domingo, 4 de janeiro de 2009

A BARRAGEM DE FRIDÃO, A EDP E O MERCADO MOBILIÁRIO






INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA
EDP VENCE CONCURSO PARA CONSTRUÇÃO DE CENTRAIS HIDROELÉCTRICAS DE FRIDÃO E ALVITO

Lisboa, 17 de Julho de 2008

Nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários, a EDP - Energias de Portugal, S.A. (EDP) informa o mercado e o público em geral acerca do seguinte: ... (ler o restante comunicado aqui)

OBS:
«(…) a EDP progrediu 1,42% para os 3,56 euros, depois de ontem ter anunciado a sua vitória nos concursos para construção das barragens do Alvito e do Fridão. (…)»
Ler em: «PSI 20 encerra em alta superior a 3% com títulos da Banca em destaque»
in Diário Económico – Nacional/Mercados – 2008-07-18 16:43

Parecer da Quercus – Núcleo Regional de Vila Real, relativamente ao Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico










Parecer da Quercus ANCN – Núcleo Regional de Vila Real, relativamente ao Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico

O governo português tem em fase mais ou menos adiantada um plano, que designou por "Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico" com o qual visa construír nos próximos anos 10 barragens de grande dimensão no território nacional. Apresentamos de seguida a nossa posição relativamente a este plano.

1. Aspectos gerais sobre as barragens e seus impactos

De uma forma geral não somos favoráveis à construção de barragens de grandes dimensões porque, muitas vezes, os seus efeitos positivos que são o aproveitamento hidroeléctrico, o aproveitamento hídrico e a possível regularização de cursos de água, são, muitas vezes, largamente suplantados pelos seus efeitos negativos, a saber:

§ Desaparecimento de belíssimas paisagens

§ Desaparecimento de explorações agrícolas de eleição.

§ Desaparecimento de património histórico e cultural inestimável.

§ Danos ecológicos irreparáveis

§ Biodiversidade gravemente afectada

Por outro lado, consideramos falaciosos determinados argumentos que vemos recorrentemente apregoados por quem pretende construir as barragens:

Criação de empregos na região? Para nós o tipo de emprego que realmente favorece as regiões é aquele que é sustentado no tempo. Sendo assim, não consideramos vantagem significativa para as regiões o emprego ligado à construção civil, que pode ser gerado durante a fase da construção. Acresce o facto de a maioria dos empreiteiros, e respectivos sub-contratados, empregarem na maioria das vezes mão-de-obra estrangeira que não se estabelece. Durante a fase de operação das barragens, hoje em dia fortemente automatizadas, os poucos empregos gerados são de caracter técnico, especializado ou superior, que normalmente é recrutado no litoral. O contrário é verdade, perdem-se empregos, em consequência do desaparecimento de terrenos, agrícolas ou não, ficando os proprietários e sobretudo os seus descendentes, sem qualquer referência na região que os faça permanecer.

Dinamização do turismo na região? Normalmente o que acontece no período seguinte à instalação de uma grande barragem, é que uma zona com excelentes características paisagísticas e dehabitat é inundada com uma massa de água, incaracterística no local. Dependendo da variação do nível da água da albufeira, que por vezes é acentuada, forma-se uma faixa de terreno lamacenta a ladear a margem, na qual nenhuma vegetação se consegue estabelecer, muito pouco estética. As inúmeras barragens já existentes no país, retirando alguns casos pontuais, como por exemplo a do Azibo, não justificam considerar-se o turismo como uma mais valia natural deste tipo de empreendimentos.

As barragens não contribuem para o aquecimento global? Não é verdade por vários motivos. A acumulação de grandes volumes de água pode originar substancial libertação de metano, causado por fenómenos de eutrofização de material acumulado no fundo. Ora o metano é um gás bem mais potente que o dióxido de carbono no efeito de estufa. Por outro lado cálculos recentes apontam para emissões na ordem dos 10g CO2 - equivalente por khw produzido nas barragens europeias, sendo que 70% deste valor está associado ao período de construção. Por outro lado as áreas inundadas deixam de poder funcionar como sumidouros naturais de CO2. Quanto a nós a contabilidade ao que se ganha nas emissões teria de ser feita desta forma.

No plano apresentado pelo governo, temos extremas reservas relativamente a duas barragens que se situam dentro da área de actuação do Núcleo.

2. O caso da barragem do Foz Tua

No caso da barragem do Foz Tua existem quase todos os impactos negativos que associamos às barragens de grande dimensão. Por um lado ocorrerá a supressão pura e simples daquele que nós consideramos ser talvez o mais belo vale de toda a bacia do Douro, com grande parte da sua paisagem centenária e ecossistemas ainda intactos. A perda desta grande beleza paisagística, transversal a alguns concelhos, constituirá um empobrecimento da região. A eliminação do mapa de uma das linhas de faixa estreita mais belas do mundo – considerada assim por associações de amigos dos caminhos-de-ferro de todo o mundo – constituirá uma perda irreparável, quer de um aproveitamento turístico sustentável, uma vez que linhas com estas características são muito procuradas para lazer, quer de uma futura ligação ferroviária na região, no âmbito de políticas de transporte mais amigas do ambiente, que se possam querer encetar no futuro. Do mapa serão também riscados importantes locais de cultura e lazer. São exemplo as termas de S. Lourenço, com água quente sulfurosa que brota dos pés da estátua medieval do mesmo santo, onde se tomam banhos medicinais, num edifício de forma invulgar, e as Caldas de Carlão (concelho de Alijó), onde se manifesta algum do vulcanismo da região, estas já com instalações modernas de hidroterapia. Seria também submergida a praia fluvial no Tinhela, adjacente às Caldas de Carlão, com arvoredo que lembra o Choupal em Coimbra. Do ponto de vista ecológico e paisagístico, afigura-se-nos impensável, o buraco de dimensões épicas que teria de ser feito, entre o local da barragem e a verdadeira foz do Tua, locais separados por cerca de 300 metros, para viabilizar o mecanismo de contra-embalse previsto, o qual visa aumentar a produtividade da barragem. A foz do Tua é uma zona de grande sensibilidade ambiental que seria, pura e simplesmente, arrasada. Com esta barragem, o Estado português faz tábua rasa da diversidade biológica, violando assim compromissos assumidos na União Europeia, nomeadamente a Estratégia Pan-Europeia da Diversidade Biológica e Paisagística. Pelos motivos já citados, acreditamos que a construção da barragem do Foz Tua teria impactos muito negativos ao nível da paisagem, da ecologia e do património, inviabilizando uma verdadeira exploração turística dos concelhos, constituindo assim um empobrecimento significativo da região e contribuindo para a desertificação humana destes locais. Os benefícios apontados afiguram-se-nos demasiado escassos para contrapor aos aspectos negativos identificados.

3. As barragens do Tâmega

No caso das Barragens situadas na Bacia do Tâmega, duas delas situam-se no curso principal - Vidagos e Fridão - e os seus impactes serão de elevado vulto. É preciso recordar que, tal como consta no Plano de Bacia do Douro, este curso de água se encontra fortemente eutrofizado. Consequentemente, o seu represamento vai diminuir ainda a sua capacidade de auto-depuração, aumentando as consequências nefastas da poluição. Repare-se que a albufeira do Torrão, situada na parte terminal deste rio apresenta já extensos desenvolvimentos de cianobactérias que põem em causa o abastecimento público e mesmo o contacto directo. Avançar com barragens nestas condições ambientais irá colidir com a Directiva Quadro da Água (DQA) que obriga a inverter o processo de degradação, para se obter o “bom estado ecológico” e não a incrementá-lo. E não será necessário referir pormenorizadamente o que significará para a cidade de Amarante ter a zona peri-urbana, de grande interesse recreativo, inundada pela nova albufeira, de grandes dimensões (perto de 200 hm3), que irá destruir uma galeria ribeirinha de grande interesse em termos de biodiversidade e aumentar os níveis de contaminação do rio que já se verificam nesta cidade. A própria barragem de Gouvães, situada no Rio Torno, é inaceitável dado que para aumentar os caudais turbinados por este empreendimento se prevê desviar os caudais da cabeceira do Rio Olo. Ora este rio representa o eixo do Parque Natural do Alvão que se desenvolve ao longo do seu vale, além de representar um dos ecossistemas aquáticos mais bem conservados do Norte de Portugal. Mais vale nestas condições eliminar o próprio Parque. Até porque as barragens e albufeiras vão colidir com a própria mobilidade e habitat do lobo ibérico nesta área, além de muitas outras espécies de grande interesse conservacionista (toupeira de água, lontra, panjorca, etc.).

4. Que estratégia energética para o país?

Somos da opinião que o tema subjacente à construção de barragens, que o governo português agora coloca, é de âmbito mais lato, enquadrando-se na estratégia energética para o país. Tal como é dito no plano apresentado, “o consumo de energia em Portugal tem vindo a aumentar significativamente nos últimos anos, continuando a crescer acima da média europeia e mantendo-se uma elevada dependência do exterior”. No entanto o crescimento económico do país tem-se processado abaixo da média europeia, o que evidencia graves problemas de ineficiência energética. A má relação entre o consumo energético do país e o seu produto interno bruto, para o qual muito contribui, como se sabe, o sector do transporte automóvel, foi fomentado nas últimas décadas pelos sucessivos governos, ao efectuarem uma clara aposta no transporte rodoviário, e no retrocesso, e mesmo desintegração, da rede ferroviária nacional, como se sabe o transporte de melhores características ao nível da eficiência energética e dos impactos ambientais.

Achamos que o que faria sentido neste momento seria um “Plano Nacional para a Poupança e Eficiência Energética”, uma vez que a energia mais barata é aquela que evitarmos consumir. Uma aposta séria do governo neste sector é urgente, dado que a poupança e eficiência energética acabam por ter os efeitos benéficos que se pretendem para a economia portuguesa, sem ferir minimamente os nossos recursos naturais e ambientais. Aliás, consideramos que o Estado português deve assumir a sua responsabilidade na situação actual do país relativamente ao exagerado consumo energético quando comparado com a produtividade, uma vez que foram as políticas seguidas nos últimos 20 anos que nos fizeram chegar a esta situação, e encontrar formas de começar a reverter a situação, em vez de se lançar sempre no aumento da produção energética e incentivando depois o seu consumo, construindo auto-estradas, centros comerciais (que consomem tanta energia quanto pequenas cidades e não produzem 1 KW que seja do que consomem) etc., numa espiral infindável de aumento de produção e consumo. O Estado português, aliás, concordou, com os restantes países europeus, num objectivo de economia energética de 20% até 2020, de acordo com o plano de acção da Comissão para a eficiência energética

Ao nível da produção energética por renováveis, mas de baixo impacto ambiental, consideramos existir muito a fazer no nosso país, sendo que as barragens de grande dimensão, pelos enormes impactos negativos que acarretam, deveriam ser apenas o último recurso. Desde o reforço da capacidade dos geradores das barragens existentes, melhorar a capacidade de armazenamento das eólicas, para as quais sabemos existirem já soluções técnicas que não passam pela construção de mega-barragens, e a exploração do grande filão, esse sim com potencialidade para impulsionar a economia portuguesa ao nível do emprego, da produção e das exportações que é o filão da micro-geração eólica e fotovoltaica.

Parece-nos que esta clara aposta do governo português visa sobretudo satisfazer os lobbies das empresas de energia de âmbito nacional e ibérico, fomentando a grande acumulação de recursos financeiros em certos sectores minoritários da sociedade, através de mega-empreendimentos. Em momento algum concordaremos com uma visão tão redutora do futuro da produção energética nacional, pensada sobretudo à custa de mega-produções localizadas, com grandes impactos paisagísticos, ambientais e patrimoniais.

5. Plano Nacional de Barragens versus Planos de Gestão das Bacias Hidrográficas

Finalmente consideramos absolutamente inaceitável que este plano seja apresentado antes dos novos Planos de Gestão das Regiões Hidrográficas, a serem elaborados a curto trecho, quando deveria ser exactamente o contrário, dado que estes instrumentos de ordenamento, estipulados pela DQA, é que deveriam definir os cursos de água possíveis para aproveitamento hidroeléctrico em função das envolvências ambientais. Dá assim ideia que se pretendeu desde já condicionar a sua elaboração aos pressupostos decorrentes da definição antecipada destes empreendimentos.

6. Considerações finais

A nossa posição é de total desacordo com este plano porque afecta gravemente o património natural, cultural e histórico das regiões onde se inserem as barragens, particularmente as analisadas, comprometendo ainda o desenvolvimento sustentável dessas regiões

Pela Direcção da Quercus ANCN – Núcleo de Vila Real

Barragem de Fridão - Património a submergir pela albufeira

PNBEPH - Barragem de Fridão: Património a submergir
Brug-Mondim

de Frederik Thoolen

«Além desta ponte medieval, este local tem a jusante um conjunto de açude e moinhos de àgua de valor turístico importante para este Concelho de Mondim de Basto. Será tudo submergido se a cota da Barragem de Fridão a construir for de 160 m?»

Comentário feito à foto por miskunk, in Panoramio - 17 de Maio de 2008

Programa de Barragens: "Uma iniciativa atamancada e com projectos feitos à pressa"





Autarcas e técnicos duvidam que o equipamento venha alguma vez a ser concretizado

Instituto da Água congelou construção de barragem no Tejo na zona de Constância


foto

Redução da cota de 31 para 24 metros torna inviável economicamente a produção de energia eléctrica.



O Instituto da Água (INAG) congelou o processo que deveria levar à construção da Barragem do Almourol, no rio Tejo, entre Constância e Abrantes. A redução da cota da albufeira de 31 para 24 metros tornou o projecto menos apetecível a potenciais investidores e é provável que pelos menos nos anos mais próximos o assunto não saia da gaveta. Sinal disso mesmo é o facto de a barragem de Almourol ter sido retirada do pacote que envolve a construção das barragens de Fridão e Alvito, submetido a concurso público e cujas propostas foram abertas na passada semana. A EDP é a empresa melhor colocada para receber a adjudicação, mas abdicou de construir a de Almourol, cuja rentabilidade nos moldes previstos é muito duvidosa.

O processo da Barragem de Almourol nasceu torto e nunca se endireitou. Inicialmente prevista para as proximidades do castelo de Almourol, a jusante de Constância (como ainda hoje se encontra mencionado na informação mais detalhada sobre o projecto no site do INAG), depressa subiu uns cinco quilómetros rio acima, para evitar que a sua albufeira inundasse a zona baixa da vila.

Entretanto novos contratempos se anunciaram. A cota 31, inicialmente prevista, deixaria submersos os investimentos feitos na zona ribeirinha de Abrantes, onde o município investiu alguns milhões de euros. Deixaria ainda debaixo de água infraestruturas como redes de saneamento básico e estrada, bem como férteis campos de cultivo. Custos sociais e económicos que o INAG não quis assumir, tendo recuado a cota de 31 metros para 24. As infraestruturas ficaram assim a salvo, mas colocou-se em risco o interesse económico do projecto, que não conseguiu atrair investidores.

Mário Samora, o engenheiro técnico responsável pela concepção da Barragem de Almourol nos anos oitenta, diz que o lançamento deste concurso "foi um erro de casting", classificando o Plano Nacional de Barragens (PNB) como "uma iniciativa atamancada e com projectos feitos à pressa". "O Plano Nacional de Barragens foi mal feito e o facto do Governo ter lançado inicialmente o concurso para a Barragem de Almourol à cota 31 e depois terem emendado para a cota 24 é a prova disso mesmo", afirmou.

Segundo disse, "o projecto da barragem concebida nos anos oitenta era efectivamente para construir à cota 31, mas partia de pressupostos totalmente diferentes dos que hoje existem no terreno". "Estava prevista a construção de diques para proteger as zonas inundáveis entre Abrantes e Vila Franca de Xira e, com esses diques, podia fazer-se um projecto integrado que resultaria, não só na edificação da Barragem de Almourol, como também em tornar o rio Tejo navegável".

Mário Samora revelou à Agência Lusa que "até hoje nada disso foi feito e, como tal, os pressupostos para a construção desta barragem não se verificam". Dias antes da abertura das propostas já vaticinava o desfecho: "Reduzir a cota de 31 para 24 metros torna inviável a produção de energia eléctrica e não acredito que alguém concorra, até porque acima da cota 24 afogar-se-á a base da Barragem de Castelo do Bode com a consequente diminuição da sua produção".

in O Mirante - 24 de Julho de 2008

LPN - Parecer sobre o Programa Nacional de Barragens (PNBEPH)








Liga para a Protecção da Natureza
Parecer sobre o Programa Nacional de Barragens (PNBEPH)

(...)

(...) (...) Parecer da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) ao Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH)

Ambientalistas do GEOTA contra o plano de barragens para produção de electricidade




Plano do Governo está em discussão pública

Ambientalistas do GEOTA contra o plano de barragens para produção de electricidade

04.11.2007 - 22h30 Paulo Miguel Madeira

O Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) opõe-se ao plano de dez barragens para produção eléctrica do Governo no horizonte 2007-2020, ao qual tece críticas que passam pelo que considera ser a necessidade de dar prioridade a uma política de eficiência e poupança energética. Deste modo, diz, seria possível obter ganhos superiores à produção estimada decorrente deste plano.

Esta organização não governamental de ambiente considera que, com cerca de um terço do custo das dez barragens previstas, poder-se-ia poupar seis a dez por cento do consumo actual, o que representa 1,5 vezes a duas vezes a capacidade (MW) que o Governo prevê instalar com o Plano
Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), que pôs em consulta pública no início de Outubro, durante 30 dias úteis.

O GEOTA explica estas contas com o facto de o país ser um dos mais ineficientes da Europa em
termos energéticos, dizendo que a intensidade energética do PIB (a quantidade de energia necessária por cada euro produzido) tem mesmo piorado nas últimas décadas. Afirma ainda que “temos um potencial de poupança de energia eléctrica, técnico-economicamente viável, que ascende a 25 por cento dos consumos”.

O plano do Governo tem como objectivo elevar a capacidade hidroeléctrica instalada para mais de 7000 MW e prevê dez novas barragens para aproveitamento hidroeléctrico, seis das quais na bacia do Douro (um em Foz-Tua e outros cinco no Tâmega), uma no Vouga, outra no Mondego e duas no Tejo (Almourol e Alvito). Outra das críticas do GEOTA é justamente que quase metade do acréscimo de potência anunciado no plano decorrer de duas barragens já previstas (Baixo Sabor e Ribeiradio) e do reforço de potência em barragens já existentes. As novas dez barragens anunciadas vão contribuir com menos de 1100 MW.

O GEOTA, presidido por Carlos Nunes da Costa, critica também que este plano possa vir a ser aprovado antes dos planos de gestão das bacias hidrográficas previstos na Lei da Água, que consagra o princípio da bacia hidrográfica como unidade principal de planeamento e gestão das águas. Para esta organização, “o Governo está a pôr o carro à frente dos bois”.

Outro aspecto apontado é que o relatório ambiental do plano de barragens seja omisso relativamente a uma das alíneas previstas na lei, a que prevê a identificação das “características
ambientais das zonas susceptíveis de serem significativamente afectadas, os aspectos pertinentes do estado actual do ambiente e a sua provável evolução de não for aplicado” o plano. Para a organização, “todo o processo foi conduzido de forma muito apressada, duvidosa e atabalhoada, apanhando a opinião pública desprevenida”.

A bacia do Douro é considerada a grande sacrificada, pois tem “o rio principal artificializado e
quase todos os restantes altamente intervencionados” e com este plano os sistemas onde a biodiversidade ainda é relevante serão “praticamente eliminados”.

Há também críticas a aspectos do plano como a ideia de potenciação da actividade turística ou a criação de emprego na construção e operação das barragens. Para o GEOTA, barragens potenciadoras de turismo são “uma falácia para enganar autarcas incautos”, pois “Portugal está cheio de albufeiras desertas de turistas”.

Segundo esta organização, os turistas que procuram o contacto com a natureza privilegiam os
ambientes que estas barragens vão destruir, como a área envolvente da linha do Tua ou do Castelo de Almourol, enquanto “o turismo de ‘pé-de-albufeira’ é sazonal e de baixa qualidade”. Assim, “é muito provável que o impacto sobre o turismo seja altamente negativo, num domínio em que Portugal tem um potencial único”.

Quanto à criação de emprego, diz-se que a construção de uma barragem é feita sobretudo com recurso a mão-de-obra imigrante e que a sua operação, quando em funcionamento, se faz quase
automaticamente, sem gerar emprego local significativo.

Câmaras também protestam

A apreciação negativa que o GEOTA faz ao PNBEPH vem juntar-se a críticas objecções entretanto levantadas por vários autarcas, como os de Constança e Mirandela.

A Câmara de Constança, que fica na confluência do Tejo com o Zêzere, um pouco a montante de Almourol, queixou-se na semana passada (ver PÚBLICO de 31/10) de que a barragem para aqui projectada “prevê a criação de uma albufeira no Tejo e no Zêzere à cota de 31 metros”, o que, sem eventuais obras complementares, significaria a submersão “de toda a zona baixa da vila”,
ficando a Praça do Pelourinho debaixo de seis metros de água.

Mas o presidente do Instituto da Água (Inag, que promove a consulta pública), Orlando Borges, diz por seu lado que a barragem só provocará inundações nas praias fluviais da vila e que nenhuma área construída seria afectada a não ser as áreas de lazer à beira-rio. Mas adianta que “se a barragem não tiver condições para avançar será excluída deste programa”.

O presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano (PSD), considera “incompreensível” que o Governo decida avançar com a barragem de Foz-Tua, que vai submergir parte da linha do Tua, tornando-a inútil. Os cerca de 60 km que restam desta linha, que vai de Mirandela à Foz do Tua no Douro, são a única ligação ferroviária no Nordeste transmontano e ligam a região ao litoral do Porto, pois entroncam na linha do Douro.

Por seu lado, o presidente socialista da Câmara de Murça mostrou-se “apreensivo” com a
construção da barragem do Tua, por ir afectar as vinhas durienses do concelho. Disse no entanto que a barragem também poderá levar mais riqueza à região.

Declarações do presidente do GEOTA
“Garantir trabalho às construtoras”
04.11.2007 - 22h30 Paulo Miguel Madeira

O presidente do GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente), Carlos Nunes da Costa, atribui o lançamento do plano de barragens do Governo “a neste momento ser necessário garantir às construtoras uma carteira de obras a longo prazo”. Isto porque os
projectos da alta-velocidade ferroviária (TGV) e do novo aeroporto de Lisboa estarem em banho-maria, explicou em conversa com o PÚBLICO.

A propósito de declarações do eurodeputado socialista Francisco Assis a opor-se à construção da barragem de Fridão (no Tâmega) e do presidente do Instituto da Águia a admitir a
possibilidade de a barragem de Almourol não ir para a frente, questiona: “Onde é que está a avaliação integrada das barragens se já se começou a admitir retirar uma ou outra?”

Nunes da Costa elogiou ao Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico
(PNBEPH) o facto de avançar com uma avaliação ambiental estratégica, o que acontece pela primeira vez (a respectiva legislação data do Verão), mas aponta que foram “queimadas várias etapas”, com “o propósito de obter um resultado rápido”.

Pedro Jorge Pereira, in Gaia - 05 de Novembro de 2007

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

PNBEPH - Barragem de Fridão: Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

PNBEPH - Barragem de Fridão
Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

Paulo Vieira disse...

Já fui favorável à construção de barragens no Tâmega mas foi antes de conhecer a realidade do Fridão e de me debruçar verdadeiramente sobre a questão ambiental

Da mesma forma que eu mudei de opinião muitas pessoas o poderão fazer mas para tal é necessãrio discutir o assunto e nesta discussão o teu contributo tem sido notável, aqui no blog e agora com esta tomada de decisão. É muito importante que esta discussão não fique pelas mesas de café.

Grande Vítor, és o Alegre da democracia local.

Mais democracia, menos Yes Man's


Paulo Vieira, comentário in Mal Maior - 31 de Dezembro de 2008

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens: Testemunho de apoio à «Causa» do Tâmega livre de barragens

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
Testemunho de apoio à «Causa» do Tâmega livre de barragens

Olá, Sou Natural de Arco de Baúlhe, mas trabalho em Lisboa. Não concordo com as barragens e estou disponível para tudo o que estiver ao meu alcance para mudar o rumo a esta desastrosa ideia. Obrigado pelo bom trabalho desempenhado, para algo que desconhecia completamente. Temos de acordar o País para este desastre!
 
João Machado

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe aprovou voto de protesto: ARCO DE BAÚLHE CONTRA AS BARRAGENS NO TÂMEGA

ASSEMBLEIA DE FREGUESIA APROVOU VOTO DE PROTESTO
ARCO DE BAÚLHE CONTRA AS BARRAGENS NO TÂMEGA









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Na passada sessão de Dezembro (29) de 2008 a Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto) aprovou um Voto de Protesto contra as incidências que resultarão em Basto com a aplicação do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH).

A iniciativa proponente partiu do 1.º secretário da Mesa da Assembleia de Freguesia, eleito pelo Partido Socialista, Vítor Pimenta, activo fundador do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega.

Pelo valor documental da proposta, que pesa e interpreta plenamente o quanto de nefasto o PNBEPH arrasta para todo o vale do Tâmega (nomeadamente pela anunciada construção de uma barragem em Fridão–Amarante, e pelo transvase das águas do rio Olo), segue o texto na sua versão integral:


«VOTO DE PROTESTO
Cara Presidente e membros da Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe.
No dia 4 de Outubro de 2007, o Governo lançou o Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) com o objectivo de reduzir a dependência energética externa do país, aumentando o aproveitamento do potencial hídrico dos actuais 46 para 70 %, e com isto também reduzir as emissões de gases com efeitos de estufa, no sentido das exigências do Protocolo de Quioto.

Das 10 (dez) Barragens previstas pelo PNBEPH, 5 (cinco) serão na bacia do Tâmega, e foram já lançadas no passado mês de Abril, num investimento previsto a rondar os 1200 milhões de euros só aí, para a construção das barragens que vão frenar o rio Tâmega e afluentes em quase toda a sua extensão. Toda a paisagem natural e cultural do Vale do Tâmega, o qual compreende a Região de Basto, vai sofrer uma modificação dramática e irreversível, cujas consequências ainda não foram bem explanadas nos inúmeros relatórios ambientais e económicos disponibilizados pelo Governo no seu Portal da Web e no site do Instituto da Água, IP (INAG).

É minha convicção pessoal, depois de ler, ouvir e discutir com diversas pessoas, nomeadamente técnicos com carreira académica e de organizações ambientalistas que o PNBEPH é um erro estratégico no solucionamento do problema da Energia em Portugal. Se não vejamos, assim que concluído em 2020, segundo o prazo estipulado, o PNBEPH terá acrescentado um máximo de 5% na produção eléctrica nacional, quando, segundo relatórios comunitários, a procura de energia em Portugal cresce anualmente à razão dupla do crescimento do PIB. Isto significa que em poucos anos o retorno será rapidamente anulado, não representando o tal efeito positivo na factura energética que tanto se anuncia.

E isto, apesar das perdas na Biodiversidade, na qualidade de vida das populações, nos recursos naturais e culturais da nossa Região, do Vale do Tâmega, que é a mais pobre da Europa segundo a Rede Europeia Anti-Pobreza.

Arco de Baúlhe, é uma freguesia encostada ao Tâmega e por isso esta questão não pode passar ao lado. Com a construção da Barragem de Fridão (Amarante) cuja albufeira atingirá a nossas margens, teme-se uma perda séria da qualidade de vida e ambiental na nossa terra. Com um rio Tâmega que vindo poluído desde Espanha, que sorve ainda grande parte dos efluentes domésticos, agrícolas e industriais das povoações – exemplificado na falta de qualidade balnear da praia fluvial do Caneiro – há risco muito real de eutrofização das suas águas paradas pelo complexo de Barragens. Este problema é até apontado num relatório ambiental do INAG.

A acumulação excessiva de nutrientes, derivados do fósforo e nitratos, causará uma proliferação excessiva de algas, que, em decomposição, levam ao aumento do número de microrganismos e à consequente deterioração da qualidade da massa de água, com a morte de espécies de plantas, de peixes e outros animais, gerando um desequilíbrio praticamente irreversível no ecossistema da região.

Este desastre ambiental é já observado a jusante, na Barragem do Torrão, onde também se verifica, como seria de esperar, uma degradação da actividade agrícola, da qualidade do ar com a produção de gases tóxicos, contaminação de nascentes de água e aumento de pragas, com maior necessidade de uso de insecticidas por parte dos agricultores. Não será por acaso que médicos locais registaram um aumento anormal de casos osteoporose e leishmaniose – doença que afecta cães e seres humanos, causada por um protozoário (microorganismo) transmitido pelo mosquito.

É isto que as populações podem esperar se este plano for avante: uma pior qualidade de vida. E mesmo a promessa de postos de trabalho é uma falácia vendida à boca cheia. Salvo raríssimas excepções, nenhuma barragem gera emprego permanente na economia local, quer directa quer indirectamente, que justifique o património humano e material sacrificado com a sua construção. Mais, com as alterações ambientais, microclimáticas e com as perdas de valores patrimoniais, alguns deles classificados, e vias de comunicação, perde-se muito do nosso potencial turístico e dinâmica económica da região. A produção agrícola, da qual o Vinho Verde é exemplo, será seriamente afectada.

Face a esta perspectiva nebulosa, creio que a população desta Região merece ser ouvida nas decisões que tomam à sua revelia, merece ser auscultada sobre o seu futuro, e merece sobretudo outros investimentos. O País, com graves indicadores de desperdício energético, necessita de apostar em políticas sérias de eficiência que, com menos custos, poderiam reduzir a sua dependência em 40 %. O País, deve largar o paradigma errado e atrasado das Barragens, que só serve corporações insensíveis do Sector da Energia, do Cimento e da Construção, com os seus impactos negativos no ambiente, e apostar claramente nas Energias Alternativas: Solar, Geotérmica, Éolica e das Marés.

É por estes motivos, que me manifesto publicamente contra este Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico e a sua implementação no Vale do Tâmega.

É por estes motivos que proponho à votação nesta Assembleia de Freguesia, de um Voto de Protesto contra a Construção de Barragem em Fridão e restante Bacia do Tâmega, que, a ser aprovado, deverá ser comunicado à Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto e ao Governo da República Portuguesa.

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Vítor Filipe Oliveira Gonçalves Pimenta
29 de Dezembro de 2008»



ARCO DE BAÚLHE CONTRA A BARRAGEM DE FRIDÃO

Depois da leitura da proposta ao plenário da freguesia, seguiu-se uma discussão participada em que se esgrimiram argumentos pró e contra o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, tendo sido abordadas expectativas de oportunidades de emprego, energia, turismo e qualidade de vida das populações.

O Presidente da Junta de Arco de Baúlhe, Armando Duro, referiu que a Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto já se pronunciara favoravelmente à construção das barragens no Tâmega, e que o processo dificilmente seria reversível. No entanto, quando colocada à votação, a proposta de Vítor Pimenta foi aprovada com o seu voto favorável e dos dois membros do PSD, obtendo também 3 votos contra e 2 abstenções dos restantes membros do PS, tendo o desempate sido anulado com o voto de qualidade da Presidente da Assembleia de Freguesia, Marisa Conde e Sousa.


A Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe tem agora uma posição própria sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, contrário à a construção de barragens no rio Tâmega, e expressamente contra a construção da Barragem de Fridão, projectada para o concelho de Amarante.


Estão criadas as condições para que a matéria das barragens no Tâmega chegue às instâncias municipais de Cabeceiras de Basto com o equilíbrio da fundamentação e dos argumentos invocados por Vítor Pimenta na Assembleia de Freguesia de Arco de Baúlhe, de modo a proporcionar o esclarecimento, o debate e participação cívica das gentes da Região de Basto e do vale do Tâmega, sendo de augurar que nos órgãos representativos de Cabeceiras de Basto prevaleça a defesa do Interesse Público local e regional quanto ao que a este assunto interessa ter em conta.


José Emanuel Queirós (Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega)
Amarante, 29 de Dezembro de 2008

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

RIO TÂMEGA - Cabeceiras de Basto: Entrevista com o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega»





RIO TÂMEGA - Cabeceiras de Basto
Entrevista com o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega»



Marco Gomes e Vítor Pimenta, in Rádio Voz de Basto - 26 de Dezembro de 2008
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

PNBEPH - CASCATA DO TÂMEGA: Barragens poderão afectar Fisgas de Ermelo






PNBEPH - CASCATA DO TÂMEGA
Barragens poderão afectar fisgas de Ermelo

A maior queda de água de Portugal - as fisgas de Ermelo - localizada no Parque Natural do Alvão, poderá "ser seriamente" afectada com a construção da barragem de Gouvães, alertou um especialista da Universidade de Vila Real.

Rui Cortes, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista da área do ambiente, afirmou à Agência Lusa que a construção de quatro barragens na bacia hidrográfica do Tâmega e de três derivações de cursos de água vão "alterar completamente" a zona envolvente a este rio e até mesmo o Parque Natural do Alvão (PNA).

Uma dessas derivações, refere, é o rio Olo, que alimenta as Fisgas de Ermelo, aquelas que são consideradas como as maiores quedas de água de Portugal e uma das maiores da Europa, anualmente visitadas por milhares de pessoas.

O projecto das quatro barragens da "cascata do Tâmega" - Alto Tâmega, Daivões, Padroselos e Gouvães - foi adjudicado ao grupo espanhol Iberdrola, que abriu concurso público para escolher a empresa que vai efectuar o Estudo de Impacte Ambiental (EIA). Estes empreendimentos fazem parte do Plano Nacional de Barragens anunciado pelo Governo de José Sócrates.

Segundo explicou o especialista, a barragem de Gouvães, a construir no rio Torno, vai derivar água de dois afluentes, o Olo - na zona a montante das Fisgas - e Alvadia. "Ou seja, o caudal que actualmente alimenta as fisgas será reduzido ao mínimo, afectando seriamente esta queda de água, que desaparecerá nos moldes em que a conhecemos actualmente, e o próprio PNA", sublinhou o responsável.

Rui Cortes diz que não está a por em causa a construção da barragem, mas sim a derivação de água do Olo. Por isso mesmo, o especialista espera que esta situação seja resolvida em sede do EIA.

As Fisgas de Ermelo estão localizadas na freguesia de Ermelo, Mondim de Basto, e possuem um desnível que se estende ao longo de 200 metros de extensão, separando as zonas graníticas das xistosas das terras envolventes.

Contactado pela Agência Lusa, o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), responsável pelo PNA, referiu que se vai pronunciar sobre o assunto em sede do EIA.
Mas, Rui Cortes vai mais longe e diz que a construção das quatro barragens vai transformar o rio Tâmega "praticamente num grande albufeira" com cerca de 150 quilómetros, desde a fronteira, em Espanha, até Amarante. A tudo isto vai ser acrescentada, mais tarde, a construção de uma outra barragem - a de Fridão - próxima de Amarante. Cortes salientou ainda que a construção destas barragens vai afectar "parte das vilas de Mondim de Basto e Ribeira de Pena e mais de 10 aldeias ribeirinhas" deste território.

Ao contrário da barragem do Fridão, contestada pela população de Amarante, as restantes quatro, foram apoiadas pelos autarcas do Alto Tâmega (Chaves, Boticas, VP Aguiar, Valpaços, R. Pena e Montalegre), que, conjuntamente com a EDP, concorreram à construção das mesmas.

in
Jornal de Notícias

domingo, 21 de dezembro de 2008

Humor anti-barragista

Humor anti-barragista


























 
 

«Querida, podes ligar a água?»




























«Diz "Cuidado: a água que sai desta torneira poderá estar sobre alta pressão".»


 
 

sábado, 20 de dezembro de 2008

PNBEPH - Barragem de Fridão: Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

PNBEPH - Barragem de Fridão
Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

Carlos Leite disse...

Boas Caros, fiquei contente por ver aqui, um fragmento de um post meu... mas quero reforçar aqui, o meu entusiasmo e a esperança que deposito neste movimento, que espero que seja útil para a nossa terra. 

E como digo espero mesmo que se estendam muito além das barragens, principalmente na apresentação de estratégias viáveis e sérias para o desenvolvimento do Vale do Tâmega (região mais pobre da Europa)... é preciso a união e a presença de todos. 

Temos que ouvir e apresentar opinião publica, é preciso pensar o Tâmega, é preciso Pensar Basto... e indiferente à região é preciso pensar, é preciso Pensar em ideias para engravidar esta terra de alegria e caçar os sorrisos da sua população.

Um bem-haja meus caros... espero por iniciativas... e contem com os meus humildes pensamentos...


Carlos Leite, comentário in Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega - 20 de Dezembro de 2008

Contra a construção da Barragem de Fridão...- Movimento cívico quer salvar o Tâmega e a vida no Olo




Contra a construção da Barragem de Fridão...
Movimento cívico quer salvar o Tâmega e a vida no Olo



Movimento de Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega conta com cidadãos de Amarante, Cabeceiras, Celorico e Mondim de Basto. No passado dia 28 de Novembro, na cidade de Amarante, efectuou-se uma conferência de imprensa de apresentação do Manifesto do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega. Este movimento composto por cidadãos de Amarante, Cabeceiras, Celorico e Mondim de Basto, asseverou, pela voz de José Emanuel Queirós, as razões da contestação ao que o «Programa Nacional de Barragens (PNBEPH)» reserva para Amarante e para a Região de Basto. Em causa está a transformação do rio Tâmega numa albufeira (com quase 150 km de extensão) desde a fronteira com Espanha até ao concelho de Amarante, para aproveitamento hídrico pelas grandes empresas de produção eléctrica.

Este movimento denuncia, também, a possibilidade das cinco barragens, a construir na sub-bacia do rio Tâmega, "artificializarem" o rio, acelerar o processo de eutrofização, destruir o equilíbrio dos ecossistemas e interromper a vida natural, tal como a conhecemos, em torno do rio. Nomeadamente, na Região de Bastom a contestação do "Programa Nacional de Barragens" é reforçada com a possibilidade das famosas cascatas das "Fisgas de Ermelo", uma das maiores cascatas naturais da Europa, e os campos agrícolas mais férteis da Região de Basto desaparecerem com a subida das águas.

A qualidade de vida e de vivência nesta Região de Basto está inequivocamente ameaçada com este projecto, segundo o manifesto deste «Movimento» de cidadãos.

O «Movimento» reforçou que este empreendimento [construção das barragens] que suporta este programa não trará desenvolvimento para a bacia do Tâmega.

«É, simplesmente, um "retrocesso" ambiental e que visa apenas satisfazer as "apetências" das grandes multinacionais em nome de um desenvolvimento sustentável». Referindo como exemplo o "não-desenvolvimento" ligado à barragem de Torrão (Amarante) no curso do rio Tâmega.

Petição na Internet contra a Barragem já tem mais de 1300 assinaturas.

José Emanuel Queirós sustenta que «O "programa" em curso - totalmente feito em gabinete a partir de Lisboa - do ponto de vista técnico e científico é um logro (...)» e que o «Programa Nacional de Barragens» constitui, do ponto de vista ambiental e do desenvolvimento sustentável - por via da exploração exaustiva e massificada da água dos rios (do Tâmega, em particular) - uma verdadeira «patranha».

Este «Movimento» define-se como um «Movimento» de cidadãos sem qualquer conotação política, de todas idades e estratos sociais unidos na causa «Salvar o Tâmega e a vida no Olo». Causa esta, que surgiu como resposta ao "irresponsável" e "incompreensível" "silêncio" dos órgãos governativos do vale do Tâmega.


Defendem que a solidariedade local e regional em torno da causa «Salvar o Tâmega e a vida no Olo» é decisiva para a defesa do rio e da vida que dele brota. Contra o "silêncio" institucional regional, o «Movimento» propõe-se a alertar os órgãos de soberania portugueses e as populações afectadas para esta problemática. De facto existe uma petição na Internet (http://www.petitiononline.com/PABA/petition.html), com mais de 1300 assinaturas recolhidas (até ao momento), para atingir este objectivo.

Para José Emanuel Queirós, porta-voz do movimento anti-barragem, é importante transmitir às populações da bacia do Tâmega «que nada está decidido e que o processo de construção da barragem pode ser revertido».

No dia 3 de Dezembro uma delegação do «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega» dirigiu-se a Marco de Canaveses onde entregou um exemplar do Manifesto Anti-Barragem ao presidente da República Cavaco Silva. Um acontecimento que serviu para sensibilizar o presidente para esta causa.

in Jornal O Basto - 20 de Dezembro de 2008

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Rádio Clube Português (Braga): Entrevista com o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega»







Rádio Clube Português (Braga)
Entrevista com o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega»

..................................................................................MCDT - entrevista
José Emanuel Queirós, in Rádio Clube Português (Braga) - 18 de Dezembro de 2008
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

Mensagens de apoio à nossa «Causa» na "blogosfera"

Carlos Leite disse...


«(...) Caros Leitores onde estão nas Terras de Basto este envolvimento da população, nas matérias de desenvolvimento?
Quero dar um Bem-haja ao aparecimento do MOVIMENTO CIDADANIA PARA O DESENVOLVIMENTO NO TÂMEGA , e que a sua força se estenda alem da questão das barragens, por isso faço um apelo aos leitores para também se envolverem neste tipo de iniciativa ou criar novas alternativas concertadas para propor e participar em debates que visem o desenvolvimento desta terra.»

Carlos Leite, in Pensar Basto - 16 de Dezembro de 2008

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens: Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
Mensagem de apoio à «Causa» do Tâmega na "blogosfera"

Abraço esta causa e espero com esta minha postagem dê mais ampla expressão nacional. Segue-se o texto e a petição. (...)

Em face da brutal acção política do Governo contra o Tâmega/Olo e as suas populações, contida no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, e da manifesta incapacidade reconhecida nos órgãos do poder local (câmaras e assembleias municipais) se oporem a tal investida, um grupo alargado de cidadãos dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Mondim de Basto, tomaram em mãos a iniciativa de agir contra a acção vil e mercenária de alienar os caudais dos rios Tâmega e Olo às eléctricas ibéricas EDP, S.A. e IBERDROLA, S.A., visando obstar que as populações do Baixo Tâmega se vejam espoliadas de um dos bens naturais mais preciosos da nossa região.

Deste modo, foi criado o Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega, o qual tem as suas bases programáticas para esta acção expostas em Manifesto próprio, o qual pode ser consultado na nossa página,de onde é possível aceder à Petição Anti-Barragem - Salvar o Tâmega e a vida no Olo.

Quando a Justiça bate mais forte:
Tribunal Administrativo dá razão à Plataforma Sabor Livre (in Público, 11/12/08)


Recomendo ainda a leitura do
Relatório da Comissão Mundial de Barragens (2000, pdf, traduzido em PT para a Dams.Org)

João Soares, in Bioterra -


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Barragem do Baixo Sabor: Tribunal Administrativo dá razão à Plataforma Sabor Livre

Um exemplo a seguir no Tâmega







Barragem do Baixo Sabor
Tribunal Administrativo dá razão à Plataforma Sabor Livre

A Plataforma Sabor Livre (PSL) ganhou um novo "round" na luta contra a construção da barragem do Baixo Sabor e acusa a EDP de desrespeitar ordens judiciais.

No passado dia 3 de Dezembro, o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa emitiu um despacho que dá razão ao pedido de providência cautelar interposto pelo grupo de organizações ambientalistas reunidas na plataforma. Segundo a Plataforma, a decisão determina a suspensão imediata das obras e a suspensão da prorrogação da validade da declaração de impacte ambiental da obra.

Neste processo polémico que se arrasta há vários anos, junta-se agora esta decisão do Tribunal Administrativo suscitada pelo facto de o contrato de construção da barragem ter sido assinado a 30 de Junho de 2008, quinze dias depois de a declaração de impacte ambiental ter caducado.

in Público - 11 de Dezembro de 2008

sábado, 6 de dezembro de 2008

Movimento em Conferência de Imprensa - Cidadãos contestam a barragem de Fridão







Movimento em Conferência de Imprensa (28.Novembro.2008)
Cidadãos contestam a barragem de Fridão



O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega, que luta contra a construção da barragem de Fridão, em Amarante, divulgou, a semana passada, em conferência de imprensa, o Manifesto Anti-barragem "Salvar o Tâmega e a Vida no Olo".

O líder do movimento, Emanuel Queirós, disse à Lusa que o lançamento do manifesto anti-barragem serve "para mobilizar a população para a fase de discussão pública" sobre o projecto da barragem, que deverá ocorrer no segundo semestre de 2009, quando for apreciado o estudo de impacte ambiental, em elaboração.

Além do manifesto, o movimento anti-barragem lançou uma petição na internet, que recolheu mais de 1.100 assinaturas em menos de duas semanas.

o manifesto é subscrito por cidadãos dos quatro concelhos afectados pela construção do empreendimento - Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e Amarante.

"As barragens no Tâmega vêm fazer a artificialização do rio, provocam a implosão do vale, a destruição dos ecossistemas, ou seja, a interrupção da vida natural tal como nós a conhecemos", considera o movimento de cidadãos.

Insurgindo-se contra "a falta de voz de determinação e reivindicação" dos órgãos da região, o movimento quer fazer ouvir a sua voz junto dos órgãos do Estado.

 "Não queremos a barragem de Fridão nem aceitamos o transvase das águas do rio Olo para a barragem de Gouvães e exortamos os órgãos de soberania do Estado português a respeitar a cidadania e a vida tal como nós a conhecemos", salienta Emanuel Queirós. 

in Tâmega Jornal, N.º 25 (p. 24) - 06 de Dezembro de 2008 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Barragens no Tâmega em carta ao Presidente da República

BARRAGENS NO TÂMEGA
Missiva endereçada ao Presidente da República pela comissão mandatada pelos movimentos cívicos «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega» e «Por Amarante, Sem Barragens»






Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega
Vale do Tâmega, 5 de Dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Rádio Clube Português - «Não à Barragem de Fridão!» Entrevista a Artur Freitas (cor.)



Excerto de noticiário do Rádio Clube Português (3.Dezembro.2008)
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega

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................................................................MCDT - entrevista


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Artur Freitas (cor.), in Rádio Clube Português - 3 de Dezembro de 2008
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)