domingo, 23 de novembro de 2008

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens: Cidadania Responsável (Com Atraso)

PNBEPH - Programa Nacional de Barragens
Cidadania Responsável (Com Atraso)
Tâmega - Amarante (São Gonçalo) | Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Tenho andado talvez demasiado envolvida nesta luta de professores que abracei por inteiro, porque a encontro justa e certa, contra uma Tutela que perdurará na História por certo como "A Incompetente". 

A minha dedicação a esta causa fez-me descurar um pouco outros assuntos igualmente importantes, de que aliás já falei neste blogue. O meu irmão fez-me o favor de me relembrar. A minha sobrinha Inês reforçou. :)
Assim, hoje é dia de deixar um apelo aos meus leitores. Leiam o Manifesto. Leiam a petição e juntem-se a nós na salvaguarda de rios que são nosso património comum.

"Em face da brutal acção política do Governo contra o Tâmega/Olo e as suas populações, contida no «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico», e da manifesta incapacidade reconhecida nos órgãos do poder local (câmaras e assembleias municipais) se oporem a tal investida, um grupo alargado de cidadãos dos concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Mondim de Basto, tomaram em mãos a iniciativa de agir contra a acção vil e mercenária de alienar os caudais dos rios Tâmega e Olo às eléctricas ibéricas EDP, S.A. e IBERDROLA, S.A., visando obstar que as populações do Baixo Tâmega se vejam espoliadas de um dos bens naturais mais preciosos de nossa região.Deste modo, foi criado o «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega», o qual tem as suas bases programáticas para esta acção expostas em «Manifesto» próprio, o qual pode ser consultado em


http://cidadaniaparaodesenvolvimentonotamega.blogspot.com/

de onde é possível aceder à «Petição Anti-Barragem – Salvar o Tâmega e a vida no Olo» colocada em

http://www.petitiononline.com/PABA/petition.html."

Eu já assinei, assina tu também.

Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 23 de Novembro de 2008

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PNBEPH - Rio Olo: Fisgas de Ermelo

PNBEPH - Rio Olo
Fisgas de Ermelo

PNBEPH - Rio Olo: Fisgas de Ermelo podem perder a beleza natural

PNBEPH - Rio Olo
Fisgas de Ermelo podem perder a beleza natural


O alerta foi dado pela Lusa, a partir do testemunho científico do docente da UTAD, Rui Cortes. Especialista da área do ambiente afirmou que a «construção de quatro barragens na bacia hidrográfica do Tâmega e de mais três derivações de cursos de água vão alterar completamente a zona envolvente a este rio e até mesmo o Parque Natural do Alvão».
O rio Olo é uma dessas derivações e é ele que alimenta as Fisgas de Ermelo, consideradas como as maiores da Europa. Anualmente são visitadas por milhares de pessoas, nomeadamente por escolas, o que incute nas crianças imagens inapagáveis para toda a vida. De acordo com o depoimento daquele especialista, com a construção da Barragem de Gouvães, as Fisgas de Ermelo, situadas no Parque Natural do Alvão, sofrem significativamente na sua beleza multi-secular. Ainda não vimos a Quercus, sempre atenta a estas alterações ambientais, erguer a voz autorizada para que os responsáveis tenham em atenção estas leis naturais.Está ainda na retina dos portugueses, designadamente dos Transmontanos, a decisão política de alterar o trajecto da A24, gastando por causa disso mais sete milhões de euros. Tudo para salvaguardar uma alcateia de (sete lobos). O palco das operações é o mesmo: o Alvão. Nessa altura os ambientalistas fizeram-se ouvir e o poder político não teve pejo em poupar os lobos, prejudicando o traçado da via e lesando o orçamento geral do Estado. Houve mais respeito por esses animais selvagens do que pelas pessoas que passam fome. Esse dinheirão abrigava muita gente maronesa e saciava muito estômago vazio. Mas optou-se pela bizarra opção de privilegiar o lobo em detrimento do ser humano.Confrontamo-nos, agora, com um erro maior e mais gritante, correndo o risco de extinguir uma das maiores atracções paisagísticas do Alvão, a mesma montanha que, há meia dúzia de anos, foi palco daquela patética opção política.O JN deu guarida às preocupações ambientalistas de Rui Cortes e nessa notícia esclarece que o projecto das quatro barragens da «cascata do Tâmega»: Alto Tâmega, Daivões, Padroselos e Gouvães foi adjudicado ao grupo espanhol Iberdola. E abriu concurso público para escolher a empresa que vai efectuar o Estudo de Impacte Ambiental. Informa ainda o técnico da UTAD que a barragem de Gouvães que vai ser construída no Rio Torno, derivará da água de dois afluentes: o Olo e a Alvadia. Por esse motivo o caudal que actualmente corre nas figas de Ermelo será reduzido ao mínimo, facto que irá afectar a queda de água que poderá, até, em certas alturas, desaparecer. Ou seja: não está em causa a construção da barragem, mas sim a derivação de água do rio Olo. É por esse motivo que Rui Cortes alerta a EIA (Estudo de Impacte Ambiental).Refira-se que as Fisgas de Ermelo têm um desnível que se estende ao longo de 200 metros de extensão, separando as zonas graníticas das xistosas das terras envolventes. Esclarece ainda o técnico da UTAD que a construção das quatro barragens vai transformar o Rio Tâmega numa grande albufeira, com cerca de 150 quilómetros, desde a fronteira com a Espanha até Amarante. Numa fase posterior será acrescentada uma outra barragem chamada de «Fridão». Perto de Amarante. Mondim de Basto, Ribeira de Pena e uma dezena de aldeias vão ser afectadas com estas alterações ambientais. Os Amarantinos contestam a albufeira a situar às portas da cidade. Já as restantes quatro têm o apoio das Câmaras de Chaves, Boticas, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar.Um ilustre filho de Ermelo teve a gentileza de remeter-nos um recorte do JN, adicionando considerações que julgamos oportunas. Afirma que «as quedas de água do Rio Olo, também chamadas «Quedas do Cabril», ou «As Fisgas de Ermelo» estão sob a mira gulosa de uma empresa espanhola. E essa gula vai arruinar uma das maiores maravilhas telúricas e paisagísticas de Portugal e de toda a Europa, porque o simples facto de diminuir o caudal do rio, extingue a beleza que desde sempre aquele sumptuoso santuário geográfico propiciou a quem o visita. No inverno, em muitos anos, a água, não é muita. E, no verão, o caudal é, por via de regra, diminuto. Em vez de se criarem condições para reforçar esse caudal, enriquecendo a paisagem e promovendo o turismo regional, mata-se essa raridade, em proveito da ganância de certos decisores que só não vendem a Lua porque ainda não têm jurisdição sobre ela.Até as águias que por ali ainda cumprem o seu destino, como espécie rara que seria óbvio acautelar e propagar, correm o risco de desaparecer, irremediavelmente. Temos visto por esse país fora, postos da luz, árvores velhinhas, cumes rurais transformados em «sítios de interesse público». As cegonhas, por exemplo, têm estatuto diferenciado das águias. Porque será? Seja como for há que ter em atenção o interesse paisagístico e a preservação do meio ambiente. Não podem a ganância e a gula de certos políticos hipotecar o pouco de bom que as zonas periféricas herdaram da própria Natureza. Há que ter respeito pelas leis naturais e tratar a todos, rurais ou urbanos, pobres e ricos, empresários e obreiros com os mesmos critérios. Que as águias que sobrevoam as Fisgas de Ermelo tenham, pelo menos, os mesmos direitos dos Lobos da Samardã.

Por Barroso da Fonte, Dr. in [Notícias do Douro]

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Bacia do Tâmega - Barragem de Gouvães: O rio Olo no Programa Nacional de Barragens

BACIA DO TÂMEGA - BARRAGEM DE GOUVÃES
O rio Olo no Programa Nacional de Barragens


Fonte: Programa Nacional de Barragens


Tem vindo a ser alvo de debate, na região de Basto e Amarante, o «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico». Muitos falam dele com alguma preocupação, e outros acreditam que a sua implementação trará benefícios para o Vale do Tâmega.

O "programa das barragens" não é um programa de desenvolvimento desta região. É, sim, e tão só, um programa hidroeléctrico. Por isso, considero que não faltam razões para as populações de Basto e Amarante estarem apreensivas.

Para situar a questão fulcral deste artigo de opinião e que tem a ver essencialmente com a prevista “destruição” das quedas de água nas Fisgas de Ermelo, com base nos documentos oficiais do «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico» em execução, de seguida transcrevo alguns excertos do referido documento que são, no mínimo, altamente preocupantes:

“A Barragem de Gouvães ficará situada no rio Torno (troço de montante do rio Louredo), afluente da margem esquerda do rio Tâmega (bacia hidrográfica do rio Douro), a cerca de 1,8 km da localidade de Gouvães da Serra. A albufeira terá uma pequena capacidade de armazenamento em face dos caudais afluentes.”

“O aproveitamento integrará ainda um sistema de derivação para reforço dos caudais afluentes com origem nas ribeiras de Poio, Olo e Viduedo, constituído por três pequenas barragens e respectivos túneis de derivação.”

“...com um comprimento total de 15.5 Km. A contribuição desta derivação para o escoamento afluente é de cerca de 69 % do escoamento total...”

“... Fazem ainda parte do circuito as derivações do rio Olo com cerca de 7.8 Km...”

Perante este quadro de referência, não restam dúvidas que o desvio de água do rio Olo faz parte integrante do projecto do aproveitamento hidroeléctrico de Gouvães. Ora, entre o que está escrito e o “diz-que-disse”, vai a grande diferença entre o que pode ser irreversível (destruição das quedas de água) e o que eventualmente é esperado.

Tal situação, a manter-se e a ser executada, configura-se um verdadeiro atentado ao património natural que são as Fisgas de Ermelo, o “monumento” maior do Parque Natural do Alvão, referência paisagística regional e nacional e que marca o concelho de Mondim de Basto em particular.

Aliás, como é do conhecimento geral, as quedas de água das Fisgas de Ermelo são as maiores quedas de água de Portugal e das maiores da Europa. Como se, por si só, não bastasse, para que nunca nem ninguém se lembrasse de as destruir, são parte integrante do Parque Natural do Alvão, que, sendo uma zona protegida, deveria estar “incólume” destas tropelias ambientais que o Programa Nacional de Barragens comporta na bacia do Tâmega.

O desvio da água do rio Olo – projectado para perto do limite da freguesia de Lamas de Olo (Vila Real) com a freguesia de Bilhó (Mondim de Basto) – irá provocar uma fortíssima diminuição do caudal do Olo, a montante das quedas de água, tornando-se destruidor do cenário natural que todos conhecemos.

O “coração” do Parque Natural do Alvão é a bacia hidrográfica do Olo a montante, mas também a jusante das Fisgas. Ora, o que está em causa é precisamente toda a área afectada a jusante de Lamas de Olo. Isto é, toda a área do concelho de Mondim até à foz do Olo, em Amarante. Isto é gravíssimo! 

O que está consagrado no «Programa Nacional de Barragens» é, nem mais, “matar” as Fisgas tal como elas são (e elas valem pelo que são!); mas é, também, destruir toda uma paisagem que tem por epicentro o rio Olo, desde Ermelo à foz, em Vila Chã do Marão (Amarante). 

Todo um território onde existe agricultura à beira-rio, sistemas tradicionais de regadio, sistemas tradicionais de moagem, pesca, enfim, meus senhores: VIDA!... e vida quer dizer seres vivos: animais, vegetais, homem e actividades, aos quais se vai afectar as condições naturais por força da diminuição da água.

Ainda há pouco tempo, pela Portaria n.º 206/2008, de 25 de Fevereiro, foi criada uma zona de pesca reservada em toda a extensão do rio Olo. 

É caso para perguntar: a jusante das Fisgas, o rio vai continuar a ter as condições excepcionais para a pesca de salmonídeos?... já que a montante da represa de Lamas de Olo, com as águas paradas, essas mesmas condições deixarão de existir!

Como português, entendo o problema da factura energética que o Estado tem em mãos. Considero, no entanto, que é imprescindível verificar a relação custos/benefícios numa escala integrada de valores. É que, nem sempre os meios justificam os fins. E o que se passa, é que a implementação do «Programa Nacional de Barragens», no que concerne à nossa região, sacrifica valores de importância suprema, mutilando de forma madrasta a nossa identidade enquanto território.

Como se já não bastasse “afogar” o Tâmega em Mondim, com a albufeira da barragem de Fridão, também tudo indica que nos vão “secar” o Olo com o transvase das suas águas para a barragem de Gouvães.

É caso para dizer: Socorro! Acudam-nos!... que aqui há vida!

Eu não me conformo.

E você?

Alfredo Pinto Coelho (eng.º Agrícola / lic. Gestão Agrária) – Novembro de 2008
MOVIMENTO CIDADANIA PARA O DESENVOLVIMENTO NO TÂMEGA (Mondim de Basto )

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

PNBEPH - Rio Olo: Ermelo [Mondim de Basto] não quer ficar sem rio

PNBEPH - Rio Olo: transvase preocupa população
Ermelo[Mondim de Basto] não quer ficar sem rio


As populações do vale do rio Olo estão preocupadas com o possível transvase parcial deste curso de água para uma pequena barragem prevista no Programa Nacional de Barragens, referente ao Aproveitamento Hidroeléctrico de Gouvães da Serra. Se isto se concretizar, as Fisgas de Ermelo podem correr o risco de ficarem secas, em alturas de pouca precipitação. 

Apesar do Instituto de Conservação Natureza, ICN, ter dado já um parecer negativo sobre o projecto, será o Estudo de Impacto Ambiental, EIA, que em breve deverá ser adjudicado, a tirar as dúvidas sobre este assunto. 


Ainda sem certezas, os povos ribeirinhos do rio Olo começam já a fazer sentir as suas vozes de protesto contra o cenário do eventual transvase. 


Na última sexta-feira, uma reunião realizada na Casa do Povo de Ermelo, freguesia de Mondim de Basto, constituiu o primeiro sinal de contestação, à eventual construção e o consequente estrangulamento da parte final do rio Olo. 


Neste plenário que teve a participação de elementos da Junta de Freguesia, povo local e activistas contra a construção da Barragem de Fridão no rio Tâmega, foi decido elaborar uma petição de defesa para a preservação do rio Olo e contra qualquer tentativa de desvio ou transvase. 


Rui Cortes, professor universitário na UTAD, tem vindo a acompanhar este processo. Ao Nosso Jornal referiu que “inicialmente o Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico apontava, de facto, para uma diminuição drástica de caudal da parte final do rio Olo, derivado ao seu desvio para o rio Torno”


Porém e segundo o mesmo, “tal intenção aparentemente seria alterada posteriormente” contudo, agora, “já não tem tanta certeza que assim seja”


Recentemente, ouviu dizer que o transvase de três rios (Olo, Vidoedo e Poio) pode, novamente, ser equacionado. “Estou agora na expectativa sobre o que irá contemplar o Estudo de Impacte Ambiental que vamos conhecer brevemente”


O cenário da derivação do caudal deixou a população de Ermelo muito ansiosa. São pessoas que vivem quase exclusivamente da agricultura, da pecuária e do turismo que tem evoluído devido à beleza paisagística do rio. 


“Nestas terras de regadio colhe-se todo o ano, milho, batata, feijão, dependemos do rio Olo para a nossa subsistência”
, refere um residente em Ermelo. 


A população não aceita que seja feito qualquer transvase, uma vez que isso colocaria em causa a sobrevivência do povo, dadas as centenas de pessoas que dependem dele. 


“É o rio que permite a agricultura de subsistência. Sem essa água não é possível as regas e todo o vale do Olo pode “morrer”. Pode estar em perigo a actividade principal da aldeia e pode estar a cometer-se um crime ecológico sem precedentes”
 disse ao Nosso Jornal, Armindo Henrique, habitante e empresário do ramo hoteleiro em Ermelo. 

“Tenho um café restaurante e estou a acabar a hospedaria. Vou ser muito prejudicado. Se isto for em frente será o maior atentado à natureza e às pessoas que sempre aqui viveram e aqui investiram tudo o que tinham”
, acrescentou. 

Carlos Henrique, Tesoureiro da Junta de Freguesia e habitante de Ermelo, também está apreensivo: “Estamos muito preocupados. Os membros desta Junta já foram à Câmara Municipal de Mondim para saber o que se passa. Ao que sentimos, o próprio Município de Mondim de Basto não tem a informação necessária sobre este Programa. Vivemos no coração do Parque Natural do Alvão e junto deste organismo, também, não conseguimos nenhum esclarecimento. Da reunião com a população saiu uma petição para que sejamos informados sobre o que está previsto fazer para esta região”


António Gonçalves, pescador, conhece bem o rio Olo. Também ele está preocupado, com todo este cenário. “Tudo pode desaparecer, as Fisgas de Ermelo e as Pias podem ficar secas. O parque de merendas, a ponte romana, e todos aqueles recantos de rara beleza que caracterizam um rio selvagem, poderão também ser afectados. Esta água ainda é verdadeiramente pura. Neste rio existem lontras, trutas selvagens, enguias, escalos, bogas e barbos e toda uma fauna envolvente que vive nas margens”


Caso seja feita a derivação do caudal do rio Olo que desagua no rio Tâmega na aldeia de Chapa (Amarante) serão afectadas as aldeias de Varzigoto, Barreiro, Assoreiras, Ermelo, Fervença, Ponte de Olo, Mouquim, Tejão, e Candedo. 


Está a ser feita uma recolha de assinaturas para levar à Assembleia da República a questão da derivação do caudal do rio Olo. 


Armindo Henrique deixou no ar um aviso: “Esperamos que os nossos Governantes reflictam nas nossas reivindicações e saibam que está em causa todo um Património Natural de valor ambiental incalculável. Mas, se tal não acontecer, encetaremos todas as formas de luta. Ermelo só tem 300 residentes, mas somos mais de 3.000, espalhados por toda a Europa, a defender esta causa”


A Barragem de Gouvães ficará situada no rio Torno (troço de montante do rio Louredo), afluente da margem esquerda do rio Tâmega (bacia hidrográfica do rio Douro), a cerca de 1,8 km da localidade de Gouvães da Serra. A albufeira terá uma pequena capacidade de armazenamento face aos caudais afluentes.


O aproveitamento integrará ainda um sistema de derivação para reforço dos caudais afluentes com origem nas ribeiras de Poio, Olo e Viduedo, constituído por três pequenas barragens e respectivos túneis de derivação, com um comprimento total de 15.5 Km. 


A contribuição destas derivações para o escoamento afluente é de cerca de 69 por cento do escoamento total. Fazendo parte deste circuito as derivações do rio Olo com cerca de 7.8 Km.

José Manuel Cardoso, in A Voz de Trás-os-Montes - 13 de Novembro de 2008

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Junta de Ermelo (Mondim de Basto) e Movimento promoveram sessão de esclarecimento: ATROCIDADES DO «PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS» PARA O ALVÃO

Junta de Ermelo (Mondim de Basto) e Movimento promoveram sessão de esclarecimento
ATROCIDADES DO «PROGRAMA NACIONAL DE BARRAGENS» PARA O ALVÃO



A convite da Junta de Freguesia de Ermelo (Mondim de Basto), no passado dia 8 de Novembro de 2008 (sábado) o Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega levou a efeito na Casa do Povo daquela freguesia mondinense uma sessão de esclarecimento sobre as medidas contidas no Programa Nacional de Barragens, que se repercutirão directamente na vida e nas actividades daquelas populações da serra do Alvão. 

Apesar do tempo frio e chuvoso que se fazia sentir na encosta poente da serra, a sessão esteve muito participada, registando grande afluência de residentes, e de outros deslocados de Mondim e de Amarante, interessados no esclarecimento desta problemática.

Com início pelas 21h00, durante cerca de duas horas e meia a população de Ermelo participou na apresentação e contribuiu para o debate por fim estabelecido em volta das medidas aprovadas no âmbito do «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico» (PNBEPH), nomeadamente as respeitantes ao projectado transvase das águas do rio Olo para alimentar os caudais na albufeira de Gouvães (Gouvães da Serra - Vila Pouca de Aguiar).

Um ano após o “debate público” ocorrido sobre essa famigerada falácia nacional inventada nas eléctricas, apadrinhada pelo Instituto da Água, I.P. (INAG)/Autoridade Nacional da Água, e avalizada pelo Ministro do Ambiente e pelo Governo, entre a informação prestada a partir dos documentos oficiais e as preocupações manifestadas pelos presentes no decurso da sessão, ficou muito claro que a população de Ermelo, até então, nunca havia recebido informação do que o «Programa Nacional de Barragens» para ela reserva. 


Aliás, o referido «Programa» não só não considera a existência da cidade de Amarante, por relação com o escalão hidroeléctrico de Fridão (Amarante), como omite a existência das comunidades serranas do Alvão, as que mais directamente serão afectadas com o projectado transvase do rio Olo, e pelo que receberão no seu modesto quadro de vida rural em privações de recursos imprescindíveis à vida e em desregulação das suas actividades agro-pastoris.

De acordo com o testemunho da Presidente da Junta de Freguesia (D. Maria da Glória Leite Nunes), até àquela data, apesar das diligências encetadas junto de várias entidades, as respostas obtidas foram sempre evasivas e semelhantes: "nenhuma entidades sabia de nada" (sic), conforme teve oportunidade de participar no decurso da sessão.

Aquilo que para todos nós – residentes no Tâmega, e conscientes dos efeitos esperados desse atentatório e ofensivo «Programa Nacional de Barragens» – é absurdo, destrocam os patrões das eléctricas (EDP, S.A. e IBERDROLA, S.A.) em discursos de milhões. Sem respeito pela vida de quantos na bacia do Tâmega já começaram a sentir dos efeitos do seu poder sedente e cego, e da farsante actuação, ordeira e submissa, do ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território, e do Desenvolvimento Regional (Francisco Nunes Correia) e do seu inútil Instituto da Água, I.P./Autoridade Nacional da Água, rendidos à adjudicação bilionária do licenciamento, indiscriminado e mercenário, à captação e transvase das águas do Tâmega e do Olo.


José Emanuel Queirós, in PlenaCidadania - 11 de Novembro de 2008
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Amarante)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Rio Olo (rio Tâmega): A Barrela

Rio Olo (Rio Tâmega)
A Barrela

O rio Olo, um dos últimos rios impolutos de Portugal, recorta o Alvão contando pontes velhas de aldeias de pedra até se precipitar caudaloso nas Fisgas de Ermelo, Mondim de Basto, numa queda de água de beleza rara na Europa. Maravilha tal que locais levaram uma moção à assembleia municipal, propondo a candidatura da mesma a Património Natural.

No entanto, de pouco pode ter valido a aprovação por unanimidade em torno daquilo têm como valor acrescentado. No País West Coast da Europa, o interior é apenas uma enorme fronteira até Espanha como se o risco fosse dessa largura. 


O Plano Nacional de Barragens tem projectadas 5 barragens para o Vale do Tâmega, que farão de toda aquela bacia um açude gigante. Pior, uma delas, desviará o rio Olo para alimentar uma outra, de Gouvães, a cargo da Iberdrola. Diria a cargo, porque para lá caminha. 

O período de discussão pública que teria um ano, foi, em manobras por detrás da cortina, encurtado em meses. Milagre do Simplex da conveniência em nome de favores maiores, será tudo entregue nas mãos dos concessionários já em Dezembro.

Assim que o betão começar a frenar a garganta, das Fisgas do Ermelo não se verá mais que um fio de água fragas abaixo, e do vale do Tâmega pouco restará dele escavado por um rio. Muito da nossa identidade paisagística e património colectivo completamente alagado. O que era natural dará lugar ao impacte artificial de uma albufeira de falsas promessas, à distância e a bem da alumiação do Portugal filho e no que resta em desgraça ao Portugal enteado.

Vítor Pimenta, in Avenida Central - 10 de Novembro de 2010
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega (Cabeceiras de Basto)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Reversível... Irreversível!? Vá lá... "SUBSTITUAM"

Reversível... Irreversível!?
Vá lá..."SUBSTITUAM"


Tive a oportunidade de constatar que o Plano da Direcção Geral de Energia, aprovado pelo Governo, e que prevê a construção de inúmeras barragens (PNBEPH), não descartava "a possibilidade de se vir a deparar com dificuldades imprevisíveis na construção de novos aproveitamentos hidroeléctricos de grande e média dimensão..."

Face a tal possibilidade, o dito Plano recomenda o estudo de um cenário alternativo, baseado na realização de reforços de potência de aproveitamentos hidroeléctricos já existentes.

Por estranho que nos possa parecer, aquele Plano admite a possibilidade de substituir o Escalão de Fridão pelo reforço de potência de Salamonde, que designam de Salamonde II.

Pode conclui-se daqui que a Barragem de Fridão é facilmente substituível por uma solução muito menos penalizadora, já que incidirá sobre um rio artificializado em todo o seu curso nacional, não acrescentando mais factores de instabilidade aos já existentes!

Dessa forma as "dificuldades imprevisíveis", receadas, não ocorreriam, e o Tâmega continuaria igual a si mesmo, espelho e reflexo da beleza da nossa região!

Amarante, poderia então, empenhar-se no combate à eutrofização das águas da albufeira do Torrão e devolver ao rio a saúde ambiental que lhe roubaram, a troco de um punhado de KWs de energia, que não sabemos a quem aproveitam!

Essa decisão de "SUBSTITUIR" pouparia inúmeros incómodos àqueles que, não sabendo bem o que devem defender, se sentem "como o tolo no meio da ponte", e aos que sabendo bem quanto a querem, nos tentam convencer do contrário!

Tal solução, SÁBIA DECISÃO, salvaria a face dos que "como quem não quer a coisa" se vão acomodando à ideia de que a barragem é irreversível, e vão convencendo outros da sua fatalidade!

Irreversível é que não é, pois até a querem Reversível, que o mesmo é dizer que a água vai andar ali num sobe e desce até que já "gasta"a deixem escapar, para lhe repetirem a tortura na Barragem do Torrão!

Não sei se quando se escapar, ainda se lhe poderá dar o nome de ÁGUA!?
Porque esta, costuma ser incolor, insípida e inodora!

E "aquela coisa" verde, estagnada na albufeira do Torrão,água é que não é concerteza!

Repetir a dose a montante de Amarante e na belíssima zona de Fridão... SÓ de LOUCOS ou de CEGOS!
Que ninguém se cale! Pois só criando "DIFICULDADES IMPREVISÍVEIS" levaremos os decisores a SUBSTITUIR FRIDÃO POR SALAMONDE!

António Aires, in Força Fridão - 7 de Novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

PNBEPH - RIO TÂMEGA: O contrato de concessão da barragem de Fridão será assinado em Dezembro com a EDP

PNBEPH - RIO TÂMEGA
O contrato de concessão da barragem de Fridão será assinado em Dezembro com a EDP

«O contrato da concessão da barragem de Fridão, no rio Tâmega – um empreendimento muito contestado em Amarante – a celebrar entre o Estado e a EDP vai ser assinado em Dezembro, assegurou terça-feira o presidente do Instituto da Água (INAG). Os contratos de concessão com a EDP - que ganhou o concurso para Fridão, Alvito e Foz Tua - com a Endesa - que ganhou Girabolhos - e com a Iberdrola - que ganhou Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões - serão assinados dentro de um mês, afirmou o presidente do INAG.

A atribuição dos contratos de concessão às três empresas será feita por decreto-lei, precisou Orlando Borges.

O responsável salientou que os concursos não tiveram “uma única contestação, o que demonstra a sua transparência e rigor”.

O Governo lançou o ano passado um programa nacional para a construção de 10 barragens, prevendo um investimento total entre os 1.000 e os 2.000 milhões de euros e um aumento da capacidade de produção hídrica do país em 1.100 megawatts (MW), de modo a ultrapassar os 7.000 MW de potência instalada até 2020.Estado encaixa mais de 600 milhões de euros O Estado vai encaixar 624 milhões de euros com a adjudicação da concessão de oito barragens do Programa Nacional de Barragens à EDP, Iberdrola e Endesa, afirmou à Lusa o presidente do Instituto da Água (INAG).

O investimento total nas oito barragens será de cerca de 3.000 milhões de euros e o aumento da produção hídrica, que estava previsto ser de 1.100 megawatts (MW) para as 10 barragens programadas, será “ultrapassado”, afirmou Orlando Borges.

O presidente do Instituto da Água confirmou que as barragens de Almourol e Pinhosão não receberam qualquer proposta no concurso lançado pelo Governo, ficando por construir.

Orlando Borges afirmou, no entanto, que dadas as “fortíssimas restrições” colocadas à construção das barragens de Almourol e Pinhosão, vê como “positiva” a sua não construção.

“Os objectivos que tínhamos com dez barragens [em termos de encaixe financeiro e de produção hídrica], vamos conseguir atingi-los com oito”, afirmou.»

in Por Amarante, Sem Barragens - 5 de Novembro de 2008

sábado, 1 de novembro de 2008

PETIÇÃO ANTI-BARRAGEM - SALVAR O TÂMEGA E A VIDA NO OLO








PETIÇÃO ANTI-BARRAGEM
SALVAR O TÂMEGA E A VIDA NO OLO



To: órgãos de soberania do Estado Português


MOVIMENTO CIDADANIA PARA O DESENVOLVIMENTO NO TÂMEGA

1. O Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) contempla a construção de cinco barragens, concentradas na bacia hidrográfica do Tâmega, todas a montante da cidade de Amarante.
2. Logo à partida, cinco centrais hidroeléctricas no espaço restrito da sub-bacia duriense do Tâmega, – uma bacia hidrográfica classificada como zona sensível, por particularmente exposta a fenómenos de eutrofização – para um total de 10 empreendimentos decididos no conjunto do Programa para o todo nacional, prenunciam um sacrifício desmesurado para as populações do vale.
3. Com a concessão da construção e exploração da «Barragem de Fridão» (Amarante) à EDP, S.A., e das duas barragens no rio Tâmega (Daivões e Vidago) e outras duas em cursos afluentes (rio Beça – Padroselos, e rio Torno/Louredo – Gouvães) à eléctrica espanhola IBERDROLA, S.A., a problemática da «cascata do Tâmega» agudizou-se.
4. Transparecendo que o Programa foi linearmente determinado pelo lucro mais imediato – assim é que faz tábua rasa dos valores a sacrificar, seja a nível do património histórico e natural, da paisagem e dos ecossistemas ribeirinhos, do valor multidimensional da água, num processo desenfreado e impenitente –, que desembocará na completa implosão do vale e na artificialização da bacia do Tâmega, pervertendo toda a ordem sistémica e as condições ambientais de suporte natural de vida.
5. Outra evidência desta supremacia do lucro, é o equacionado transvase das águas do rio Olo (Lamas de Olo – Vila Real) para a bacia do rio Torno/Louredo (Gouvães da Serra – Vila Pouca de Aguiar), de modo a alimentar os caudais na barragem de Gouvães, e que, a avançar, irá arrasar irreversivelmente as majestosas e únicas «Fisgas» de Ermelo (Mondim de Basto).
6. Por outro lado, a barragem projectada para Fridão, comporta uma «grande» construção betonada erigida em pleno leito fluvial, interceptando e retendo as águas do rio Tâmega, 6 quilómetros a montante de Amarante, a uma altura 110 metros superior à cota de assentamento do núcleo histórico de Amarante.
7. Para montante, vai estender-se por cerca 42 quilómetros inundando, nos concelhos de Basto (Cabeceiras, Celorico e Mondim) os terrenos mais férteis do vale do Tâmega, diversas praias fluviais, e núcleos de assinalável valor histórico e patrimonial, ainda que este tipo de custos estejam sempre implícitos em empreendimentos desta natureza, cujo interesse estratégico se não questiona de base, desde que os ganhos e perdas os justifiquem, numa escala integrada de valores.
8. Em sentido oposto, a proeminência do coroamento da barragem em relação à vizinha cidade de Amarante, segundo o binómio volume-proximidade, passará a constituir uma ameaça inaceitável e sem paralelo, para as populações do Centro Histórico de Amarante, condenadas a viver sob o espectro de serem engolidas pela primeira vaga de uma descarga acidental ou deliberada, por mais remotamente admissível, o que nem este nem qualquer outro qualquer Governo estará legitimado para chancelar, sob pressão, deixando tantas vidas humanas nas mãos do acaso.
9. Apesar destes custos directos ou induzidos, e das ameaças que se perfilam a nível da segurança dos residentes nas zonas ribeirinhas a jusante, o processo corre os seus trâmites, numa cegueira refractária a quaisquer valores do foro das condições de vida das populações locais, do ambiente ou do património cultural e histórico, tantas vezes estruturantes – como no caso de Amarante – de uma cultura secular, e derradeiro esteio de uma economia virada para o turismo, numa região reconhecidamente a mais depauperada do País, a troco de uma ilusória e fugaz animação aquando da construção dos empreendimentos, como o ilustra a albufeira da barragem do Torrão, um desastre ambiental consumado e irreversível, aqui aos pés da cidade de Amarante.
Em síntese, – e não contestando a imperiosa necessidade de o País lançar mão às energias renováveis, na medida do sustentável e, dentro destas, ao potencial hidroeléctrico disponível –, partindo do que o Programa envolve de excepcionalmente gravoso para as populações do Vale do Tâmega intoleravelmente afectadas pelo PNBEPH, e com a consciência de interpretar a sua inconformação, os cidadãos abaixo assinados vêm recorrer às diferentes instâncias da estrutura do Estado, com jurisdição directa ou indirecta sobre o PNBEPH, no sentido de:
- o PNBEPH ser reapreciado, também à luz dos objectivos da Organização das Nações Unidas (ONU) consagrados na «Declaração do Milénio», visando «pôr fim à exploração insustentável dos recursos hídricos»;
- conciliar o PNBEPH, com o «quadro de acção comunitária no domínio da política da água», em ordem a, concomitantemente, «garantir um uso eficiente, racional e parcimonioso deste recurso», enquanto desígnio orientador da política de gestão da água consagrado no «Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água»;
- respeitar minimamente o quadro legal que estabelece «as bases e o quadro institucional para a gestão sustentável das águas», em concordância com o princípio do «desenvolvimento sustentável»;
- ser inequivocamente preservada a integridade do curso livre do rio Olo, as «Fisgas» de Ermelo, e erradicada do Programa o previsto transvase para a barragem de Gouvães (Gouvães da Serra – Vila Pouca de Aguiar);
- e, fundamentalmente, que seja retirado do Programa, o escalão hidroeléctrico de Fridão, cuja concessão e exploração já foram adjudicadas à empresa Electricidade de Portugal, S.A. (EDP) pelo Instituto da Água, I.P./Ministério do Ambiente, sob pena de, a prosseguir, acarretar:
a)     a total descaracterização da cidade de Amarante – o apagamento da sua economia centrada no turismo, na naturalidade da paisagem e no diálogo do rio com o conjunto monumental do Centro histórico – e mormente, por razão dos compromisso inaceitáveis para a segurança dos residentes nas áreas ribeirinhas imediatamente inundáveis, na eventualidade, ainda que remota, de uma descarga descontrolada ou imprevisível;
b)     uma radical fractura da unidade geomorfológica, económica, paisagística e climatérica, que afectará todo o arco Amarante – Concelhos de Basto, e cuja espinha dorsal, a encerrada Linha do Tâmega, está longe de ser suturada pela variante do Tâmega que não veio tirar do esquecimento toda uma região votada ao ostracismo e que se vê de novo a braços com um projecto mais depauperante, independentemente de quaisquer sofismas em torno das barragens como alavanca económica.
Sincerely,
Os abaixo-assinados...


Vale do Tâmega
(Cabeceiras de Basto / Celorico de Basto / Mondim de Basto / Amarante)
NOVEMBRO v 2008


terça-feira, 28 de outubro de 2008

Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega: COMUNICADO «SALVAR O TÂMEGA E A VIDA NO OLO»













Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega
http://cidadaniaparaodesenvolvimentonotamega.blogspot.com/
 (Cabeceiras de Basto / Mondim de Basto / Celorico de Basto / Amarante)

COMUNICADO
SALVAR O TÂMEGA E A VIDA NO OLO

1. Tendo por base o «Programa Nacional das Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico» (PNBEPH), em Julho de 2008 o Instituto da Água, I.P. (INAG) adjudicou a concessão de cinco barragens na área da bacia hidrográfica do Tâmega, todas a implantar a montante da cidade de Amarante.
2. Ganhou actualidade a problemática da «cascata do Tâmega», que resulta do contrato para captação da água e construção da «Barragem de Fridão» (Amarante) à EDP, S.A., e da adjudicação das concessões para mais duas barragens no rio Tâmega (Daivões e Vidago) e de outras duas em cursos afluentes (rio Beça – Padroselos, e rio Torno/Louredo – Gouvães), estas à eléctrica espanhola IBERDROLA, S.A..
3. Este negócio da água para fins exclusivamente hidroeléctricos arrasta os cidadãos do Baixo Tâmega para a fase terminal de um processo de implosão do vale e desregulação de toda a ordem sistémica natural, pela plena artificialização do Tâmega e retirada das condições ambientais propícias à Vida.
4. O licenciamento à construção de mais cinco centrais hidroeléctricas na sub-bacia duriense do Tâmega configura uma acção de alienação abominável, de absoluta mercantilização dos caudais dos rios Tâmega e Olo, de desrespeito pelos valores da paisagem e dos ecossistemas ribeirinhos, de aviltamento do valor multidimensional do recurso da água, de sonegação das condições de segurança à vida no vale e da ordem natural da bacia.
5. A barragem a edificar em Fridão será uma «grande» construção betonada implantada em pleno leito fluvial, interceptando e retendo as águas do rio Tâmega 6 quilómetros a montante de Amarante, a uma altura de 110 metros superior à cota de assentamento do núcleo histórico desta cidade.
6.       Com a albufeira criada por cerca de 42 quilómetros os terrenos mais férteis do vale do Tâmega serão submersos, particularmente nos concelhos de Basto, onde serão perdidas as praias fluviais, e diversas construções com valor histórico e patrimonial.
7. O escalão hidroeléctrico de «Fridão» é o que mais directa e imediatamente afectará a secção média-inferior do Tâmega – situada entre os territórios dos concelhos de Cabeceiras, Mondim, Celorico de Basto e Amarante –, integrando o grupo de barragens de classe I pelos danos potenciais sobre a ocupação humana, bens e ambiente, associados à onda de inundação no vale a jusante.
8. Pela construção de uma «grande» central hidroeléctrica em Fridão (Amarante) / Codeçoso (Celorico de Basto), o Governo não pode e não deve colocar as pessoas no vale do Tâmega perante riscos induzidos, desmesurados e incomportáveis, submetendo uma das suas comunidades nacionais mais debilitadas a um contexto ambiental artificial deplorável.
9. Igualmente nefasto será o transvase das águas do rio Olo (Lamas de Olo – Vila Real) para o rio Torno/Louredo (Gouvães da Serra – Vila Pouca de Aguiar), destinado a alimentar os caudais na barragem de Gouvães. Esta medida vai inviabilizar a monumentalidade natural da paisagem das «Fisgas» de Ermelo (Mondim de Basto), a «Zona de Pesca Reservada do Rio Olo», a agricultura e a moagem nas comunidades ribeirinhas, e a reactivação da patrimonial Central Hidroeléctrica do Olo.
10.   Este cenário criado à região Tâmega constitui uma investida cega, rude e brutal, sem paralelo, sobre recursos naturais e culturais únicos. Recursos inalienáveis e vitais para o vale e toda a região Tâmega, factores de sustentabilidade local e regional que são muito mais potencialidades locais e regionais do que nacionais.
11. Valores multigeracionais e condições da própria Vida no Baixo Tâmega devem ser entendidos pelo Estado (central) como perenes e vitais – incomensuráveis do ponto de vista de alguma aferição económica e para o seu debilitado estado sócio-económico –, não podem ser reconvertidos em nenhum cenário de desenvolvimento que tenha como consequência a sua própria destruição.
12.   Políticas públicas que reflectem falta de sensatez e respeito pela Vida nos planos local e regional, que alienam de forma irreversível os recursos naturais, a paisagem e o ambiente, que retiram a segurança e se constituem em ameaça às pessoas e à comunidade estarão sempre em desconformidade com a ordem de valores e de progresso que a civilização preconiza e persegue.
13. As populações da região do Tâmega estão conscientes dos valores patrimoniais ambientais, sociais e humanos patentes na área da bacia, nomeadamente na secção do território compreendida entre os concelhos de Cabeceiras, Mondim, Celorico de Basto e Amarante, que serão inexoravelmente afectados pela execução do «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico».
14. O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega exorta os órgãos de soberania do Estado Português:
  à consideração pelos objectivos da Organização das Nações Unidas (ONU) consagrados na «Declaração do Milénio» quanto ao que a cada um dos estados-membros compete em «pôr fim à exploração insustentável dos recursos hídricos»;
  à aplicação do «quadro de acção comunitária no domínio da política da água»;
  à consideração da necessidade em «garantir um uso eficiente, racional e parcimonioso deste recurso», enquanto desígnio orientador da política de gestão da água em Portugal consagrado no «Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água»;
  ao cumprimento do quadro legal que estabelece «as bases e o quadro institucional para a gestão sustentável das águas», em concordância com o princípio do «desenvolvimento sustentável»;              
  à revisão das medidas em curso para gestão dos rios e dos recursos da água recaídas na bacia do Tâmega com o «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico»;
  ao respeito pelas populações residentes no Baixo Tâmega e pelos valores presentes no território que a bacia comporta;
  à manutenção da integridade do rio Olo, sem captação do seu caudal em Lamas de Olo (Vila Real) nem transvase para a barragem de Gouvães (Gouvães da Serra – Vila Pouca de Aguiar);
  à retirada do escalão de Fridão (Amarante) do «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico»;
  à anulação da concessão para captação de água e construção de uma barragem hidroeléctrica em Fridão (Amarante), atribuída à empresa Electricidade de Portugal, S.A. (EDP) pelo Instituto da Água, I.P./Ministério do Ambiente.

Pelo direito à vida no vale do Tâmega!
Pelo Tâmega livre da pressão das barragens!
Não ao transvase do rio Olo para a barragem de Gouvães! 
Não à Barragem de Fridão! Sim ao desenvolvimento da Região!


Subscreve a petição «Salvar o Tâmega e a Vida no Olo», em
http://www.petitiononline.com/PABA/petition.html

Outubro.2008