sábado, 14 de fevereiro de 2009

Novas barragens - Grande parte dos projectos serão da EDP






Grande parte dos projectos serão da EDP
Novas barragens criam sete mil novos empregos e envolvem dois mil milhões de investimento










Nos próximos anos serão construídas dez novas barragens de "elevado pontecial"

Manuel Roberto (arquivo)

Portugal entrou numa nova vaga de construção de barragens como não via há mais de quatro décadas. Nela, a EDP tem a parte de leão: entre novas barragens e reforços de potência das já existentes somam-se quase mais três novos mil megawatts de potência, dos quais dois mil fazem parte dos planos da EDP.

A empresa vai reforçar a potência em oito barragens, sendo que é concessionária de todas as grandes e médias barragens já existentes, vai construir o Baixo Sabor e tem direito de preferência para Foz Tua, cujas propostas são hoje conhecidas.

Construir uma barragem exige mais mão-de-obra do que uma central térmica, o que faz com que a eléctrica preveja um pico de sete mil trabalhadores nos seus diversos estaleiros, a partir do segundo semestre do próximo ano. Anda a preparar-se há mais de dois anos para o volume de trabalho que se avizinha, sendo que o último sinal partiu de dentro, ao ter travado algumas saídas de quadros que já estavam programadas.

O pico da primeira fase de investimentos deverá registar-se no segundo semestre de 2009, com quatro mil novos postos de trabalho, e o segundo pico deverá ocorrer entre 2010 e 2011, com mais 2800 novos empregos. Os projectos estão a cargo da direcção de projectos e investimento, responsável pelo planeamento, construção e operação de todos os centros produtores de energia, térmica, grande e pequena hídrica, exceptuando a eólica. Nela trabalham 250 dos 1200 trabalhadores que integram hoje a EDP Produção.

Sabor foi "pedra de toque"

A reorganização da direcção de projectos e investimento começou no final de 2006, ainda com João Talone, antecessor de António Mexia, a presidir à comissão executiva. Nessa altura, foram definidas três grandes orientações para um novo plano de recursos humanos: aposta nas competências críticas no domínio da hidroelectricidade, passagem para outsourcing das chamadas áreas não críticas (como a fiscalização de obras), reduzindo o número de trabalhadores, e ordem para rejuvenescer.

O plano esteve num impasse até Agosto de 2007, quando o processo da barragem do Baixo Sabor foi finalmente lançado. "Foi a pedra de toque", sublinha Ferreira da Costa, director de projectos e investimento da EDP. A partir daí, o plano de redução de efectivos passou a ser de crescimento, mas mantendo a orientação anterior: focalização nas áreas críticas e contratação de gente mais jovem. "Adiámos algumas saídas programadas, queremos também um reforço significativo do rejuvenescimento, porque é preciso preparar a empresa para o futuro. Voltámos a recrutar quadros no mercado", diz Ferreira da Costa.

Nos jornais, a empresa publicou, pela primeira vez, anúncios a pedir engenheiros jovens e experientes. As vagas não chegam às três dezenas, mas a empresa recebeu 1300 candidaturas. O recrutamento de novos engenheiros também está a ser feito junto das universidades.

O PÚBLICO sabe que o plano que começou por uma redução de 20 por cento dos efectivos deverá registar, pelo contrário, um aumento de oito por cento até ao final de 2011. Dentro de três anos, Ferreira da Costa aponta para uma equipa de perfil diferente da que tinha 2007: uma média etária de 44 anos, quatro anos inferior à actual, menos quadros médios e mais quadros superiores, entre contratados no exterior e "recrutados" junto de outras direcções da empresa.

Concorrência espanhola

O investimento em barragens é apenas uma parte do grande bolo que o sector da construção espera até 2017 e para o qual se diz "mais do que preparado". O presidente da federação da construção, Fepicop, que agrega as principais associações do sector, diz que o Governo não pode deixar de cumprir o Plano Nacional de Barragens que anunciou, e que não é aceitável que venha a ter mudanças de opinião e de políticas. "Trata-se de um projecto muito ambicioso e se queremos cumprir Quioto não podemos adiar mais."

As "indecisões constantes" e as "sucessivas mudanças de opinião" acerca dos grandes investimentos públicos são matéria de preocupação das empresas de construção. Em causa, e até 2017, está um número muito apreciável de volume de investimento: 40 mil milhões de euros. "O Governo não se pode dar ao luxo de o concretizar sem os privados. E os privados estão à altura do desafio", insistiu.

No caso das barragens, as construtoras têm responsabilidades acrescidas. Em vez da pulverização em cerca de três dezenas de contratos, como era prática no passado, a EDP tem agora um modelo bicontratual, com dois grandes contratos, um para a empreitada geral de construção (no passado, dispersa por uma trintena de contratos) e outro para o fornecimento do equipamento. São os construtores que têm agora de fornecer as actividades que a EDP colocou em outsourcing, como a fiscalização e segurança da obra, acompanhamento ambiental, hidrometria, ensaios de materiais, desenho e projecto de execução, entre outros.

Apesar da longa crise que o sector da construção atravessou, com quebras na produtividade seis anos consecutivos, Reis Campos diz que o tecido empresarial português soube reestruturar-se. "O sucesso que as empresas conseguiram nos mercados internacionais é a prova disso. E os processos de fusões e os planos estratégicos entretanto anunciados também: para já, só temos uma empresa com volume de negócio acima dos mil milhões, mas já há uma mão-cheia delas a apontar esse objectivo", afirma Reis Campos, referindo-se à Mota-Engil, que tem experiência em construção de barragens (construiu o Alto Lindoso) e facturou o ano passado 1100 milhões de euros, mas também a outras que lá querem chegar, como a Soares da Costa (que adquiriu a Contacto e que alguns rumores apontam como interessada na MonteAdriano), a Opway, que resultou da fusão da Opca com a Sopol e a espanhola Sárrion, ou a Teixeira Duarte.

Estas empresas estão ainda longe da capacidade de grupos espanhóis como a ACS ou a Ferrovial mas, segundo Reis Campos, a expectativa é que "esse grupos, que já são muito mais do que construtores, apareçam para estes concursos como investidores e não como construtores".

Luísa Pinto, Lurdes Ferreira, in PÚBLICO - 25 de Março de 2008

Debate - A Barragem de Fridão e o Desenvolvimento de Terras de Basto

Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto promove debate
«A Barragem de Fridão e o Desenvolvimento das Terras de Basto»
25ª sessão do Ciclo de Conferências «Políticas de Futuro»

Integrada no âmbito do Ciclo de Conferências «Políticas de Futuro», realiza-se amanhã, dia 13 de Fevereiro, pelas 21h30m, no Auditório Municipal Ilídio dos Santos, a 25.ª sessão, desta feita subordinada ao tema «A Barragem de Fridão e o Desenvolvimento das Terras de Basto».
Uma iniciativa que tem como orador convidado o Dr. António Pacheco Castro, administrador da EDP-Produção, que aqui se desloca para falar sobre a Barragem de Fridão a construir no Rio Tâmega, próximo da cidade de Amarante, bem como o seu impacto no desenvolvimento das Terras de Basto.

Recorde-se que este empreendimento, a levar a cabo pela EDP Produção até 2016, terá uma potencial nominal na rede de 250 mega watts e produzirá energia superior às necessidades da população dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto, Celorico de Basto e Ribeira de Pena. De referir ainda, que a albufeira da barragem de Padroselos, no rio Beça, irá atingir território da freguesia de Gondiães, enquanto que a albufeira de Daivões, no rio Tâmega atingirá territórios das freguesias de Cavez e de Vilar de Cunhas, neste concelho.
Um projecto que faz parte do Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega, onde se prevê a construção de quatro novas barragens – Gouvães, no rio Louredo; Padroselos, no Rio Beça; Alto Tâmega e Daivões, no Rio Tâmega - a executar entre 2012 e 2018, que completam o desenvolvimento hidroeléctrico da Bacia do Douro. Calcula-se que as quatro barragens venham a produzir cerca de 2.000 giga watts hora ao ano, o que representa cerca de três por cento do consumo eléctrico nacional, respondendo às necessidades de consumo anual de aproximadamente um milhão de pessoas.

As quatro barragens fazem parte do Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico, que prevê também, a construção de mais seis barragens, cuja construção contribuirá para reduzir substancialmente a dependência energética do país, para além de contribuirem decisivamente para a redução de emissão de CO2 para a atmosfera.
A construção da «Barragem de Fridão e o desenvolvimento das Terras de Basto», é um tema tão pertinente como actual, que está a suscitar o interesse não só dos Cabeceirenses em particular, como dos habitantes da região de Basto em geral.
De referir ainda que este Ciclo de Conferências, tem como objectivo informar, formar e sensibilizar a população para temas tão diversificados como ambiente, turismo, saúde, emprego, entre outros, apresentando-se também como um espaço mensal de debate e partilha de conhecimentos.

2009-02-12 in Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

As barragens representam perigo de cheias num planeta em aquecimento

As barragens representam perigo de cheias num planeta em aquecimento

Num período em que Moçambique enfrenta as piores cheias desde a independência, o Presidente Guebuza afirma que a solução é construir mais barragens. No entanto, as barragens são tão boas quanto os seus operadores, desenhistas e técnicos de manutenção – e nenhum destes foram particularmente bons em Kariba. E não existe nenhuma garantia que as barragens que já possuímos sejam capazes de suportar um clima em constante mudança. As nações do Zambeze devem aprender com os erros das outras nações e adoptar um conjunto de técnicas mais flexível, efectivas e sofisticadas, de forma a melhor lidar com as cheias.

As cheias são, entre os desastres naturais, as mais destrutivas, mais frequentes e com maior custo. E este facto piora a cada dia. As cheias no Zambeze já afectaram centenas de milhares de pessoas. Mais pessoas morrem a cada dia, na sua grande maioria por doenças causadas pela água contaminada. Ao menos parte deste sofrimento tem prevenção.

No entanto, parece que actualmente, a barragem de Cahora Bassa tem vindo a ser operada de forma mais cuidada, o que não acontece com a barragem de Kariba. Foi admitido pelos operadores da barragem de Kariba que no pico da nossa época de chuvas, a barragem estaria 100% cheia, de forma a maximizar a provisão de energia eléctrica às minas. Os residentes a jusante irão sofrer com esta má gestão.

Este não é o primeiro caso da má gestão de barragens que aconteceu em África. Centenas de pessoas foram mortas e centenas de milhares foram afectadas quando, em 1999 e em 2001, os operadores da barragem Nigeriana abriram as suas comportas sem aviso prévio. O desastre das cheias do ano passado no Gana tornou-se bastante pior quando os operadores de Burkina-Faso abriram as suas comportas para impedir que a barragem de Bagre transbordasse após intensas chuvas. Esta água libertada correu a montante, em direcção a Gana, pelos rios Volta Branco e Negro, embatendo com grande intensidade nos habitantes à margem do XX. Neste caso – bem como em outros por todo Mundo – as barragens que supostamente iriam auxiliar a diminuir as cheias tornaram a situação pior.

Os danos causados pelas barragens tem pairado internacionalmente nas últimas décadas, em parte devido ao facto do aquecimento global estar a causar tempestades cada vez mais intensas, e também porque cada vez mais pessoas vivem e trabalham em planícies aluviais.

As Nações Unidas(ONU) estimam que até 2050, o número de pessoas em risco de desastre de cheias irá aumentar até 2 bilhões. Um factor importante por detrás destes desastres em espiral são as mesmas medidas de controlo que supostamente deveriam proteger contra estas calamidades.

As barragens e represas não conseguem ser sempre à prova de falhas, e quando estas falhas acontecem, ocorrem de forma espectacular, e por vezes são catastróficas. É criada uma falsa percepção de segurança que encoraja projectos de desenvolvimento arriscados em planícies aluviais vulneráveis.

Em demasiados casos de controlo de cheias através de barragens, os habitantes a jusante são colocados em risco por agências que estão mais interessadas em espremer a maior quantidade possível de energia ou de água para irrigação dos reservatórios, do que manter os níveis de água baixos o suficiente para absorver as águas das cheias.

As limitações das formas de controlo convencionais irão se tornar mais evidentes à medida que se realizarem testes às barragens e represas, de forma a testar os seus limites programados, através da indução dos efeitos do aquecimento global.

O autor Jacques Leslie descreve de forma apta as barragens como “armas carregadas apontadas aos rios”. As barragens matam, não só pela negligência e falha dos operadores de barragens em avisar as pessoas a jusante quando as comportas são abertas subitamente, mas também porque estas se desmoronam (em 1975, na China Central, pelo menos 230,000 pessoas morreram devido a uma sequência de falhas de barragens).

Várias barragens de grande porte desmoronaram na Nigéria com consequências mortais, destacam-se a Barragem Bagauda no estado de Kano, em 1988; a Barragem de Cham no estado de Gombe, em 1991 e, a Barragem de Bagoma no estado de Kaduna, em 1994.

Os planos de controlo convencionais de “caminho duro” costumam ignorar os trajectos complexos dos rios e costas. As barragens, represas, o estreitamento e dragagem dos rios desencadeiam mudanças profundas no fluxo da água e sedimentos ao longo das bacias.

Os danos das cheias aumentam quando os engenheiros dos projectos reduzem a capacidade dos canais dos rios, bloqueiam os escoamentos naturais, aumentam a velocidade das inundações, causam subsidência dos deltas e erosão costeira. Adicionando a isto, os planos de controlo convencionais de “caminho duro” normalmente diminuem a saúde ecológica dos rios e estuários. Existe uma forma de lidar com estas inundações – o “caminho suave” na gestão de risco de cheias.

A gestão de risco de cheias assume que todas as infra-estruturas anti-cheias podem falhar, e, estas falhas devem ser planeadas. O “caminho suave” também é baseado num entendimento de que alguma inundação é necessária para a saúde dos ecossistemas ribeirinhos.

Em vez de gastar biliões de dólares em vão a tentar erradicar as cheias, nós devemos reconhecer que as cheias irão acontecer, e aprender a viver com este facto da melhor maneira possível.

Isto significa tomar medidas de forma a diminuir a sua rapidez e tamanho dos rios (por exemplo, restaurar os mangais e o serpentear do curso o rio) e duração (melhorando por exemplo a drenagem).

Isto significa proteger os nossos bens mais valiosos, construindo casas em montes ou sobre pilares, defender áreas urbanas com represas planeadas e mantidas de forma cuidadosa. Isto também significa fazer tudo o que for possível para sair do caminho destrutivo das cheias através de um aviso atempado e medidas de evacuação.

Tais prácticas estão em uso em várias partes do mundo. Na China, estão em curso esforços para efectuar a restauração de 20.000 quilómetros quadrados do mangal de Yangtze, de forma a actuar como área de absorção de inundações.

Estão a ser realizados testes com descargas de hídricas artificiais na Nigéria como meio de reavivar os ecossistemas dos mangais a jusante, desde as Barragens do Tiga e de Challawa Gorge. Neste momento, estão a ser propostas alterações na gestão de águas para a Barragem de Cahora Bassa que poderão reduzir o impacto de grandes inundações e restaurar os ecossistemas a jusante.

Nos Estados Unidos, está em curso no rio Napa, na Califórnia,
um projecto de 10 anos, que tem como objectivo reduzir as cheias e restaurar as marés pantanosas, bem como retirar alguns edifícios da zona de inundações e recuar represas de forma a dar mais espaço ao rio para este se estender.

As comunidades que vivem ao longo do rio mais longo de França, o rio Loire, conseguiram persuadir o governo a esboçar um plano de “controlo de inundações” que favorecesse a restauração do rio e com um sistema de prevenção.

Apesar do consenso Mundial crescente de que a única politica realística de controlo de cheias é a mitigação e não a eliminação, persistem ainda facções poderosas devotas a métodos de controlo de cheias “duros” e obsoletos.

Existe um triângulo de políticos, burocratas e construtores de barragens que continua a prometer a salvação através de represas e barragens após ocorrência de cheias (mesmo quando as cheias se tornaram piores – ou foram causadas – por barragens ou represas já existentes).

No lugar de seguir métodos de gestão de inundações que fracassaram em outros pontos do Mundo, África pode aprender através dos erros de outras nações, e adoptar um conjunto de técnicas mais flexíveis, efectivas e sofisticadas, de forma a lidar melhor com as cheias.

Patrick McCully, in International Rivers - 22 de Fevereiro de 2008

McCully é o autor de “Depois do Dilúvio: Lidando com cheias num Clima em Mudança”, publicado pelo International Rivers - Rede Internacional de Rios.

Rachadura na barragem de Campos Novos (Brasil)

Brasil: Acidente com barragem

Rachadura na barragem de Campos Novos

Aproximadamente R$ 1 bilhão de reais foi rio abaixo, na última semana, com o esvaziamento do reservatório da usina hidrelétrica de Campos Novos, sem que tivesse gerado um megawatt de energia. Localizada entre os municípios de Celso Ramos (SC) e Pinhal da Serra (RS), esta é uma das maiores barragens do mundo com um muro de mais de 200 metros de altura. De acordo com a Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, o recurso para o empreendimento é proveniente de bancos públicos: R$ 619,8 milhões é empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 300 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

"Empréstimos como este continuam sendo destinados para este tipo de empreendimento que ocasionam imensos impactos socioambientais, sem de fato contribuir para o desenvolvimento local das comunidades que vivem no entorno de grandes represas. Os riscos de acidentes são mais um elemento para questionar a viabilidade econômica destas obras", enfatiza uma das coordenadoras da Rede Brasil, Elisangela Soldatelli Paim.

A barragem começou a apresentar problemas em outubro do ano passado, mas somente agora o fato tornou-se público devido ao esvaziamento total do reservatório. No entanto, em maio, o Movimento dos Atingidos por Barragens e a Rede Brasil, preocupados com esta situação, encaminharam uma carta ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (IBAMA), ao Ministério de Minas e Energia (MME), ao BID e ao BNDES - sendo estes dois últimos os financiadores da obra - solicitando informações do possível problema na barragem, sendo que, até a presente data, nenhuma das instituições se manifestou.

O Núcleo Amigos da Terra/Brasil, que acompanha os financiamentos e as obras hídricas na bacia do rio Uruguai, realizou vôo na região de Campos Novos, neste sábado (24), para registrar imagens do esvaziamento e as rachaduras no empreendimento. A vice-presidente do NAT/Brasil e Coordenadora da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Kathia Vasconcellos Monteiro registrou imagens inéditas dos impactos ambientais, "foi possível ver a mata Atlântica que foi afogada com a construção da barragem e que agora está descoberta com o esvaziamento", afirma. As fotos ainda mostram a extensão da fissura, "uma rachadura desta extensão revela os erros na construção do empreendimento e justifica a apreensão que a população da região sofre vivendo sob os riscos e os impactos das barragens no rio Uruguai", enfatiza.

Káthia Vasconcelos Monteiro, in Apremavi (Associação de Preservação do Meio Ambiente do Alto Vale do Itajaí) - 27 de Junho de 2006

"As barragens são uma resposta à alteração climática" - Nunes Correia (ministro do Ambiente)






Francisco Nunes Correia ao Diga Lá Excelência do PÚBLICO e RR
"As barragens são uma resposta à alteração climática"

Amanhã começa uma conferência das Nações Unidas, em Bali, que vai tentar traçar um roteiro para as negociações de um novo acordo para as alterações climáticas. O ministro português do Ambiente, Francisco Nunes Correia, vai ser o rosto da União Europeia na reunião.
Internamente, Nunes Correia está confiante nas medidas que o Governo determinou para limitar as emissões nacionais de gases que alteram o clima. Se não derem o resultado esperado, o Estado vai utilizar o Fundo Português de Carbono para comprar direitos de poluição lá fora. Para o futuro, Nunes Correia diz que construir mais barragens é uma aposta certa.

Tem afirmado que Portugal vai cumprir o Protocolo de Quioto. O que o faz estar tão confiante?
Eu tenho afirmado, e continuo a afirmar, que Portugal vai cumprir o Protocolo de Quioto. Tenho dito também, porque não vale a pena ignorá-lo, que esse cumprimento vai ser em parte conseguido à custa das chamadas medidas de flexibilidade de Quioto. O Fundo Português de Carbono vem trazer meios para permitir suprir aquilo que por outra via não pode ser conseguido.

Isto é como querer reduzir o défice com medidas extraordinárias...
Essa sua afirmação seria pertinente se não estivéssemos a fazer um enorme esforço para reduzir as nossas emissões [de gases com efeito de estufa]. E aí está o PNAC [Programa Nacional para as Alterações Climáticas] e aí está o pós-2012 [data em que findam os compromissos de Quioto].

Mas o que o faz estar tão seguro de que o PNAC vai ser cumprido na íntegra?
Na hora da verdade, cada ministério tem de falar por si. O PNAC é um programa do Governo, não do meu ministério. Todo esse processo é conduzido por uma comissão interministerial, há um compromisso de todos. O PNAC está estruturado em torno de 41 medidas. Cada uma tem de ter o seu plano de execução. Vai haver uma monitorização publicada na Internet do seu grau de cumprimento. Há uma visibilidade pública que a todos compromete e a todos obriga a ter um sentido de responsabilidade face a isso. Se Portugal não conseguir reduzir as emissões tanto quanto o desejável, vai conseguir [fazê-lo] noutras partes do mundo. Mas atenção às medidas do pós-Quioto. O plano nacional de barragens de elevado potencial hidroeléctrico tem por objectivo dar um contributo para o pós-Quioto.

Demorámos 40 anos a fazer uma grande barragem, Alqueva. Está muito confiante em relação às barragens novas...
Há uma diferença que é importante. Quem vai fazer essas barragens não é o Estado. Vão ser investidores privados. E estamos a falar de qualquer coisa que pode chegar aos dois mil milhões de euros de investimento privado. O investimento privado não quer levar 40 anos. Essas barragens podem ser feitas em dois, três, quatro, cinco anos.

No futuro, Portugal vai ser possivelmente mais afectado por secas. Não é um contra-senso estar a apostar em barragens, que precisam de água?
Pelo contrário. A percepção global, por parte dos especialistas na matéria, é a de que [haverá] um regime de maior incerteza climática, onde pode haver mais secas, e mais frequentes, mas intercaladas por períodos de grande pluviosidade. Criar reservas de armazenamento de água é a primeira resposta a isso. É claro que havendo mais secas, mais temperatura, há mais evapotranspiração, também há maiores perdas.

E há menos produção de electricidade...
Mas a questão essencial não é essa. É o extremar do clima. Há mais secas e há mais cheias. As barragens são justamente a resposta à irregularidade do clima. As barragens são uma resposta à alteração climática.

Na área dos transportes, está satisfeito com o que tem sido feito?
A nível dos transportes, em Portugal como em toda a Europa, há muito que fazer. Mas há muito que está a ser feito. Quando se está a apostar em sistemas de transportes públicos, quando se constrói o metro no Porto, quando está em desenvolvimento o metro de Coimbra, quando se está a fazer o metro de Almada.

Como é que a União Europeia vai convencer os norte-americanos a entrar no jogo pós-Quioto?
Os norte-americanos ainda hoje são um razoável enigma no que diz respeito a Bali. A verdade é que durante muitos anos não quiseram falar de Quioto, nem sequer de alterações climáticas. [Agora] há efectivamente uma mudança. Os Estados Unidos foram obrigados a reconhecer, até por imenso isolamento internacional, e também pela política interna, que há um problema, que têm de dar respostas, têm de alguma maneira de participar neste processo. Até que ponto querem ir, ainda é um mistério.

O que faz pessoalmente como contribuição para controlar o aquecimento global?
É sempre uma boa pergunta para se fazer a um político. Aprendi com o meu velho chefe, há muitos anos atrás, no departamento de hidráulica no LNEC, a ter um hábito que é apagar sempre as luzes por onde passo. É um pequeno gesto do dia-a-dia a que o cidadão não dá importância. Se dez milhões de portugueses fizerem isso, dá-se um passo em frente muito grande.

Anda de transportes públicos?
Ando bastante de transportes públicos. Nesta vida pública, isso é mais difícil, por razões evidentes. Mas na minha vida pessoal e privada ando muito de transportes públicos. Neste momento estou a avaliar a possibilidade de colocar painéis solares em casa.

Podia ter um carro híbrido...
Neste momento não tenho carro, só ando com o carro oficial. Mas é uma hipótese que considero.

Tem-se ouvido cada vez mais o seu nome na lista de uma eventual remodelação. Revê-se nisso?
Há 16 ministros e os 16 são remodeláveis. E a remodelação de qualquer um dos 16 ministros não é propriamente a condenação ao inferno. Nem sequer é um atestado de menos mérito.

Ricardo Garcia (PÚBLICO) e José Pedro Frazão (Rádio Renascença), in Público meteopt.com - 02 de Dezembro de 2007

Sobre Segurança e Impactos de Barragens

Sobre Segurança e Impactos de Barragens

Regulamento de Segurança de Barragens e a Protecção Civil


Impactos Ambientais associados a Barragens e a Albufeiras

Manuel Alegre: "Por uma nova cultura da água"

Manuel Alegre em Viana do Castelo
"Por uma nova cultura da água"
Intervenção feita no Encontro “Água: Mercadoria ou Direito Humano” promovido pelo MIC
23.09.2006

1.
Faz amanhã um ano que anunciei publicamente em Águeda a intenção de me candidatar às eleições para a Presidência da República. Disse então que alargar a cidadania era o sentido do meu combate. No meu Contrato Presidencial e ao longo de toda a campanha insisti na necessidade da afirmação do poder dos cidadãos. A resposta que tive nas urnas mostrou que mais de um milhão de portugueses corresponderam a esse apelo. Disse também que a nossa Constituição consagra um conjunto de direitos fundamentais que não podem ser esquecidos, incluindo neles o direito a um ambiente humano e ecologicamente equilibrado. Não podia por isso deixar de estar presente nesta iniciativa do MIC de Viana do Castelo, destinada a debater a Água, um dos principais problemas do século XXI.

2.
A água é o suporte básico da vida no nosso planeta e surgiu muito antes da existência dos seres humanos. É e sempre foi considerada um bem público.
Um em cada seis habitantes do planeta não tem acesso à água potável, enquanto um em cada três não dispõe de condições sanitárias adequadas. Isto significa que uma grande parte da humanidade não tem garantidas condições mínimas de acesso à vida e à saúde.
A desigualdade no acesso à água potável é muito grande. A classe média ou alta das cidades consome 50 a 150 litros por dia e por pessoa, ou mais, enquanto os habitantes dos bairros ou países pobres têm de se contentar com 5 a 10 litros. Nesses locais é sobre as mulheres e as crianças que recai a tarefa pesada de garantir o abastecimento diário de agua potável.

3.
Em Portugal, em 2003, 92 % da população estava servida por uma rede pública de abastecimento de água potável, embora haja uma grande desigualdade regional. Na Região Norte, apesar da maior quantidade de recursos hídricos, a percentagem descia para 82,9%, enquanto em Lisboa subia para 99,1%. É de frisar que no Alentejo a percentagem, de 95%, é mais elevada que no norte do país.
Quanto ao acesso à rede pública de águas residuais, a taxa de cobertura era de apenas 73,5%. O Norte, com 59,6%, tem valores inferiores à média nacional.
Em termos comparativos, Portugal situa-se a meio da tabela, entre os países desenvolvidos, com uma taxa de cobertura de saneamento de 98%, e os países em desenvolvimento, com 49%.
Isto significa que também em Portugal há ainda um caminho a percorrer para garantir que toda a população tem acesso a água potável de qualidade e a redes de saneamento básico eficientes.

4.
A emergência do pensamento científico no final do século XVI instaurou na relação entre o homem e a natureza o paradigma do domínio. Para o filósofo e cientista Francis Bacon, contemporâneo de Descartes, "o conhecimento é em si mesmo um poder” que permite conquistar e dominar a natureza. Sabemos hoje que este domínio não pode ser ilimitado. A destruição e esgotamento dos recursos naturais, as alterações climáticas, o aquecimento global e a ruptura dos ecossistemas ameaçam a sobrevivência, não apenas da humanidade, mas da própria vida.
Um dos grandes desafios do século XXI é o da nossa reconciliação com a natureza. Não somos donos da Terra, estamos de passagem e somos devedores de gerações que ainda não nasceram. É essa a essência do conceito de sustentabilidade: encontrar modos de desenvolvimento que não ponham em causa a possibilidade de vida e bem-estar no futuro.

5.
Em muitos países europeus, as visões liberais do século XIX impuseram um processo de venda de património natural, incluindo recursos hídricos, com a convicção de que era o único modelo de produção possível.
No início do século XX, com o desenvolvimento da engenharia e com a crise de 1929, a maioria das responsabilidades na gestão da água passou para o controle público. O Estado surgiu como promotor de grandes barragens e garante do acesso à água, tanto no fornecimento urbano como no uso industrial e na irrigação.
Nos anos 80, este modelo mostrou os primeiros sinais de crise. A construção mundial de mais de 50.000 barragens de larga escala rompeu a continuidade de uma grande maioria dos rios causando um impacto irreversível no ciclo natural da água. Este impacto foi agravado pelo crescimento das áreas urbanas, pela impermeabilização dos solos e pela contaminação das águas superficiais e subterrâneas. É nas águas doces continentais que se regista o maior número de espécies extintas ou em extinção.

6.
Os nossos rios já não são os nossos rios. Já não aprendemos a nadar nas suas águas. Já não se encontra no rio Lima a quantidade de lampreia que lhe deu fama.
Não se trata apenas de uma nostalgia do que foi: os rios que nos viram nascer e crescer podem perder-se para sempre. Heraclito de Éfeso terá sido o primeiro ocidental a constatar que “tudo flui” ("Panta rhei") e por isso tudo muda. “Não cruzarás o mesmo rio duas vezes, porque outras são as águas que correm nele”, disse ele. Hoje sabemos que não é apenas o rio, nem somos apenas nós próprios que mudamos. É o próprio ciclo natural da água que corre o risco de colapsar, com consequências desastrosas para todas as formas de vida.

7.
Independentemente do estatuto de propriedade da água, tem prevalecido na Europa a tendência do uso do direito ao licenciamento, cabendo ao Estado garantir a democratização do acesso à água. A maioria das águas de superfície são do domínio público, podendo ser concedido o direito à sua exploração para vários fins. Quanto às água subterrâneas, em Portugal elas são geralmente propriedade privada, enquanto em Espanha, pelo contrário, são do domínio público.
Durante muito tempo a legislação sobre as diferentes formas de exploração dos recursos hídricos ignorou o ciclo da água. Mas o uso excessivo de furos e sistemas de bombagem e as descargas de efluentes sem tratamento mostraram ser métodos insustentáveis. Na Europa central e setentrional, foi preciso desencadear operações dispendiosas para restaurar a vida em rios tornados mortíferos por usos errados.
A contaminação por pesticidas e químicos usados na agricultura também atinge proporções crescentes. Mais de dois terços dos países europeus sofrem de uma poluição generalizada nas suas águas subterrâneas. Em Portugal e nas zonas mediterrânicas, a extracção abusiva de águas subterrâneas tem conduzido à salinização progressiva, ao esgotamento de reservas de água doce, à secagem de fontes e à diminuição dos fluxos de água, agravando a desertificação. A expansão do eucalipto contribui para a diminuição drástica dos recursos hídricos.
Pobreza e ignorância, juntamente com a irresponsabilidade de entidades públicas e privadas, completam o ciclo da degradação e crise ecológica nos ecossistemas da água.

8.
Os processos de alteração climática estão a provocar um aumento gradual das temperaturas e a modificar o regime das chuvas. Há cada vez mais episódios extremos, como cheias catastróficas ou alterações substanciais nos níveis da água em períodos de seca. É preciso dar toda a prioridade à conservação e restauração da qualidade ecológica dos recursos hídricos. O princípio do poluidor-pagador tornou-se insuficiente. É muito mais barato e eficaz evitar a poluição na origem do que descontaminar. É preciso generalizar o princípio da precaução na gestão e uso da água.

9.
Impõe-se uma mudança cultural profunda. Temos de alterar a nossa escala de valores, a nossa concepção da natureza e os nossos estilos de vida. Trata-se no fundo da emergência de uma nova cultura da água, que reconheça as suas múltiplas dimensões, éticas, ambientais, políticas e até emocionais. A nova cultura da água baseia-se no princípio universal do respeito pela vida, considera os recursos hídricos, no seu todo, como património da biosfera e exige que eles sejam geridos e utilizados de forma democrática e sustentável.
É isto que pretende a Declaração Europeia para um nova Cultura da Água, aprovada em Fevereiro deste ano em Madrid, na sequência da aprovação pela União Europeia da Directiva Quadro da Água, de 2000, transposta para a lei portuguesa pela [/]Lei Quadro da Água, de 2005.(1)

10.
A Declaração Europeia para um nova Cultura da Água defende uma nova abordagem ética da água e estabelece novas prioridades.
A primeira prioridade é “Água para viver”. Assegurar a sobrevivência do ser humano através do acesso à agua potável deve ser um direito humano universal, na linha do que já foi expressamente reconhecido pelo Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais das Nações Unidas em 2002.(2)
Não se trata apenas de um direito individual. A lógica do neo-liberalismo tem vindo a agravar as desigualdades entre países ricos e países pobres. Muitas empresas, impedidas de poluir os recursos aquíferos nos seus países, sentem-se livres para o fazer nos países pobres ou em desenvolvimento, praticando um inadmissível “dumping” sócio-ambiental.
As funções da água na preservação da saúde pública, da coesão social e da equidade devem ser por isso a segunda prioridade. Trata-se no fundo de reconhecer o direito colectivo das comunidades ao usufruto e sustentabilidade dos seus próprios recursos hídricos.
A função da água no desenvolvimento económico, associada ao seu uso por entidades privadas, é a terceira prioridade. Mas a intervenção dos agentes económicos privados não pode ser dissociada dos objectivos sociais e ambientais globais. Também neste campo a responsabilidade social das empresas será um factor cada vez mais determinante.
Em suma, é preciso garantir a prioridade dos direitos humanos e sociais sobre os interesses de mercado e impedir o recurso à água para negócios ilegítimos, ou a sua utilização abusiva e irresponsável.

11.
Uma dimensão essencial da nova cultura da água é a democratização dos processos de decisão. O debate sobre a liberalização dos serviços de água deve ser alargado a todos, com a participação dos cidadãos e das suas organizações.
É necessário distinguir entre privatização, liberalização e desregulamentação. A privatização implica a transformação do estatuto jurídico do operador, a venda de recursos públicos ao sector privado ou a concessão da totalidade dos direitos de uso. A liberalização significa introduzir mecanismos de mercado na gestão da água. Finalmente, a desregulamentação significa reduzir a intervenção do Estado.
É útil recordar que os processos de liberalização quase sempre implicam o aumento do poder regulador do Estado, com a criação de entidades reguladoras, a definição de obrigações de serviços públicos e a protecção do consumidor.

12.
Em 2002, pronunciei-me contra o anúncio pelo governo de coligação PSD-PP de várias privatizações, entre elas a da água. Escrevi então que “a questão de saber se sectores económicos estratégicos devem permanecer ou não sob controle português não é uma questão ideológica, nem pode ser reduzida a uma polémica entre partidários do sector privado e defensores do sector público. Trata-se de uma questão nacional, de cuja solução pode depender o futuro e a viabilidade de Portugal.” E acrescentei que “só há uma maneira de garantir que esses sectores continuem portugueses, é manter sobre eles o controle do Estado”. Continuo a pensar o mesmo. O reequilíbrio orçamental não pode fazer-se à custa da sobrevivência do país.

13.
Em 2005, em plena campanha para a Presidência da República, admiti a possibilidade de recorrer a todos os poderes presidenciais para defender o direito à água, incluindo, se necessário, a dissolução da AR. Fui então muito atacado, com base no argumento de que já teria aprovado a privatização da água, ao votar a Lei Quadro da Água na Assembleia. O argumento foi intelectualmente desonesto. As leis da água então votadas não obrigam à privatização da água. Defendo que a água se deve manter no domínio e propriedade pública. A existência de concessões para a distribuição da água, que a lei permite, não significa desistir de garantir, a par de uma gestão racional e sustentável, o controle público da exploração. Pelo contrário, aumenta a necessidade da nossa vigilância.
Não estamos a discutir a “privatização” da água dos rios, das ribeiras, dos lagos, nem do mar, mas sim dos sistemas de distribuição. Qualquer concessão cem por cento privada da distribuição da água significaria transformar um monopólio natural num monopólio privado, o que é inaceitável. Mas a mercantilização da água captada é um facto inegável. Todos pagamos a água engarrafada que bebemos e a factura da água canalizada no fim do mês.
A ideia de que as empresas privadas, por definição, gerem sempre melhor que as entidades públicas é um dogma que não resiste à análise dos casos concretos. Os serviços públicos também podem servir com qualidade. Seja como for, o que é imprescindível é que haja controle e regulação por parte do Estado. E que as organizações de consumidores estejam atentas, quer quanto à qualidade da água, quer quanto à equidade das tarifas praticadas.

14.
Serão cada vez maiores os conflitos políticos e geoestratégicos por causa do acesso à água. A nova cultura de água é uma das dimensões essenciais de uma diplomacia de paz, baseada em valores de diálogo e envolvimento, que deverá incentivar a mediação dos conflitos internacionais acerca da água.
Espero que movimentos de cidadãos como o MIC tenham uma capacidade crescente para colocar na agenda temas como este, que são fulcrais para todos nós.
O poder dos cidadãos está a emergir um pouco por todo o lado, desde os Estados Unidos à França, passando por Portugal. Um filme de Al Gore sobre a sustentabilidade do planeta está nas salas de cinema em todo o mundo. Não é um simples documentário: é um verdadeiro manifesto eleitoral do cidadão Al Gore, com vista à sua candidatura em 2008.
A cidadania do século XXI passa por estes temas e pela capacidade auto-organizativa e participativa dos cidadãos. Para garantir o acesso à água como direito humano, não bastam proclamações das Nações Unidas ou novas leis. É preciso uma nova cultura, uma nova atitude e uma nova prática da cidadania. Como disse o poeta João Cabral de Melo Neto, “um rio precisa de muito fio de água / para refazer o fio antigo que o fez.”

(1)Esta lei define um conjunto de princípios essenciais para preservar um bem que é escasso e a cujo acesso todos devem ter direito em condições de equidade. Define ainda um novo modelo de gestão da água, baseado em Administrações Regionais associadas às bacias hidrográficas. O Minho, atravessado por quatro rios, dois dos quais internacionais, é uma das zonas do país em que a aplicação desta lei quadro tem maior relevância.

(2)Recorde-se que as Nações Unidas aprovaram em 2005 a resolução “Água para a Vida”, que proclamou uma nova década internacional da água, entre 2005 e 2015.

in ManuelAlegre.com

Sócrates lança barragens da Iberdrola no Alto Tâmega

Sócrates lança barragens e fala da Qimonda

José Sócrates participou esta manhã na apresentação do complexo hidroeléctrico do Alto Tâmega que envolve a construção de quatro barragens até 2018.

Na altura o primeiro-ministro falou igualmente da falência da Qimonda
.

Bruxelas avalia Programa Nacional de Barragens

Bruxelas avalia Programa Nacional de Barragens

A Comissão Europeia (CE) está a investigar a possibilidade de o Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hídrico, que envolve a construção de dez novos aproveitamentos em Portugal, violar a directiva-quadro comunitária sobre a água.

De acordo com o Público, a hipótese foi levantada por associações ambientalistas portuguesas, numa carta enviada ao presidente da CE, Durão Barroso, que foi assumida como uma queixa por Bruxelas.

Não estando em causa a construção de novas barragens, a directiva exige uma série de condições, uma delas a de que estejam contempladas em planos de gestão de bacias hidrográficas, porém, ainda segundo o Público, os planos exigidos pela directiva ainda não existem.

Organizações ambientalistas unidas em torno da Plartaforma Sabor Livre entendem que, ao aprovar as barragens antes da elaboração dos planos de bacia, Portugal está a violar a directiva-quadro da água.

in Soudal.pt

Milhares de chineses fogem temendo rompimento de barreiras





Milhares de chineses fogem temendo rompimento de barreiras

BEICHUAN, China (Reuters) - Milhares de chineses fugiram de suas casas no sábado, em meio a temores de que um lago possa romper suas barreiras, prejudicando os esforços de resgate depois de o terremoto mais catastrófico em mais de 30 anos ter deixado cerca de 29 mil mortos.

Trabalhadores de resgate retornaram ao condado de Beichuan, perto do epicentro do terremoto, na província de Sichuan, mas muitos moradores estavam assustados demais para voltar, temerosos devido a um lago formado depois de os abalos posteriores ao terremoto principal terem provocado avalanches que bloquearam o fluxo de um rio.

"Depois de uma breve retirada de moradores, os trabalhos de resgate voltaram ao normal em Beichuan", disse um site oficial (www.china.com.cn), atribuindo a fuga de moradores a um falso alarme.

Um oficial paramilitar tinha dito à Reuters antes que a probabilidade de o lago romper suas barreiras era "extremamente alta."

A situação "é muito perigosa, porque ainda há tremores que provocam deslizamentos de terra que podem danificar a barragem," disse Luo Gang, operário da construção que deixou a cidade portuária de Xiamen, no sudeste do país, e voltou para casa para procurar sua noiva desaparecida.

Os trabalhos de resgate foram complicados pelo mau tempo, o terreno irregular e as centenas de abalos posteriores.

O Instituto Geológico dos EUA relatou um tremor de 6,1 pontos com epicentro a 80 quilômetros a oeste de Guangyuan. É o mais recente de uma série de abalos posteriores que atingiram a província de Sichuan. A agência oficial de notícias chinesa Xinhua disse que não há informações imediatas de mais danos ou mortes nessa região.

"Embora o melhor momento para resgatar sobreviventes já tenha passado, salvar vidas ainda é nossa primeira prioridade", disse o presidente Hu Jintao a sobreviventes em choque, uma semana depois de a China ter comemorado a chegada da tocha olímpica ao cume do monte Everest.

Enquanto o tempo esquenta, os sobreviventes se preocupam com a higiene e começam a fazer perguntas sobre seu futuro de mais longo prazo.

"O que não precisamos mais no momento é macarrão instantâneo", comentou o caminhoneiro Wang Jianhong, na cidade de Dujiangyan. "Queremos saber o que vai ser de nossas vidas."

As autoridades planejam distribuir diariamente 0,5 quilo de alimento e um subsídio de 10 yuans (1,45 dólar) às pessoas que enfrentam dificuldades financeiras nas regiões atingidas pelo terremoto, durante o prazo de três meses, informou a Xinhua, após uma reunião presidida pelo premiê Wen Jiabao.

Também pretendem instalar trailers residenciais, salas de aula temporárias e ambulatórios para a população atingida pelo terremoto.

POPULAÇÃO TENSA

Há receios crescentes sobre a segurança de barragens e açudes que sofreram abalos na província montanhosa de Sichuan, uma área aproximadamente igual à da Espanha.

Em Sichuan e na vizinha Chongqing, 17 açudes foram danificados e algumas barragens apresentam rachaduras e vazamentos. Várias delas ficam no rio Min, que passa pelas áreas mais afetadas pelo terremoto, entre o planalto tibetano e a planície de Sichuan.

A barragem de Lianhehua, construída no final dos anos 1950 a noroeste de Dujiangyan, apresenta rachaduras tão grandes que se pode colocar um punho fechado nelas.

"Com a barragem nesta situação, não podemos ficar tranquilos", disse o lavrador Feng Binggui, que mudou-se de seu povoado, situado abaixo da barragem, para as montanhas.

A China prevê que o número de vítimas fatais do terremoto, de 7,9 pontos de magnitude, exceda os 50 mil. Cerca de 4,8 milhões de pessoas perderam suas casas, e os dias para o resgate de sobreviventes estão contados.

O porta-voz ministerial Guo Weimin, fazendo uma pausa para se recompor ao ler o relatório de vítimas em uma entrevista à imprensa, informou que o número de mortos no momento está em 28.881.

O premiê Wen disse que o terremoto foi "o maior e mais destrutivo" desde antes da revolução comunista de 1949 e que a reação rápida ajudou a reduzir o número de mortes.

E isso mesmo quando comparado ao terremoto de 1976 na cidade de Tangshan, no norte do país, que matou até 300 mil pessoas.

O vice-governador de Sichuan, Li Chengyun, disse que mais de 188 mil pessoas ficaram feridas e cerca de 10.600 pessoas continuam presas sob os destroços. Cerca de 2,6 milhões de barracas são necessárias para abrigar 4,8 milhões de pessoas, disse ele.

Um operário que reparava cabos morreu no sábado, três meses antes de Pequim sediar as Olimpíadas, atingido por pedras quando um abalo posterior moderado atingiu o condado de Lixian.

O presidente Hu elogiou os funcionários de resgate por sua bravura em Wenchuan, o epicentro do terremoto, quando a região foi atingida por outro abalo.

Num vislumbre de esperança de que mais pessoas ainda possam ser retiradas dos escombros com vida, 33 pessoas foram resgatadas em Beichuan, incluindo um camponês de 69 anos que passara 119 soterrado. Soldados retiraram 18 cientistas que não tinham meios de sair de uma floresta na vizinha Mianzhu.

Um site do governo disse que a China está em alerta cautelar contra possíveis vazamentos radiativos. O principal laboratório nacional de pesquisas com armas nucleares fica em Mianyang, ao lado de vários sítios atômicos secretos, mas não há usinas nucleares.

A China enviou 150 mil soldados à região do desastre, mas suprimentos e trabalhadores de resgate vêm tendo dificuldade em chegar às áreas mais atingidas devido às quedas de barreiras e à destruição de estradas pelo terremoto.

Ofertas de ajuda do exterior vêm chegando constantemente, e equipes de resgate do Japão, Rússia, Taiwan, Coréia do Sul e Singapura já chegaram ao país. As doações recebidas ultrapassam os 6 bilhões de yuans.

Chris Buckley e John Ruwitch, in Swissinfo.ch - 18 de Janeiro de 2009

China tenta evitar que barragem danificada se rompa

Terremoto provoca rachaduras 'extremamente perigosas' na construção e cidade pode ser inundada

China tenta evitar que barragem danificada se rompa

Gestante de 8 meses é retirada de escombros com vida nesta quarta-feiraAP

Gestante de 8 meses é retirada de escombros com vida nesta quarta-feira

PEQUIM - A imprensa estatal chinesa afirmou nesta quarta-feira, 14, que 2 mil militares correm contra o tempo para evitar o rompimento da barragem da represa de Zipingku. Os soldados tentam consertar rachaduras "extremamente perigosas", já que as instalações e prédios próximos foram danificados e parte chegou a afundar.

Segundo o Ministério de Recursos Hídricos, o sistema de irrigação da cidade de Dujiangyan, responsável pela contenção de inundações da cidade de mais de 630 mil habitantes, pode ser prejudicado. As autoridades alertaram para os riscos da crescente pressão sobre as demais barragens locais, assim como os deslizamentos de terra nas regiões montanhosas.

O número de mortos no pior terremoto em décadas na China subiu para quase 15 mil na quarta-feira. Militares, bombeiros e civis lutam para salvar milhares de pessoas soterradas por terra e escombros. Na tarde de quarta-feira, o número de mortos era de 14.866, segundo a Xinhua, a agência de notícias oficial. O número de mortos deve subir, já que a mídia estatal informou que 25 mil pessoas estão soterradas.

As equipes de resgate retiravam os pedaços retorcidos de prédios caídos e observavam as fendas entre eles, atrás de sinais de sobreviventes do terremoto de magnitude 7,9 que destruiu casas, escolas e hospitais. O governo mandou 50 mil soldados para procurar vítimas na província de Sichuan.

Mas, entre os momentos sombrios, houve alguma alegria. Em Mianzhu, onde milhares de pessoas foram confirmadas mortas, cerca de 500 pessoas foram retiradas vivas dos escombros dos prédios. Em Hangwang, um vilarejo em Mianzhu, uma menina recebeu comida e água enquanto tentavam tirá-la dos escombros do prédio de uma escola. Uma mulher grávida de oito meses e sua mãe, presas há dois dias debaixo de um prédio em Dujiangyan, foram resgatadas pelos bombeiros e levadas a um hospital. "Estamos muito felizes. Estávamos gritando aqui há dois dias", disse Pan Jianjun, um parente. "Mas ainda há três pessoas fazendo barulho ali."

Nos arredores da cidade de Miangyang, desabrigados circulavam por um estádio lotado, segurando cartazes com os nomes de parentes, na esperança de encontrá-los. A maioria é do condado rural de Beichuan, uma das áreas mais severamente afetadas. "Eles não disseram nada sobre o que vai acontecer conosco. Este é somente um lugar temporário. Não sei se vou conseguir voltar para casa," disse Hu Luobing, da vila de Beichuan, onde, segundo ela, tudo foi destruído. Ela deixou a filha no abrigo improvisado no estádio, onde cerca de 10 mil moradores de Beichuan estão, para procurar roupas. Outros procuravam comida e abrigo da chuva.

Fotos de Beichuan, área montanhosa de difícil acesso para a equipe de resgate, mostram uma devastação quase total. Os sobreviventes ficam ao ar livre, ao lado dos mortos e cercados por prédios reduzidos a pedaços de concreto.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que está em Sichuan fazendo apelos e visitando crianças órfãs, esteve em Beichuan no meio do dia. "A sua dor é a nossa dor", disse ele na televisão estatal. Ele estava entre uma multidão de moradores da região. Alguns deles choravam. "Salvar a vida das pessoas é a tarefa mais importante."

Só o condado de Beichuan precisa urgentemente de 50 mil barracas, 200 mil cobertores e 300 mil casacos, além de água potável e medicamentos, disse a Xinhua. O tremor de segunda-feira é o pior na China desde 1976, quando 300 mil pessoas morreram. Com o desastre, fica suspensa a propaganda patriota do governo, a três meses das Olimpíadas de Pequim.

in Estadao.com.br - 14 de Maio de 2008

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Fisgas de Ermelo a salvo da predação hidroeléctrica

Salva

fisgas do ermelo
© Miguel Leite Pereira

«O ministro do Ambiente, Nunes Correia, garantiu ontem, em Vila Real, que a cascata das Fisgas de Ermelo não vai ser afectada com a construção das barragens do Alto Tâmega.» [Diário de Notícias]

A oferta do ministro, em salvar a maior queda de água do País, não amortiza a impressão abominável do Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico no Vale do Tâmega - rio, que na prática, vai deixar de o ser. E com a discussão pública do impacto ambiental agendada para breve, nunca é tarde, nem demasiado, insistir na subscrição da petição on-line contra as barragens, do qual sou um dos signatários.

Vítor Pimenta, in Avenida Central - 1 de Fevereiro de 2009

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

Terramoto na China pode ter sido provocado pelo homem






Terramoto na China pode ter sido provocado pelo homem, dizem cientistas















O terramoto que no ano passado matou pelo menos 80.000 pessoas em Sichuan pode ter sido despoletado por um enorme barragem situada a poucas milhas do epicentro.

Os 511 pés de altura (aprox. 156m) da barragem de Zipingpu suportam 315 milhões de toneladas de água apenas a 550 jardas (cerca de 500m) da linha de falha, e a três milhas (aprox. 5,5 km) do epicentro do terramoto de Sichuan.

Agora cientistas chineses e dos Estados Unidos acreditam que o peso de água e o efeito de subsidência, poderiam ter afectado a pressão na linha de falha, possivelmente originando a libertação de uma série de rupturas que conduziram ao abalo.
Fan Xiao, o engenheiro-chefe do Departamento de Geologia e Minas de Sichuan, em Chengdu, disse que tinha era "muito possível" que a construção e o enchimento do reservatório em 2004 possam ter provocado o acidente.

"Tem havido muitos casos em que uma albufeira despoletou um terramoto" disse Fan Xiao. "Este terramoto era muito improvável nesta região. Antes deste sismo não houve actividades sísmica maior que a magnitude sete, ao longo desta cintura sísmica".
O abalo de magnitude 7.9 despoletado em Maio passado desalojou mais de cinco milhões de pessoas. Continua a ser um triste e comovente assunto para a maioria dos chineses, e o governo tem sido célere a eliminar qualquer ideia de que Zipingpu possa ter sido responsável pela catástrofe. Entretanto o acesso a dados sismológicos e geológicos tem sido recusado aos investigadores que querem estudar o terramoto.

Zipingpu é apenas uma das quase 400 barragens hidroeléctricas na zona do terramoto. Fan Xiao diz que o governo estava avisado do perigo de construir tantos projectos de grandes dimensões numa área sismicamente activa, mas os avisos foram ignorados.
"Eu não só me opus à construção de Zipingpu, mas também ao sobredimensionamento das albufeiras no rio Minjiang. Existem dez importantes albufeiras no rio principal, 29 nos seus afluentes, e muitas mais represas de menor escala, que no conjunto bloqueiam completamente a corrente do rio, e são um perigo geológico para a região", refere Fan Xiao.

Apesar de Sichuan ser uma região predisposta a sismos, muitos cientistas foram apanhados de surpresa pela magnitude do abalo. Christian Klose, um cientista do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, disse que nessa linha falha não havia alguma "actividade sísmica importante" há milhões de anos.
Ele argumentava que o rápido surgimento de enorme quantidade de água na região poderia ter simultaneamente diminuído a tensão entre ambos os bordos da falha, permitindo-lhes movimentos diferenciados, e incrementado também a pressão directa necessária para causar uma ruptura violenta. A consequência foi uma pressão "25 vezes mais" do que o valor de um ano de stress natural do movimento tectónico, refere.

Embora a orientação do governo sustente que as construções colossais nada tiveram a ver com o terramoto, alguns investigadores estatais em Beijing pediram uma investigação completa. Lei Xinglin, do Departamento chinês de Sismos, disse que a albufeira de Zipingpu "claramente afectada pela sismicidade local, vale a pena estudar o seu papel jogado em accionar o terramoto". Contudo, acrescentou que ainda é "prematuro" para tirar conclusões.
Há uma história de sismos despoletados por barragens, incluindo vários causados pela construção da barragem de Hoover nos EUA, mas nenhum atingiu semelhante magnitude.

Malcolm Moore (Shanghai), in Telegraph.co.uk - 03 Feb 2009

(Tradução de José Emanuel Queirós)

O terramoto do ano passado na China pode ter causas humanas

O terramoto do ano passado na China pode ter causas humanas

pict881

Foto: Steven Wang

Segundo o Telegraph.co.uk, o terramoto de 7.9 de magnitude que matou 80.000 pessoas na China no ano passado, pode ter sido despoletado pela mega barragem de ZiPingPu. A suspeita está a ser levantada por cientistas chineses e norte-americanos. Fan Xiao, que é o engenheiro chefe do Departamento de Geologia de Sichuan diz que é muito provável que a construção e enchimento do reservatório de 315 milhões de toneladas de água, em 2004, tenha levado ao desastre.

Christian Klose, um cientista da Universidade de Colombia, diz que a mudança de grandes quantidades de água na região, pode ter relaxado a tensão entre os dois lados da falha geológica, permitindo que elas se movessem, e ao mesmo tempo aumentasse o suficiente a pressão directa para causar uma ruptura violenta.

A construção desta mega barragem tinha sido alvo de forte contestação que foi duramente reprimida pelas autoridades chinesas. O que pensarão agora as vítimas do terramoto, ao ter conhecimento destes desenvolvimentos?

mescalero, in Agitação - 5 de Fevereiro de 2009

Discutir o futuro "?submerso?" que a barragem nos reserva!

Em seguimento do voto de protesto contra a Barragem de Fridão, apresentado pelo Vítor Pimenta, e consequente aprovação por parte da Assembleia da Junta do Arco de Baúlhe, que agitou a passividade política acerca das barragens e os seus impactes sobre esta região, a Câmara de Cabeceiras agendou para a próxima conferência Políticas de Futuro, a realizar dia 13 de Fevereiro às 21 e 30h, o tema "O impacte da Barragem de Fridão", tendo como orador um representante da EDP, para uma explanação que pela sua ligação à empresa está à partida viciada, apontando apenas para os eventuais benefícios que a mesma irá arrestar.
Trazer alguém ligado à EDP para nos apresentar as oportunidades trazidas pela Barragem de Fridão é falível, pois parece-me que para uma questão tão sensível e irreversível, deveríamos receber as opiniões de um organismo independente e não a explanação de quem tem que vender o seu produto, sem por isso nos alertar para todos os contras que o mesmo possa ter.
Pelo que tenho aqui , aqui e aqui referido, as barragens serão sem dúvida um dos acontecimentos que mais impacte terá sobre o futuro desta região, influenciando a sua qualidade ambiental, e adulterando o excelente microclima aqui presente que tornou estas terras propícias ao desenvolvimento de culturas seculares que são as grandes bandeiras da nossa região como é o caso dos vinhos verdes. Não consigo ter certezas e uma opinião absolutamente definida acerca do aparecimento da barragem, pois parece-me que poderiam advir oportunidades com a sua construção, mas ao mesmo tempo todas as políticas regionais estão a ser traçadas sem considerarem as mesmas. Optando-se por paisagens milenares, apostas nos recursos endógenos sendo tudo isto contraditório quando aparece a barragem, a barragem vai destruir a harmonia das paisagens milenares em Celorico, e vai viciar as nossas especificidades que nos são trazidas pelo excelente microclima. O turismo que me parece um sector a ter em conta, pode ser dinamizado numa parte, dos desportos aquáticos etc… mas ao mesmo tempo será afectado por a artificialidade do lago que contrapõe os valores genuínos e que cada vez mais são valorizados pelos turistas.
Um enorme lago verde eutrófico, à imagem do provocado pela Barragem do Torrão parece ser por isso a sentença que nos espera, e neste caso um presente envenenado.
Se a barragem traz vantagens inerentes a ela, as mesmas tem que ser construídas.
Aos companheiros de discussão desta causa na blogosfera faço tambem aqui o apelo a estarem presentes.
Apelo ao mesmo tempo, a que todas as pessoas de Basto se envolvam nesta causa, e que procurem formar opinião própria para se manifestarem, e pensarem se a barragem preconiza o sonho que temos para esta terra, e se propicia o aparecimento das oportunidades de futuro que desejamos para nos e para os nossos filhos.
.
Carlos Leite, in Pensar Basto - 3 de Fevereiro de 2009

PNBEPH - Novas barragens do Alto Tâmega vão produzir energia para um milhão de pessoas

Alto Tâmega: Empreendimento da espanhola Iberdrola deverá começar a funcionar em 2018

Novas barragens do Alto Tâmega vão produzir energia para um milhão de pessoas

A cerimónia de apresentação do projecto decorreu no Forte São Francisco
A cerimónia de apresentação do projecto decorreu no Forte São Francisco
A construção das quatro novas barragens no Alto Tâmega vai criar 3.500 postos de trabalho directos. A garantia foi deixada pelo presidente do grupo espanhol Iberdrola, que ganhou o concurso para a construção das albufeiras, na apresentação pública do projecto. “Enhorabuena”, disse Sócrates.

Se os prazos forem cumpridos, em 2018, o Alto Tâmega terá em funcionamento quatro novas barragens, que produzirão energia suficiente para o consumo anual de um milhão de pessoas. O empreendimento, denominado Complexo Hidroeléctrico do Alto Tâmega, foi apresentado, sexta-feira passada, em Chaves, pelo presidente da Iberdrola, o grupo espanhol que ganhou o concurso para a construção das albufeiras, lançado pelo Governo português no âmbito do Plano Nacional de Barragens com Potencial Hídrico. Ignácio Gálan considerou tratar-se de um dos projectos hídricos “mais importantes dos últimos 25 anos na Europa”. “É um projecto que criará emprego e trabalho para os que aqui nasceram e aqui trabalham”, disse o empresário espanhol. Pelas suas contas, a construção das albufeiras de Padroselos, Daivões, Gouvães e Alto Tâmega - todas na bacia do rio Tâmega, e nas áreas de abrangência dos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Boticas e Ribeira de Pena - irá representar um investimento de 1.700 milhões de euros e criará 3.500 postos de trabalho directos.

Ignácio Gálan revelou também que as novas centrais hidroeléctricas serão capazes de produzir dois mil gigawatts por hora, o que representa 3 por cento do consumo eléctrico português. Para finalizar o discurso, Gálan citou o escritor transmontano Miguel Torga: “Numa aventura, o que importa é partir bem, para bem chegar”. José Sócrates, que presidiu à cerimónia, onde chegou com cerca de uma hora de atraso, não citou nenhum poeta, mas felicitou a empresa em espanhol. “Enhorabuena”, disse Sócrates, que considerou estar na hora de “recuperar o tempo perdido” em termos de aproveitamento do potencial hídrico. “Este projecto é essencial para a nossa política energética e para diminuirmos a nossa dependência do petróleo”, referiu, acrescentando que se trata de “produzir aqui o que estamos a importar de fora”. “É um projecto que contribui para reduzir a despesa externa”, frisou. Por outro lado, Sócrates realçou a importância do empreendimento pelo seu contributo no “combate à crise”. Porque, para o primeiro-ministro, tempo de crise é “tempo de investir” e não de “ficar parado”. “Mais investimento para garantir emprego”, defendeu José Sócrates.

O presidente da Associação de Municípios do Alto Tâmega e presidente da Câmara de Chaves, João Batista, também se mostrou “satisfeito” com o investimento, sobretudo, por causa dos postos de trabalho que deverão ser criados e pelo “aproveitamento desta riqueza” da região “sem pôr em causa o recurso em si”. No entanto, a congratulação com o em-preendimento não é ainda unânime. O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega, além da elaboração de um manifesto anti-barragens, já colocou na Net uma petição com o mesmo propósito. Entre outros argumentos, o Movimento alega, por exemplo, que a construção da Barragem de Gouvães (Vila Pouca de Aguiar) irá “arrasar irreversivelmente as majestosas e únicas ‘Fisgas’ de Ermelo”, em Mondim de Basto. Mas, na sexta-feira, em declarações à Lusa, o ministro do Ambiente, Nunes Correia, negou as previsões do Movimento. “As Fisgas do Ermelo, neste momento, posso dar por adquirido que vão continuar”, assegurou o ministro, acrescentando que “houve um grande empenho nesse sentido”. “O nosso esforço é sempre conciliar o desenvolvimento das regiões e das populações com a conservação da natureza”, afirmou Nunes Correia, à margem da cerimónia de posse do novo director do Departamento de Áreas Protegidas do Norte, Lagido Domingos, que ocorreu, na sede do Parque Natural do Alvão, em Vila Real.

Margarida Luzio, in Semanário Transmontano - 30 de Janeiro de 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Novas barragens garantem 623 ME em contrapartidas ao Estado





Novas barragens garantem 623 ME em contrapartidas ao Estado

A construção das 10 novas barragens, que agora estão a arrancar e vão estar concluídas até 2020, já permitiu ao Estado amealhar 623 milhões de euros, através de contrapartidas pelas concessões ganhas pelas eléctricas espanholas Endesa e Iberdrola e pela portuguesa EDP.

De acordo com o Jornal de Negócios, o secretário de Estado das Finanças e Tesouro, Carlos Costa Pina, confirmou que as contrapartidas pagas pelas três eléctricas contaram como receita do Estado em 2008, abatendo no défice público.

Por conseguinte, no topo surge os 330 milhões de euros que a Iberdrola pagou para construir e explorar, durante 65 anos, as barragens de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões, que vão implicar um investimento total próximo dos 1.700 milhões de euros.

Pedro Luis Vieira, in Construir (site da indústria da construção) - 27 de Janeiro de 2009

Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na blogosfera

Apoio à «Causa» do Tâmega

Barragens da Região, Atenção!

Há umas duas semanas, recebi um email que vou pôr a seguir, uma coisa sobre as barragens que vão ser construídas na região. Fiquei admirado de alguém ligar alguma coisa a dois posts que escrevi, meio a brincar, neste blogue de merda, que não tem crédito nenhum. Ainda não me preocupei em divulgar a coisa porque acho que o pessoal já vai muito atrasado, as barragens já estão a começar a ser construídas, os terrenos já foram expropriados, etc. O que é uma grande pena. De qualquer maneira, digo um obrigado ao pessoal que citou os tais posts do bloguex, algures por aqui. Aqui vai o email:

Estimado Senhor,
Tomámos conhecimento da posição assumida no blogue «bloguex» sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, em texto datado de 14 de Dezembro de 2007 (Barragem No Beça).
Daí, esta mensagem serve para informar que o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega», colocou online a petição «Anti-Barragem», onde se podem inteirar, por completo, do que está em causa a propósito do rio Tâmega e das consequências que as barragens hidroeléctricas arrastam para a região.
O texto abaixo serve divulgar o abominável atentado que está a ser levado a cabo na Bacia e no Vale do Tâmega. Ele pode e deve ser usado para ser enviado a todos os endereços que possuam em mailing, apelando à solidariedade de cada um, a fim de, de cada por si, subscrever a petição e proceder ao envio para os seus contactos pessoais, e assim sucessivamente para mais ampla divulgação desta «Causa».
Com os melhores cumprimentos,

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega

Em face da brutal acção política do Governo contra o Tâmega/Olo e as suas populações, contida no «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico», e da manifesta incapacidade reconhecida nos órgãos do poder local (câmaras e assembleias municipais) se oporem a tal investida, um grupo alargado de cidadãos dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Mondim de Basto, tomaram em mãos a iniciativa de agir contra a acção vil e mercenária de alienar os caudais dos rios Tâmega e Olo às eléctricas ibéricas EDP, S.A. e IBERDROLA, S.A., visando obstar que as populações do Baixo Tâmega se vejam espoliadas de um dos bens naturais mais preciosos da nossa região.
Deste modo, foi criado o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega», o qual tem as suas bases programáticas para esta acção expostas em «Manifesto» próprio, o qual pode ser consultado em http://cidadaniaparaodesenvolvimentonotamega.blogspot.com/,de onde é possível aceder à «Petição Anti-Barragem - Salvar o Tâmega e a vida no Olo» colocada em http://www.petitiononline.com/PABA/petition.html.
Agradeçemos que faça passar esta tomada de posição pública pelos seus amigos, de modo a dar ampla expressão e conhecimento desta justa reivindicação local e regional, que não deixa de ser também nacional.
Com os melhores cumprimentos,

in Bloguex - 3 de Fevereiro de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Especialista em hidrobiologia contesta “explosão” de barragens no Nordeste






Seis infra-estruturas para as bacias do Tâmega e do Tua

Especialista em hidrobiologia contesta “explosão” de barragens no Nordeste

O professor catedrático de hidrobiologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Rui Cortes, criticou hoje a "explosão" de barragens no Nordeste, depois da decisão do Governo de abrir discussão pública, até Novembro, para a construção de dez novas barragens, seis das quais nas bacias do Tâmega e do Tua.

"Não se consegue compreender como é que surgem estas decisões de construção de grandes barragens antes dos planos de ordenamento das regiões hidrográficas. Devia ser ao contrário", disse Rui Cortes.

Está prevista, para as próximas semanas, a concessão da elaboração daqueles planos de ordenamento, pelo que "não faz sentido avançar com barragens que vão pôr em causa o ordenamento sustentável das regiões hidrográficas".

Padrozelos, Vidago, Daivões, Gouvães, Fridão, Foz-Tua, Pinhosão, Girabolhos, Alvito e Almourol foram as dez novas barragens apresentadas hoje pelo Governo no âmbito do plano nacional de barragens com elevado potencial hidroeléctrico.

Rui Cortes salienta alterações à bacia hidrográfica do rio Douro

Rui Cortes criticou o Governo por ter considerado "essencial" a construção da barragem do Baixo Sabor, contestada por todas as organizações ambientalistas por destruir o ecossistema do único rio selvagem da Europa, quando, afinal, tinha planos para construir outras barragens que "vão produzir uma quantidade de energia cinco ou seis vezes superior".

Para Rui Cortes, as sete barragens previstas para o Tâmega (cinco), Tua (uma) e Sabor (uma) "vão alterar substancialmente as características da bacia do Douro".

Entre os impactos negativos, o professor destacou a acumulação de poluição nas albufeiras, responsável pela libertação de metano, um dos principais gases com efeito estufa.

"O Tâmega está altamente poluído. A albufeira de Fridão vai aumentar ainda mais essa poluição", afirmou, destacando a necessidade de implementação de sistemas de controlo e tratamento das águas retidas nas albufeiras.

Professor defende melhoria da eficiência energética como alternativa

Em alternativa, Rui Cortes defendeu a adopção de medidas que melhorem a eficiência energética, área em que "Portugal apresenta os piores níveis da Europa".

"Não se está a fazer nada. Não há planos para procurar melhorar a eficiência energética. Os gastos de energia estão a aumentar em Portugal muito mais do que o PIB, quando noutros países estes dois crescimentos surgem associados".

Também o biólogo Jaime Prata, da associação ecologista Campo Aberto, criticou a opção pela produção de mais energia em vez do fomento da eficiência e poupança energéticas.

Portugal poderia reduzir em "cerca de um terço" o consumo de energia se aplicasse estratégias de eficiência em áreas como a construção de edifícios, indústria e agricultura, disse.

Jaime Prata acusou a EDP de "instrumentalização das populações" da zona do Baixo Sabor, frisando que a criação de emprego "é uma falácia" e a promessa de desenvolvimento do turismo é irreal.

"A construção de barragens é feita sobretudo por emigrantes", salientou o biólogo da Estação Litoral da Aguda, acrescentando que "as barragens, hoje em dia, operam com um funcionário e já há algumas sem nenhum, operadas à distância".

Jaime Prata sublinhou ainda que "o país está cheio de albufeiras desertas", existindo turistas apenas nalgumas situadas junto a grandes aglomerados populacionais, nomeadamente próximo de Lisboa e do Porto.

"As albufeiras no interior não atraem turistas. São sítios muito quentes no Verão e frios no Inverno. Actualmente, as pessoas preferem desportos, como a canoagem, que só podem ser praticados em rios sem barragens".

in Público - 04 de Outubro de 2007

Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
A paisagem não é só paisagem

A cada momento temos escolhas, somos livres. Nos países democratas somos responsáveis (somos sempre!) pelas escolhas dos nossos governantes. O corpo físico de Portugal, a natureza, tem sido sacrificado ao valor lucro, um erro semelhante ao de não comprar uma máscara para trabalhar com pó. Os interesses imediatos não podem pôr em causa o futuro. Haja bom senso!
Assinei a petição anti-barragem para que se medite sobre que se quer fazer ao Vale do Tâmega e às suas populações. E se se quer inundar as fisgas do Ermelo.

José António Miranda, in O Tirsense - 20 de Novembro de 2008

TÂMEGA: BARRAGENS PODEM AUMENTAR POLUIÇÃO

TÂMEGA: BARRAGENS PODEM AUMENTAR POLUIÇÃO

As quatro barragens previstas para o rio Tâmega podem provocar um desastre ambiental devido à poluição do rio, alertou à RR Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Para o especialista, o caso mais grave é o da barragem de Fridão que pode agravar o ambiente na cidade de Amarante. O Tâmega é dos cursos de águas internacionais que apresenta um maior grau de poluição em Portugal.

in Tribuna Médica Press - 22 de Abril de 2008

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

IBERDROLA apresenta na FEUP programa hidroeléctrico para o Tâmega

FEUP - Dia 3 de Fevereiro 2009, pelas 10h00
IBERDROLA apresenta programa hidroeléctrico do Tâmega

No próximo dia 3 de Fevereiro de 2009, às 10 horas, na sala B032, a FEUP irá acolher uma sessão de divulgação promovida pela IBERDROLA com o objectivo de dar a conhecer à comunidade científica da Universidade do Porto as linhas mestras e as principais características do programa dos quatro aproveitamentos hidroeléctricos no rio Tâmega (Alto Tâmega/Vidago, Padroselos, Gouvães e Daivões), assim como o respectivo Estudo de Impacto Ambiental e anteprojecto.

Nesta sessão, cuja abertura ficará a cargo do Reitor da U. Porto, Prof. José Marques dos Santos, estarão presentes os seguintes responsáveis da IBERDROLA:

Dr. Joaquim Pina Moura
Presidente do Conselho de Administração da Iberdrola Portugal

Prof. Fernando Pacheco
Administrador executivo da Iberdrola Portugal

Eng.º Baldomero Navalon
Director de Negócio Hídrico da Iberdrola Generación

Eng.º Enrique Sola
Director de Produção Hídrica da Iberdrola Generación

Recorde-se que o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) é um programa nacional lançado pelo Governo para a construção e exploração de aproveitamentos hidroeléctricos. Este Programa está em fase de implementação, tendo já sido efectuada a avaliação ambiental estratégica e lançados e concluídos os concursos públicos para selecção das entidades que construirão e explorarão os dez aproveitamentos hidroeléctricos que dão corpo ao PNBEPH.

Tratando-se de investimentos estruturantes, com relevância energética, ambiental e económica e com impactos sociais importantes a nível local - designadamente ao nível da promoção da actividade económica e do emprego -, estes temas revestem-se de elevado interesse não só junto da população, empresas e organizações não governamentais, e particularmente junto da Comunidade científica e académica.

in FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

PNBEPH - A construção da barragem de Padroselos depende muito de nós

PNBEPH - Barragem de Padroselos
Ponto de situação

O Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico já foi aprovado. A construção da barragem de Padroselos está prevista neste Programa. Aparentemente, não nos restará senão chorar sobre leite derramado. Mas não. Não é assim. A efectiva construção da barragem será necessariamente precedida de um processo de Avaliação de Impacte Ambiental. O que aconteceu até agora, como previsto na legislação em vigor, foi a elaboração e discussão pública de um estudo de avaliação ambiental estratégica. Feito a correr, displicente, versou, como se diria na gíria militar, sobre espingardas e culatras. Já aqui se fez referência, por exemplo, à ligeireza quase ostensiva do estudo, que aponta como «provável» a existência de enguias em cursos de água onde a enguia é abundante e conhecido e corrente recurso gastronómico local.

Resta-nos, portanto, estar atentos e não fazer como fizemos neste processo de consulta pública que teve três sessões de esclarecimento (em Lisboa, em Coimbra e no Porto…), e no âmbito do qual se contabilizou uma participação de cerca de 0,001% de portugueses (ou seja: por cada milhão de portugueses registaram-se dez participações…). Sobre a barragem de Padroselos em concreto, imagine-se – nem um único comentário, um único, em todo este processo de consulta pública, foi produzido…

A nossa democracia tem as limitações que se conhecem. É certo que a aprovação do Programa contou com a nossa distracção, o nosso alheamento. Mas isso não justifica choradinhos. Vem aí um Estudo de Impacte Ambiental e o respectivo processo de Avaliação. Vamos ter a possibilidade de participar, de ser rigorosos e exigir rigor, de questionar, de intervir. Até agora – não obstante o carácter de irreversibilidade que o discurso oficial tem vindo a enfatizar – o que aconteceu foi a aprovação de um Programa geral, estratégico. Falta o essencial: a avaliação de cada aproveitamento hidroeléctrico em concreto.

É este o ponto de situação: a construção ou não da barragem dependerá em muito de nós; do que nós quisermos; da capacidade que tivermos de questionar propostas e rebater argumentos. Exige-se-nos, pois, que permaneçamos atentos, vigilantes. Actuantes.

Pela minha parte, a falta de actualizações do blog reflecte algum desânimo perante a falta de participação dos leitores e de amigos com quem jurei essa vigilância. É um intervalo. Breve. Mas não se desarmará. Um grão de areia é um grão de areia. E este blog será, no mínimo, esse minúsculo grão num processo que, a ir até ao fim, nos haveria no futuro de envergonhar a todos.

José Carlos Barros, in Negrilho - 30 de Janeiro de 2008

PNBEPH - Grupo de cidadãos está conta a construção da barragem de Padroselos

Cidadãos contra a construção da Barragem de Padroselos

Um grupo de cidadãos está a organizar-se no sentido de evitar a construção da Barragem de Padroselos em Boticas.

Este é uma das estruturas prevista para a rede hidroeléctrica nacional, que o Governo está a implementar. Mas nem toda a gente concorda com este empreendimento, pelas consequências ambientais que representa.

José Carlos Barros, natural do alto Tâmega e actualmente vereador do ambiente da câmara municipal de Vila Real de Santo António, não quer ver uma barragem no rio Bessa e afirma que o estudo de avaliação ambiental estratégica, obrigatório por lei é “absolutamente desastroso”. No documento pode-se ler que “não foi confirmada a presença de qualquer espécie com estatuto de conservação elevado, embora seja provável a presença da enguia”, quando, segundo José Carlos Bessa, “toda a gente sabe que há muita enguia naquele rio”, o mesmo acontecendo com a truta, que “nem sequer é referida no estudo”.

A criação de uma barragem em Padroselos poderá também trazer consequências ao nível do Turismo rural e de natureza, que poderia trazer “maiores benefícios” à área envolvente ao rio Bessa, com o aproveitamento dos “recursos endógenos, como a paisagem”.

in Vila Real on Line - 19 de Dezembro de 2007