em destaque nesta edição do jornal "O BASTO" revela o conteúdo e as circunstâncias que envolvem este relatório internacional sobre o nosso(?) «Programa Nacional de Barragens». As conclusões deste estudo não são favoráveis ao Estado Português e ao modo como este conduz o programa. Para clarificar, basta expor algumas conclusões do relatório:
1. Se Portugal construir todas as barragens que pretende, não será possível ao País cumprir a legislação europeia relativa à qualidade da água, o que poderá levar à aplicação de sanções contra Portugal a partir de 2015;
2. tendo em conta a relação custo/benefício, os especialistas europeus dizem que “não se compreende” a decisão do Governo sobre as barragens.
Estas conclusões vão em encontro às evidências divulgadas por vários movimentos e associações da sociedade civil.

(...)

Em conclusão:
O que os "especialistas" políticos e de empresas de produção de energia apregoavam sobre os benefícios e a "protecção" ambiental do «Programa Nacional de Barragens» não se ajusta ao relatório independente encomendado pela União Europeia. O que os "especialistas" políticos apregoavam no encerramento das linhas ferroviárias estreitas (como a linha ferroviária do Tâmega) não se ajusta à realidade da ferrovia em Espanha (nenhuma linha estreita foi fechada e é usada, com sucesso, como factor de desenvolvimento). A linha ferroviária e as barragens são temas em que a realidade interroga: qual será o interesse comum a comandar, o nosso ou o deles?

Marco Gomes, in O BASTO - 20 de Novembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Programa Nacional de Barragens - Resposta da CE à pergunta de Diogo Feio (PPE)





Comissão Europeia - Programa Nacional de Barragens
Resposta do Comissário Europeu do Ambiente à pergunta de Diogo Feio (PPE)

E-4376/09PT
Resposta dada por Stavros Dimas
em nome da Comissão
(18.11.2009)

A Comissão confirma ao
Senhor Deputado que lhe foi apresentada uma queixa segundo a qual o Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hídrico (PNBEPH) respeitante a Portugal, que prevê a construção de 10 novas barragens em diversas bacias hidrográficas, viola o disposto na Directiva 2001/42/CE[1], de 27 de Junho de 2001, relativa à avaliação dos efeitos de determinados planos e programas no ambiente, e na Directiva 2000/60/CE[2], de 23 de Outubro de 2000, que estabelece um quadro de acção comunitária no domínio da política da água.

Tendo em conta a complexidade do processo, a Comissão encomendou um estudo externo. As conclusões deste foram recentemente disponibilizadas.

A Comissão está prestes a concluir a avaliação do estudo que lhe permitirá, no mais breve prazo, tomar uma decisão sobre o processo e sobre eventuais medidas ulteriores.

________________________
[1] JO L 197 de 21.7.2001.
[2] JO L 327 de 22.12.2000.

Stavros Dimas (em nome da Comissão Europeia), in Parlamento Europeu - 18 de Novembro de 2009

Governo não vai recuar no programa nacional de barragens







Energia
Governo não vai recuar no programa nacional de barragens

Bruxelas aponta críticas na avaliação do impacto dos projectos

"Este país não pode viver sem barragens e ninguém nos pode impedir de as construir", afirmou ontem o presidente do Instituto Nacional da Água (Inag), Orlando Borges, em declarações ao PÚBLICO, depois de ser conhecido que um relatório encomendado pela Comissão Europeia arrasa a decisão do Estado português quanto ao que é considerado um dos projectos mais emblemáticos da governação de José Sócrates.

O documento aponta às autoridades portuguesas várias falhas na avaliação dos impactos do programa de construção de 10 novas barragens e admite que o país não venha a cumprir a directiva europeia da água, no que respeita às metas de qualidade da água até 2015.

O Governo, através do Ministério do Ambiente, do Inag e da Direcção-Geral de Energia, desdramatiza os argumentos apresentados no estudo elaborado por uma entidade externa à Comissão Europeia, por considerar fazer parte de um processo ainda não fechado, em fase de troca de informações com Bruxelas e por não ver efeitos vinculativos no imediato. Orlando Borges defende ainda que "o país não vai incumprir nenhum normativo" comunitário, seja directiva ou regulamento.

O documento elaborado por consultores externos integra-se num modelo de fiscalização reforçada e anunciada por Bruxelas ao Plano Nacional de Barragens, face às queixas dos ambientalistas, enunciando sete questões críticas no projecto e que estão na base do pedido de esclarecimentos a Lisboa. O Governo é acusado de não ter tido em conta os efeitos acumulados das novas barragens sobre o ambiente, quer quanto à qualidade da água - destacando o caso do Douro, onde a construção de cinco barragens vai "deteriorar significativamente" a qualidade da água na região -, à preservação das zonas da rede Natura 2000 e dos ecossistemas aquáticos. Também é criticado por não ter apresentado alternativas que permitissem uma mais clara relação entre os custos e benefícios do projecto, pelo que face aos dados disponíveis os autores do relatório consideram que "não se compreende esta decisão" do Estado português.

Também em causa está o equilíbrio entre a produção de energia e a necessidade de manutenção de caudais mínimos dos rios, o que vai obrigar a uma produção de electricidade entre 20 e 35 por cento inferior à prevista, segundo os cálculos do relatório. Diz também que Portugal não fez contas ao impacto das alterações climáticas, que vão reduzir a disponibilidade de recursos hídricos e a capacidade de produção eléctrica. Argumenta ainda que poucas barragens terão viabilidade económica. O pedido de esclarecimentos chegou em Junho e a resposta oficial deverá seguir dentro de uma a duas semanas. Na resposta em preparação, o presidente do Inag cita que foram critérios ambientais que ditaram a escolha dos 10 locais em questão entre uma lista inicial de 25. Diz também que há erros no relatório quando afirma que o Governo não avançou para o reforço de potência das barragens existentes, o que está a acontecer.

Regulador admite impacto negativo
O presidente do Inag, entidade reguladora do sector da água, Orlando Borges, dá razão a, pelo menos, um ponto no relatório elaborado para a Comissão Europeia sobre o programa nacional de barragens e que tem a ver com o impacto negativo dos 10 novos empreendimentos sobre a qualidade da água dos rios. "Se vai degradar a qualidade da água? Nunca negámos os impactos ambientais, na água também, mas há várias componentes a ter em conta", responde o regulador ao PÚBLICO, face à previsão, enunciada no documento, de que o país não vai conseguir cumprir as metas da directiva da água e que não teve esse factor em conta na avaliação dos custos e benefícios do projecto.
O responsável esclarece que em causa estará a "qualidade biológica" da água dos rios "e não a qualidade do ponto de vista químico", garantindo que "as soluções estão pensadas" e que os locais escolhidos "eram os que apresentavam o menor impacto ambiental". Segundo os contratos assinados com os concessionários, estes serão responsáveis pelas medidas de mitigação dos problemas que vierem a verificar-se.
Os estudos de impacto ambiental pedidos aos promotores das novas barragens, já entregues ao Governo, devem pronunciar-se especialmente sobre esta questão, sendo que o modelo de concessão em vigor prevê que o Estado reduza o preço da concessão ou devolva parte dos mais de mil milhões de euros já recebidos, caso o impacte ambiental de cada projecto obrigue a uma redução da cota ou impeça mesmo a sua construção.

Do outro lado da balança desta decisão - que deveria ser suspensa, na opinião dos ambientalistas - estão os objectivos considerados estratégicos para o país: redução da dependência energética do país, aposta em energias renováveis, valorização da energia eólica e criação de riqueza e emprego.

Lurdes Ferreira, in Peso & Medida - 12 de Novembro de 2009

Governo segura Plano Nacional de Barragens





Falhas apontadas pela Comissão Europeia levam Quercus a exigir suspensão da construção das represas
Governo segura Plano Nacional de Barragens

Ambientalistas pedem suspensão de barragem na Foz do Tua

O Governo vai manter o Plano Nacional de Barragens por considerar que este não infringe as exigências da Directiva-Quadro da Água em termos da qualidade da água, divulgou ontem fonte do Ministério do Ambiente. Por sua vez, o director-geral de Energia e Geologia, José Perdigoto, avançou que está a ser preparada uma resposta para entregar à Comissão Europeia.
Bruxelas está a avaliar as consequências ambientais da execução do plano que só na bacia do rio Tâmega permite a construção de cinco barragens. Os primeiros elementos obtidos pela Comissão Europeia revelam que represas, como as que serão criadas no Tejo, irão deteriorar a água. Também a organização de defesa do ambiente Quercus e o partido Os Verdes defendem a suspensão do plano, nomeadamente no Tua.

J.S., in Correio da Manhã, N.º 11120 (p. 20) - 12 de Novembro de 2009