Mostrar mensagens com a etiqueta EDP / PNBEPH - opinião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta EDP / PNBEPH - opinião. Mostrar todas as mensagens

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Alto-Tâmega (Anelhe - Chaves) - Programa Nacional de Barragens: «Toda a discussão gira à volta do medo, da apatia, do oportunismo e da ausência»

Alto Tâmega (Anelhe - Chaves) - Programa Nacional de Barragens
«Toda a discussão gira à volta do medo, da apatia, do oportunismo e da ausência»



António Luis Crespí (Prof. Doutor)Herbário, Jardim Botânico Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, CITAB, Vila Real

A reunião de ontem (26/02) em Anelhe - Chaves foi, aparentemente, muito construtiva e agradável. Como já é hábito entre o povo português voltei a encontrar a amabilidade e a inesgotável hospitalidade que sempre caracterizou a alma lusitana. Contudo saí daquela reunião com uma inquietação que, desde há muito tempo, me vem acompanhando.

Depois de ser testemunha de um uníssono "barragem não!", que por outro lado não me surpreendeu, pois ultimamente já ouço muito este grito de protesto, passei a ver a outra face deste refrão "... e se for que seja a mais pequena!".
Rapidamente veio à minha mente aquela imagem de novela, já muitas vezes representada em filmes e no teatro, em que os escravos estão a ser vendidos num leilão público: o vendedor mostra a força e o formidável estado de saúde da vítima de tão infame venda; o público plenamente satisfeito por tão saudável exibição começa a ofertar valores pela compra da humilde vítima,... 300, 312, 315, 320...!!; e, de repente, nesse ambiente de excitação oportunista o escravo exclama "…se tiver que ser, nunca por mais de 312!!".

Quando acabou a nossa calorosa reunião uma entrevistadora veio ter comigo e me fez algumas questões. Entre elas queria saber a razão pela qual todos os estudos do recurso natural dos concelhos do Tâmega tinham sido sistematicamente evitados, ou impedidos de os fazer.
- "A culpa é dos autarcas que passaram pelos governos das autarquias?", inquiriu incisiva. - "Não!", respondi categoricamente, "... se a culpa é de alguém será do povo, que foi quem escolheu e escolhe os autarcas", respondi eu.

Estamos a criar uma sociedade viciada na ausência. A ausência de quem fechando os olhos julga que resolverá os problemas que nos afligem. A ausência de quem, deixando cair as suas forças, vai permitindo que o rio do benefício rápido e efémero o leve na direcção das cascatas do abismo. Esta não é a sociedade que pessoas, como as que integram o vosso grupo e os outros que convosco lutam, pretendem criar. É por isso tempo de mostrar firmeza, consistência nas afirmações e pretensões. É, em definitivo, o vosso tempo!.

Esta luta é quiçá uma luta mais feroz, pois o inimigo é nós próprios. Toda a discussão do Programa Nacional de Barragens gira à volta do medo, da apatia, do oportunismo e da ausência. Do medo a uma crise económica crónica e à derrota política; da apatia daqueles que de longe vem, ouvem e não mostram interesse; do oportunismo dos que pensam que o lucro rápido será o que lhes fará viver melhor; e da ausência dos que se deixam ser arrastados pela força de uma corrente que mata e destrói o que a natureza nos deu para viver.

É preciso e urgente recolher todos os artigos, estudos e contribuições que, à volta deste assunto são publicados e divulgados nos vossos endereços da internet e fazê-los chegar à Europa e ao Mundo.
Acaso os espanhóis não pensam da mesma forma?
Acaso aceitariam que uma empresa com capital deles estivesse a destruir sem qualquer planeamento sustentável o recurso natural português?
Será que Bruxelas aceitaria que um membro da comunidade utilizasse este recurso, sem estudar com profundidade as repercussões que este processo arrastaria para o desenvolvimento económico da Europa?

Este processo está viciado, mas não sejamos nós também a viciá-lo. Exijamos seriedade e procuremos planos de desenvolvimento económico-sociais sustentáveis a médio e longo prazo. Não permitamos a venda de escravos, pois esses escravos devem também desfrutar do tesouro natural que temos. Só assim criaremos uma sociedade feliz e plena.

António Luis Crespí (Herbário, Jardim Botânico da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) - 27 de Fevereiro de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Barragem de Fridão (Amarante) - Estudo de Impacte Ambiental (EIA): As verdades caladas... O que eles não gostavam que se soubesse

Barragens de Fridão (Amarante) - Estudo de Impacte Ambiental (EIA)
As verdades caladas… O que eles não gostavam que se soubesse...



Barragem de Jusante (Borralheiro-Fridão)

…“Relativamente à barragem de Jusante, devido à sua maior oscilação que pode atingir os 9 metros, esses impactes serão de magnitude elevada, significativos, certos, locais, directos, permanentes e irreversíveis.
Em qualquer circunstância, e em todas as situações, os volumes turbinados dão origem a variações relativamente rápidas dos níveis de água na albufeira de jusante, o que não permite o seu uso para qualquer outro fim…”

>> Neste caso o impacte é tão negativo que os técnicos recomendam a arborização de certos espaços, para impossibilitar a observação da albufeira a partir da Estrada Nacional 312.


Sismicidade Induzida

…“tendo em conta que o Escalão Principal poderá atingir a altura de 102 m, torna-se necessário considerar a possibilidade da respectiva albufeira poder dar origem a sismos induzidos pelo seu enchimento…”

>> Mas a situação não se altera se a altura se ficar pelos 97 metros(!) Por isso temos de nos preparar para eventuais tremores de terra, ocasionados pelo enchimento da albufeira! (que ninguém nos garante não virem a acontecer!)


Avaliação de Qualidade da Água no Âmbito da Directiva Quadro da Água (DQA)

“Deste modo e em relação às alterações introduzidas no Rio Tâmega pelas albufeiras do Escalão Principal e de Jusante na qualidade da água, os impactes serão negativos, de magnitude elevada, directos e serão permanentes, certos e irreversíveis.”

>> E assim lá se vai o melhoramento da qualidade da água no centro urbano, que nos vinham a prometer, e não demora, o melhor será subir a cota do Torrão aos 65m!


Flora

“De um modo geral, os impactes na flora e vegetação na fase de construção (e não só - digo eu…) classificam-se de negativos, de magnitude elevada, permanentes, irreversíveis e significativos.”

>> Isto apesar de os técnicos, no EIA, tudo terem feito para minimizar a qualidade e diversidade ambiental da região afectada!


Fauna

“…os impactes na Fauna são classificados de negativos de magnitude moderada, permanentes e irreversíveis, sendo directos, certos e imediatos. São em geral classificados de significativos e são minimizáveis e compensáveis…”

>> E tudo isto se vai passar apesar de se reconhecer que:

“De uma forma geral, pode considerar-se que o Aproveitamento Hidroeléctrico do Fridão tem impactes significativos no ambiente aquático, tanto mais que se desenvolve num troço do rio que, como foi referido na caracterização da situação de referência, está bastante bem preservado e com uma boa qualidade ecológica.”


Captações de água a jusante das barragens (minas, poços e nascentes)

“Variação do nível freático a jusante da barragem por retenção de água a montante da mesma – durante o enchimento gradual inicial da albufeira, irá ocorrer uma diminuição do caudal normal no rio Tâmega pelo facto de água passar a estar armazenada na albufeira.
Este facto poderá ter um efeito temporário no nível freático dos aquíferos localizados para jusante da barragem, provocando o seu rebaixamento. Este rebaixamento também poderá conduzir a um aumento do fluxo de água subterrânea dos aquíferos para o curso de água. Tal significa que passaremos a ter menor quantidade de água armazenada e disponível nos aquíferos localizados a jusante da(s) barragem(ns).
Este é um impacte negativo, que pode ser significativo mas com uma magnitude relativamente reduzida. A sua duração será temporária, de efeito local, uma vez que a área a jusante que venha a ser afectada é diminuta, com incidência indirecta, reversível e com efeito a médio prazo. Este impacte, negativo, sendo difícil de minimizar, pode ser compensado.”

>> Com isto lá cai a mentira de que em Fridão iríamos ter uma maior disponibilidade de água nos nascentes, naturais ou resultantes de explorações!

Vai haver menos água para consumo e rega e seguramente de pior qualidade!

Estes são alguns dos impactes significativos que irão alterar de forma radical a vida das populações.


António Aires, in Força Fridão - 15 de Fevereiro de 2010


domingo, 14 de fevereiro de 2010

Programa Nacional de Barragens - Avaliação de Impactes Ambientais: Uma história para explicar como funciona o esquema das AIAs

Programa Nacional de Barragens - Avaliação de Impactes Ambientais
Uma história para explicar como funciona o esquema das AIAs


Nunca fui ágil de palavra (… nem de pensamento), por tal motivo tento sempre encontrar instrumentos que, dalguma forma, consigam explicar o meu ponto de vista sobre aquilo que penso.
Neste caso, a melhor ferramenta que encontrei para explicar o que me vai na cabeça em relação ao Tâmega foi uma história que pode servir de alguma utilidade para compreender como funciona o esquema das AIAs.
O mais importante é que todos compreendam o esquema que foi criado para, aparentemente, avaliar as potencialidades ambientais de um ecossistema.
O entusiasmo que vi ontem (12/02) no debate em Amarante
[org. Comissão Municipal de Acompanhamento da Barragem de Fridão] faz com que acredite que estamos perante uma inflexão neste caminho errado, que nos leva irremediavelmente ao abismo.

Esta história começa assim:

No intrincado e complexo mundo empresarial houve uma grande cooperativa que dava por nome Grande Cooperativa Agro-Florestal e Lúdica de Portugal.
Esta empresa, constituída pela associação de muitas outras cooperativas mais pequenas, estava imersa numa já longa e aparentemente interminável crise económico-financeira. Os gestores desta firma, que em tempos foi uma das mais importantes a nível mundial, não conseguiam desembaraçá-la das dívidas e despesas que a vinham acossando havia já muito.

Finalmente, uma equipa governativa (o GOVERNO), que como sempre ao longo das últimas décadas tinha sido escolhida pela maioria dos sócios cooperativistas, encontrou uma fórmula que, segundo a opinião deles, acabaria por ser de extrema utilidade para salvar da crise esta já desencantada firma empresarial.

- Estimados sócios! – brandiu o Director-Geral da Grande Cooperativa (o PRIMEIRO MINISTRO) – fizemos um laborioso e muito estudado plano encaminhado a vender a nossa frota de camiões (PLANO DE BACIAS).

A estupefacção dos sócios foi, aqui sim, unânime.


- Vender a nossa frota de camiões?... mas, então… como vamos transportar as nossas mercadorias?, – perguntaram tão ignorantes trabalhadores.

- Não se preocupem, meus caros amigos! – sentenciou o ilustre Director-Geral – faremos uma renovação total desta frota, passando a ter viaturas mais amigas do ambiente, económicas e decoradas de forma que consigam atrair melhor a atenção do público (MEDIDAS MINIMIZADORAS).

Ummm… ficaram a pensar receosos os humildes servos. Os nossos camiões eram os melhores quando foram comprados… pensaram uns. Bom,… também não são velhos pois foram adquiridos há pouco tempo… discerniam outros.

- Digos-vos mais! – insistiu o salvador da empresa – … foi feito já o concurso e temos finalmente que compre as nossas viaturas (EDP, IBERDROLA,...). Pagaram bem e foram encomendados para avaliar o estado da nossa obsoleta frota (AVALIAÇÃO DE IMPACTE AMBIENTAL).

Ao longo dos dias que se seguiram a empresa realizou aquele estudo e apresentou o mesmo aos trabalhadores. Estes, desconfiados, faziam sempre as mesmas perguntas.

- Eu conduzo aqueles camiões e nunca tive problema com eles! – sentenciava um dos motoristas da Cooperativa –
São potentes e conseguem levar muita mercadoria!…

A empresa, calma e confiante, repetia mais uma vez aquilo que ao longo dos últimos dias vinha dizendo incansavelmente.

- Os vossos camiões consomem muito, têm manutenções muito caras e não são amigos do ambiente. Se continuam com eles terão que dispensar muito dinheiro todos os anos, e nunca poderão sair desta crise.

- Mas… não resultará mais caro transportar os nossos produtos em furgonetas mais pequenas? – interrogavam os que ouviam -. Teremos que fazer mais viagens e consumir mais combustível… ! – acrescentavam –. Afinal ficaremos sem viaturas muito antes! – vociferavam os mais.

- Não se alarmem! – acalmava tranquilamente o administrador da empresa adjudicatária –, já fizemos os cálculos e todas as despesas serão muito menores. Mais a mais… – continuava aquela voz clarividente –, e sempre pensando no bem-estar de todos vocês, aconselhamos ao vosso Director-Geral que adopte um plano de férias mais adequado, de modo que ao longo dos próximos três anos possam desfrutar todos de uma semana de descanso numa estância balnear (MEDIDAS COMPENSATÓRIAS).

A história acaba como todos sabemos, pois os trabalhadores incautos acabaram por acreditar em tão melindroso plano.

António Luis Crespí (Professor Doutor - UTAD) - 13 de Fevereiro de 2010

domingo, 31 de janeiro de 2010

PNBEPH - Barragem de Fridão: Sobre o debate da Comissão de Acompanhamento da Barragem

PNBEPH - Barragem de Fridão
Fridão

A sessão de esclarecimento de hoje foi da responsabilidade, mais uma vez, de técnicos da EDP. Sendo que na sessão do passado dia 27 foram levantadas questões relacionadas com a possibilidade de oscilação de 9 metros do nível das águas na freguesia de Fridão e a questão da sua periodicidade, informação que os senhores representantes da EDP nem tocaram durante a apresentação do projecto, e que no dia 27 ficou apenas com umas respostas vagas e cheias de ses e mas, hoje foi finalmente esclarecida a situação já que estas informações foram-nos facultadas com bonequinho animado e tudo.
Fridão teve, até agora, a sorte de contar com uma ligação íntima com o rio, com praias fluviais concorridas no Verão, pista de canoagem muito usada por atletas amarantinos, num troço do rio francamente bonito, atraente e apetecível.
Fridão tem o azar de ficar, "agora", exactamente ensanduichada entre os dois escalões da barragem de jusante e da barragem de montante, a construir no rio Tâmega, exactamente nesta freguesia.
Os impactes negativos que esta freguesia de Amarante vai sofrer, que os seus habitantes vão sofrer na pele, serão pesadíssimos. E quando digo pesadíssimos quero mesmo dizer pesadíssimos.
Hoje foi-nos apresentado o esquema de funcionamento das barragens e meus deuses!, Fridão gramará com oscilações diárias do nível da água de 9 metros e estes 4 km de extensão, entre os dois escalões, serão, por certo, os mais sacrificados ao nível de todo o vale do Tâmega.
Isto não vai ser nada bonito de se ver. Nada bonito de se ver!
Obrigada, Aires, por obrigares estes senhores a divulgarem aquilo que, por certo, gostariam de esconder.


Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 30 de Janeiro de 2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

PNBEPH - Câmara Municipal de Amarante: Indigestão com o Debate sobre os Impactes Ambientais da Barragem de Fridão

PNBEPH - Câmara Municipal de Amarante
Indigestão com o Debate sobre os Impactes Ambientais da Barragem de Fridão
>
Eutrofização no Tâmega - 5 de Setembro de 2009 - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
*
Primeira consideração - O dia e a hora escolhidos para a realização de um debate desta natureza, que se diz querer ser abrangente, não foram os melhores. De facto, este debate promovido pela CMA parece ser mais para inglês ver do que outra coisa qualquer ou o dia escolhido não passaria por ser um dia de semana e não passaria por ser à hora absolutamente inconveniente a que foi marcado, 18 horas, hora a que a esmagadora maioria das pessoas jamais poderia comparecer. Assim pareceu-me que foi mais um "cumprir de calendário" que permitirá ao poder local afirmar que promoveu o debate. O que até "é verdade".

Segunda consideração - O debate não foi esclarecedor. Toda a informação negativa associada a esta construção foi escamoteada, omitida ou adoçada, na primeira intervenção, mais parecendo que a EDP nos fará um enormesco favor em construir a dita barragem e que nós, que nos opomos à sua construção, somos é uns mal agradecidos e que deveríamos era implorar pelas almas dos nossos antepassados, e quiçá pagar à EDP, pela construção da dita, de tal modo o panorama nos foi pintado em vários tons de azul celeste, celeste ou mesmo celestial, mesmo se com erros e incorrecções à mistura, como seja a "migração da Ilha dos Amores" que, coitada, assustada com o processo de eutrofização do Tâmega, resolveu migrar para junto da Ponte Nova. Não a condeno. Se eu fosse Ilha dos Amores, faria exactamente a mesma coisa, caso tivesse a possibilidade de fugir a sete pés daquela pasta verde nojenta, que se agrava a cada Verão que passa, e que é visível por qualquer olho que não seja cego.

Terceira consideração - Um dos responsáveis pelo Estudo de Impacte Ambiental, no que à Fauna diz respeito e que estava presente no debate, ao que parece não encontrou, na sua amostragem, feita na Primavera, com caudais de água elevados, em condições muito difíceis de acesso ao rio, não encontrou, dizia eu, nem lontras nem mexilhões.
E eu não pude deixar de pensar, durante esta coisa a que se chamou debate, que nem me espanta que os mexilhões não estivessem visíveis e muito menos estivessem dispostos a deixarem-se apanhar por tal técnico e pensei mesmo mais... pensei mesmo que a verdadeira comunidade de mexilhões éramos quase todos nós, presentes naquela sala, habitantes do fabuloso Vale do Tâmega que agora se pretende destruir por completo.
Quanto às lontras... enigma... talvez tenham encolhido de tamanho... talvez se tenham mimetizado com o arvoredo das margens, com a penedia que desponta, aqui e ali, à superfície da água... talvez também tenham fugido... sei lá para a Piscina Municipal que por certo é um lugar mais seguro para lontras...

Quarta consideração - Peço a alguém que tenha estado presente no debate que me ajude a digerir esta informação prestada pelo Professor Rui Boaventura que eu até tenho receio de estar a ficar taralhouca... É verdade que este senhor professor, engenheiro químico de formação, afirmou assim mesmo e sem apresentar quaisquer dados em concreto, que a qualidade da água no Tâmega melhorou com a construção da Barragem do Torrão?
E que afirmou desconhecer o processo de eutrofização no Tâmega?
Foi isto verdade ou eu estou mesmo a ficar taralhouca?

Quinta consideração - A dada altura afirmou Orlando Borges que, e estou a citar de memória sendo que retive o sentido das suas palavras, jamais o ouvirão dizer que a construção de uma barragem não trará impactes negativos, porque tem, e muitos.
Ok, foi apenas um pequeno esclarecimento e eu considero-me esclarecida.

Sexta consideração - Cabe ao moderador de um debate desta natureza, atendendo a que está a lidar com pessoas, algumas das quais vão ser afectadas, de facto, pela construção da dita barragem, sentindo os seus malefícios na pele, ser efectivamente um moderador, moderando aqui e ali, deitando alguma água fria no calor dos argumentos esgrimidos, se for caso disso, estimulando as pessoas a colocarem as suas dúvidas do modo como podem e/ou sabem, comportando-se com elegância e decoro, comportando-se com educação e correcção e jamais o seu contrário.

Sétima consideração - Estou a tentar digerir o espectáculo deplorável a que assisti. Mas não sei se vou conseguir.

Oitava consideração - Quanto mais observo de perto a actuação de inúmeros políticos mais aprecio alguns cães. Por exemplo os Dálmatas. Leais, excelentes companhias, bem dispostos, meigos, brincalhões, divertidos...

Notas finais - Logo que esteja disponível, caso venha a estar, a gravação deste debate deprimente, colocá-lo-ei neste blogue, para que todos os meus leitores possam ver com os seus próprios olhos, e escutar com os seus próprios ouvidos, aquilo que eu vi e escutei hoje.
As fotografias que ilustram este post foram tiradas por mim sem quaisquer malabarismo ou manipulações. Limitei-me a disparar.

O pé visível na fotografia é o meu, sobre a margem esquerda e putrefacta do meu rio. O meu rio é o que eu guardo na minha memória e recuso-me a pactuar calada, em silêncio, com a sua agonia.

Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 28 de Janeiro de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

PNBEPH - Rio Tâmega: Mensagem de protesto enviada à EDP

Programa Nacional de Barragens - Rio Tâmega
Mensagem de protesto enviada à EDP

No passado dia 10 de Janeiro, irritado com as notícias que dão conta das intenções do Governo em prosseguir com o PNBEPH, compilei algumas imagens que me têm sido enviadas e dirigi uma mensagem de protesto à EDP.

A mensagem é a que se segue, a resposta da EDP foi-me enviada hoje, 17 de Janeiro (Domingo), e nada de novo. É a lábia do costume.

Em Novembro de 2009, uma empresa mandatada pela EDP já me havia contactado identificando-me como um “líder estudantil de oposição à construção da barragem de Fridão” (estatuto que muito me divertiu!!!) convidando-me a comparecer num encontro onde me iriam esclarecer sobre as vantagens da construção da barragem. Declinei o convite lembrando-lhes que, neste país, contrariamente ao que os burocratas de Lisboa pensam, ainda há gente que não se vende, que é honrada por amor à honra e que, acima de tudo, ama os rios e gosta de os ver correr livremente.
.
>> PROTESTO <<
.
É a paisagem, é o património das gentes do Tâmega que VOCÊS (EDP) vão destruir… por DINHEIRO!

Com 10% do investimento previsto para a barragem de Fridão, despoluía-se o rio e criava-se infra-estruturas fluviais de recreio e lazer que promoveriam a qualidade de vida e a criação de muitos postos de trabalho, ainda que sazonais.
A natureza é o que nos resta.

A EDP que devia negociar com cada um de nós que aqui vive, fá-lo com os burocratas de Lisboa.

Aqui, no vale do Tâmega, há uma espécie que se sente ameaçada, devido ao projecto económico chamado PNBEPH. Essa espécie chama-se homo sapiens. É uma espécie esquisita, uma vez que prefere investir no rio, investir nas gentes que amam o rio sem exigir nada em troca. Mas esta espécie não é suficientemente importante para que se pondere um projecto que vai fazer desaparecer dois rios (Tâmega e Ôlo). Já se fosse um mexilhão raro…

A EDP pode investir rios de dinheiro em estratagemas que visam semear a cegueira: enganará alguns, mas não todos.
Fiquem a saber que muitas vozes incómodas continuarão a perguntar e a denunciar políticas que não nos respeitam, que não respeitam o ambiente.


António Costa - 17 de Janeiro de 2010

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

PNBEPH - A EDP e a Barragem de Fridão no "Ecos de Basto"

PNBEPH - A EDP e a Barragem de Fridão
Reflexos de uma entrevista no cabeceirense "Ecos de Basto"


No jornal Ecos de Basto, uma entrevista com o administrador da EDP.
Continuamos assim, com a campanha de charme!
Obrigado ao Mal Maior, por divulgar esta entrevista!

Rui Miguel Borges, in Casa do Eiró - 30 de Dezembro de 2009


2 comentários:

Anónimo disse...

Com 10% do investimento previsto para a barragem, despoluía-se o rio e criavam-se infra-estruturas fluviais de recreio e lazer que promoveriam a qualidade de vida e a criação de muitos postos de trabalho ainda que sazonais.
A natureza é o que nos resta.
Mas, isto é o país que temos.
30 Dezembro, 2009 15:37


Vítor Pimenta disse...

Pois, caro anónimo. Somos apenas indígenas numa terra que deixou de ser nossa.
A EDP que devia negociar com cada um de nós que aqui vive, fá-lo com os burocratas de Lisboa. Nós também somos aquilo que merecemos ser.
02 Janeiro, 2010 15:19

PNBEPH - A EDP e a Barragem de Fridão: Uma tremenda entrevista apontada ao coração do Tâmega







PNBEPH - A Barragem de Fridão no conceito da EDP
Uma tremenda entrevista apontada ao coração do Tâmega

António Pacheco Castro (EDP)

«Barragem de Fridão apresenta-se como oportunidade de Desenvolvimento»

Dr. António Castro à conversa com o Ecos de Basto fala da importância deste projecto

O Plano Nacional de Aproveitamento Hidroeléctrico prevê a construção de várias barragens entre as quais a de Fridão, cuja construção terá um impacto directo ou indirecto nos Municípios das Terras de Basto e do Baixo Tâmega.
Trata-se de um investimento desejado por uns, contestado por outros e sobre o qual o Dr. António Castro Administrador da EDP – empresa concessionária deste projecto - aceitou falar ao jornal Ecos de Basto com o intuito de melhor esclarecer as pessoas sobre os objectivos desta importante obra e o seu impacto nas regiões ribeirinhas do Tâmega.


Porquê fazer mais barragens em Portugal?

Um aspecto muito importante na construção de novas barragens em Portugal está associado ao facto do nosso país ter um potencial hídrico por explorar que é dos maiores da União Europeia. Temos ainda uma grande dependência energética do exterior e um compromisso de aumentar a percentagem de energia eléctrica produzida por fontes renováveis de forma a cumprir os objectivos da Directiva Europeia associada às energias renováveis (2001/77/CE). Neste contexto verifica-se também uma grande expansão da produção de energia eólica que continuará nos próximos anos, produção esta que está muito dependente da variabilidade do vento, razão pela qual são necessárias fontes alternativas de produção de energia que entrem na rede de forma muito rápida e, assim, compensem a variação de produção ou a paragem dos aerogeradores. Esta flexibilidade é uma das características positivas das centrais hídricas, que introduz melhorias na fiabilidade e segurança de funcionamento do sistema eléctrico português com implicações na garantia do abastecimento. É cada vez mais importante a necessidade de utilizar mais fontes de produção energética que permitam uma melhoria na qualidade de vida actual, sem comprometer a dos nossos filhos no futuro, isto é garantir um desenvolvimento sustentável, pelo que a utilização de fontes de energia renováveis e internas ao país, constitui uma mais-valia que tem que ser explorada. Neste sentido o Governo português identificou e pôs a concurso a construção de barragens a nível nacional, entre as quais estava a barragem do Fridão. A EDP ganhou a concessão desta última e é, por isso, responsável pela sua promoção e exploração.

A qualidade da água no rio vai piorar à semelhança do que aconteceu no Torrão?

Este é um dos aspectos que a EDP teve em conta de uma forma particular na concepção do Projecto porque considera que a execução de um empreendimento deste tipo não pode comprometer a qualidade da água do rio e reconhece que esta é uma das principais preocupações das populações que convivem de uma forma próxima com o rio Tâmega. Assim, está prevista a desmatação, a desarborização e a limpeza prévia da área a inundar, por serem medidas preventivas importantes como uma forma de evitar a criação de factores de degradação da qualidade de água do rio, que podem ter como consequência o eventual desenvolvimento excessivo de algas no rio. No entanto, é importante referir que a albufeira do Torrão não pode ser comparada com a albufeira do Fridão por várias razões, das quais se destacam, para além da diferença de cotas, a ocupação da zona envolvente que, no caso do Torrão, é mais densa quer ao nível da povoação ribeirinha quer ao nível da actividade agrícola, pelo que haverá menor rejeição de águas residuais não tratadas para o rio e menor contaminação devida a produtos usados na agricultura. O tratamento das águas residuais é um aspecto determinante na qualidade da água do rio, quer haja barragem quer não haja. Neste momento, estão previstas 12 ETAR´s para a zona de influência da albufeira, cuja execução é da responsabilidade da empresa Águas do Ave, com a qual a EDP tem mantido contactos, e que eliminarão descargas não tratadas no rio, prevendo-se assim que as situações de menor qualidade da água estarão mais controladas. Lembre-se que não é só o facto de ter sido criada uma albufeira que piorou a qualidade da água do rio na zona do Torrão, mas essencialmente o facto de nele serem feitas rejeições sem tratamento. Como medida complementar muito importante no decurso da exploração da albufeira do Fridão, a qualidade da água será controlada com base num programa de monitorização adequado, que servirá para determinar a necessidade de aplicação de medidas minimizadoras no caso de se detectarem situações que exijam intervenção. No contexto da legislação recente, surge a Directiva-Quadro da Água que estabelece directrizes muito rigorosas relativamente à qualidade da água, que obrigam os países a concretizarem medidas em muitos casos mais exigentes do que as da legislação em vigor. Desta forma, as populações ribeirinhas têm a garantia de que este projecto, por via da aplicação da directiva, garante acções efectivas que promovem a qualidade da água no rio.

Qual vai ser a cota máxima da albufeira do Fridão?

Tudo aponta para que a albufeira tenha um nível de pleno armazenamento à cota 160, de acordo com as principais conclusões do Estudo de Impacte Ambiental. Esta cota corresponde a ter um plano de água que não chega a afectar a ponte e pista de pesca de Cavez, situada cerca de 800m a montante da praia fluvial de Cavez. Para dar uma referência do que significa esta cota, pode-se afirmar que a água subirá cerca de 8,7 metros acima da ponte do rio Tâmega que liga as freguesias de Arco de Baúlhe no concelho de Cabeceiras de Basto à de Atei no concelho de Mondim de Basto.
A alternativa à cota 165 que também foi estudada, porque estava prevista no Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico, apresenta do ponto de vista ambiental e sócio-económico impactes significativamente maiores, de acordo com o Estudo de Impacte Ambiental já desenvolvido, pelo que não parece ter condições de viabilidade, conclusão que só será definitiva com a emissão da Declaração de Impacte Ambiental.


Portanto essa ponte vai ser afectada. Há outras pontes que serão afectadas no concelho de Cabeceiras de Basto?

Além desta ponte sobre o rio Tâmega será ainda afectada a ponte sobre o rio Ouro na proximidade da sua foz, junto ao lugar de Barca. Está prevista a substituição não só destas duas pontes por outras com melhores condições de circulação como também o restabelecimento das vias de comunicação afectadas pela albufeira, que nas proximidades das duas pontes totalizam uma extensão de cerca de 450 metros, melhorando as funcionalidades actuais.

Vai haver criação de emprego localmente?

Está prevista a criação de 1 000 novos postos de trabalho directos no pico máximo da construção e estima-se que serão criados até 3 000 postos de trabalho indirecto. Admite-se, à semelhança do que se tem verificado noutros projectos semelhantes, que uma parte destes novos postos de trabalho seja ocupada com recurso à contratação de mão-de-obra local. A construção do empreendimento, que se prolongará por cerca de 5 anos, envolve um volume de investimento elevado, que em parte será um estímulo para a economia local, designadamente através da aquisição de bens e serviços por parte da obra e desenvolvimento de actividades ligadas à hotelaria, qualquer delas potenciadora da criação indirecta de emprego. Na fase de exploração, a criação do plano de água permitirá o desenvolvimento local e regional essencialmente pela atractividade da zona da albufeira que terá condições para o desenvolvimento de actividades turísticas e de lazer, também elas potenciadores da criação de emprego.

Além da criação de emprego, que outros benefícios traz esta barragem para as povoações?

A exploração da albufeira será efectuada com variações de nível da água que no máximo atingirão os 3m, criando assim um plano de água estável propício à promoção de actividades turísticas baseada na valorização dos recursos naturais e patrimoniais da região. Constituirá, ainda, uma reserva de água estratégica, podendo servir vários fins, nomeadamente o combate a incêndios, abastecimento de povoações e rega.

Que quantidade de energia vai produzir este aproveitamento hidroeléctrico do Fridão?

Está previsto que o aproveitamento associado à barragem do Fridão tenha uma produção em termos médios anuais de cerca de 300 GWh. Para dar uma ideia da ordem de grandeza deste valor, ele é equivalente ao consumo anual previsto para daqui a dez anos na totalidade dos concelhos da
sua área de influência. Esta produção será conseguida por meio de um grupo gerador com 238 MW, que utiliza para esta potência um caudal do rio de 350 m3/s. Estima-se que a produção média anual referida, conseguida a partir de uma fonte de energia renovável, evite a emissão de cerca de 100 mil toneladas de CO2 anuais, contribuindo assim para a redução da emissão de gases com efeito de estufa, e que permita evitar uma importação de combustíveis fósseis, avaliada em cerca de 46 milhões de m3N/ano se considerarmos como combustível substituído o gás natural.

Vai haver ou não afectação do clima, por exemplo aumento de nevoeiros?

A EDP encomendou um estudo à Universidade Técnica de Lisboa, incluído no Estudo de Impacte Ambiental, com o objectivo de identificar as afectações climáticas na região devidas à criação da albufeira e sua influência na produção de vinho verde. Este estudo mostrou que o acréscimo de nevoeiro que poderá ocorrer não será muito significativo, pelo que, não é previsível que haja influência na vida das populações ou afectação da produção de vinho na região.

Em que ano está previsto o início da obra?

No planeamento deste aproveitamento, e atendendo a que há várias actividades que têm que ser efectuadas de forma articulada e sequencial, nomeadamente a emissão da DIA (Declaração de Impacte Ambiental) e posterior elaboração do Projecto de Execução e adjudicação da obra, prevê-se o seu início em meados de 2011.

Quando vão começar a expropriar terrenos e casas afectadas?

As expropriações serão efectuadas em duas fases com prioridades distintas. A primeira incidirá sobre os terrenos directamente afectados pelas frentes de obra, nomeadamente zonas onde serão implantadas as barragens, central e acessos de obra, que terão que estar concluídas previamente ao início dos trabalhos. Seguir-se-ão as expropriações dos terrenos e outro património afectado pelos planos de água, que será uma actividade que ocorrerá ao longo da construção, tendo que estar concluída previamente ao enchimento da albufeira.

Em que ano está previsto o enchimento da albufeira?

Está prevista a entrada em exploração durante o ano de 2016, pelo que previamente terá que se proceder ao enchimento da albufeira.

Se um habitante da região considerar que vai ser afectado pela obra o que poderá fazer?

Qualquer pessoa ou entidade que considere que pode ser afectada ou que tenha qualquer questão a colocar, pode, para o efeito, contactar a EDP por meio de carta ou correio electrónico (barragem.fridao@edp.pt) havendo o compromisso de que as questões que cheguem serão devidamente consideradas e sempre respondidas. Outra forma de ter um papel activo no desenvolvimento deste processo é a participação no período de consulta pública, que decorrerá entre 18 de Dezembro e 15 de Fevereiro, sendo a APA (Agência Portuguesa do Ambiente) a entidade responsável por esta actividade. Com o objectivo da população da região conhecer melhor o projecto, suas afectações previsíveis e medidas de compensação ou minimização previstas no EIA (Estudo de Impacte Ambiental), as autarquias e juntas de freguesia terão documentos associados a este estudo, que estarão disponíveis para serem consultados pela população em geral.

António Pacheco Castro (EDP), in Ecos de Basto - Dezembro de 2009

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Mistic River versus Programa Nacional de Barragens - O rio Tâmega, Amarante e a EDP sobre Fridão

Mistic River versus Programa Nacional de Barragens
O rio Tâmega, Amarante e a EDP sobre Fridão

Tâmega Mistic River versus EDP

...EDP propõe-se aprisionar o Tâmega

A barragem de Fridão ameaça segurança da cidade de Amarante

...liquida o rio Tâmega e coloca em risco a zona ribeirinha de Amarante

Artur Freitas (cor.), in YouTube - 31 de Dezembro e 1 de Janeiro de 2010

Amarante pré-EDP/Barragem de Fridão

Amarante pré-EDP/Barragem de Fridão


A EDP garante que construirá aqui uma pista de Águas Bravas para substituir a que a Barragem de Fridão vai submergir...

Artur Freitas (cor.), in YouTube - 1 de Janeiro de 2010

PNBEPH: Amarante e o Tâmega versus Barragem de Fridão - Mais um contributo para o debate

PNBEPH - Amarante e o Tâmega versus Barragem de Fridão
Mais um contributo para a realização do debate

M. Jorge Carneiro, in YouTube - 29 de Dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

PNBEPH - Tâmega: «Assim se prepara o desconcerto final»

PNBEPH - Barragens no Tâmega para o fim dos nossos dias
Tâmega: «Assim se prepara o desconserto final»
E assim se prepara o desconserto final de uma região moribunda.
O que interessamos nós?
Hoje amaria ser um simples mexilhão com força suficiente para impedir a construção desta barragem que aumentará exponencialmente os problemas de eutrofização, já mais do que sentidos aqui no Tâmega, e que estão à vista de todos os que têm olhos na cara... olhos de ver, bem entendido...
Terminaremos os nossos dias abrindo portas e portadas de casas viradas para o alguedo do Tâmega? Ou fechando-as?
Terminaremos os nossos dias passeando-nos pelas ruas e praças xpto da cidade de máscara na cara, não com medo do H1N1 mas para travar o pivete de exalará o Tâmega?
Outra barragem no Tâmega?! Como se o Tâmega suportasse mais este crime!
Ainda se desmantelassem a do Torrão e deixassem o rio fluir livremente no seu leito... sacudindo décadas de porcaria acumulada...


Anabela Magalhães, in Anabela Magalhães - 27 de Dezembro de 2009

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Assembleia da República: 'Que outros valores mais altos se levantam...' ao Ministério do Ambiente?

Assembleia da República:
'Que outros valores mais altos se levantam...' no Ministério do Ambiente?

Heloísa Apolónia (Partido Ecologista "Os Verdes"), in twitter - 21 de Dezembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Programa Nacional de Barragens e Sustentabilidade - Dizer não a dinheiro “sujo”

Programa Nacional de Barragens e Sustentabilidade
Dizer não a dinheiro “sujo”

Foi há cerca de duas semanas que as Organizações Não Governamentais de Ambiente (ONGA) portuguesas emitiram um comunicado rejeitando a utilização do Fundo EDP Biodiversidade 2009 enquanto “persistirem na mentira de que as grandes barragens constituem um benefício para a Protecção da Natureza.”. Evidentemente, a razão apontada para esta rejeição é o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, aprovado apesar das fortes críticas destas associações. O episódio mostra um problema típico das empresas que querem vestir a camisola da sustentabilidade mas que não interiorizaram o conflito entre a sustentabilidade, nas suas múltiplas dimensões, e o seu modelo de negócio, conflito esse que numa empresa produtora de electricidade é bastante evidente. O problema é que por mais esforços que a EDP tenha feito em mudar a sua imagem, com campanhas publicitárias que apelam para a preservação do planeta e distribuição de lâmpadas com menor consumo energético, o seu negócio é vender energia. Ora o consumo de energia é precisamente uma das mais exigentes facetas da actividade humana em termos do seu peso na utilização de recursos, sobretudo em países desenvolvidos. No caso das Grandes Barragens, surgem pelo menos dois impactos ambientais contraditórios: um positivo, relacionado com a ausência de emissões de gases com efeito de estufa, e um negativo, que é a destruição total dos ecossistemas ribeirinhos (já agora, a criação de lagos artificiais que os seres humanos acham bonitos e onde podem andar passear, em barco a remos ou mota de água, não é de forma nenhuma um impacto ambiental positivo no sentido rigoroso da expressão!!!)Em qualquer caso, apoiar ou não a construção de novas barragens é sempre um exercício complicado. Num país como Portugal, em que uma boa parte do potencial hidroeléctrico está aproveitada e onde rareiam as zonas ribeirinhas em regime natural, é natural que o valor destas em termos da biodiversidade seja considerada pelas ONGA como superior ao potencial benefício de redução de emissões. Acresce que a biodiversidade (e a preservação de espécies e ecossistemas de que é indissociável) é um dos aspectos em que Portugal menos tem progredido (ver http://www.sedes.pt/blog/?p=1277). Mais, todos sabemos que depois de um forte investimento em capacidade instalada, com infra-estruturas como barragens que têm custos fixos elevados e custos variáveis relativamente reduzidos, a estratégia rentável será sempre vender o eventual excesso de produção de energia, ainda que a um preço baixo. Isto vai exactamente no sentido contrário do desejado, especialmente se considerarmos a apropriação dos recursos naturais não só em termos imediatos mas também olhando para a trajectória. O preço da energia tem de subir para dar o sinal correcto. O PNBEPH é, claramente, um movimento na direcção errada. Não admira que o “Canal ONGA” no site da EDP esteja às moscas… Uma observação final é que não basta perguntar o que fazem as barragens às alterações climáticas, é preciso ver também o que as alterações climáticas podem fazer às barragens…alguém fez uma análise de viabilidade destas barragens face às variações de precipitação e escoamento que estão previstas na Península Ibérica (e que podem chegar a uma descida de 50% nalgumas bacias hidrográficas)? Vai haver água para assegurar um fluxo suficiente para uma produção rentável? O caso do PNBEPH até vem destacado num recente relatório internacional da WWF sobre a utilização da água…O que as empresas têm que perceber é que o mais certo é haver conflitos entre diferentes objectivos ambientais, e entre estes e os objectivos financeiros. Não basta gastar dinheiro em marketing, como quem atira poeira para os olhos das pessoas, para os problemas desaparecerem. A sustentabilidade é um desafio para todos nós. Ninguém disse que era fácil.

Catarina Roseta, in sedes - 21 de Julho de 2009

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

As barragens e a lavagem de imagem da EDP

As barragens e a lavagem de imagem da EDP

Falando de publicidade, há o que considero estar dentro do limite razoável do parcialismo e do “puxar a brasa à sua sardinha” e há aquilo que considero que passa além da parcialidade, além da simples falácia e entra no campo da hipocrisia descarada, da mentira disfarçada de boas intenções.
A campanha da EDP sobre projectos de barragens, entra infelizmente nesta última categoria. Talvez seja a necessidade de lavar a imagem, depois de anos debaixo de pressão com questões mediáticas como o controverso projecto da barragem do baixo Sabor.

É interessante ver que os animais referidos como sendo defendidos pela actividade da EDP através do projecto de barragens, são justamente os mais emblemáticos de entre aqueles que são mais prejudicados pela construção de tais empreendimentos. Os mesmos que foram usados como bandeira por várias associações de defesa do ambiente para sensibilizar o país dos prejuízos que resultam da construção de uma barragem.
Como centenas de outras espécies de animais e plantas menos conhecidas, os lobos, lontras e águias vêem a sua sobrevivência largamente dificultada, se não mesmo impossibilitada, nos locais onde, de repente, surge um enorme lago represado por uma barragem.

Os lobos estabelecem e percorrem territórios imensos, atravessam linhas de água, montes e vales. Uma barragem vem criar um obstáculo intransponível aos percursos destes animais, fragmenta dramaticamente os seus territórios e isola populações que, já sendo baixas como são, muito facilmente se tornarão inviáveis. A tendência será a de desaparecerem da paisagem.
Sobre peixes, e aproveitando o exemplo da projectada barragem do baixo Sabor, esta construção vai eliminar a única zona de desova possível para a população de barbos que vive na barragem da Valeira, no rio Douro onde o Sabor desagua. Sem condições para se reproduzirem, a extinção é inevitável.
Olhando ainda para as imagens da campanha, mostra-se aí um vale com um rio não represado. Quase parece um contra-senso, não parece? A construção de uma barragem ajuda a preservar a paisagem de um rio não represado?

Pois é efectivamente um contra-senso, e sem dúvida nenhuma este mesmo princípio se aplica às restantes imagens dos animais projectados no paredão da barragem.

Jogando com o trocadilho projecto/projecção, que a própria campanha apresenta, “Quando projectamos (estas imagens no paredão de) uma barragem, (não) estamos a projectar um futuro melhor”, estamos a projectar o que foi destruído, o que ali havia antes da barragem ser construída!

É aqui que reside a falácia e a decepção desta campanha. Eu não os iria criticar, não tão fortemente pelo menos, se mostrassem céus azuis, campos sem poluição, se destacassem o carácter renovável da energia criada e com isso a protecção indirecta do ambiente, até que falassem nas metas de Quioto, mas assim...
E o que mais me preocupou, e se calhar o que mais me incentivou a escrever este texto, é que, à conversa com alguns amigos e colegas de trabalho sobre esta campanha, percebi que a maior parte das pessoas não está informada, ou atenta o suficiente, para perceber esta falácia tão óbvia. Nem mesmo a apresentação de um vale com um rio selvagem, com cascatas lhes pareceu contraditório com o facto de isso não poder de algum modo ser protegido pela construção de uma barragem.
E é certamente este o público-alvo desta campanha, a grande massa de pessoas menos informadas que, espera a EDP, venha a associar uma barragem à preservação do ambiente, e em particular às espécies retratadas.

Há ainda outra falácia, a do desenvolvimento social das populações locais. Uma barragem só traz movimento e desenvolvimento local durante a sua construção. Durante todo o período de funcionamento normal, uma barragem emprega “meia dúzia” de pessoas, maioritariamente técnicos especializados que, apenas por coincidência serão das populações locais.
Como vai ser então promovido o desenvolvimento local. Com o turismo que se pode promover em resultado do lago artificial, praias fluviais, restauração, hotéis talvez? E pergunto então como fica isso em relação ao prejuízo ambiental que refiro antes? Se as coisas já ficaram mal nesse aspecto então como vão ficar com o crescimento do turismo?

A verdade é que uma barragem causa muitos danos ambientais aos locais onde vai ser implantada. Os ecossistemas são destruídos de modo irreversível, e são criadas novas condições, vai evoluir-se para outra situação qualquer, muito mais pobre do ponto de vista de biodiversidade, e à custa da destruição massiva do que existia antes.

E há alternativas, cito por exemplo um recente comunicado emitido pela Plataforma Sabor Livre sobre este mesmo assunto: “Com o mesmo investimento previsto para o Programa Nacional de Barragens, seria possível pôr em prática medidas de uso eficiente da energia que, sem perda de funcionalidade ou conforto, permitiriam poupar cerca de cinco vezes mais electricidade do que a produção das barragens propostas”.
Aponto igualmente o facto de, depois de esmiuçadas todas as razões, causas e factores, não ser difícil perceber que a decisão de construir uma barragem aqui ou ali depende fundamentalmente de questões financeiras. Constrói-se aqui porque ali é mais caro. Se não está convencido convido-o a visitar o website da Plataforma Sabor Livre e a ler aí os diversos estudos e relatórios relacionados com a construção da barragem do Baixo Sabor e das alternativas que existiam.

Armando Frazão (Texto e Fotos), in Naturdata - 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A campanha da EDP sobre barragens: «a mais hipócrita das ofensivas de propaganda do tempo recente»

Momentos felizes e ilusões

(...)
2) A campanha de «informação» da EDP sobre barragens e sobre a conservação da natureza é um primor de profissionalismo e eficácia. Revela também que sobejam para aqueles lados os recursos financeiros que a crise nega ao comum das empresas. E apresenta aquela que deve ser já a mais hipócrita das ofensivas de propaganda do tempo recente.
Antecipando-se à contestação certa, a EDP quase nos convence que as barragens que construirá — por exemplo o Baixo Sabor, entre outras — são indispensáveis à fauna e flora daqueles locais. Mas a Natureza, ali, não sabe nadar. As espécies que se podem contemplar nos anúncios da EDP, voando felizes, serão aquelas mais afectadas pela construção das barragens. As paisagens que constam nos painéis e anúncios de página… desaparecerão para todo o sempre. A campanha de informação… desinforma, vende ilusões, pura realidade virtual. Para defender a construção de barragens, usem-se outros argumentos, que os haverá talvez. Mas não nos encham os olhos com miragens, nem usem milhões para vender uma bem urdida ilusão, uma milionária mentira!
Bernardino Guimarães
Foto de Raízes.e.Asas
(Publicado no JN hoje, 9/5/09)
.
Bernardino Guimarães, in Peregrino - 9 de Junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

A EDP e os milagres do Dr. Mexia

A EDP e os milagres do Dr. Mexia

A EDP acaba de apresentar resultados fantásticos, com aumento da facturação em plena crise. O Dr. Mexia, que revela saber mexer-se como ninguém no meio deste caos, dissertou sobre o seu milagre à imprensa. De facto, uma empresa que não vende alimentos, mas energia, que move a economia, deveria estar em linha com a evolução do mercado que se encolheu mais de 10%.

Mas não, nem a época de maior crise económica desde a 2ª Guerra, faz decrescer os lucros desta empresa. Quem é que está a pagar o pato? São os portugueses e as empresas portuguesas que têm os meios de produção mais caros do mundo, para gáudio destes gestores gananciosos que fazem o que querem como marajás das arábias. Não contentes pavoneiam-se sem que a entidade reguladora tome qualquer medida. Pergunto o que fazem aquelas lesmas pardacentas que comem no orçamento do país?

Outro sinal de pouca seriedade é a campanha publicitária que a presidência desta companhia autorizou passar acerca das barragens que aí vêm. Começa por sugerir que fazem as barragens a pensar nas populações de morcegos, de pássaros, de peixes, nos sobreiros, etc.
Quem pretendem enganar? Porque não dizem a verdade, que é técnico-científica acerca das vantagens da hidroelectricidade, as reservas estratégicas de água, a complementaridade com a eólica, etc.

Eu tenho argumentos técnicos e científicos a favor destas infra-estruturas, mas nenhum é a favor de morcegos, nem de sobreiros. Esta falsidade mina a confiança que os pilares da nossa sociedade deveriam manifestar.

Portanto, duas questões que deveriam envergonhar o dr. Mexia: os lucros de uma exploração monopolista à custa da ruína dos portugueses e a mentira desbragada numa campanha mediática falsa de muitos milhões de euros.

Mário Russo, in Clube dos Pensadores - 8 de Maio de 2009

terça-feira, 19 de maio de 2009

Não venhas, espelho de água

Não venhas, espelho de água


Na edp cuidar do meio ambiente,

e proteger as espécies em extinção

e melhorar a qualidade de vida das pessoas


faz parte da nossa missão
quando projectamos uma barragem


projectamos um futuro melhor.

edp Sinta a nossa energia
Carlos Leite, in Pensar Basto - 8 de Maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

EDP faz Campanha Publicitária Hipócrita

EDP faz Campanha Publicitária Hipócrita




Em grande contraste com a excelente qualidade deste vídeo de A. Santos, a nova campanha da EDP é vergonhosa e pura lavagem verde. Então vamos ter uma barragem no Sabor, rio que transborda fauna e flora únicas (que deixará de existir quando a barragem for construída) e pretendem cuidar da biodiversidade não se sabe quando nem onde vão? E alguma vez as nossas barragens têm sido benéficas para as águias (aves rupícolas)?
As barragens que provocam alterações na geologia (muitas vezes golpes fundos nas montanhas) e alterações paisagísticas profundas, erosão das margens dos rios, fim do habitat e extinção de património humano, por deslocação de povoações inteiras e às vezes à força (sem ter havido consulta pública).

As ONGA já manifestaram o seu inteiro repúdio. Ler aqui o comunicado.

João Soares, in BioTerra - 1 de Maio de 2009