segunda-feira, 8 de junho de 2009

Plano Nacional de Barragens é um grande erro

Plano Nacional de Barragens

A construção de mais 10 barragens em Portugal é um grande erro, pois os aumentos dos consumos de electricidade têm vindo constantemente a crescer, e o Governo português, ao construir estas 10 barragens parte do princípio que assim tem de continuar a ser.
Deste modo, não se está a apostar na melhor estratégia, que é mais eficiente, mais económica e que aposta na redução do consumo de electricidade com base no aumento da poupança e da eficiência energética.
Torna-se preocupante a falta de rigor na avaliação que é feita dos impactes ambientais, sociais, patrimoniais, e ambientais de cada empreendimento por si, assim como o efeito cumulativo das 10 barragens.

Barragem de Fridão:
A cota da barragem de Fridão, situada a cerca de 6km de Amarante é de 145, sendo a cota actual da Cidade no Mosteiro de S. Gonçalo de 62. Logo o desnível é de 83m.
Como é possível fazer propostas destas que, para além de destruir a beleza e a harmonia existente entre o património natural e o construído da cidade, são uma verdadeira ameaça à sua qualidade de vida, pelos perigos que representam para a saúde pública (má qualidade das águas) e uma ameaça permanente em termos de segurança pública.

P.S.- Façam "ouvir" a vossa opinião, deixando um comentário neste artigo

Enzo, in The Awesome Stuff - 20 de Dezembro de 2007

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ainda a Barragem de Fridão

Ainda a Barragem de Fridão










Tâmega - S. Gonçalo - Amarante - Portugal
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães

Hoje volto à carga para reforçar a ideia de perda irreparável que se verificará em Amarante se tudo o que está previsto pela construção desta malfadada barragem se vier a concretizar. Perda irreparável para Amarante e perda irreparável para cada um de nós, amarantinos que amam a terra que os viu nascer.
Por isso postei as mesmas fotografias de ontem, desta vez sem cortes, e no maior tamanho em que é possível publicá-las aqui no blogue. Já o disse e repito. Não é um tamanho de fotografia que eu use muito. Porque gosto de postar o tamanho mais pequeno e deixar que as pessoas as ampliem investigando e absorvendo um ou outro pormenor que achem mais interessante. Mas, porque a hora é grave, aqui ficam as mesmíssimas fotografias que ilustraram o meu "post" de ontem no maior tamanho possível.
Para que as pessoas interiorizem o que corremos o risco de deixar afogar, e de perder, sem possível reparação futura.

E nós, amarantinos, não estamos já fartos de perder?

Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 8 de Maio de 2008

Votação sobre a barragem de Fridão

Votação sobre a barragem de Fridão

Barragem de Fridão

Vantagens

Desvantagens

  • Produz grandes quantidades de energia;
  • Responde rapidamente a necessidades de pico de consumo;
  • Permite o desenvolvimento económico;
  • Benefícios para as zonas rurais, na área do turismo, indústrias e agricultura;
  • Destruição de importante património histórico e natural;
  • Em anos de seca a produção de energia baixa muito;
  • Degradação da água do rio Tâmega;
  • Esta construção irá criar enormes questões ao nível da segurança.

No dia 9 de Abril de 2008, organizámos uma votação acerca da Barragem de Fridão.
A mesma questão foi colocada a 111 membros da comunidade escolar (professores, funcionários e alunos) da Escola Secundária/3 de Amarante:

«Como sabe a construção da barragem de Fridão irá trazer benefícios para a nossa cidade, mas ao invés, traz inúmeros prejuízos a nível paisagístico, patrimonial e levantará inúmeras questões de segurança.

A pergunta que colocamos é a seguinte:

“Amarante deveria aceitar a construção da barragem de Fridão?”»

Resultados:



31 pessoas votaram "SIM" e 80 votaram "NÃO", o que permite concluir que a comunidade amarantina, na sua grande maioria é contra a construção da barragem de Fridão.

Enzo, in The Awesome Stuff - 6 de Maio de 2008

A EDP e os milagres do Dr. Mexia

A EDP e os milagres do Dr. Mexia

A EDP acaba de apresentar resultados fantásticos, com aumento da facturação em plena crise. O Dr. Mexia, que revela saber mexer-se como ninguém no meio deste caos, dissertou sobre o seu milagre à imprensa. De facto, uma empresa que não vende alimentos, mas energia, que move a economia, deveria estar em linha com a evolução do mercado que se encolheu mais de 10%.

Mas não, nem a época de maior crise económica desde a 2ª Guerra, faz decrescer os lucros desta empresa. Quem é que está a pagar o pato? São os portugueses e as empresas portuguesas que têm os meios de produção mais caros do mundo, para gáudio destes gestores gananciosos que fazem o que querem como marajás das arábias. Não contentes pavoneiam-se sem que a entidade reguladora tome qualquer medida. Pergunto o que fazem aquelas lesmas pardacentas que comem no orçamento do país?

Outro sinal de pouca seriedade é a campanha publicitária que a presidência desta companhia autorizou passar acerca das barragens que aí vêm. Começa por sugerir que fazem as barragens a pensar nas populações de morcegos, de pássaros, de peixes, nos sobreiros, etc.
Quem pretendem enganar? Porque não dizem a verdade, que é técnico-científica acerca das vantagens da hidroelectricidade, as reservas estratégicas de água, a complementaridade com a eólica, etc.

Eu tenho argumentos técnicos e científicos a favor destas infra-estruturas, mas nenhum é a favor de morcegos, nem de sobreiros. Esta falsidade mina a confiança que os pilares da nossa sociedade deveriam manifestar.

Portanto, duas questões que deveriam envergonhar o dr. Mexia: os lucros de uma exploração monopolista à custa da ruína dos portugueses e a mentira desbragada numa campanha mediática falsa de muitos milhões de euros.

Mário Russo, in Clube dos Pensadores - 8 de Maio de 2009

MAIS UMA...

MAIS UMA...

Desta vez foi no Brasil.
A desgraça abateu-se sobre a cidade que lhe ficava a jusante, levando a dor a algumas famílias e obrigando milhares a ser evacuados da zona inundada.
Certamente também os tinham convencido da improvabilidade de algum dia vir a acontecer um acidente como aquele!
Os técnicos estão quase sempre convencidos de que são infalíveis e que as novas tecnologias e materiais estão acima da possibilidade de qualquer surpresa!
E se nós tivermos as duas Barragens prometidas? E se um dia uma, por qualquer razão, decide pregar-nos uma partida?
ZAS (aqui não significa Zona de Auto Salvamento!), já foste...!
É que uma onda de inundação não demoraria mais de 20 minutos a chegar ao Centro da Cidade, com todo o seu poder destrutivo!
É tempo de acordar e fazer ver aos nossos governantes o grave erro que estão a cometer ao projectar a construção de 2 (DUAS !) barragens imediatamente a montante de Amarante.
Construir uma barragem de Tipo 1 a 6 Km da cidade, é uma ameaça que Amarante não merece!
A Beleza da região, a sua História e a sua riqueza patrimonial, merecem muito mais do que essa falta de respeito!

António Aires, in ForçaFridão - 29 de Maio de 2009

Tudo isto para dizer não à barragem de Fridão

Tudo isto para dizer não à barragem de Fridão


Lutar vale a pena…

Decorria o ano de 2003, quando na tentativa de devolver o respeito e credibilidade a uma instituição local.
Fui chacota de falsos ditos e contraditos.
Depois daquela luta vencida, a credibilidade e o respeito restabelecidos,
Descobri em mim energia e força para novas lutas, e até experiência para enfrentar outras batalhas, descobri também que o caminho trilhado em lutas e batalhas já mais será esquecido, que nem sempre a verdade sobe, que a justiça é cega, mas vê o que mais lhe agrada, que os recrutas correctos nunca chegam a generais, que os piratas nem sempre usam uma pala preta a tapar um olho, descobrimos que afinal os homens não são o que aparentam, que os zig… zag… de uns, são autênticas linhas rectas para outros, enfim descobrimos verdades e mentiras enterradas na mais superficial camada argilosa que até o vento a destapa, mas que pela camada de verniz superficial que a embeleza passa despercebida aos olhos do mais atento dos imortais…
Disse uma vez Napoleão:
Não acordem a China…
Dizia uma sabia aldeã:
-Quanto mais nos baixamos mais nos vem o traseiro
Como disse António Ribeiro:
- Estou arrependido de não ter chegado mais cedo.
Um progressista que morreu 7 meses depois de entrar em greve de fome no Brasil.

E porque não? Pegar em frases, tão históricas quanto reais bem portuguesas bem populares.

Eles falam, falam…
Quem tem…tem medo…
Os cães ladrão e a caravana passa…
Cão que ladra não morde…
Tretas tuas, trinta e duas…
Enfim, enfim tanto e tanto que podia ser dito.
Mas …
Tudo isto para dizer não à barragem de Fridão, já nos levaram tanta coisa que um dia destes comem-nos o caldo na cabeça e nos à semelhança de outras ocasiões, baseados do princípio da educação damos-lhes umas palmadinhas nas costas e agradecemos-lhes. Com um bem-haja e muito, muito obrigado.
Merda, está na hora de nos juntarmos e não acreditarmos mais nas pessoas que nos representam e dizer chega… ou vamos esperar como fizemos ate aqui?
E depois ouvimos o Senhor lá do alto da sua poltrona a dizer a culpa é nossa porque não usamos, os serviços…
Contra tudo e todos vamos mostrar a essa cambada que também mandamos e todos juntos vamos impedir a construção da barragem em Fridão.

Lutar vale a pena!

Rodrigo Oliveira, in Corrente Natural - 14 de Novembro de 2008

Os impactos ambientais provocados pela construção de uma barragem







Os impactos ambientais provocados pela construção de uma barragem

No programa “Energia da Água – Terra a Terra Especial” desta semana, debatemos uma das questões que provocam mais polémica quando se fala da produção de energia hidroeléctrica: os impactos ambientais provocados pela construção de uma barragem. O debate conta com a participação de Paula Chaínho (dirigente da Liga para a Protecção da Natureza), Domingos Patacho (dirigente da QUERCUS), Maria do Rosário Partidário (professora Instituto Superior Técnico e membro da Associação Portuguesa de Avaliação de Impactes), Pedro Beja (investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos), Neves de Carvalho (director de sustentabilidade e ambiente da EDP) e de António Castro (administrador da EDP Produção). O debate realizou-se no auditório do Diário de Notícias, em Lisboa, e foi moderado pelo jornalista Manuel Acácio.

(clique aqui para ouvir o respectivo programa)

in TSF - 31 de Maio de 2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Defender o Tejo (renacionalizar a EDP e despedir o insolente Mexia!)

Defender o Tejo (renacionalizar a EDP e despedir o insolente Mexia!)

(...) «A vergonhosa propaganda da EDP dirigida pelo petulante Mexia, em volta do programa de construção da dezena de novas barragens em rios portugueses -- que para nada servem, a não ser disfarçar a enorme dívida acumulada da principal empresa energética portuguesa, e às escondidas privatizar o acesso à água (Nuno Melo investiga mais este dossier, por favor!) -- deve ter uma resposta rápida e inflexível: renacionalizar a EDP e despedir o insolente Mexia!» (...)

António Cerveira Pinto, in O António Maria - 17 de Maio de 2009

Apelo: ACÇÃO DE PROTESTO CONTRA CAMPANHA EDP-BARRAGENS

ACÇÃO DE PROTESTO CONTRA CAMPANHA EDP-BARRAGENS

Apelamos a tod@s que se dirijam a uma loja da EDP mais próxima da sua residência, e façam, individualmente, uma queixa no livro oficial de reclamações onde declarem estar categoriamente contra a publicidade enganosa da EDP e que a mesma deveria ser avaliada pelos órgão competentes. É igualmente possível e extremamente conveniente, que, cada um (e cada ONGA, movimento cívico, etc…) faça uma queixa junto do orgão que gere a ética nos orgãos de comunicão . A ERC (Entidade Reguladora da Comunicação)

ACEDER AO FORMULÁRIO DE RECLAMAÇÔES
“A omissão é um pecado que se faz sem fazer” - pe. António Vieira

“Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco” - Edmund Burke

in Coagret - 20 de Maio de 2009

Brasil: Acidente com Barragem - Barragem de Algodões - Antes e depois

Brasil: Acidente com barragem
Antes e depois - Barragem de Algodões

No dia 15 de Maio o governador Wellington Dias garantiu que a barragem não iria romper

Ontem, dia 27 de Maio, pouco mais de 10 dias, a barragem rompeu, deixando moradores feridos e sem moradia.
Veja o vídeo depois que a barragem rompeu:

Danuza Portela, in Insigne Web - 28 de Maio de 2009

Brasil - Estado do Piauí: Chuva provoca destruição de barragem

Brasil - Estado do Piauí
Chuva provoca destruição de barragem

A chuva intensa registada nas últimas semanas no estado brasileiro do Piauí acabou por destruir a Barragem de Algodões e arrasou a cidade vizinha de Cocal da Estação, provocando dois mortos, quatro desaparecidos e o isolamento de centenas de famílias.

Segundo as autoridades, dez milhões de metros cúbicos de água rasgaram o paredão da barragem, arrastando casas e árvores por cerca de 50 quilómetros.

De acordo com o governador do Estado, a destruição da Barragem de Algodões provocou pelo menos dois mortos, quatro desaparecidos e deixou centenas de famílias isoladas.

No entanto, as autoridades acreditam que várias pessoas também possam ter sido levadas pela força da água.

Por enquanto, as equipas de socorro estão com dificuldades em chegar ao local para resgatar as pessoas

in TSF - 28 de Maio de 2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Barragem à cota máxima inunda melhores terrenos (Alto Tâmega - Vidago)

Câmara receia que a Iberdrola queira aumentar a cota do empreendimento de Vidago
Barragem à cota máxima inunda melhores terrenos

A Câmara de Chaves receia que a Iberdrola construa à cota máxima uma das quatro barragens previstas no Tâmega e se percam os melhores terrenos agrícolas de três aldeias. A empresa garante que a cota ainda não está definida.

As apreensões da autarquia, que já está a elaborar um documento para enviar à empresa espanhola e ao Governo português, surgiram depois de a firma contratada para fazer o levantamento das expropriações necessárias à construção do Empreendimento Hidroeléctrico do Alto Tâmega (Barragem de Vidago) ter contactado as populações de Anelhe, Vilarinho das Paranheiras e Arcossó. É que, à cota prevista no estudo que deu origem ao concurso (312), a albufeira atingiria apenas uma pequena parte da localidade de Arcossó. Ora, para a autarquia, esta é a prova de que houve alteração da cota. "À cota que estava prevista, o concelho de Chaves praticamente não era atingido. À cota 322, que é aquela que, pela zona a expropriar, se percebe que pretendem avançar, são abrangidos 200 hectares a mais", lembra o presidente da Câmara de Chaves, João Batista, que já reuniu com a população das aldeias em causa.

Os moradores das aldeias estão preocupados com o facto de ficarem sem os melhores terrenos agrícolas. Mas há outros "prejuízos". Além de algumas habitações, será submersa a nova Estação de Tratamento de Águas Residuais de Arcossó. Custou um milhão de euros. Também se perderão moinhos e uma ponte medieval. Segundo o autarca, o clima também será afectado, podendo mesmo estar em causa, por causa do nevoeiro, um campo de golfe de 19 buracos que faz parte do projecto de investimento da Unicer no complexo termal de Vidago. A Unicer diz não ter conhecimento da alteração do projecto.

De acordo com o presidente da Câmara, no documento que está a ser elaborado irá ser lembrado à empresa que "o direito que adquiriram por concurso foi à cota 312". "Vamos, aliás, propor uma cota inferior à que foi a concurso", garante Batista.

Confrontada pelo JN, a Iberdrola referiu que a cota definitiva será definida pela Declaração de Impacto Ambiental (DIA). "As cotas definitivas das barragens do Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega serão as fixadas pela DIA que resultará do Estudo de Impacto Ambiental (EIA). O EIA está em elaboração e irá avaliar todos os impactos", explicou Cândida Bernardo. A barragem de Vidago faz parte do Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega, que inclui a construção de quatro barragens no rio Tâmega, até 2018, no âmbito do Plano Nacional de Barragens com Potencial Hídrico.

Margarida Luzio, in Jornal de Notícias - 23 de Maio de 2009

Rio Tâmega - O prazer das águas correntes

O prazer das águas correntes do rio Tâmega

Tamecanos no Tâmega - Fevereiro de 2008

domingo, 24 de maio de 2009

Por um Tâmega livre - Sou um rio

Sou um rio

No passado fim de semana convidaram-me para palestrar sobre a canoagem e a minha relação pessoal com os rios num evento cultural em Mondim de Basto. Partilho convosco as minhas palavras.

Por um Tâmega livre.


Rio
Eu sou um Rio
Sou uma catedral da água
Água
Sou uma igreja da gravidade
Fim das partículas
Gotas e areias

Rio
Eu sou uma viagem
Uma viagem onde haja um rio
Em lugar nenhum e em toda a parte
Sou um conhecer-te
Sou mil conversas com quem tamém és tu
Cá, ali, atrás daquele monte, naquela cordilheira
No Chile, na Suiça ou aqui mesmo Cabril

Rio
Sou um viver a cultura que encerras
As mil pessoas
Irmãs e desconhecidas que vivem e são como eu e como tu …. São um rio.
Sou uma comida de mil sabores
Sou uma festa
Sou uma noite a ouvir-te… incessantemente!

Rio
Eu sou um rio
Sou uma canoa
E sou levado na corrente, permanente, permanente
Sou hoje um regato, amanhã um ribeiro, e depois um rio…
Sou um ser vivo
Um ser com personalidade própria
Independente na minha essência

Rio
Amigo e inimigo
Converso contigo
Jogo contigo
Luto contigo
Muitas vezes em guerra contigo
Hematomas, arranhões, cieiro e Herpes e deslocações
Sempre vencido, sempre vencido

Rio
Eu sou um rio
Sou as primeiras chuvas de Outuno
Frias
Que me põem as águas turvas
Sou os arcos alagados de uma ponte
Sou um céu carregado de negro
Sou um medo, uma angústia, um desconforto

Rio
Ontem também fui um rio
Fui as últimas águas da Primavera
Que me rebentam as nascentes
Que escorregam nas pedras limpas e quentes
E me põem de cores brancas
No Maio
Sou a dança dos rápidos
Sou o verde dos salgueiros
Sou amarelo das Urzes

Rio
Eu sou as tuas rochas
Que te prendem e encalham
Sou os granitos do Rio Beça
Duros, lisos e lavados
Imensos
Sou mil piocas
Sou mil cascatas
Sou os xistos do rio Olo
Mais moles
E sou as tuas escadarias de águas infinitas

Rio
Sou um rio desconhecido
Onde todos me vêm das margens
E onde poucos me percorrem as artérias
Sou o carro em contra-mão
Errático e sistemático
Nas pontes
A cada instante
A olhar-te
Sempre, sempre, sempre...

Rio
Sou as lágrimas das fugas e das perdas
Dos amores e ódios
Sou uma escola
Sou uma casa
Mil e um açudes
Sou o rio Tâmega, o Cabril, o Olo, o Louredo
Sou o Cabrão, Ribeira de Cavez de Fermil e Moimenta
Sou o Beça, sou Poio

Rio
Sou um Silêncio
Um silêncio na imensidão do teu ruido
Sou uma nota musical, uma pauta
Sou uma dança nas tuas águas
Sou uma música

Rio
Eu sou um rio.

Jorge Rabiço Costa, in aquavertical - 15 de Maio de 2009

sábado, 23 de maio de 2009

O Sino Toca!

O Sino Toca!

O sino da minha terra vai tocar quando, perante o Tâmega afogado, os mondinenses constatarem que os ditos “benefícios introduzidos ao nível local pela barragem de Fridão“, apresentados pelo representante da EDP no debate promovido pelos alunos da Escola Secundária de Mondim são, tão só, uma repetição gasta de uma “música de embalar“ sempre utilizada pelos interessados nas barragens, sejam elas a ser feitas no Norte ou Sul do País, ou no Terceiro Mundo.

O sino da minha terra vai tocar, a rebate, em toques de arrependido, quando se constata que os benefícios apresentados para a nossa terra são os seguintes:

- Aumento da actividade comercial e industrial;

- Aumento de emprego;

- Desenvolvimento do turismo;

- Diminuição do efeito das cheias e secas;

- Assegurar o abastecimento de água para consumo humano e rega.

Igualmente apresentados, foram os benefícios para o País com a construção da barragem, a saber:

- aumento do Investimento;

- aumento do emprego;

-aumento da quota nacional na produção de energia através de renováveis, com vista ao cumprimento de compromissos do País;

- redução de emissão de CO2, versus protocolo de Quioto.

Foi ainda dito que:

- além do escalão de Fridão, haverá outro a jusante para regularizar o rio na zona de Amarante;

- os estudos apontam para uma cota de 160 metros (apesar da cota de concurso ter sido de 165 metros);

- na proposta não se prevê bombagem no escalão principal nem no açude a jusante;

- a produção média anual da central de Fridão é 22 vezes o consumo verificado em 2007 no município de Mondim de Basto;

- que após concurso aberto pelo Estado Português, a proposta para Fridão foi ganha pela EDP;

- que a adjudicação provisória foi feita em Dezembro de 2008;

- que se está na fase do ante projecto, relativamente ao Estudo de Impacte Ambiental, e que a empresa que o está a fazer é de reconhecida competência e isenção(!);

- que um inquérito, (também efectuado por uma empresa de reconhecida competência), feito à população afectada pela futura albufeira de Fridão, traduz as seguintes preocupações das populações:

1. qualidade futura da água
2. falta de tranquilidade
3. alteração da paisagem
4. afectação de património

Em contrapartida a estas preocupações, a EDP, na pessoa do seu representante no debate, garantiu como positivo (e como argumento tranquilizador) que, em contacto com as Águas do Ave, estão já garantidas a construção de 12 ETARs e que as mesmas entrarão em funcionamento antes da Barragem estar concluída.

Além disso, informou que a EDP acompanha o estado das águas de todas as albufeiras...

Jovens da Escola e caros conterrâneos de Mondim:

Há alturas e situações na vida de cada um, e na vida colectiva da nossa comunidade, em que é preciso ouvir (sempre) e filtrar (de preferência); ouvir e questionar; ouvir e duvidar (se for caso disso).

É um direito que se nos assiste, igual ao direito de quem quer acreditar.

Para mim, o sino da minha terra já está a tocar!

Quando tocar a rebate, eu já lá não vou estar.

Alfredo Pinto Coelho (eng.º Agrícola / lic. Gestão Agrária) – 21 de Maio de 2009
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Mondim de Basto)

COLÉGIO DE S. GONÇALO PREOCUPADO COM FUTURA BARRAGEM DE FRIDÃO

COLÉGIO DE S. GONÇALO PREOCUPADO COM FUTURA BARRAGEM DE FRIDÃO

Os alunos do 12.º ano, 1A2, Grupo 3, do Colégio de S. Gonçalo de Amarante promoveram no passado dia 20 de Maio uma palestra subordinada ao tema “Barragem de Fridão”, que teve como oradores convidados o Dr. Emanuel Queirós e a Dra. Simone Varandas.

Esta iniciativa teve como objectivo principal a reflexão sobre vantagens e desvantagens para a cidade de Amarante da hipotética construção de uma barragem no Rio Tâmega, em Fridão, propondo desde logo vários tópicos para discussão, de que salientamos a sustentabilidade e os impactos ambientais que provoca a construção de um projecto deste tipo, bem como os seus riscos reais e potenciais.

Tiago Leão, um dos alunos promotores da iniciativa referiu que, a inclusão deste tema no programa curricular do 12.º ano se deveu essencialmente ao facto de a hipotética construção de uma barragem em Fridão estar compreensivelmente envolvida em forte polémica entre os amarantinos.

Por seu turno, o também aluno do Colégio de S. Gonçalo, Filipe Santos, defendeu a neutralidade da turma relativamente ao “sim” ou “não” à barragem, já que em termos do programa curricular lhes compete mais analisar o problema numa base científica a fim de esclarecer melhor a comunidade amarantina.

Emanuel Queirós foi o primeiro orador convidado a usar da palavra, orientando o seu discurso para uma condenação firme da barragem que considerou nociva, prejudicial, perigosa e perfeitamente dispensável, deixando a convicção de, em termos de legalidade, ser ainda possível impedir a sua construção.

Simone Varandas, docente da UTAD e especialista em ecossistemas aquáticos adoptou uma posição mais expectante já que, segundo ela, os dados sobre o que vai ser realmente feito ainda são poucos não deixando, no entanto, de alertar para o potencial prejuízo que de um tal projecto pode advir para as espécies piscícolas e equilíbrios sedimentares, entre outros.

Outras Imagens




Jacinto Magalhães, in Amarante.jornal online - 22 de Maio de 2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Conselho de Ministros prepara regime de expropriações de imóveis afectados por barragens

Proposta de lei será submetida à Assembleia da República
Barragens: Conselho de Ministros prepara regime de expropriações de imóveis

O Conselho de Ministros aprovou hoje uma Proposta de Lei com um regime especial de expropriações de imóveis que serão afectados pelas barragens previstas pelo Governo. O documento será ainda submetido à Assembleia da República.

Em causa está a concretização do Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico e dos aproveitamentos hidroeléctricos de Ribeiraio-Ermida (no rio Vouga) e do Baixo Sabor (no rio Sabor).

Segundo uma nota do Conselho de Ministros, este regime especial visa “uma mais rápida execução dos projectos”, tornando “mais céleres e eficazes alguns procedimentos”. No entanto, deve ficar garantido o rigor técnico e o“estrito respeito pelos direitos dos particulares”, nomeadamente o direito a indemnizações.

Para o Governo, é preciso que estes aproveitamentos hidroeléctricos “entrem em exploração com a brevidade possível, dando um contributo significativo para cumprir as metas definidas (...) e contribuindo, também, para a necessária estimulação da economia”.

in Público - 21 de Maio de 2009

WWF propõe desmantelar 20 barragens para devolver aos rios o seu estado natural

País Vasco, Navarra, Galicia, Extremadura y Cataluña cuentan con los mejores programas para eliminar presas

WWF-España propone desmantelar 20 presas para devolver a los ríos su estado natural

Madrid, 20 de mayo de 2009.- WWF presentó hoy su campaña "Liberando ríos", que propone desmantelar presas que sean obsoletas, estén en ruinas o causen un grave impacto ambiental sobre los espacios naturales protegidos. Por primera vez, se identifican las presas españolas que se podrían demoler según la legislación vigente. La organización ha señalado que, en una primera etapa, se deberían desmantelar veinte obstáculos de los más de 8.000 analizados en toda España.

La campaña de WWF pretende "liberar" los ríos de nuestro país para mantener su biodiversidad, mediante la restauración de los ecosistemas afectados por la presencia de una serie de presas. Con este objetivo, ha realizado un análisis pionero para detectar cuáles son los obstáculos que deberían desaparecer de forma inmediata y ha recordado que las presas también tienen fecha de caducidad.

El objetivo de "Liberando ríos" es lograr que se cumpla la Directiva Marco del Agua, eliminando los graves impactos que generan ciertas presas en determinadas condiciones sobre el medio ambiente. Por ejemplo, la fragmentación de los ríos y la amenaza a las especies que no pueden completar su ciclo vital, como es el caso del salmón que se encuentra con esta barrera artificial cuando intenta alcanzar sus lugares de desove.

WWF ha analizado las 1.231 grandes presas y más de 7.000 pequeños obstáculos, entre diques y azudes, existentes en España, el país con más presas per capita del mundo. El resultado del informe ha sido que casi un centenar deberían ser derribados contribuyendo a lograr una verdadera "economía verde", basada en una gestión sostenible y unas infraestructuras razonables.

La primera etapa de este proyecto nacional propone desmantelar de forma inmediata veinte presas representativas de las diferentes situaciones que deben darse para permitir las demoliciones. En este sentido, WWF ha seleccionado presas con la licencia caducada, como la de Molló (Cataluña), Bujioso (Castilla-La Mancha) y Barbellido (Castilla y León), en estado ruinoso, como la de A Baxe (Galicia), o que afecten a espacios protegidos, como la de Las Librerías (Castilla-La Mancha).

Por otra parte, WWF afirma que los programas autonómicos más completos para la demolición de presas se encuentran en el País Vasco, Navarra, Galicia, Extremadura y Cataluña.

"Liberando ríos", de WWF, señala los obstáculos que se deberían desmantelar y su justificación, además de los mecanismos de actuación para realizarlo. Por primera vez, se plantea el derribo de estas infraestructuras de forma sostenible.

Juan Carlos del Olmo, Secretario General de WWF España, declaró: "creemos que el tabú contra los derribos tiene que desaparecer, ya que el proceso de eliminación de presas no sólo sirve para restaurar ecosistemas dañados, sino también para generar empleo ambientalmente sostenible. En la mayoría de los casos, tal como se desprende del informe, es más barato derribar una presa que mantenerla o repararla".

Además, WWF ha remitido hoy una carta a la Ministra de Medio Ambiente, y Medio Rural y Marino, Elena Espinosa, así como a los presidentes de las conferencias hidrográficas y a los de las Comunidades Autónomas afectadas. En ella, ha pedido que consideren la oportunidad que supone la demolición de presas en España. Esto se lograría mediante un plan de obras sostenibles integradas en los futuros planes hidrológicos.

Alberto Fernández Lop, experto del Programa de Aguas de WWF España, concluyó que "la campaña "Liberando ríos" se enmarca dentro de un movimiento mundial que tiene por objetivo identificar las presas que son verdaderos obstáculos para los ríos. En Estados Unidos, se han demolido más de 700 presas por motivos de seguridad y económicos y, en la Unión Europea, Francia ha sido el país pionero con la eliminación de varios obstáculos en la cuenca del Loira".

Fin del comunicado

Notas para el editor:

Fotos e imágenes de vídeo disponibles en alta resolución para medios en:

ftp://ftp.imaginatv.es/

Usuario: presas

Contraseña: informe


Más información:

http://www.wwf.es/

Alberto Fernández Lop. Programa de Aguas de WWF España

Tel. 605 06 53 51 aguascont@wwf.es

Cristina Martín. Comunicación WWF España.

Tel. 690 76 23 35 cmartin@wwf.es

WWF España.
Gran Vía de San Francisco 8, Esc.D
28005-Madrid
Tel. 91 354 05 78
Fax. 91 365 63 36

terça-feira, 19 de maio de 2009

Acção de protesto contra campanha EDP/barragens

Nota de Imprensa
ACÇÃO DE PROTESTO CONTRA CAMPANHA EDP-BARRAGENS

(Embargo até às 00.00 de dia 20 de Maio (Quarta-feira)

20 de Maio 9.00h às 13.00h

Procurando dar seguimento ao profundo descontentamento para com a inqualificável campanha da EDP-Barragens, irei, em nome individual, exercendo o meu dever de cidadania em defesa da conservação da Natureza, do meio Ambiente, realizar uma acção de protesto (com faixa) no dia 20 de Maio junto à entrada do "pólo de Sustentabilidade" da EDP na Praça Marquês de Pombal entre as 09.00 e as 13.00h.

"Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco"
Edmund Burke
Luis Cunha Avelar
961122437

Ambiente e Desenvolvimento Económico?

Ambiente e Desenvolvimento Económico?


Não venhas, espelho de água

Não venhas, espelho de água


Na edp cuidar do meio ambiente,

e proteger as espécies em extinção

e melhorar a qualidade de vida das pessoas


faz parte da nossa missão
quando projectamos uma barragem


projectamos um futuro melhor.

edp Sinta a nossa energia
Carlos Leite, in Pensar Basto - 8 de Maio de 2009

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Barragens e Desenvolvimento

Barragens e Desenvolvimento

Barragens e Desenvolvimento :D
© INAG

A construção de Barragens vem sempre anexada da promessa de mais emprego e desenvolvimento. E analisando o mapa das grandes hidroeléctricas no Norte de Portugal, a (in)congruência não podia ser mais descarada...

Vítor Pimenta, in Avenida Central - 15 de Fevereiro de 2009

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

domingo, 17 de maio de 2009

PS de Mondim de Basto propõe medidas de salvaguarda no processo de construção da barragem de Fridão


No processo de construção da barragem de Fridão
PS de Mondim de Basto propõe medidas de salvaguarda

O PS de Mondim de Basto desde cedo mostrou interesse na defesa dos interesses dos mondinenses no processo de construção da Barragem de Fridão. Recordamos que o lançamento da discussão sobre o assunto em Mondim data de 30 de Maio de 2008 numa iniciativa da JS de Mondim de Basto. Desde então, algumas recomendações têm sido feitas, no sentido da autarquia salvaguardar os interesses do nosso concelho.

Mais informados sobre a importância do poder autárquico no processo de Estudo de Impacto Ambiental (EIA), depois de uma presença atenta na iniciativa levado a cabo pela Junta de Freguesia de Mondim de Basto, o PS decidiu avançar com uma proposta concreta na sessão da Assembleia Municipal de 24 de Abril.

Dada a dimensão do impacto da obra em causa no nosso concelho, o PS recomenda que seja dada máxima prioridade a esta questão. Propõe que seja destacado um corpo técnico para numa primeira fase, inventariar todo o património previsivelmente afectado. Numa segunda fase, uma equipa capaz de analisar logo que recepcionado, o EIA; confrontar o EIA com o inventário previamente elaborado; colocar o EIA disponível à população bem como apoiar a sua consulta; promover no âmbito de um direito que assiste a autarquia, uma iniciativa de apresentação pública do EIA pela equipa responsável pela sua elaboração; recolher e compilar todas as participações pertinentes numa única participação realmente representativa do nosso concelho.
A proposta apresentada foi aprovada por unanimidade.

Conscientes da dimensão do EIA bem como da sua elevada exigência académica, o PS entende que não nos devemos poupar ao mais humilde dos esforços na defesa dos interesses do nosso concelho, numa obra que, tal como foi apresentada pela JS, terá uma dimensão inigualável à luz dos nossos dias.

in MondimOnline - 14 de Maio de 2009

BARRAGEM DE FRIDÃO EM DEBATE NA ESCOLA EB 2,3/S DE MONDIM DE BASTO

Na Escola EB 2,3/S de Mondim de Basto
BARRAGEM DE FRIDÃO EM DEBATE

O debate público acerca dos efeitos da Barragem de Fridão prossegue nos concelhos do Tâmega, e chega agora à escola EB 2,3/S de Mondim de Basto.
No âmbito de um trabalho escolar desenvolvido na disciplina da Área de Projecto por um grupo de alunos do 12.º ano, a Escola EB 2,3/S de Mondim de Basto leva a efeito um debate sobre as consequências da Barragem de Fridão (Amarante).
A sessão terá lugar nas instalações da escola, pelas 14 horas do dia 18 de Maio de 2009, é aberta ao público, contando com a presença de um responsável da empresa concessionária da captação, a EDP, do Eng.º Alfredo Pinto Coelho, em representação do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (núcleo de Mondim de Basto), e dos três cabeças de lista anunciados à Câmara Municipal de Mondim de Basto: Eng.º Lúcio Machado (CDS/PP), Eng.º Francisco Ribeiro (PSD), e Eng.º Humberto Cerqueira (PS).
Ante o período que se avizinha, é de esperar que neste debate organizado pela EB 2,3/S de Mondim de Basto cada um dos candidatos autárquicos adiante do seu programa as propostas com que julgam poder enfrentar este enorme esbulho ambiental para a região.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

COMUNICADO DE IMPRENSA

AVAL DADO ONTEM À BARRAGEM DA FOZ DO TUA FOI A GOTA DE ÁGUA

“OS VERDES” VÃO CONFRONTAR GOVERNO NA AR SOBRE POLÍTICA ENERGÉTICA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O Partido Ecologista “Os Verdes” está chocado e repudia veementemente o aval dado pelo Ministro o Ambiente à Barragem da Foz do Tua e considera que as condicionantes apresentadas na Declaração de Impacte Ambiental são simplesmente escandalosas.

Exemplo disto é a condição requerida à EDP de estudar uma alternativa à Linha Ferroviária do Tua, fazendo-se de esquecido de que esta já era uma exigência do Caderno de Encargos. Exigência que não tendo sido cumprida pela empresa concorrente, deveria ter levado o Ministro do Ambiente a chumbar a proposta da EDP.

Os impactes ambientais, culturais, económicos e sociais negativos deste empreendimento hidroeléctrico, mesmo à cota 170, são numerosos e de extrema gravidade, para o Vale do Tua, assim como para a região de Trás-os-Montes e Alto Douro e para o país.

Estes impactes são sobejamente conhecidos, não só por terem sido denunciados inúmeras vezes pelos “Os Verdes”, e por todos quantos se têm oposto à construção desta Barragem, como por exemplo o Movimento Cívico Pela Linha do Tua, mas também por estarem descritos no próprio Estudo de Impacte Ambiental, encomendado pela EDP.

Por isso, “Os Verdes” consideram que não é por desconhecer os impactes negativos que o Ministro do Ambiente, como porta voz do Governo, toma esta decisão, mas sim por demonstrar uma ausência total de preocupação com o futuro das populações do Vale do Tua, nomeadamente com os vitivinicultores de Murça que ficarão sem o seu ganha pão e com todos aqueles para quem a Linha do Tua é um meio de transporte fundamental.

Esta é mais uma decisão do Governo que ilustra bem a recusa obstinada em criar condições para promover um desenvolvimento sustentável desta região, assim como o grande desprezo que tem pelo património natural e cultural do nosso país. É ainda a prova que o Governo põe os interesses económicos de algumas empresas à frente dos interesses das populações e do país no seu todo.

Mas para “Os Verdes”, o aval dado ontem pelo Ministro do Ambiente à Barragem do Tua, não põe ainda um ponto final neste assunto. E como consideramos que “até ao lavar dos cestos ainda é vindima”, não vamos baixar os braços e continuaremos a lutar para que esta Barragem não venha a ser construída.

E desde já anunciamos que este aval foi a gota de água, que vai levar o Grupo Parlamentar de “Os Verdes” a agendar uma Interpelação ao Governo na Assembleia da República sobre “Política Energética e Desenvolvimento Sustentável”.

Amanhã “Os Verdes” irão ainda confrontar o Ministro das Obras Públicas, na Comissão Parlamentar, com o facto da EDP não ter apresentado uma proposta ferroviária alternativa à linha do Tua, condição exigida no Caderno de Encargos.

“Os Verdes” irão ainda desenvolver um conjunto de outras iniciativas que darão em breve a conhecer aos Senhores e Senhoras Jornalistas.

O Gabinete de Imprensa de “Os Verdes”

Comunicado do Movimento Cívico pela Linha do Tua

Comunicado do Movimento Cívico pela Linha do Tua

A Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da Barragem do Tua, emitida esta semana pelo Ministério do Ambiente, constitui uma afrontosa e anti-democrática testemunha de todo o processo de favorecimento tácito oferecido à EDP no Vale do Tua. Este surreal parecer favorável a uma empresa que aparece inicialmente com direitos de preferência, que rebenta sem licenciamento e veda ao acesso público as margens do Tua impunemente, e que lança agora uma esfusiante campanha de publicidade enganosa sobre barragens, é uma mancha inqualificável na Democracia Portuguesa.

Não podemos deixar de referir e estranhar que o parecer do MCLT, enviado atempadamente, não seja mencionado no documento publicado ontem. Esperamos que sejam esclarecidas rapidamente as razões para esta omissão uma vez que a confirmarem-se erros desta natureza, poderia colocar em risco a credibilidade desta instituição, a Agência Portuguesa do Ambiente.

Esta mesma DIA fez tábua rasa de tudo o que a pudesse contradizer:

- O caderno de encargos da Barragem do Tua, onde se exige a reposição de vias por alternativas com igual valência. Refira-se neste caso a Barragem da Valeira, onde a EDP teve de pagar uma alternativa ferroviária à Linha do Douro, que incluiu 2km de via, uma nova travessia do Douro e uma nova estação;

- O Estudo de Impacte Ambiental, que conclui da forma mais categórica possível que a barragem trará “impactes muito negativos ao nível da economia local, em particular para agricultura e agro-indústria, com repercussões também muito negativas ao nível do emprego e dos movimentos e estrutura da população”, numa região que “não facilita o estabelecimento de percursos tradicionais de transporte colectivo rodoviário”;

- Orientações totalmente contrárias a esta barragem em documentos oficiais de Ordenamento do Território e do Turismo, como sejam o PENT, o PROTN e o próprio PNPOT, onde se pode inclusivamente concluir que esta barragem se encontra em “troço de influência de ruptura de barragem” e “perigo de movimento de massas”;

- Pareceres contrários de órgãos como o IGESPAR e a APPI (órgão consultor da UNESCO em Portugal), do próprio Ministério dos Transportes, e os 85% de pareceres negativos enviados no âmbito da discussão pública do EIA.

A DIA não obriga à construção de nenhuma alternativa ferroviária, ao contrário do que já foi veiculado em alguns órgãos de comunicação social. Este refere apenas a “análise da viabilidade de construção de um novo troço de linha férrea”, apontando de forma pressurosa para uma alternativa fluvial no caso de não se optar pela ferrovia. A viabilidade da Via Estreita está demonstrada, pelo investimento a ser realizado nas linhas do Corgo e do Tâmega, e pelas reaberturas e sucesso geral da Via Estreita em países como a Espanha, Suíça e Japão, não admitindo da nossa parte critérios economicistas quando os Metros de Lisboa e do Porto acumulam prejuízos de centenas de milhões de euros.

A única defesa desta barragem aparece na forma da produção de energia eléctrica, o que é totalmente irreal. Na verdade, o contributo da barragem do Tua será no máximo de 0,5%, valor suportado em 75% e a 1/3 do custo apenas pelo reforço de potência a realizar na barragem do Picote; juntando os reforços de potência a realizar no Picote, Bemposta e Alqueva, consegue-se produzir o mesmo que 3 barragens do Tua!

Que desenvolvimento advirá para a região, quando edis como o de Montalegre e de Miranda do Douro, com 5 e 2 barragens respectivamente, não recebem da EDP nem o suficiente para pagar a iluminação pública dos seus concelhos? Como poderá o Turismo sair beneficiado com mais outro espelho de água e com a perda de valores genuínos e únicos? Que medidas poderão proteger da extinção os 19% de espécies de vertebrados e as 14 espécies de aves presentes no Tua com estatuto de ameaçados, e da destruição os habitats de leito de cheia, que agregam 20% das espécies RELAPE de Trás-os-Montes?

Volta a ser mais uma vez altamente conveniente um acidente em vésperas de uma data importante para a Linha do Tua, desviando a atenção da opinião pública para “outro acidente”, ao invés de dar ênfase à emissão da DIA. Aguardamos o apuramento das suas causas, tal como o apuramento de responsabilidades ainda não assumidas sobre os anteriores acidentes.

O Governo, pela voz do Ministério do Ambiente, levantou a sua mão e aplicou sem piedade uma bofetada no futuro e dignidade não apenas de Trás-os-Montes e Alto Douro, mas de Portugal inteiro. Esta DIA é uma afronta, e deve ser emendada o mais rapidamente possível, sob pena de encontrar uma mais resoluta onda de contestação contra uma barragem que ninguém defende com critérios válidos.

O MCLT não está sozinho nesta luta, e muito falta ainda por dizer e fazer, num ano em que a população expressará de forma determinante a sua soberania. Não ficaremos de braços cruzados perante esta decisão intolerável.

Movimento Cívico pela Linha do Tua, in linhadotua.net - 13 de Maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

EDP faz Campanha Publicitária Hipócrita

EDP faz Campanha Publicitária Hipócrita




Em grande contraste com a excelente qualidade deste vídeo de A. Santos, a nova campanha da EDP é vergonhosa e pura lavagem verde. Então vamos ter uma barragem no Sabor, rio que transborda fauna e flora únicas (que deixará de existir quando a barragem for construída) e pretendem cuidar da biodiversidade não se sabe quando nem onde vão? E alguma vez as nossas barragens têm sido benéficas para as águias (aves rupícolas)?
As barragens que provocam alterações na geologia (muitas vezes golpes fundos nas montanhas) e alterações paisagísticas profundas, erosão das margens dos rios, fim do habitat e extinção de património humano, por deslocação de povoações inteiras e às vezes à força (sem ter havido consulta pública).

As ONGA já manifestaram o seu inteiro repúdio. Ler aqui o comunicado.

João Soares, in BioTerra - 1 de Maio de 2009

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Instituto da Democracia Portuguesa - ENCONTRO SALVAR A TERRA E A ÁGUA

















Instituto da Democracia Portuguesa
ENCONTRO SALVAR A TERRA E A ÁGUA


Com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha e Coagret

Com a presença de S. A. R. D. Duarte de Bragança - presidente de Honra, e arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles - presidente do Conselho de Curadores do IDP

9H00 – Partida de grupo de Lisboa, Campo Pequeno

10H15 – Concentração dos grupos vindos de várias regiões do país junto ao Auditório da CM V.N. Barquinha

10H30 – Sessão da Manhã - Auditório da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha
Coffe break oferecido pela Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha
Boas vindas do Presidente da Câmara Municipal
Homenagem ao arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles
Conferência de Imprensa por D. Duarte de Bragança, Gonçalo Ribeiro Telles e Movimentos Ambientalistas portugueses e espanhóis

11H45 – Intervenções de Oradores. Debate
................Aurora Carapinha (Universidade de Évora)
................Domingos Patacho (QUERCUS)
................Joanaz de Melo (GEOTA)
................Pedro Couteiro (COAGRET))
................Jack Soifer (EcoTurismo)
................José Emanuel Queirós (M.C.D.TÂMEGA)
................Maria Soledad Galego (RED CIUDADANA)

13H00 – Almoço

15H00-17H00 – Visita ao Castelo de Almourol com deslocação de barco, assegurada pela Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha

18H00 – Regresso dos participantes

Instituto da Democracia Portuguesa